24/9: Nossa Senhora das Mercês

A 24 de setembro, muitas cidades celebram esta festa mariana, uma invocação promovida pela Ordem Mercedária com mais de 800 anos, que se espalhou pelo mundo. S. Josemaria teve sempre uma devoção especial à padroeira da cidade de Barcelona.

Opus Dei - 24/9: Nossa Senhora das Mercês

Ver também: Mensagem do Papa Frnacisco pelos 800 anos da Ordem dos Padres Mercedários | A viagem de S. Josemaria a Roma e a devoção a N.ª Sr.ª das Mercês | “Amo a vida e gostaria de continuar a viver”: a confissão de Vitorina (numerária auxiliar) e a sua devoção à Merced

A história de uma invocação

É neste contexto que S. Pedro Nolasco, jovem mercador de Barcelona, refere ter tido uma aparição da Virgem Maria e que lhe deu “ordem” para a fundação de uma congregação de frades

A ordem da Nossa Senhora das Mercês, da Misericórdia dos Cativos ou da Esmola dos Cativos (Ordo Beatae Mariae Virgini de Mercede) foi fundada, em 1218, por S. Pedro Nolasco (Barcelona) perante a questão da reconquista, onde os avanços e recuos, as autoridades públicas procuraram criar um sistema de redenção dos cativos.

É neste contexto que S. Pedro Nolasco, jovem mercador de Barcelona, refere ter tido uma aparição da Virgem Maria e que lhe deu “ordem” para a fundação de uma congregação de frades cuja principal missão era o resgate dos cativos, nem que para isso tivesse que vender tudo o que tivesse.

Algumas fotos da devoção à “Virgen de la Merced”, padroeira de Barcelona.

A busca da misericórdia para com os cativos cristãos, que muitas vezes caiam na escravidão, quer nas terras ocupadas pelos mouros, quer no norte de África

Pedro Nolasco punha então tónica na “mercê”, o que para ele era entendido como a realização de uma boa ação sem recompensa. A busca da misericórdia para com os cativos cristãos, que muitas vezes caiam na escravidão, quer nas terras ocupadas pelos mouros, quer no norte de África (fruto da pirataria que assolava as costas do Mediterrâneo Ocidental), fazia com que estes frades desejassem trocar suas vidas pela dos cativos.

Estes frades mostravam uma grande devoção por Nossa Senhora, tomando-a por patrona e guia, honrando-a na figura de Mãe das Mercês e Virgem Redentora, que segundo o fundador liberta, consola e protege todos os que estão presos, todos os cativos no mais amplo da palavra. Este culto rapidamente se propaga à Catalunha e a toda a Espanha, França e Itália, sobretudo durante o século XIII.

As referências no P. António Vieira

Sobre a invocação de N.ª Sra. das Mercês, afirma que “Ela como fundadora do instituto foi a primeira a conhecer a Redenção”.

Durante o século XIII e XIV julga-se que a Ordem terá resgatado cerca de trezentos mil cativos. Os frades Mercedários seriam então cerca de três mil entre os quais muitos terão sofrido o martírio às mãos dos muçulmanos no cumprimento do seu voto. Segundo o P. António Vieira, no Sermão de S. Pedro Nolasco, estes feitos eram obra visível do instituto fundado pelo santo: “ordenou que seus filhos professassem pobreza, e juntamente redenção dos cativos. Para quê? Para que, pelo voto de pobreza, deixassem tudo o que tinham e pelo voto da redenção, mendigassem para ela o que não tinham, que é o que fez o Filho de Deus.”

Escultura em mármore de “Nossa Senhora das Mercês” do séc. XVIII no museu de Lisboa (fonte: http://acervo.museudelisboa.pt)

Sobre a invocação de N.ª Sra. das Mercês, afirma que “Ela como fundadora do instituto foi a primeira a conhecer a Redenção”. E que foi por ação dela, através da aparição a Pedro Nolasco, a Jaime de Aragão e a S. Raimundo de Peñafort, queria que se fundasse este novo instituto, sobre seu nome e patrocínio. Para Portugal falamos da sua presença a partir de 1284, vindos no séquito da rainha Sta. Isabel de Aragão, estabelecendo convento em Beja cerca de 1300, sendo em 1503 integrados no Convento de Sta. Clara na mesma cidade.

A devoção de S. Josemaria a N.ª Sr.ª das Mercês

No dia 20 de setembro de 2004, por iniciativa da Irmandade de Nossa Senhora da Piedade, foi colocada na basílica da padroeira de Barcelona uma imagem de S. Josemaria a rezar diante dessa imagem.

Na história pessoal de devoção a Nossa Senhora das Mercês há um momento singular: 21 de junho de 1946. Nesse dia, o fundador do Opus Dei visitou a basílica antes de empreender a viagem a Roma da qual voltaria com a primeira aprovação Pontifícia do Opus Dei.

A Virgen de la Merced é também a padroeira de Jerez de la Frontera. Na imagem, ao passar pelo Santuário Torreciudad.

Antes de 1946, S. Josemaria já tinha visitado a Virgen de la Merced. E há também registos de que repetiu a visita em 1962, 1966 e 1972. Como aponta Josep Masabeu no seu livro Escrivá de Balaguer en Cataluña, 1913-1974. Vestígios de São Josemaria , la “Merced” marcou a vida do fundador do Opus Dei.

Em 1966, São Josemaria dizia em Barcelona: “Quando, depois de algum tempo, se escrever a história do Opus Dei, será necessário sublinhar - quantos acontecimentos me vêm à memória! - tantos acontecimentos que se sucederam aqui sob o olhar da Virgem Maria das Mercês”.

Fonte: Artigo de Luís Filipe Sousa em Academia