Evangelho de terça-feira: viver para servir

“Que o maior entre vós seja vosso servo”. Cristo, contrariamente ao que faziam aqueles escribas e fariseus, vivia o que pregava. Fomentemos no nosso coração uma atitude de serviço que nos leve a viver continuamente entregues aos outros.

Evangelho
Naquele tempo, Jesus falou às multidões e aos seus discípulos, dizendo:

- Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fa­ri­seus. Observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem, mas não imiteis as suas ações, porque dizem e não fazem.

Atam cargas pesadas e impossíveis de levar e põem-nos sobre os ombros dos outros homens, mas nem com um dedo as querem mover.

Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens. Trazem mais largas as filactérias, e mais compridas as franjas dos seus mantos. Gostam de ter os primeiros lugares nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sina­go­gas, das saudações na pra­ça e de serem chamados rabi pelos homens.

Mas vós não vos façais chamar ra­bis, ­ porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos.

A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, O que está nos céus.

Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é o vosso Mestre, Cristo. Que o maior entre vós seja vosso servo.

Aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.


Comentário

No Evangelho que a Igreja hoje nos convida a considerar, o Senhor faz uma dura crítica àqueles escribas e fariseus que, no seu modo de actuar, se guiam pela aparência externa das suas acções em vez de viver de acordo com a verdade.

Em certas ocasiões, esta crítica feita pelo Senhor contra os hipócritas constituiu o fundamento para considerar Jesus como um revolucionário frente a práticas desprezíveis de que Ele mesmo se distancia.

Contudo, o Senhor não pretende abolir a Lei ensinada por escribas e fariseus (cf. Mt 5, 17), mas purificá-la e levá-la à sua plenitude. Em contraste com aqueles homens que “dizem, mas não fazem” e “gostam de ser os primeiros”, Jesus ensina-nos que os cristãos somos chamados a servir e a humilhar-nos. E, ao contrário deles, Jesus não só diz, mas corrobora estas palavras com o seu holocausto na cruz.

O cristão, como bom discípulo de Cristo, tem de procurar o serviço e não a honra. Precisamente esta perspetiva, que se traduz em modo de viver, é a parte realmente revolucionária da mensagem de Cristo. Um discurso que não se fica pela teoria, mas que se faz vida porque sabe concretizá-lo nos mil detalhes de cada dia.

Com a sua vida e as suas palavras o Senhor vai-nos preparando para acolher o dom iminente da Páscoa. Viver em contínua atitude de serviço e de entrega aos outros é o melhor modo de deixar que a graça entre no nosso coração.