Clésio: da Guiné a Santa Comba Dão para ajudar as vítimas dos incêndios

Publicamos o testemunho de Clésio Batista, estudante guineense em Lisboa e promotor de um fim-de-semana diferente para 10 estudantes universitários: a assistência às vítimas dos incêndios de Cagido (Santa Comba Dão).

Iniciativas sociais
Opus Dei - Clésio: da Guiné a Santa Comba Dão para ajudar as vítimas dos incêndios

Chamo-me Clésio Batista, sou guineense e vivo na Residência Universitária Montes Claros. Acabei recentemente o Mestrado em Contabilidade e Fiscalidade e estou a estagiar numa consultora de Contabilidade.

Depois dos incêndios que abalaram Portugal no ano passado, eu e mais alguns residentes, não quisemos ficar indiferentes. Pensamos em diferentes formas de ajudar as vítimas.

Procuramos participar nas muitas iniciativas organizadas pela sociedade civil. Aceitamos o convite para integrar um projecto de voluntariado em Cagido (Santa Comba Dão) entre 16 e 18 de Fevereiro, organizado pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão. O programa tinha vagas limitadas mas facilmente conseguimos reunir 10 voluntários para ajudar.

O nosso trabalho foi basicamente limpar os escombros das casas afectadas. Uma tarefa simples, mas algo que nos ajudou a ter um contacto mais real com o rasto devastador dos incêndios, que muitas vezes conhecemos com uma certa distância, só quando estamos sentados a ver o Telejornal. Este trabalho em equipa é aparentemente simples: nada de especial, nada de que nos possamos gloriar. Por outro lado, todos saímos desta experiência mais amigos e com lições aprendidas que nos servirão para o nosso dia-a-dia em Lisboa.

Dedicamos também algumas horas ao contacto com os habitantes de Cagido. Trata-se de uma população maioritariamente envelhecida: mais de 95% da população tem idade superior a 85 anos. Chamávamos a todos “avozinhos”. Muitos deles falavam connosco sobre os incêndios com grande abertura. Algo que jamais esquecerei. Foram histórias reais de pessoas que se salvaram dos incêndios. E todos com um relato parecido: a constatação de que estavam vivos porque ninguém se tentou salvar sozinho, todos estavam preocupados pelos outros. Depois de ouvir estas palavras, pensei que já tinha valido a pena o esforço de vir a Santa Comba Dão. Todos passamos um fim-de-semana inesquecível.

Um agradecimento por este trabalho

Luis Figueiredo, presidente da União Cultural e Desportiva de Cagido agradeceu, em nome de todos de todos os habitantes de Cagido, a colaboração de todos os voluntários como Clésio. Num post no Facebook da Instituição escreveu:

Como é do conhecimento de todos, a tragédia bateu-nos à porta nos fatídicos dias 15 e 16 de Outubro 2017, e infelizmente a outros tantos milhares de pessoas do centro e norte de Portugal.
Por mais palavras, por mais relatos que façamos a tentar descrever aquelas horas de inferno, parcas são todas as palavras que o possam tentar descrever…

Iremos conseguir reerguermo-nos novamente das cinzas...O povo português, considerado de brandos costumes, é nestes momentos de angústia e incredulidade que se distingue e revela de outros, com o seu sentido de solidariedade e ajuda.

Assim, e enquanto filho desta terra, não poderei deixar de agradecer a todos vós (povo português, povo estrangeiro, emigrantes, instituições e empresas) que nos ajudaram e continuam a ajudar, enviando os vossos apoios/donativos, para ajudar as vítimas da nossa aldeia, freguesia e do nosso concelho.

Um agradecimento muito especial a todos os voluntários anónimos, escuteiros, gentes de Cagido que nos têm ajudado. Bem Hajam a todos.