Como costumam fazer tantos fiéis devotos sevilhanos, o Prelado do Opus Dei, Mons. Fernando Ocáriz, colocou sob o amparo de Nuestro Padre Jesús del Gran Poder, ao chegar na tarde de 4 de maio toda a atividade que realizaria até ao dia 8 de maio na capital andaluza. E o mesmo ocorreu na manhã seguinte na Catedral de Sevilha diante da imagem da Virgen de los Reyes, padroeira da cidade e da sua arquidiocese, antes de cumprimentar o arcebispo D. José Ángel Saiz Meneses.
Encuentro con don Fernando Ocáriz Braña, Prelado del Opus Dei. Hemos comentado diferentes aspectos de actualidad tanto de la Iglesia como de la sociedad, en particular sobre la educación y la transmisión de la fe pic.twitter.com/pwolDOCIVq
— José Ángel Saiz Meneses (@ArzobispoSaiz) May 5, 2023
Encher-se de esperança no apostolado
Mons. Ocáriz alentou os seus interlocutores a um apostolado esperançado. Fê-lo tanto nas múltiplas receções a coletivos educativos, sociais, diretivos ou familiares, como nos três encontros que teve com várias centenas de famílias, que totalizavam mais de duas mil e quinhentas pessoas de cada vez, andaluzas e estremenhas, no auditório Cartuja Center Site de Sevilha.
Escutou com interesse as iniciativas apostólicas pessoais de um grupo de professoras universitárias com que se reuniu no Colegio Mayor Alborán: um seminário sobre a “Economia de Francisco”, uma cadeira sobre fé e razão para universitárias, a criação de uma Irmandade Universitária em Córdova…
Reuniu-se com uma representação de toda a comunidade educativa do Grupo Attendis, que tem vinte colégios nas principais cidades do Sul e celebra o seu 50.º aniversário na Andaluzia e na Extremadura, para os animar a secundar o lema do seu encontro: “Reviver as origens para projetar o futuro”. E, como desejavam reviver com o prelado o impulso de S. Josemaria às primeiras famílias promotoras e iniciadoras dos colégios, Mons. Ocáriz convidou-os a “considerar que cada pessoa vale todo sangue de Cristo e, portanto, para salvar uma alma, para ajudar uma pessoa, qualquer esforço merece a pena”.
A Ana, que é de Jerez de la Frontera, professora de Educação Física na escola pública, animou-a a “querer bem as pessoas de verdade, sem medo”. A Rosario, avó de Pedro Ballester o, sugeriu que contasse aos netos a sua sábia experiência da vida. À culta Beatriz, que cultivasse a amizade com as colegas de profissão. A Teresa e Antonio, casal jovem, que aproveitem o potencial das redes sociais para fazer o bem. E a Maria, médica legista, que batalhe com prudência, com valentia e com a proximidade que a amizade dá nos desafios da chamada “cultura da morte”.
Conciliar é priorizar a família
María e Fran, que trabalham na área da moda, perguntaram como conciliar trabalho e família e o Pelado referiu que “conciliar é priorizar a família, é priorizar a caridade, e estabelecer uma hierarquia de valores com uma ordem flexível, a que cada um se submeta voluntariamente em benefício da própria família”.
A Goico, que trabalha de manhã numa agência e de tarde investe o seu tempo como secretária executiva de uma residência universitária, recomendou que procurasse também a conciliação “fazendo do teu trabalho, em casa e na empresa, uma ocasião de encontro com Cristo”.
Com Luis, diretor de um centro educativo, falou em público do valor da exemplaridade em casa: “o exemplo de sobriedade, disse, tem que ser dado pelos próprios pais, com moderação nos gastos, no lazer, nas refeições… E tudo isso sem dar lições, mas com o exemplo e transmitindo com alegria uma experiência e explicando por que vale a pena”.
O melhor para cada um é a vontade de Deus
Isa, numerária auxiliar, fez uma pregunta sobre a vocação. Depois de explicar que a vocação é um dom de Deus, Mons. Ocáriz acrescentou que é importante entender como o fenómeno vocacional na Obra é o mesmo para todos: “toda a vocação para o Opus Dei está fundamentada nos mesmos pilares: a santificação do trabalho, a filiação divina, a centralidade da Eucaristia, o amor à liberdade, o empenho apostólico... É a mesma vocação porque também temos os mesmos meios: a oração, o plano de vida, os círculos, os retiros… E temos todos também a mesma missão: a de levar este mundo a Deus, ir transformando o mundo em algo grato a Deus: isso é abrir os caminhos divinos da terra, como dizia S. Josemaria, mediante a capacidade que Deus nos dá para santificar o trabalho”.
Miguel, supranumerário desde há mais de trinta anos, mostrou a sua alegria por tantas realidades e movimentos novos, expressão da vitalidade da Igreja, e disse-lhe que a sua vocação para o Opus Dei preenchia e comprometia a sua vida na totalidade; a pergunta incidiu sobre como valorizar e aproveitar os meios de formação que a Obra dá para ajudar a ser santos no meio do mundo. O Prelado respondeu-lhe que nos meios de formação talvez não escute novidades, mas que o relevante é a atitude de exame pessoal e de desejo de melhorar no que escutava, pedido luz e força ao Espírito Santo; e comentou ainda que há muitos caminhos para seguir Jesus Cristo e o verdadeiramente significativo é que cada um siga o caminho para o qual Deus o chama.
É possível sofrer e ser feliz
“Quando nos custar ver, quando nos custar entender que Deus é realmente o caminho, a verdade e a vida, pensemos que o amor se manifesta na Cruz”, afirmou Mons. Fernando Ocáriz no início de uma das tertúlias que puseram a abarrotar, por três vezes em dois dias, o auditório da Ilha La Cartuja em Sevilha.
E acrescentou que, perante as dificuldades objetivas do ambiente, devemos pensar que “precisamente por isso o Senhor conta mais com cada uma e cada um, e nos dá mais graça para nos esquecermos de nós e preocupar-nos mais com os outros, fórmula que é de tal eficácia – acrescentou parafraseando S. Josemaria – que o Senhor premeia com uma humildade cheia de alegria”.
O Prelado do Opus Dei assinalou também a importância de se estar feliz apesar das dificuldades porque, embora pareça contraditório, pode-se ser feliz com dor e sofrimento. Isto, adiantou, é algo “que se pode tocar na vida de S. Josemaria: nos seus últimos anos, tinha problemas de saúde física e um enorme sofrimento pela crise na Igreja, e, no entanto, os que estávamos com ele víamo-lo contente, feliz, com bom humor. Não é que fizesse um esforço especial connosco, mas sim que estava contente sofrendo, o que só é possível em união com Jesus Cristo”.
O medo não é cristão
David contou com orgulho a sua alegria pela vocação dos filhos, e pediu a Mons. Fernando Ocáriz ajuda para se explicar bem perante outros pais: “transmite a tua experiência – aconselhou –, respeita a sua liberdade, e procura explicar que não se há de ter medo do Senhor, porque o medo não é cristão”.
Igualmente, num dos encontros com jovens, Mons. Ocáriz afirmou que “é certo que o celibato comporta o sacrifício de renunciar ao casamento, mas é importante saber que não é um romance cor-de-rosa, que o matrimónio é duro, que existem as dificuldades e que, por isso, Deus quis um sacramento para o matrimónio, porque um matrimónio santo requer muito esforço e muita graça de Deus”.
Animou os jovens a terem abertura e generosidade perante a vocação, quer para o celibato, quer para o matrimónio, “porque nos dois casos é preciso muito amor, entrega, generosidade e espírito de sacrifício. O importante é cada um seguir o caminho para o qual Deus o chamou, que é, aliás, onde vai ser mais feliz”.
Ambiente de família
Apesar do público numeroso presente na sala, captava-se um ambiente de família provocado pela presença do Prelado do Opus Dei, a quem se chama familiarmente Padre.
Paco e Pepe amenizaram várias tertúlias cantando a Salve Rociera; e o mesmo fez noutro dos encontros o grupo “Sones de Altair”, que cantou sevilhanas para entreter o tempo de espera pelo Padre e um dos momentos de pausa da tertúlia; um grupo de raparigas cantou e dançou sevilhanas; Ana e Sofia ofereceram ao Padre um cajón flamenco com a Virgen del Rocío, o logo do seu clube juvenil e uma boa quantidade de mensagens, cartas de famílias e de crianças; e uma jovem cantou uma canção da sua autoria, com o título “Manejar el viento”.
Nesse mesmo encontro com jovens ouviu-se a 6.ª sinfonia de Beethoven, que era a que o Pe. Fernando Ocáriz estava a ouvir quando decidiu ser da Obra, e recordou esse momento diante das jovens. Estava a passar o verão em casa de um irmão em Cádis. Foi lá que se decidiu enquanto ouvia música, embora tenha confessado que “realmente não foi pela música…”. Um pouco depois, propuseram-lhe um jogo divertido de perguntas sobre S. Josemaria em Sevilha, para o qual pediu ajuda ao público.
Larissa contou que trabalhou em várias agências de notícias católicas, onde comprovou a universalidade da Igreja e a la importância da unidade com o Papa. Agradeceu ao Padre por contar com todos para a preparação do Congresso Geral convocado para adequar os Estatutos da Obra aos pedidos do Santo Padre e transmitiu que rezaram e continuam a rezar por esta intenção “até que o Padre nos diga”. Pediu também ao Prelado do Opus Dei que, quando voltasse a ver o Papa, lhe recordasse que na Obra rezamos por ele. Como ela sabe que quando lhe dizem que rezam por ele, Francisco pergunta a brincar: “a favor ou contra?”, disse ao Prelado que, lhe confirme que, evidentemente, “nós rezamos sempre a favor”.
Mons. Ocáriz em todos os encontros públicos pediu orações pelo Papa e pela Igreja, “é preciso rezar muito pelo Papa, como ele próprio pede, porque é o vigário de Cristo e porque tem um peso enorme sobre os ombros”.