“Club Maior”: A fidelidade não se reforma

Coincidindo com o Centenário do Opus Dei e o 6º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (26 de julho), um grupo de amigos reformados em Sevilha partilha como mantém viva a fé e a amizade depois de toda uma vida de entrega. Assim é o “Club Maior”.

Há três anos, quatro amigos – Juanjo, Eduardo, Boro e outro Juanjo – decidiram lançar em Sevilha uma iniciativa para aqueles que, já reformados, dispõem de mais tempo: o Club Maior.

A ideia era simples: continuar “a batalhar”, fazer da amizade um ponto de encontro semanal e aproveitar esses anos para continuar a ajudar os outros. E por detrás dela existe algo que não se vê à primeira vista: para eles, que fazem parte do Opus Dei há bons anos da sua vida, a fé não é uma etapa que se fecha com a reforma, mas algo que se continua a viver e a partilhar.


Mensagem do Santo Padre para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, 2026: Eu nunca te esquecerei (Is 49, 15)


Eduardo faz parte do Opus Dei há quarenta e sete anos. Médico de família, pai de onze filhos com a sua mulher Pilar, olha para o Centenário com esperança: «Serão tempos para empreender novos projetos ou renovar e dar novo brio aos que acabámos de começar, como este do Club Maior».

Juanjo conta cinquenta e um anos no Opus Dei. Pai de seis filhos e antigo diretor-geral de uma empresa de ensino, continua a assessorar outras instituições educativas e resume assim o que o move: «Hoje muitas pessoas precisam de ser escutadas, e isso é o que vou continuar a procurar fazer nestes anos de caminho para o Centenário e nos que me restam».

O clube reúne-se uma manhã por semana num local situado junto do Guadalquivir. A sessão começa com a Missa, conta com um café «para aquecer os motores» e continua com uma tertúlia sobre os temas mais variados: atualidade, história, arte, tecnologia, desporto.

Com frequência convidam algum especialista: um oficial de Marinha que se deu muito com o escritor José María Pemán, um professor de arquitetura que explicou como foram traçados os bairros de Sevilha, um psicólogo dedicado a atender pessoas mais velhas, um médico especialista em medicina tropical recém-chegado dos seus projetos em África, um professor e pintor que os anima a pegar nos pincéis. Outras vezes fazem trabalhos manuais, ou simplesmente conversam entre eles.

Cada mês e meio ou dois meses organizam também uma saída cultural: uma visita a um museu, uma viagem a alguma cidade com interesse histórico, uma romaria. A mais recente levou-os, em maio, até ao Rocío, sem faltar a refeição partilhada no final do dia – noutra ocasião, entre piadas, pediram para todos ovos estrelados com chouriço e pimentos... «Souberam-nos muito bem», asseguram.

Por detrás de toda esta agenda há algo mais simples: não deixar que a idade feche ninguém em casa. Alguns, como Josemaría, chegam em cadeira de rodas; outros vêm acompanhados pela família, que aprecia muito que os seus idosos tenham um lugar como este para poderem ir.

E os estão há décadas a viver a sua fé no dia a dia continuam, semana após semana, a pôr o seu grãozinho de areia, a caminho do Centenário.