TRAZER UM NOVO OLHAR SOBRE “A FAMÍLIA”
Como nasceu a ideia deste workshop?
No IESF, trabalhamos há vários anos sobre as necessidades das famílias e a forma de as acompanhar. No âmbito da nossa experiência em ensino e investigação, constatámos que às mudanças culturais operadas ao longo dos últimos decénios não se seguiu nenhuma mudança na forma de acompanhar as famílias nas suas novas circunstâncias. Mas estamos convencidos que é urgente lançar um novo olhar sobre “a família”, realizar uma espécie de “mudança cultural”, lembrar que não há famílias ideais” e compreender o que são as “famílias reais” e de que necessitam. Por isso pareceu-nos oportuno partilhar esta experiência com os que estão na primeira linha junto das famílias, convocando um workshop, quer dizer, uma reunião com uma vertente prática sobre o acompanhamento das Famílias.
NÃO HÁ "FAMÍLIAS IDEAIS" . PROCURAMOS COMPREENDER O QUE SÃO AS "FAMÌLIAS REAIS" E DE QUE NECESSITAM
A celebração do Ano da Família Amoris laetitia, promovida pelo Santo Padre, foi evidentemente para nós uma motivação suplementar. Com efeito, o Papa Francisco insistiu particularmente na necessidade de se estar perto das famílias, duma forma prática e realista. E é precisamente isso que nos propomos fazer.
O PAPA FRANCISCO INSISTE NA NECESSIDADE DE ESTAR PRÓXIMO DAS FAMÌLIAS; DE MODO PRÁTICO E REALISTA

Quais são exatamente os objetivos do workshop?
O workshop tem como objetivo geral promover uma mudança de abordagem na forma de acompanhar as famílias. Não se trata de introduzir novas estruturas ou de proceder a mudanças radicais, mas de compreender as dificuldades reais que as famílias enfrentam e de as ajudar numa nova perspetiva e com um novo olhar.
MUDANÇA DE ABORDAGEM NO MODO DE ACOMPANHAR AS FAMÍLIAS
Concretamente, trata-se de ao longo destes dias facultar uma formação sobre o que é este acompanhamento das famílias e sobre a maneira de o levar a cabo a partir de diferentes planos (educativo, pastoral, de gabinetes profissionais, de redes sociais, etc.).
FACULTAR UMA FORMAÇÃO SOBRE O ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS
Desejamos que este workshop sirva de ponto de encontro para dar a conhecer as iniciativas de acompanhamento que já se realizaram e permitir sinergias entre os participantes favorecendo a criação de novas iniciativas nos diferentes países. Temos a alegria de constatar que, no momento em que falo, temos inscrições de participantes de cerca de 40 países dos cinco continentes!
Aspiramos a que este workshop seja:
- um ponto de encontro para dar a conhecer as iniciativas de acompanhamento existentes;
- uma fonte de sinergias entre os participantes para criar novas iniciativas nos diferentes países.
Porque é que hoje o acompanhamento das famílias é tão importante?
No IESF, as nossas investigações sobre as famílias de hoje revelam uma nítida tendência no Ocidente para a criação de sociedades muito individualistas. Não gostamos de estar juntos, temos necessidade de respostas e de ações imediatas, e quando surge um conflito, vemo-lo como um sinal de fracasso irreparável. Neste contexto, é difícil compreender a importância dos laços familiares e a necessidade de os fortalecer.
NESTE CONTEXTO INDIVIDUALISTA, É DIFÍCIL COMPREENDER A IMPORTÂNCIA DOS LAÇOS FAMILIARES E A NECESSIDADE DE OS FORTALECER
Daí a importância de acompanhar as famílias. Ora, precisamente até há alguns anos pensávamos que era suficiente dar uma certa “formação” às famílias para as ajudar: quer dizer, dar-lhes umas ideias de como «devia ser» a família e como «devia fazer» as coisas, com aquilo a que podíamos chamar um estilo «diretivo». Hoje compreendemos que a formação não consiste apenas em dar ou receber informações. Exige a liberdade que permite a cada pessoa, a cada família, descobrir o seu papel único. É evidente que a formação é sempre necessária, mas não é suficiente e, sobretudo, devemos aprender a formar duma maneira diferente, com uma metodologia diferente e com um estilo diferente, de acordo com a cultura em que vivemos.
A FORMAÇÃO NÃO CONSISTE APENAS EM DAR OU RECEBER INFORMAÇÕES. EXIGE A LIBERDADE (…) DEVEMOS APRENDER A FORMAR DUMA MANEIRA DIFERENTE
É por isso que, quando nos propomos acompanhar as famílias, não esquecemos que acompanhar significa «estar com alguém», caminhar ao seu lado, para poder descobrir o seu próprio caminho e aprender a melhor maneira de resolver as dificuldades e os conflitos que as relações pessoais trazem consigo. Acompanhar é, antes de mais nada, estabelecer uma relação pessoal. Ora, toda a relação pessoal se baseia na confiança: não podemos impô-la, mas podemos proporcionar as condições que a tornam possível.
A quem se dirige este workshop sobre o acompanhamento das famílias?
Como não há “famílias ideais” ou “famílias perfeitas”, temos necessidade de ser acompanhados e todos nós podemos, de certa forma, ser famílias que acompanham outras famílias. Assim, todas as famílias unidas pela ajuda às famílias têm o seu lugar neste workshop. No entanto, para estruturar o nosso trabalho, identificámos quatro planos principais de alvos implicados no acompanhamento e, portanto, potencialmente interessados neste workshop:
- o plano dos profissionais do aconselhamento familiar ou da mediação, que têm uma visão reparadora e positiva das relações familiares;
- o plano pastoral, em que incluímos todas as iniciativas proporcionadas às famílias cristãs pela Igreja como tal e pelas suas diversas entidades (paróquias, associações, movimentos, etc.);
- o plano educativo à volta da escola, em cujo quadro as famílias são naturalmente chamadas a encontrar-se e apoiar-se na sua tarefa de educadores;
- o plano numérico onde, nomeadamente nas redes sociais, se desenvolvem novas formas de comunicar nas jovens famílias.
Nota: para facilitar a participação de todos neste workshop Internacional, propomos uma tradução simultânea das intervenções em inglês, francês e espanhol.
Qual será o programa destas jornadas?
Este workshop organiza-se em três tipos de atividades: conferências de manhã, por personalidades como Mariolina Ceriotti, Raphael Bonelli, Thierry Veyron la Croix, Juan José Pérez Soba, entre outros; mesas redondas que vão permitir a peritos dos quatro planos mencionadas dar a conhecer iniciativas e experiências de acompanhamento que deram resultado e em que podem inspirar-se para novas; momentos de troca de impressões e de diálogo com os intervenientes. No sábado à tarde, teremos o privilégio de assistir a uma celebração da Eucaristia na igreja da Sagrada Família, obra do grande arquiteto catalão Antonio Gaudí. Esta celebração comemorará o ano da família Amoris laetitia que acaba em junho. Coincide igualmente com a véspera de 15 de maio, Dia Internacional da Família.