O prelado do Opus Dei nas Honduras: «É sempre possível crescer»

Durante três dias, o Prelado do Opus Dei visita as Honduras. Na segunda-feira, várias centenas de pessoas da zona norte do país reuniram-se com Mons. Fernando Ocáriz no Clube Árabe de San Pedro Sula.

Mons. Fernando Ocáriz, prelado do Opus Dei, realiza uma viagem pastoral pela América Central: depois de visitar a Cidade de Guatemala, de 4 a 9 de agosto, encontra-se agora nas Honduras – San Pedro Sula e Tegucigalpa – até ao dia 12, antes de prosseguir para a etapa final da viagem, em El Salvador.

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El prelado del Opus Dei en Honduras (2026)

Segunda-feira, 10 de agosto, encontro com famílias em San Pedro Sula

O Padre agradeceu o carinho com que a cidade o recebeu e dirigiu-se a todos com especial proximidade, falando da santidade do dia a dia ou, como dizia São Josemaria, de um «martírio habitual»: a par dos feitos extraordinários que Deus pede a alguns, à maioria de nós pede simplesmente que vivamos bem o trabalho feito com carinho, a paciência perante os pequenos contratempos e o cuidado diário da família.

«Essa vida corrente não tem pouco valor, tem um grande valor, pelo amor que nela pomos», afirmou, acrescentando que quem pensa mais nos outros do que em si próprio acaba por ser não só mais eficaz, mas também mais feliz.

As voluntárias deram as boas-vindas a todos e fizeram do encontro um momento muito acolhedor.

Daisy é médica e mãe de três filhos e, tal como o marido, ambos fazem parte do Opus Dei. Contou que, há pouco tempo, viveu a perda de um bebé antes de nascer, a quem deram o nome de Fátima. A partir desta experiência, perguntou como aprender a ter com os outros – e consigo própria – a mesma paciência infinita que sentiu da parte de Deus. O Padre convidou-a a procurar nos outros o próprio Cristo e recordou uma frase de São Josemaria: «a caridade, mais do que em dar, está em compreender». «Qualquer pessoa vale todo o sangue de Cristo», sublinhou, mesmo que por vezes nos seja antipática ou pense de maneira diferente.

Marco e a mulher, Lori, promovem iniciativas com crianças de zonas vulneráveis da cidade e partilharam com o Padre uma preocupação que muitos, mais cedo ou mais tarde, sentem: como manter a perseverança quando os frutos demoram a chegar? O Padre respondeu que, perante os desafios, querer não basta: é preciso estar enamorado. «Enamora-te e não O deixarás!», comentou, evocando o conselho que São Josemaria dava a quem receava não perseverar na sua tarefa.

O palco estava decorado com uma ilustração da cidade, além de flores e plantas hondurenhas.

Juan Pablo, acompanhado pela mulher, Camille, quis saber como ajudar os jovens que vivem em contextos complexos – redes sociais, inteligência artificial, mudanças sociais e políticas – que lhes dificultam encontrar o seu propósito na vida. O Padre propôs-lhes que procurassem a força não em si próprios, mas em Deus, na oração e no próprio trabalho quando é oferecido por amor e se transforma em oração. Aí, disse, está a chave da unidade de vida: que a família, o trabalho e a fé não sigam caminhos separados, porque Deus está sempre presente em tudo.

Victoria contou, entre nervosismo e risos, que se casará dentro de cinco dias e pediu ao Padre um conselho para pôr Deus no centro do seu lar e dessa vida familiar que está prestes a começar. O Prelado sugeriu-lhes «procurar a felicidade do outro: tu para ele e ele para ti».

Rocío del Pilar falou de um ano marcado por decisões difíceis e momentos de solidão e perguntou como reconhecer Deus quando parece guardar silêncio. O Prelado recordou a passagem do Evangelho em que Jesus fica no Templo e os seus pais O procuram angustiados durante três dias sem O encontrarem: nem sequer a Virgem Maria compreendeu inteiramente o que estava a acontecer e, mesmo assim, guardou tudo no seu coração. Também nós podemos aprender a confiar sem necessidade de compreender tudo, certos de que Deus nunca nos abandonou, embora por vezes possa parecer que sim.

Uma jovem, Shekinah, partilhou a conversão da sua família: tudo começou com ela, quando começou a frequentar o clube Jaribú aos 13 anos. Graças à formação que lá recebeu, há um ano pôde receber o Batismo, a Primeira Comunhão e a Confirmação. A partir desta experiência, os pais e irmãos também se aproximaram da fé e receberam o Batismo. Agora, os pais preparam-se para se casar pela Igreja no próximo dia 15 de agosto.

Shekinah contou que está a aprender a tocar violino e interpretou uma peça de que o Padre gostou muito, pois era a melodia que estava a ouvir no dia em que pediu a admissão na Obra.

Dina deu início à parte final da tertúlia contando a sua história: cresceu numa aldeia das Honduras, numa família de doze irmãos e sem eletricidade em casa. Muitas noites estudava à luz de uma vela. Apesar das dificuldades, conseguiu formar-se como professora em vários países da América Central e vive atualmente no Panamá.

«O lugar onde nascemos não determina até onde podemos chegar», afirmou antes de perguntar como manter vivo o desejo de continuar a formar-se e de servir melhor os outros. É sempre possível crescer, mesmo quando um trabalho atinge um limite material. O que nunca pode deixar de crescer é a qualidade humana com que é realizado: a inteligência, a vontade e, em última análise, o amor que nele se põe, comentou o Padre.

Para terminar, algumas jovens do clube Jaribú alegraram o encontro com uma dança típica hondurenha de origem garífuna, ao ritmo da canção Wéndeti Nagaira, que significa «como é bela a minha terra», vestidas com coloridos trajes tradicionais.

Para terminar, uma dança típica hondurenha ao som da canção “Wéndeti Nagaira”.
Os voluntários do Clube Nauta também tiraram uma fotografia com o Padre.

Na terça-feira, o Padre terá dois encontros em Tegucigalpa com jovens daquela cidade.