Vídeo: os melhores momentos do Padre na Guatemala

Mons. Fernando Ocáriz visitou a Guatemala de 4 a 9 de agosto. Perante estudantes universitários, jovens, famílias e sacerdotes, insistiu numa ideia de São Josemaria: que a felicidade não requer uma vida cómoda, mas um coração enamorado. Partilhamos a crónica, as fotografias e o vídeo com os melhores momentos desta viagem.

Leia os artigos com o relato da viagem do Padre às Honduras e a

El Salvador



Mons. Fernando Ocáriz, prelado do Opus Dei, encontra-se numa viagem pastoral pela América Central, que começou a 4 de agosto na Cidade da Guatemala e se prolongará até 22 de agosto, passando por quatro cidades: Cidade da Guatemala, San Pedro Sula e Tegucigalpa (Honduras), e San Salvador (El Salvador).

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Galeria de fotografias

El Prelado en América Central

9 de agosto, encontro com famílias

Nas palavras iniciais, o Padre fez referência ao Evangelho do dia, em que São Pedro se lança à água e pede ajuda ao Senhor perante o medo. Animou a pedir, diante das dificuldades e contrariedades: «Senhor, aumenta-me a fé!».

Convidou a pedir a Deus que aumente a nossa fé no amor que nos tem, partilhando uma jaculatória que São Josemaria dizia por vezes: «Senhor, não Te entendo», para acrescentar logo a seguir: «Não tenho de Te entender». Embora não compreendamos esse amor, sublinhou, temos a certeza de que não estamos sós.

Mynor, pediatra, contou que é casado há 30 anos e tem três filhos. Recordou a admiração que vários colegas sentiam pelo Dr. Ernesto Cofiño, não só pela sua formação profissional, mas também pela forma como tratava os doentes e pela sua preocupação por ajudar estudantes e promover diversos projetos. Perguntou como alcançar essa unidade de vida que permita levar Deus à família, ao trabalho e aos amigos.

Momentos antes do início do encontro com o Padre.

O Padre comentou que a vida tem muitos aspetos e, por vezes, pode ser complicada, com elementos até contrastantes. «Só o amor pode dar unidade a tudo», porque podemos amar sempre, em qualquer circunstância e qualquer pessoa. «O único amor capaz de dar unidade absolutamente a tudo é o amor a Deus».

Recordou o sofrimento dos últimos anos de vida de São Josemaria, devido à sua debilidade física e à situação da Igreja. Amava tanto Deus e a Igreja que sofria muitíssimo. «Mas víamo-lo feliz».

A família Guzmán, venezuelana e residente na Guatemala há dez anos, partilhou a sua experiência como pais e pediu conselho sobre como dar prioridade, entre as muitas responsabilidades da vida quotidiana, ao amor entre os esposos.

O Padre recordou uma expressão de São Josemaria: «As coisas urgentes podem esperar e as muito urgentes devem esperar». Por isso, ajuda ter uma hierarquia pessoal de valores e procurar ser flexíveis, sabendo que há um elemento que põe tudo em ordem: o amor.

Rodrigo, Mariana e os dois filhos.

Carlos contou que, ao procurar palavras de esperança para a sogra durante uma doença, encontrou textos de São Josemaria que foram para ele um caminho de fé que mudou a sua vida. Perguntou como transmitir a fé aos filhos com naturalidade.

«Pouco a pouco, com paciência», respondeu o Padre. Os filhos reparam muito nos pais, pelo que o fundamental é transmitir a fé através do exemplo: «Que vejam que vos amais. Que vejam que os amais e que veja que tudo o que fazeis tem relação com a oração, com a fé».

Karen contou que ela e o marido sonhavam, desde o namoro, com uma família numerosa, mas que Deus tinha outros planos: foram abençoados com o filho Juan Pablo e com dois filhos que estão no Céu.

«Uma família numerosa é uma coisa excelente, mas um só filho também é uma coisa excelente», desde que seja essa a vontade de Deus, explicou o Padre. Convidou-os a ter fé na vontade de Deus, que é sempre a melhor.

Nessas circunstâncias, «abre-se um campo enorme de possibilidades» para ampliar o trabalho e a influência positiva à sua volta. Não ter filhos ou ter poucos «é também uma chamada especial de Deus. Não é um fracasso, é uma forma de vos dedicardes a mais pessoas e, desse modo, o matrimónio ser também fecundo».

Karen e o marido, Augusto.

Fabiola e o marido demoraram vários anos a ter um filho, um período em que a oração desempenhou um papel importante para viverem essa impaciência pela mão de Deus. Contaram, com alegria, que agora esse filho era numerário. O Padre comentou que a vocação é um dom e que o importante é facilitar e não pôr obstáculos àquilo que uma pessoa pensa que Deus lhe pede. Recordou também que um filho e a sua vocação são um dom para os pais.

A música também teve o seu lugar durante o encontro. Eduardo, antigo aluno de Kinal, contou que aí conheceu o Opus Dei. Atualmente estuda Música na Universidade Panamericana, no México, e explicou que, através da música, se encontrou com Jesus Cristo e descobriu que Ele também quer fazer-Se presente nos palcos, tendo compreendido que essa é a sua missão como crente.

Depois, cantou um bolero, acompanhado por Ricardo ao piano. Interpretaram «Solamente una vez», uma canção de que São Josemaria gostava.

José, natural de Santa Apolonia, Chimaltenango, contou que desde pequeno aprendeu o valor da fé, do trabalho e da generosidade. Quando chegou à Cidade da Guatemala, conheceu a mensagem do Opus Dei e descobriu a sua vocação como agregado. Perguntou como crescer em liberdade interior para responder com mais alegria e fidelidade à vontade de Deus na vida quotidiana.

O Padre explicou que crescer em liberdade e crescer no amor «acabam por coincidir». Embora existam verdadeiras obrigações, especialmente na família, «não é liberdade para não as cumprir». O importante é fazer livremente aquilo que é obrigatório. «Quando as coisas se fazem por amor, fazem-se livremente», afirmou.

Karina, de Totonicapán, contou a sua experiência como psicóloga, acompanhando mulheres que não tiveram oportunidade de completar os estudos. Pôde observar como, através de diferentes formações, descobrem a dignidade do trabalho e se sentem capazes de transformar a sua realidade. A partir de umas palavras de São Josemaria, perguntou como viver a petição: «Que eu veja com os teus olhos, meu Cristo, Jesus da minha alma».

O Padre convidou-a a estar atenta ao que o Senhor lhe inspira, especialmente na oração, e aconselhou-a a olhar para as pessoas «com carinho, com um amor imenso», como Cristo as vê.

«Que eu veja com os teus olhos» significa, em última análise, «que eu veja as pessoas com carinho, com amor». As manifestações do amor podem ser diferentes consoante as circunstâncias, mas a substância é a mesma: desejar o bem da outra pessoa.

Marre interpretou a Serenata op. 41, de Beethoven, em flauta transversal.

Joshua, da Nicarágua, vive atualmente na Guatemala. Depois de passar a Semana Santa em Roma, perguntou a várias pessoas como tinham discernido a sua vocação e ficou surpreendido ao ouvir que nenhuma delas tinha estado cem por cento segura no momento de tomar a decisão. Mais tarde, este grau de incerteza fez parte da sua própria experiência. Por isso, perguntou ao Padre como ajudar os amigos nesses momentos.

Deus quer que tenhamos uma certa margem, não de insegurança, mas de liberdade. Se mostrasse a Sua vontade com absoluta clareza, seríamos pouco livres, explicou o Padre. Deste modo, podemos responder porque queremos, e não simplesmente porque temos uma evidência.

O Padre concluiu o encontro pedindo novamente orações pelo Papa e pelas autoridades civis. Recordou que rezar pelas autoridades é algo muito cristão.

Por fim, deu a sua bênção aos mais de 5000 participantes.

Para terminar, depois da bênção, uma selfie de família para recordar.

8 de agosto, Missa em Santa Maria Rainha da Família: «Deus chama à alegria»

Na igreja de Santa Maria Rainha da Família, na Cidade da Guatemala, no sábado, 8 de agosto, o prelado do Opus Dei presidiu à concelebração da Santa Missa, acompanhado pelo vigário regional da América Central, Pe. Carlos Young, e por vários sacerdotes da Prelatura.

A homilia centrou-se em três temas: a coerência cristã, o centenário do Opus Dei e o sim da Virgem Maria.

«Cristo dá sentido à nossa existência e mostra-nos o caminho para a verdadeira felicidade no meio das realidades correntes (…), porque o Senhor não nos pede que nos isolemos do mundo, mas que O encontremos e O sigamos todos os dias da nossa vida, sabendo que segui-l’O implica um modo de viver que nasce do Evangelho, da confiança e da fé no amor de Deus por nós», afirmou o Padre, que sublinhou que, muitas vezes, esse estilo de vida pode chamar a atenção: «A honestidade, a fidelidade, a pureza de coração, a alegria no sacrifício, a esperança perante as dificuldades, tudo isto fala uma linguagem que muitas pessoas agradecem e que muitas outras não compreendem».

O Padre rezou durante alguns momentos diante da urna do venerável Ernesto Cofiño.

Em seguida, recordou o venerável Ernesto Cofiño, pediatra guatemalteco e supranumerário do Opus Dei, em processo de beatificação. Os seus restos mortais repousam, há algumas semanas, nesta igreja: «Foi um grande médico que procurou a santidade no meio do seu trabalho profissional e da sua vida familiar, atendendo com competência e carinho milhares de crianças e famílias». E continuou: «Deus chama à alegria, uma prova de que confia na nossa liberdade para levarmos o seu amor a muitas outras pessoas».

O Padre recordou também o centenário do Opus Dei, que será comemorado de 2 de outubro de 2028 a 14 de fevereiro de 2030, convidando a não encarar «essas datas como um simples aniversário, mas como uma ocasião para agradecer tantos dons recebidos do Espírito Santo e para renovar o desejo de servir melhor a Igreja». «São Josemaria sonhava com um mundo cheio de homens e mulheres que procurassem a santidade no meio das realidades diárias; esse mundo continua a ser atual! A Igreja precisa de cristãos que, com simplicidade, levem o Evangelho à cidade, ao campo, às empresas, aos pobres, à cultura, através de uma vida coerente, cheia da caridade de Cristo».

O Padre recordou ainda a Anunciação da Santíssima Virgem Maria: «O sim da Virgem continua a iluminar a vida da Igreja e, portanto, a vida de cada pessoa, porque Deus continua a chamar cada um de nós pelo nome: esses são os seus planos de amor (…). Ao princípio, Ela não conhecia o caminho quando respondeu ao Anjo, mas bastava-lhe saber que Deus estava com Ela; assim devemos aprender que Deus está connosco».

Concluiu a homilia confiando os fiéis à Mãe de Deus: «Que Santa Maria Rainha da Família nos ensine a dizer todos os dias, com confiança: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”».

A celebração terminou ao som dos sinos da igreja e da Salve Regina.

Durante a tarde, o Padre foi rezar diante da padroeira da Guatemala, Nossa Senhora do Rosário, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, na Cidade da Guatemala. Colocou perante Ela as atividades apostólicas que as pessoas do Opus Dei realizam no país e no resto da América Central. Pediu especialmente por aqueles que fazem parte da Obra e por todos os que dela se aproximam nestes países.


7 de agosto. O Padre aos jovens: qual pode ser o nosso contributo pessoal para a Obra?

Durante uma hora, centenas de jovens que recebem formação em centros do Opus Dei na Guatemala conversaram com Mons. Fernando Ocáriz num ambiente de confiança, alegria e espontaneidade.

O Padre começou por falar de algo que todos procuramos: a felicidade. Para o explicar, deteve-se no ponto 795 de Sulco: «O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cómoda, mas um coração enamorado». Quando se ama verdadeiramente, explicou, os sacrifícios adquirem outro sentido: esse amor nasce do amor a Deus e leva a preocuparmo-nos com os outros, a servir e a ajudar outras pessoas a encontrar-se com o Senhor, que é quem verdadeiramente nos faz felizes.

Aarón, do Clube Gurkhas, foi um dos primeiros a pegar no microfone, com uma inquietação que muitos partilham: como distinguir a voz de Deus entre tantas outras vozes – as redes sociais, as opiniões e as distrações – que hoje enchem a sua vida e a de tantos outros como ele.

A voz de Deus, resumiu o Padre, escuta-se especialmente no Evangelho, na oração e na Eucaristia. E também no acompanhamento espiritual, confiando mais na força de Deus do que nas próprias forças.

Pouco depois, Nicolás, do Clube Universitário Balanyá, que desde pequeno frequenta os meios de formação, quis saber como discernir a sua vocação. A resposta foi simples: «Todos temos uma vocação; a questão não é se a temos, mas qual é», disse-lhe Mons. Fernando Ocáriz, acrescentando que descobrir a própria vocação não significa esperar sinais extraordinários, pois Deus dá as luzes necessárias para que cada um possa decidir livremente. Por isso, aconselhou a viver esse processo com sinceridade, acompanhamento espiritual e um desejo constante de melhorar.

Noutro momento, Williams, do Clube Tucán, interessado pela história pessoal do Padre, perguntou-lhe como tinha conhecido o Opus Dei. O Padre contou que conheceu a Obra graças aos seus irmãos e que, pouco a pouco, se foi aproximando e descobrindo a sua vocação.

A conversa continuou entre perguntas, risos e música. Arber, do Clube Nabajal, interpretou uma obra de Bach e perguntou como encontrar Deus através da música. O Padre explicou que toda a beleza é reflexo de Deus e que a música tem uma capacidade especial para elevar a alma.

Arber interpretou uma peça de violino.

Um dos momentos mais significativos da tarde chegou com Carlos, de 21 anos, de Jutiapa, no leste da Guatemala. Cresceu numa família evangélica e, depois de terminar o ensino secundário, mudou-se para a Cidade da Guatemala para estudar Engenharia Civil. Aí começou a viver na Residência Universitária Ciudad Vieja, onde foi conhecendo a fé católica através de outros jovens e do acompanhamento de membros do Opus Dei. Contou ao Padre que, no início, a sua relação com Deus era fria e distante, mas, pouco a pouco, essa amizade o foi aproximando, até começar a receber catequese e, há um ano, receber o Batismo.

Pediu-lhe que rezasse por ele para que, se Deus quisesse, um dia pudesse chamar-lhe «Padre» com toda a propriedade e ser um bom filho seu.

Mas Carlos tinha preparado algo mais. Queria que o Padre levasse consigo uma recordação de Jutiapa e, por isso, ofereceu-lhe um chapéu típico da sua zona. O gesto provocou sorrisos e aplausos e o Padre, dada a insistência de todos, acabou por pô-lo na cabeça.

Carlos entregou ao Padre um chapéu típico da sua zona.

A tarde continuou com outra história pessoal. Antes de interpretar uma peça ao piano, Julián, que é numerário há pouco tempo, quis partilhar que tinha algumas coisas em comum com o Padre: era o mais novo dos irmãos e gostava de ténis. O Padre voltou então a uma ideia que já tinha surgido: a santidade não consiste em não ter defeitos, mas em amar e recomeçar continuamente.

Antes de terminar, Alessandro perguntou o que esperava o Padre dos jovens de São Rafael tendo em vista o centenário do Opus Dei. Mons. Fernando Ocáriz animou-os a perguntarem-se o que Deus quer de cada um e qual pode ser o seu contributo pessoal para a Obra. Preparar-se para o Centenário, explicou, significa crescer em santidade, amizade, apostolado, trabalho bem feito e fidelidade nas pequenas coisas.

No final, os jovens ofereceram ao Padre uma raquete de ténis com as cores das bandeiras dos países da América Central, para que, sempre que jogar, se lembre de rezar pelo trabalho de São Rafael.

O encontro terminou como tinha começado: com aplausos e sorrisos, fruto de se sentirem em família e de comprovarem, uma vez mais, que, para ser feliz, não é necessária uma vida cómoda, mas um coração enamorado.

Uma raquete com as cores das bandeiras dos países da América Central, para que o Padre reze por eles sempre que jogar.

6 de agosto, encontro com jovens: «estudar também é um ato de fé»

Num ambiente de família, o Padre conversou sobre temas muito diversos, desde a liberdade e a fidelidade até à forma de trabalhar com alegria nos momentos difíceis.

«Para aprender a quererte», dos Morat, foi a canção que deu as boas-vindas ao Padre. Na sala, entre fitas suspensas no ar, as participantes receberam-no com um sorriso ao som da música.

Um dos primeiros momentos da tertúlia foi dedicado a ensinar-lhe palavras guatemaltecas. «Qué chilero que el Padre esté hoy con nosotras», disse Cris, emocionada. Chilero é uma expressão usada para dizer que alguma coisa é bonita, excelente ou alegre.

Dominique, estudante de Arquitetura na Universidade do Istmo (UNIS), abriu a conversa perguntando como viver o serviço na vida quotidiana. O Padre explicou que o serviço consiste, no fundo, em viver como Jesus Cristo, que se entregou na cruz e permanece na Eucaristia, e que para isso contribui a formação dada nos centros da Obra.

Emma, Xoxo e Fer, do centro Caranday, partilharam a sua experiência em diferentes atividades e perguntaram-lhe como amar a liberdade durante a adolescência. O Padre recordou que São Josemaria era um apaixonado pela liberdade e explicou que a verdadeira liberdade não consiste apenas em escolher, mas em amar a Deus. «Que vos sintais muito livres ao fazer aquilo que custa! Vale a pena amar o bem».

Camila, salvadorenha e residente na Residência Universitária Verapaz, contou que, antes de chegar à Guatemala, a sua felicidade dependia da imagem que projetava, enquanto agora a encontrava em Deus. Pediu-lhe um conselho sobre como ser sempre fiel ao que Deus foi fazendo na sua vida, sem deixar de querer e de estar próxima das pessoas que vivem de outra maneira. O Padre referiu que a força humana não basta e que é necessário aprender a compreender os outros. Recordou umas palavras de São Josemaria: «a caridade, mais do que em dar, está em compreender». Convidou também a querer todas as pessoas como filhas de Deus, sem as julgar, porque só Deus conhece o coração.

Depois interveio María Inés, que foi numerária do Opus Dei durante seis anos e, há um ano e meio, optou por outro caminho. Partilhou que, embora tivesse vivido momentos de solidão, a proximidade de muitas pessoas a tinha feito sentir que a Obra continuava a ser a sua família. Comentou também que, nesse processo, tinha descoberto o valor que possuía simplesmente porque Deus a amava. O Padre recordou-lhe que a oração é uma grande ajuda e incentivou-a a sentir-se sempre muito próxima da Obra.

Victoria, do Clube Kayac, partilhou a sua alegria por trabalhar com meninas do ensino básico e com as suas famílias. O Padre incentivou-a a pensar que, em cada uma delas, estava a tratar o próprio Jesus Cristo quando era criança.


6 de agosto, na Universidade do Istmo: a identidade cristã depende das pessoas

Durante um encontro académico na Universidade do Istmo (UNIS), o Padre refletiu sobre a missão de uma universidade de inspiração cristã e incentivou a reforçar a unidade entre a fé e a razão, colocando sempre a pessoa no centro da vida institucional.

No início da sua intervenção, explicou que a identidade cristã de uma universidade não depende apenas dos seus estatutos ou dos seus princípios fundadores, mas, sobretudo, da vida das pessoas que a integram.

Convidou a manter sempre viva «a ligação entre a fé e a razão», recordando que «o objetivo da universidade é o desenvolvimento da razão, da ciência teórica e aplicada, e a fé é uma luz que pode iluminar toda a realidade humana».

Explicou que esta identidade não constitui um elemento acrescentado, mas deve refletir-se na maneira concreta de trabalhar, investigar, ensinar e conviver. Por isso, recordou que «a identidade cristã exige excelência humana» e acrescentou que esta aspiração encontra o seu modelo em Jesus Cristo, «perfeito Deus e perfeito homem».

Um dos temas que desenvolveu mais amplamente foi o primado da pessoa.

Recordou que uma característica essencial do cristianismo é reconhecer que «a pessoa é mais importante do que a instituição». Esta existe para servir as pessoas e não o contrário, pelo que convidou a perguntar constantemente se o trabalho quotidiano ajuda verdadeiramente a colocar as pessoas à frente das estruturas ou dos resultados.

O Padre dedicou outra parte da sua intervenção à liberdade, salientando que todas as universidades precisam de normas e, ao mesmo tempo, de um verdadeiro ambiente de liberdade.

Incentivou a respeitar a liberdade de investigação e a liberdade das consciências, recordando um ensinamento muito frequente de São Josemaria.

Em seguida, referiu-se ao exercício da autoridade, convidando a entendê-la sempre como um serviço. A autoridade, afirmou, «serve para pensar no bem das pessoas», e não para se agarrar ao cargo ou impor critérios onde não compete.

Como aplicação prática, propôs aos presentes uma reflexão pessoal: «Como se pode conseguir que a minha atividade dê primazia às pessoas sobre as coisas?»; «Hoje, que significa para mim que as pessoas são mais importantes?».

Reconheceu que são questões amplas e exigentes, mas, precisamente por isso, convidou a meditá-las em profundidade.

O Padre recordou que exercer bem a autoridade implica também saber transmitir a própria experiência, formar quem suceda e estar disposto a dar lugar a outros quando chegar o momento.

Neste contexto, falou também do governo colegial, tão presente no espírito do Opus Dei. Explicou que tem um fundamento profundamente humano: «uma pessoa vê menos; várias pessoas podem ver mais coisas». O governo das instituições requer prudência e o exercício constante das virtudes, em primeiro lugar, a caridade, aprendendo a querer às pessoas, a tratá-las com respeito e a procurar sempre o seu bem; e também a justiça: dar às pessoas, pelo menos, o que é justo, e até mais, se for possível. «Se não há justiça, não há paz».

Após a exposição, teve lugar um colóquio com vários dos presentes, durante o qual D. Víctor Hugo Palma, arcebispo de Los Altos, Quetzaltenango-Totonicapán, agradeceu os ensinamentos recebidos e perguntou como conservar diariamente a identidade cristã. O Padre respondeu que essa identidade nasce de seguir pessoalmente Jesus Cristo e de recorrer constantemente às fontes da graça de Deus. Não se trata simplesmente de procurar uma perfeição humana, mas de viver uma autêntica identificação com Cristo.

Por último, respondendo a uma pergunta de Ana, professora catedrática da Faculdade de Ciências da Saúde, o Padre aconselhou a transmitir a beleza da austeridade, também através do exemplo. Explicou que tanto as pessoas como as instituições são chamadas a colocar os bens ao serviço dos outros.

«Saber para servir»

No final do encontro, o Padre recebeu dois presentes da Universidade: a nomeação como presidente honorário da Universidade do Istmo – distinção que agradeceu, afirmando que seria «ocasião para os ter mais presentes na oração» – e uma pala bordada.

Em nome do Conselho de Fiduciários, o seu presidente, Álvaro Castillo Monge, manifestou o agradecimento de toda a comunidade universitária. Afirmou que a visita «nos anima e nos confirma, como universidade, num caminho que começámos a percorrer há 28 anos e nos recorda profundamente a nossa missão: saber para servir».


5 de agosto, encontro com sacerdotes «nenhum trabalho é inútil»

No Centro Universitário Balanyá, na Cidade da Guatemala, o Prelado do Opus Dei encontrou-se com mais de uma centena de sacerdotes, entre os quais D. Tulio Pérez, bispo auxiliar da Arquidiocese de Santiago da Guatemala. Mons. Fernando Ocáriz falou sobre a forma como a vida cristã nos leva a enfrentar tudo com alegria, fruto da certeza de que nunca estamos sozinhos. «São Josemaria repetia constantemente as palavras de São Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”», explicou o Padre, insistindo em que Cristo está presente nas galáxias, mas também «tão perto como nos nossos corações».

Recordou igualmente a importância de estarmos sempre muito unidos ao Papa e de oferecermos o nosso trabalho a Cristo. Sublinhou que «nenhum trabalho é inútil» e que não devemos desanimar quando os frutos pastorais parecem tardar ou até não chegar. «Vale a pena!», incentivou.

D. Tulio Pérez, bispo auxiliar da Arquidiocese de Santiago da Guatemala, dá a bênção no final do encontro, ao lado de Mons. Fernando Ocáriz.

Um dos momentos mais marcantes do encontro aconteceu quando o Pe. Luis Felipe, pároco de uma zona em crescimento da capital, com muitas famílias jovens, contou que, por vezes, as crianças pequenas, ao vê-lo, lhe gritavam: «Ámen!», provocando o riso de todos os presentes. Na mesma linha, o Pe. Elio, pároco de San Juan La Laguna, no departamento de Sololá, no oeste da Guatemala, falou do seu trabalho apostólico com centenas de crianças indígenas e convidou o Padre a «conhecer o lago mais bonito do mundo, o lago Atitlán».

O Pe. Edgar Iván, da zona de Chimaltenango, pediu a Mons. Fernando Ocáriz um conselho sobre a fidelidade e o acompanhamento dos seminaristas. «A fidelidade é consequência do amor; aí está tudo», respondeu o Padre, acrescentando que Jesus Cristo deseja que «a unidade entre nós (sacerdotes) seja como a unidade da Santíssima Trindade (...). Temos de procurar essa unidade, essa fraternidade, apesar de termos ideias diferentes e caracteres diversos. Devemos estar abertos a todos, mas, em primeiro lugar, àqueles que estão aqui, mais perto de nós».

Por ocasião da festa de Nossa Senhora das Neves, o Padre incentivou-os a recorrer diariamente à proteção da Virgem Maria através da recitação do Rosário. «Ela é a nossa Mãe, é o nosso auxílio», afirmou.

O Pe. Julio, de 86 anos, agradeceu ao Prelado a visita. «Obrigado por esta tradição maravilhosa, iniciada por São Josemaria», disse, pedindo-lhe que falasse do sacerdócio do fundador. «Do sacerdócio de São Josemaria poder-se-ia dizer muitíssimas coisas: o carinho, o amor pelas pessoas, mas, acima de tudo, a centralidade da Eucaristia.»

Quase uma hora depois, o Padre concluiu o encontro sublinhando a importância de sermos fiéis, obedientes, dóceis e colaboradores. «Somos livres. E, por isso, se quiserdes ser fiéis, sê-lo-eis, porque a graça de Deus basta e a graça de Deus nunca falta».


4 de agosto: início da viagem na Cidade da Guatemala

O Padre chegou esta tarde à Cidade da Guatemala, dando início à sua visita pastoral a quatro cidades da América Central.

No aeroporto, encontrou o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, que se despedia da Guatemala após uma visita a estas terras, a quem cumprimentou cordialmente.

Mais tarde, dirigiu-se ao Centro Universitário Balanyá, onde foi recebido com grande carinho pelos membros da Obra. A família de Rodrigo e Tita deu-lhe as boas-vindas com entusiasmo, em nome de muitas famílias guatemaltecas.

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A família de Rodrigo e Tita deram as boas-vindas ao Padre.