Terça-feira, 9 de junho de 2026
- Oração da Meia-Hora na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália
A chegada do Santo Padre a Barcelona colocou-o no centro da identidade apostólica da cidade. O seu primeiro ato teve lugar no Altar-Mor da Catedral, onde presidiu à recitação da Hora Sexta – uma das principais orações da tradição da Igreja –, juntamente com membros do Cabido Catedralício, da cúria diocesana, seminaristas, formadores e voluntários que tinham participado na preparação da visita.
Junto ao túmulo de Santa Eulália, padroeira de Barcelona, Leão XIV deu início à sua etapa catalã. Percorreu depois o claustro da Catedral, onde contemplou a tradicional fonte do L'ou com balla, ligada à solenidade do Corpus Christi, e assinou o Livro de Ouro.
- Vigília de Oração no Estádio Olímpico “Lluís Companys”
A vigília de oração no Estádio Olímpico “Lluís Companys”, em Barcelona, foi o grande evento pastoral da visita do Papa à cidade catalã. Perante cerca de 40 000 pessoas, Leão XIV presidiu a um encontro que começou com uma exibição de castellers – as torres humanas que constituem património imaterial da humanidade – e que combinou testemunhos pessoais, música e oração. O fio condutor da tarde foi a figura evangélica de Nicodemos: tal como ele, todos nós somos, disse o Papa, «peregrinos na noite», buscadores da verdade no meio da escuridão da própria vida.
O ponto central do encontro foi o diálogo do Santo Padre com três jovens que partilharam experiências marcadas pelo sofrimento: o vazio de uma sociedade que reduz tudo ao sucesso e à imagem, a depressão e a tentativa de suicídio, e a violência familiar vivida na infância. Leão XIV respondeu a cada um com proximidade e profundidade.
Perante a pressão pelo rendimento, convidou a cultivar uma «sã inquietação» interior e a procurar Deus na realidade quotidiana, sem fugir dela. Perante a dor da doença mental, recordou que Deus não abandona ninguém na escuridão – «Ele acolhe não só as nossas lágrimas, mas também o grito do nosso sofrimento que outros não escutam» –, e pediu que os sistemas de saúde incluíssem a saúde mental entre as suas prioridades.
Ao falar sobre o perdão – a pergunta de uma jovem que cresceu num centro de acolhimento devido à violência do pai –, o Papa partilhou uma das reflexões mais pessoais da tarde: o perdão não é um ato imediato nem equivale sempre a restabelecer a relação anterior, mas sim um longo caminho que se percorre passo a passo, pedindo ao Senhor que alargue o espaço do amor ali onde fomos feridos. «Somos pecadores perdoados, estamos em paz e somos capazes de perdoar», concluiu. A vigília terminou com a atuação de Sergio Dalma, acompanhado pela Escolania de Montserrat.
Quarta-feira, 10 de junho de 2026
- Visita ao Centro Prisional “Brians 1”
Leão XIV realizou a primeira visita de um pontífice a um centro penitenciário em Espanha. No auditório do “Brians 1” – o mesmo espaço onde todos os domingos se celebra a Missa –, reuniu-se com cerca de 80 reclusos e ouviu o testemunho de duas mulheres reclusas, dando assim visibilidade aos desafios que as mulheres enfrentam durante o cumprimento da pena e o seu processo de reinserção social.
Na sua saudação, o Papa partiu da dignidade incondicional de toda a pessoa, fundamentada no amor de Deus, para dirigir aos presentes algumas palavras de encorajamento: «Os erros da vida não determinam a identidade de uma pessoa». Citando Santo Agostinho, recordou-lhes que o passado não condena o futuro e encorajou-os a confiar na graça: «Deus ama-te tal como és, mas sonha-te ainda melhor». Convidou-os a não ceder à tentação de se sentirem inferiores e a «erguer o olhar» para Aquele que, através daqueles que os acompanham, nunca deixa de lhes mostrar proximidade. O Papa começou a sua intervenção saudando os presentes em catalão.
- Oração do Santo Rosário na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat.
Por ocasião do milénio da Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, Leão XIV presidiu à recitação do Rosário perante a Mare de Déu, padroeira da Catalunha. O evento reuniu a comunidade beneditina, autoridades eclesiásticas e milhares de fiéis, tanto no interior como no exterior do mosteiro, e contou com o canto da Escolania, a mais antiga da Europa. O Papa iniciou a sua intervenção em catalão, evocando ainda a sua ligação pessoal com a Moreneta desde os seus anos como pároco de Santa Maria de Montserrat em Trujillo, no Peru.
No seu discurso, o Santo Padre convidou os presentes a seguirem o programa de vida cristã que encerra a palavra de Maria em Caná: «Fazei o que Ele vos disser». Salientou que essa obediência exige depor as armaduras com que o ser humano protege as suas feridas e os seus medos: «Deponhamos hoje aos seus pés as couraças que, pouco a pouco, endureceram o nosso coração», afirmou, contemplando o Menino Jesus nos braços da Virgem como imagem de um amor que se entrega sem defesas. Concluiu pedindo a Maria que nos ensine a renunciar às palavras ofensivas e a cultivar o amor em todos os âmbitos da vida. Da varanda da Abadia, abençoou a multidão reunida na praça.
- Encontro com as Organizações de caridade e assistência da Diocese na Igreja de Santo Agostinho.
Leão XIV reuniu-se na igreja de Santo Agostinho – atendida pelos padres agostinianos no bairro do Raval, ao lado de uma comunidade de Missionárias da Caridade – com representantes das entidades de caridade e assistência da Arquidiocese de Barcelona. Prestaram o seu testemunho membros da Cáritas Diocesana, da Fundação Obinso – dedicada a pessoas com dependências – e uma religiosa adoratriz que acompanha mulheres vítimas de tráfico. O Papa improvisou grande parte da sua intervenção, começando com algumas palavras simples: «Aqui sinto-me em casa».
O momento mais emocionante surgiu com as perguntas de Renzo, um menino de seis anos, que questionou o Santo Padre sobre o sofrimento, a solidão dos idosos, o perdão e a sua própria vocação. Leão XIV respondeu a cada uma com proximidade: recordou que foi na ordem de Santo Agostinho que descobriu a sua vocação para o sacerdócio e afirmou que «cada criança é um sonho de Deus». Sobre os avós, pediu que ninguém os deixasse sozinhos: «Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos». E sobre o perdão, explicou que perdoar não significa esquecer nem justificar o mal, mas «não deixar que o ódio se torne o dono do nosso coração».
- Santa Missa na Basílica da Sagrada Família e inauguração da Torre de Jesus Cristo.
No centenário da morte de Antoni Gaudí, o Papa Leão XIV presidiu à Missa solene na Basílica da Sagrada Família, perante cerca de 4000 pessoas. Antes de entrar no templo, viveu um dos momentos mais emocionantes do dia: Valentina, uma menina de treze anos com deficiência visual, explicou-lhe a Torre de Jesus Cristo através de uma maquete tátil acessível. O Papa rezou também diante do túmulo de Gaudí na cripta.
Na sua homilia, Leão XIV descreveu o templo como «uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz» e recordou que Gaudí, declarado venerável pela Igreja, o concebeu como uma peregrinação espiritual rumo ao encontro com Cristo. Convidou a assembleia a erguer o olhar para o Crucificado Ressuscitado e a «erguer o rosto daqueles que jazem no pó», sublinhando que a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo «não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus».
Após a Missa, o Santo Padre abençoou a Torre de Jesus Cristo – com 172,5 metros, a mais alta das 18 torres do projeto de Gaudí –, completando assim a obra iniciada há mais de um século. A noite terminou com um espetáculo de luz e música projetado sobre o templo, interpretado pela Escolania de Montserrat.

