Segunda-feira, 8 de junho
Terça-feira, 9 de junho
Sábado, 6 de junho de 2026
- Cerimónia de boas-vindas no Palácio Real de Madrid.
- Visita de cortesia a Suas Majestades, os Reis de Espanha.
- Encontro com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Real de Madrid (extrato do discurso).
«[...] Hoje, a tentação de ganhar popularidade atiçando o fogo das polarizações parece crescer, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada. Por isso precisamos de cultura, interioridade, educação livre e de qualidade, transcendência. E, no entanto, a partir destas noites escuras, homens e mulheres fiéis à verdade viram-se impulsionados a avançar de aposento em aposento até ao ponto em que, no âmago da consciência, a justiça e a paz se abraçam. É da sua liberdade que aprendemos a ser livres.
A Igreja Católica está ao serviço desta sede do coração humano. Não de forma impositiva, mas com o testemunho evangélico apoiado por uma multidão de mártires e santos, e está disposta a colocar-se hoje ao serviço do futuro de um povo que busca a reconciliação e a paz.
Convido todos, por amor à verdade, a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras da vossa realidade social e da vossa história, a fim de que se passe das simplificações estéreis a uma apreciação fecunda da complexidade. Vejo aqui uma vocação específica da Europa, da qual a Espanha é protagonista original e fundamental. É o presente que o Velho Continente pode oferecer ao mundo se quiser permanecer jovem, pois jovem é quem sente que tem um futuro e uma missão que ainda o interpelam...»
- Visita aos prestadores de serviço e beneficiados do projeto social «Cedia 24 horas» no Centro de Informação e Acolhimento.
Durante a sua visita apostólica a Espanha, o Papa Leão XIV visitou, no sábado, 6 de junho, o Centro de Informação e Acolhimento da Cáritas de Madrid, onde funciona o projeto CEDIA 24 Horas, que presta assistência ininterrupta a situações de exclusão social, maternidade vulnerável e tráfico de pessoas.
O Santo Padre ouviu os testemunhos de voluntários e de pessoas assistidas pelo centro e sublinhou o sentido evangélico do seu trabalho, citando Mateus 25: «Sempre que o fizestes a um destes, meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes».
Tomando como fio condutor o lema da viagem – «Levantai o olhar» (Jo 4, 35) –, Leão XIV recordou que cada encontro com quem sofre é um kairós irrepetível e advertiu contra as ideologias que desvirtuam a ação caritativa: «Não é possível esquecer os pobres se não quisermos sair da corrente viva da Igreja» (Dilexi te, n. 15).
- Vigília de oração com os jovens na Praça de Lima
Com mais de meio milhão de jovens reunidos na Praça de Lima, o Papa Leão XIV encerrou o primeiro dia da sua visita a Espanha com uma comovente vigília de oração. A noite incluiu um festival musical com vários artistas, a recitação do Terço e teve como ponto culminante a adoração do Santíssimo junto ao Santo Padre.
O momento central do encontro foi o diálogo entre Leão XIV e seis jovens, que lhe fizeram perguntas sobre a fé, o discernimento e o compromisso cristão na sociedade. O Papa propôs-lhes três caminhos para reconhecer a voz de Deus: o silêncio, a oração confiante e a humildade de quem se sabe sempre discípulo. Encorajou também os jovens a não terem medo da vocação – sacerdotal, religiosa ou matrimonial – e confiou-lhes uma missão concreta: «Sede humanos! Homens e mulheres de carne e osso. Não aparências, mas rostos fiáveis».
Domingo, 7 de junho de 2026
- Santa Missa na Praça de Cibeles e procissão do Corpus Christi
Perante mais de 1,5 milhões de pessoas reunidas na Praça de Cibeles e nas ruas adjacentes, o Papa Leão XIV presidiu à Santa Missa na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, ato central da sua visita apostólica a Madrid. A celebração contou com a presença da Família Real, de representantes do Governo e da Câmara Municipal de Madrid, de mais de 150 bispos e cardeais e de 1 600 sacerdotes. Após a Missa, o Santo Padre presidiu à procissão eucarística pelas ruas do centro da cidade, adornadas com tapetes florais de mais de 30 000 cravos, e à solene Bênção Eucarística.
Na sua homilia, Leão XIV situou o Corpus Christi no coração da fé do povo espanhol: «O Corpus Christi não é mais uma festa do calendário litúrgico, mas um regresso às raízes da fé para renovar o amor e a fidelidade a Deus». Advertiu que as procissões não são folclore nem adorno estético, mas sim expressão da «fé na presença do Senhor Ressuscitado, que está vivo e continua a passar no meio de nós». E precisou que sair com a custódia para a rua significa, acima de tudo, «deixarmos sair do egoísmo, da indiferença, de uma fé confortável e privada».
Com essa ideia em mente, o Papa lançou um apelo a toda a Espanha: «Não seja a religiosidade que anima este país há séculos um museu do passado para ser visitado, mas uma escola de fé da qual ainda hoje se pode beber». Recordou a figura de São Manuel González – o bispo dos sacrários abandonados – e os versos de São João da Cruz como testemunhos dessa fidelidade eucarística silenciosa. E concluiu com um convite: «Voltemos a Ele com amor sincero (…) para depois sairmos aos caminhos da vida e levarmos entre as pessoas esta corrente de água fresca, corrente de amor, de paz, de justiça e de alegria».
- Encontro privado com os membros da Ordem de Santo Agostinho na Nunciatura Apostólica.
- Encontro «Tecer redes com o mundo da cultura, da arte, da economia e do desporto» na Movistar Arena.
Na tarde de domingo, 7 de junho, a Movistar Arena, em Madrid, acolheu o encontro «Tecer redes», no qual o Papa Leão XIV se reuniu com representantes da cultura, da arte, do meio académico, do mundo empresarial e do desporto. Entre os presentes estavam o ator Antonio Banderas, a bailarina Sara Baras, a cantora Rozalén e as medalhistas olímpicas Carolina Marín e Teresa Perales.
No seu discurso, o Papa propôs três princípios fundamentais para «tecer redes»: dialogar a partir da dignidade humana, criar em conjunto e servir de forma desinteressada. Exortou cada setor a colocar-se ao serviço das pessoas e convidou todos a serem «fios novos para tecer redes novas». E reivindicou a marca cristã na Europa com as palavras dos seus antecessores: «Não tenhais medo! Abri de par em par as portas a Cristo! Jesus Cristo não nos tira nada e dá-nos tudo».
- Jantar na residência do Cardeal Arcebispo de Madrid.
Segunda-feira, 8 de junho de 2026
- Encontro com o Presidente do Governo na Nunciatura Apostólica.
- Encontro com os membros do Parlamento Espanhol no Congresso dos Deputados.
Pela primeira vez na história, um Pontífice dirigiu-se às Cortes Gerais espanholas. Na segunda-feira, 8 de junho, o Papa Leão XIV discursou numa sessão conjunta do Congresso e do Senado, na presença das principais autoridades do Estado.
O fio condutor do discurso foi a defesa da dignidade humana como fundamento de toda a ação legislativa. Evocando a tradição jurídica e intelectual espanhola – Cervantes, Santa Teresa, Unamuno, a Escola de Salamanca – o Papa recordou que «Espanha soube olhar para o ser humano como algo mais do que uma peça da ordem social: reconheceu-o como criatura aberta à verdade, dotada de liberdade e movida por uma sede de eternidade». Partindo dessa convicção, colocou uma pergunta direta aos legisladores: «Se a vida deixar de ser reconhecida como um valor fundamental, que futuro poderão ter as nossas sociedades?».
Leão XIV abordou também a família, a liberdade de ensino, a migração – «uma questão eminentemente moral e jurídica» –, os desafios da inteligência artificial e o perigo do rearmamento, face ao qual afirmou que «a verdadeira segurança nasce da justiça, do diálogo paciente e do respeito pelo direito internacional». E apelou a que aqueles que exercem funções públicas tenham cuidado com a linguagem utilizada, a fim de «desarmar» a polarização.
Concluiu com um convite para erguer o olhar e com um desejo para Espanha: «Que continue a ser uma terra de encontro, de cultura, de solidariedade e de esperança». O evento terminou com uma das mais longas ovações da história do Congresso e do Senado.
- Encontro com os bispos de Espanha na sede da Conferência Episcopal.
- Almoço com os bispos na Nunciatura Apostólica.
- Oração e homenagem à Virgem da Almudena na Catedral de Santa Maria de Almudena.
Leão XIV presidiu, na Catedral de Santa Maria a Real de Almudena, uma cerimónia de oração e homenagem à padroeira de Madrid. Perante a imagem da Virgem, fez a oferta floral e entregou-lhe a Rosa de Ouro, gesto com o qual os papas expressam o seu amor filial a Maria.
Na sua saudação, o Santo Padre evocou a tradição da Almudena – a imagem escondida na muralha da cidade e encontrada após o seu milagroso desabamento – para convidar à reflexão sobre os muros que continuam a dividir as sociedades atuais. «Para construir algo novo, belo e duradouro, é preciso estar disposto a destruir os muros», afirmou, e encorajou os presentes a serem «construtores de laços que restaurem a linguagem universal da comunhão, do amor fraterno e da concórdia».
O evento contou com a presença da Rainha Sofia, da presidente da Comunidade de Madrid e do presidente da Câmara da capital, além de numerosos seminaristas e as suas famílias.
- Encontro com a comunidade diocesana no estádio Santiago Bernabéu.
Perante cerca de 70 000 pessoas reunidas no estádio Santiago Bernabéu – 44 anos após a histórica visita de São João Paulo II ao mesmo recinto –, Leão XIV presidiu ao Encontro com a Comunidade Diocesana da província eclesiástica de Madrid.
O Papa utilizou a imagem da polifonia para falar da Igreja como «uma família eclesial tão bela que está a aprender a arte da polifonia, ou seja, da unidade na diversidade», e colocou o Batismo no centro da sua mensagem: um dom que transforma a vida porque «se orienta para o serviço e deixa de ser um dom privado para servir o bem comum».
Baseando-se na sua encíclica Magnifica humanitas, o Santo Padre refletiu sobre a missão da Igreja nas grandes cidades e encorajou a cultivar os conselhos paroquiais e diocesanos como espaços reais de discernimento, e não «meros trâmites burocráticos». Recolhendo os testemunhos ouvidos nessa noite, o Papa encerrou a sua intervenção com um apelo à missão a partir da proximidade: «A bondade, mesmo que seja de poucos, pode vencer o medo de muitos. Sede, para todos, como uma Bíblia aberta».
Terça-feira, 9 de junho
Como último ato da sua etapa em Madrid, o Leão XIV reuniu-se no Pavilhão 3 da IFEMA com uma delegação dos mais de 25 000 voluntários que, durante meses, trabalharam na organização da viagem. O Papa agradeceu-lhes com palavras muito pessoais: «Tirastes dias de folga do trabalho, alguns de vós vos dedicastes a tempo inteiro durante meses, e cada um deu o que pôde, oferecendo coração, mãos, ideias, talentos, sorrisos».
O cerne da sua mensagem foi a gratuidade como «fermento» do Reino de Deus, contraponto necessário à lógica do interesse que domina o mundo atual. «Talvez as estatísticas não o registem – afirmou –, mas sabemos que, nestes dias, também graças a vós, esta cidade cresceu e está mais perto do Reino de Deus». Encorajou-os a continuar «firmes na fé e generosos no serviço», e concluiu com um gesto simbólico: a bênção das primeiras pedras de dezoito novas paróquias da província eclesiástica e a oferta de um cálice à Arquidiocese. A partir do IFEMA, o Santo Padre dirigiu-se ao aeroporto de Barajas para voar para Barcelona.

