“Missão País” em Alcanede: três estudantes de Medicina contam a sua experiência

Maria Leonor Frazão, Francisco Baptista e Francisco Centeno Lima são estudantes de medicina da Universidade Nova de Lisboa. Frequentam os meios de formação do Opus Dei e contam a sua experiência na organização da Missão País para 60 estudantes da sua faculdade.

Iniciativas sociais
Opus Dei - “Missão País” em Alcanede: três estudantes de Medicina contam a sua experiência

Quando entrámos para a faculdade, sentimos que era muito importante trazer Deus para a faculdade mas também levar pessoas da faculdade para Deus. Não queríamos uma vida estudantil e uma vida espiritual separadas! Uma das ofertas à disposição nos meios universitários para permitir este “trazer Deus para a faculdade” é a Missão País. Começou em 2003, com 20 universitários e hoje conta com mais de 3000 missionários de 55 faculdades de norte a sul de Portugal.

Francisco Baptista: a responsabilidade de servir a todos

Recebo formação na Alameda, centro do Opus Dei em Lisboa na zona do Campo Grande. O meu primeiro encontro com a Missão País começou no 1º ano de faculdade. Inscrevi-me. Entrei, mas não fui. Fiquei desanimado, mas diziam-me: “deixa lá, para o ano vais”! E, assim foi. Foi uma semana em que aprendi que os jovens ainda se interessam por Cristo; e, como diz o Santo Padre, “deixam o seu sofá”, e põem-se a caminho, num caminho de oração e de amizade.

Voltei em 2019 para ser um dos responsáveis. Tinha agora a missão de formar uma equipa, constituída por mais 6 pessoas responsáveis pelos momentos de oração, pelo serviço pelo teatro.

Será que não poderíamos encontrar Deus nos encontros com os idosos nos lares, nas visitas que fizemos às escolas? Ou nos encontros de “porta em porta” pelas ruas de Alcanede?

Esta semana de missão cumpre o desejo de encontrarmos Deus nos outros, nas actividades quotidianas. Será que não poderíamos encontrar Deus nos encontros com os idosos nos lares, nas visitas que fizemos às escolas? Ou nos encontros de “porta em porta” pelas ruas de Alcanede? Certamente que sim. Surpreendeu-me especialmente uma visita a um centro de toxicodependentes onde nos organizaram um jogo de futebol e um churrasco. Esse foi um dia diferente para eles e para nós.

Francisco: Tinha a missão de formar uma equipa responsável pelos momentos de oração, pelo serviço e pelo teatro.

Dou graças a Deus por todos os membros da equipa (a Teresinha, a Beatriz, a Luísa, a Teresinha, o Francisco, o Pedro, o Zé e o Padre Miguel) que tornaram possível conhecer “o Dom que Deus tem para oferecer”. Agradecemos também à comunidade local, e em especial ao Padre Vicente Calado, pároco de Alcanede, que nos acolheram muito bem e que nos ajudaram a passar uma semana diferente que nos marcou a todos.

E agora? E depois, na faculdade e em casa com a família? S. Josemaria interpela-nos a ser verdadeiros missionários no meio do mundo: “apóstolo e não te dizeres apóstolo; ser missionário - com missão - e não te dizeres missionário; ser homem de Deus e pareceres homem do mundo. Passar oculto!”

Francisco Centeno Lima: na Missão País como chefe de oração

Como se diz no futebol, para mim foi o ano do “tri”: terceiro ano na faculdade, terceira missão, os três anos em Alcanede (o acolhimento, a transformação e o envio). Frequento as atividades de formação cristã do Opus Dei na Residência Montes Claros.

Este ano era o responsável por preparar os tempos de oração, em conjunto com uma amiga, a Beatriz. Eram dois momentos diários: um de manhã e outro à noite.

Este ano era o responsável por preparar os tempos de oração, em conjunto com uma amiga, a Beatriz. Eram dois momentos diários: um de manhã e outro à noite. Organizamos também uma Via Sacra e uma Adoração do Santíssimo: que grande responsabilidade! O tema deste ano era: “E se conhecesses o dom de Deus?”, retirado do episódio do encontro entre Jesus e a samaritana.

Orientar a oração de 60 pessoas durante uma semana é um grande desafio. Dar ferramentas para os missionários rezarem e ser ferramenta do Senhor nas “pregações”.Tivemos o cuidado de seguir as orientações da chefia nacional e de elaborar uma proposta que fosse apelativa a todos. Cada dia tinha o seu tema, relacionado com o Evangelho. O desafio era ajudar a rezar tantos universitários, cada um na sua fase de conhecimento da fé, mas todos com uma enorme abertura e vontade para escutar o Senhor no seu coração e de aprender mais sobre a nossa fé. Foi também de grande ajuda o texto da Via Sacra de S. Josemaria, que nos estimulou a meditar na Paixão do Senhor na 6ª feira.

Na Via Sacra que organizamos nas ruas de Alcanede. Ajudou-nos o livro “Via Sacra” de S. Josemaria

Deixo aqui um especial agradecimento à Beatriz, minha parceira na chefia de oração.

Nos momentos de missão e de oração contámos com a colaboração do Padre Miguel. Na oração falava sempre uns minutos no final e ajudava-nos a tirar um bom propósito para o dia. Na missão, foi mais um missionário. Sempre “de um lado para o outro” com as comunidades a conversar, a confessar… Sempre ocupado!

Partimos de Alcanede com a convicção que a oração não é só para quando temos “mais tempo”. É uma tarefa diária de um estudante: quando há exames e quando estamos de férias;

Partimos de Alcanede com a convicção que a oração não é só para quando temos “mais tempo”. É uma tarefa diária de um estudante: quando há exames e quando estamos de férias; quando apetece e quando não dá jeito; sozinhos ou acompanhados, quando os outros veem ou passamos despercebidos. Estou certo de que a nossa vida de “missionários da vida corrente” vale o que valer a nossa oração [1].

Maria Leonor Frazão: a Missão País como chefe de comunidade

Segundo ano como universitária, segundo ano como missionária.

Desta vez cheguei a Alcanede com um pensamento ligeiramente diferente: na minha cabeça desfilavam em “loop” seis nomes, os nomes das pessoas que estavam à minha responsabilidade durante aquela semana.

O papel de um chefe de comunidade não tem nada de extraordinário. Aproveitar os momentos de oração que nos são propostos; estar nos lares, na escola, no centro de saúde; deixar um pedacinho de nós em cada pessoa que nos abre a porta;

O papel de um chefe de comunidade não tem nada de extraordinário. Aproveitar os momentos de oração que nos são propostos; estar nos lares, na escola, no centro de saúde; deixar um pedacinho de nós em cada pessoa que nos abre a porta; aprofundar antigas amizades e semear outras tantas. No fundo, ser um missionário com uma pequena missão acrescida: a de olhar com especial carinho e amizade aqueles que me acompanharam durante toda a semana. Recebo formação na Residência Universitária dos Álamos e ao longo da semana ajudou-me pensar numa frase que escreveu São Josemaria: ocupar-se dos outros e esquecer-se de si mesmo. Se vives assim, verás como a maior parte dos contratempos que tens, desaparecem [2].

No início estava com receio. Expectativas, dúvidas e incertezas atropelavam-se nos meus pensamentos. Éramos todos tão diferentes!... E se algum não gostasse? Cada qual com a sua relação tão pessoal e única com Deus, cada qual com uma personalidade e uma maneira de olhar o mundo: uns vinham descobrir-se, outros reencontrar-se.

Penso que a causa para o sucesso desta semana (para além das muitas graças que recebemos!), foi a grande amizade que cresceu entre nós. Foram aquelas conversas tímidas iniciais, os competitivos jogos noturnos, as visitas aos idosos, as músicas cantadas aos altos berros no carro, as gargalhadas que nos fizeram chorar, os testemunhos que nos tocaram tão profundamente, as experiências que partilhámos e os desabafos escapados nos momentos de partilha que tornaram esta Missão numa semana de conversão.

Maria Leonor Frazão na visita ao Centro de Saúde: O nosso papel é deixar um pedacinho de nós em cada pessoa que nos abre a porta

Uma experiência de Igreja extraordinária! Éramos 60 universitários vindos de realidades eclesiais tão diferentes, mas aquilo que nos unia - a fé em Jesus Cristo - era o principal e assim foi fácil comprovar que a Igreja é realmente a família dos filhos de Deus. Que vale a pena apostar pela santidade, porque ser santo é ser feliz, como tantas vezes nos repetiram e pudemos experimentar.

Um agradecimento especial a todos os missionários que arriscaram numa semana de Missão!


[1] Caminho, n. 108

[2] Via Sacra, Estação X, n. 4