O canto à vida de Maria, enfermeira de cuidados paliativos

Maria, agregada do Opus Dei, faleceu no passado mês de agosto aos 44 anos, vítima de cancro. O seu exemplo, primeiro como enfermeira e, depois, como doente terminal, está a ser fonte de inspiração para muitas pessoas.

Opus Dei - O canto à vida de Maria, enfermeira de cuidados paliativosMaria Requena antes de entrar no bloco numa das últimas intervenções a que foi submetida

Já em 2018 Maria tinha recebido o Premio del Ayuntamiento de Cartagena al Compromiso Voluntario, pela sua dedicação ao lançamento de atividades solidárias de voluntariado para o cuidado e acompanhamento de doentes com cancro e seus familiares.

Além do seu trabalho profissional como especialista, Maria era docente na Escola de Enfermagem e voluntária de serviços assistenciais na Fundación FADE. Também colaborava no serviço de atendimento a menores hospitalizados e aos seus pais e familiares no Hospital Naval de Cartagena.

“Quando uma pessoa que tem uma doença grave pede a morte é porque tudo o resto falhou. É um fracasso, não da pessoa que sofre, mas do sistema, que não soube cuidá-la como merece nessa situação ”.

São palavras de Maria Requena, enfermeira especialista em cuidados paliativos. Depois de anos a cuidar de doentes oncológicos, ela própria teve um cancro do qual faleceu no passado dia 5 de agosto, rodeada pelo carinho da sua família, amigos e colegas da equipa médica que a atendeu.

Maria rodeada por alguns membros da sua família

Maria era agregada do Opus Dei e tinha descoberto desde pequena -primeiro em casa dos pais e muito rapidamente também através da formação que recebeu no Opus Dei- que o cuidado dos doentes, idosos e deficientes era um tesouro porque é uma forma de nos encontramos com Cristo. Essa descoberta foi determinante na sua orientação profissional para a enfermagem e esteve presente na intensa atividade solidária que desenvolveu com o trabalho que realizava.

Maria recebeu a título póstumo o Premio 2020 a la Persona Voluntaria, que todos os anos é concedido pela Consejería de la Mujer da Região de Múrcia. O galardão reconheceu o seu percurso de vida na participação e promoção de diversas iniciativas solidárias de voluntariado, o seu compromisso com a sociedade e a sua conceção humana da ação voluntária.

Em 2018 ,Maria a receber o Premio al Compromiso Voluntario, que todos os anos é concedido pela Câmara de Cartagena

Já em 2018 Maria tinha recebeu o Premio del Ayuntamiento de Cartagena al Compromiso Voluntario, pelas suas iniciativas solidárias de voluntariado no cuidado e acompanhamento de pacientes com cancro e aos seus familiares.

Além do seu trabalho profissional como especialista, Maria era docente na Escola de Enfermagem e voluntária de serviços assistenciais na Fundación FADE. Também colaborava no serviço de atenção a menores hospitalizados e aos seus pais e familiares no Hospital Naval de Cartagena.

Com voluntários

Em 2016 promoveu, no Hospital Santa Lucía, onde trabalhava, o projeto Secunda Smile na área de oncohematologia, um projeto pioneiro e inovador a nível nacional na área dos cuidados a doentes oncohematológicos adultos, que inclui voluntariado de acompanhamento a doentes, workshops e formação de voluntários.


Vídeo homenagem da Fundação FADE


Durante os meses da doença, Maria quis contribuir para chamar a atenção para o debate da eutanásia, e iniciou um interessante blog. Nele expôs a sua experiência profissional e vital, tratando de dar esperança a todos os que pudessem ter perdido o sentido da vida. Era também o seu contributo perante o iminente projeto de Lei.

O blog, com o expressivo título de Importas por ser tú, começa assim:
“Sou Maria Requena, enfermeira especializada em cuidados paliativos que, depois de anos a trabalhar na unidade 55 do serviço de oncohematologia do hospital Santa Lucía de Cartagena, sofre agora de um cancro de mama metastático no estadio IV.
Com aquilo que começou por ser um simples testemunho sobre a eutanásia, agora procuro criar um lugar de encontro, um refúgio de paz, de criatividade onde as pessoas que sofrem podem partilhar os seus medos, dores, preocupações e experiências. E, por que não, onde entre todos aprendamos a ser felizes no momento da dor”.

Uma apaixonada pela enfermagem

Maria definia-se a si mesma como “uma apaixonada pela enfermagem”. Fez os seus estudos em Múrcia, depois um Mestrado em Paliativos pela Universidade de Navarra (em colaboração com o Hospital-Centro de Cuidados Laguna), tendo desenvolvido o seu trabalho de fim de mestrado sobre a figura de Cicely M. Saunders, enfermeira, médica e filósofa britânica, fundadora dos cuidados paliativos modernos.

Na Dra. Cicely Saunders, Maria Requena via uma materialização prática daquilo que tinha aprendido do fundador do Opus Dei, que ensinava a ver Cristo no doente e a oferecer com os tratamentos para aliviar a dor, o mesmo cuidado e carinho como se essa pessoa fosse o próprio Jesus. Sempre ressoavam na sua alma as palavras de S. Josemaria: “—Criança. - Doente. - Ao escrever estas palavras, não sentis a tentação de as pôr com maiúscula?- É que, para uma alma enamorada, as crianças e os doentes são Ele”. (Caminho, 419)


Entrevista de Mario Alcudia (COPE) a Maria, em 13 de março de 2020, no programa Artesanos de la Fe.


Num artigo que publicou no ABC, com o expressivo título de “Paliar, no matar”, Maria referia-se assim àquilo que tinha aprendido com a Dra. Cicely: “Esta mulher revolucionou a forma de enfrentar a dor e a morte. Comprovou que um doente que se encontra no final da sua vida padece uma «dor total», porque não só sofre o corpo, como também existe a dor emocional, a dor social e a dor espiritual. Perante esta realidade, Cicely Saunders não optou por retirar a dor eliminando a pessoa que sofre, mas formou vários profissionais para que cuidassem de todas as dimensões do sofrimento”.

Maria também cuidou durante muitos anos da sua mãe, doente de Alzheimer, até ao seu falecimento em 2011. Foi a partir desse momento que pôde dedicar mais tempo a apoiar e impulsionar iniciativas de voluntariado.

Há dois anos foi-lhe detetado um cancro da mama metastático no estadio IV e, como ela mesma dizia, “passei para o outro lado, o da dor e da vulnerabilidade. Sou uma pessoa com uma doença crónica, incurável e que, claro, causa dor”.


Popular Televisión R.Murcia. Vidas con Luz con María Requena



Maria Requena não mudou de opinião no que diz respeito ao final da vida quando ela própria foi doente terminal. Com efeito, quis aproveitar essa circunstância para que a sua voz chegasse mais longe, num momento em que Espanha se debatia entre um conjunto de opiniões sobre a melhor forma de ajudar as pessoas a morrer com dignidade.

Quando faleceu, no passado dia 5 de agosto, foram muitas as pessoas que recordaram a sua categoria profissional e o impacto de sua experiência vital. Agora, graças ao Premio 2020 a la Persona Voluntaria, a voz de Maria pode continuar a dar esperança a muitas pessoas.

Artigo publicado originalmente em castelhano em https://opusdei.org/es-es/article/maria-requena-am...