Lorène, quem é e como é a sua vida?
Tenho 32 anos. Sou fisioterapeuta por conta própria, especializada em micronutrição. Tenho um consultório no centro da cidade e, em paralelo, estou a desenvolver uma atividade empresarial na área da micronutrição, com consultas a distância e comunicação nas redes sociais. É algo relativamente recente, por isso bastante exigente!
No Opus Dei, sou responsável por um clube para raparigas entre o ensino básico e o secundário. Organizo atividades e acompanho a sua formação humana e espiritual. Também colaboro em iniciativas destinadas a estudantes universitárias e jovens profissionais.
De resto, tenho uma vida muito normal. Pratico judo há mais de vinte e cinco anos – até voltei recentemente à competição. Estou com amigos, saio para beber um copo, leio, vejo filmes. Procuro uma vida simples, feita de trabalho, amizades, desporto e momentos tranquilos. Esta rotina faz-me feliz.

Quando percebeu que Deus a chamava?
Participo nas atividades do Opus Dei desde criança. Aos 20 anos, na oração, surgiu-me uma pergunta: Que é que o Senhor me vai pedir?
Não saberia explicar exatamente como, mas percebi que me chamava no Opus Dei e ao celibato apostólico. Foi algo que se me impôs – mas que escolhi livremente. Compreendi que era ali que seria feliz, onde poderia amar melhor.
Mais tarde, percebi que Deus me chamava a ser agregada. O modo de vida atraía-me. E houve como que “sinais” interiores que me confirmaram: é aqui que te espero. A partir do momento em que entendi, só queria dizer que sim.
Concretamente, que é uma agregada do Opus Dei?
É uma vocação ao celibato apostólico. Escolhi amar Deus para toda a vida, permanecendo onde estou, no meio do mundo. Uma agregada não faz votos religiosos nem é consagrada como uma religiosa. É plenamente leiga. Exteriormente, nada muda: tenho o mesmo trabalho, os mesmos amigos, a mesma vida que qualquer mulher de 32 anos em França. O que muda é o interior. A motivação profunda. O facto de tudo ser vivido para Deus.
Distingo isto de um celibato “imposto” ou individualista. Não é “ficar solteira para estar mais tranquila”. É escolher esta forma de vida porque é aquela através da qual posso servir melhor Deus e os outros.
Muitos imaginam que deve ser difícil…
Perguntam-me muitas vezes: “Não é difícil viver o celibato no meio do mundo?” Respondo sempre que, para mim, o difícil seria estar afastada do mundo. Gosto demasiado do mundo. Deus espera-me aí: no meu consultório, com os meus doentes, nas minhas amizades, na minha família.
A minha vida não se parece com a de uma religiosa num mosteiro. É a vida de uma mulher ativa, empenhada, integrada na sociedade. E é precisamente aí que vivo a minha vocação.
Como é um dia “normal”?
Levanto-me, tomo um bom pequeno-almoço e reservo um tempo para oração. Tenho a sorte de ter a catedral perto do trabalho, por isso vou à Missa de manhã. Depois trabalho: consultas, reuniões, projetos.
Ao longo do dia, procuro manter Deus presente: oferecer um momento mais difícil, rezar por um doente que está a passar por uma provação, estar atenta, redobrar o cuidado com quem é mais exigente. Não são “coisas a mais” que pesam na agenda – fazem parte de um todo. Dão-me força e renovam-me.
À noite, posso estar com amigos, jantar fora ou passar tempo em família. Deus também me espera aí, numa amizade simples, numa conversa normal.

Fala explicitamente da sua fé?
Sim, por vezes. Quando há confiança, posso dizer a um doente que vou à Missa ou que vou fazer um retiro. Alguns fazem perguntas mais profundas.
Muitas vezes, o essencial passa de outra forma: pela maneira de ser. Estar disponível. Ser fiel. Alegre. Profissional. Tentar, com humildade, refletir Cristo na forma de amar.
Quais são os frutos desta vocação?
Há momentos muito concretos. Por exemplo, reencontrar estudantes que acompanhei no clube dez anos depois e ver que cresceram na fé, que estão bem. Isso toca-me profundamente.
Quando os pais agradecem o que fazemos pelas filhas é uma grande alegria. O mesmo quando vejo doentes mais serenos por terem sido ouvidos ou melhorarem com alguns conselhos. Sinto-me útil. Vejo que a minha vida dá fruto.
Há também momentos difíceis?
Claro. Às vezes chego a casa depois de um dia intenso e penso: “Gostava de partilhar isto com alguém fisicamente presente”.
São momentos pontuais. Mas sei que nunca estou sozinha. Deus está presente. E tenho também as pessoas do Opus Dei, com quem partilho uma amizade profunda.
Raramente senti tanto carinho e apoio como na Obra. Isso dá vontade de ser melhor.
Como reagiu a sua família?
Quando pedi a admissão aos 20 anos, os meus pais ficaram surpreendidos. Como muitas jovens, imaginava casar-me e ter filhos. Mas sempre respeitaram a minha liberdade. Hoje estão felizes por mim, porque veem que eu estou feliz.
Nunca senti hostilidade. As pessoas fazem perguntas, querem compreender. Algumas não entendem – e é natural. Mas sempre fui respeitada.
Que mensagem gostaria de deixar?
Pensa-se muitas vezes que uma mulher católica tem duas opções: o matrimónio ou a vida religiosa. O celibato apostólico é uma verdadeira vocação, com identidade própria. Não é um “meio-termo” nem uma solução de recurso. É um chamamento positivo.
Acredito que muitas mulheres poderiam ser felizes nesta vocação sem o saber. Mulheres que não se sentem chamadas à vida religiosa, que não são casadas, mas que têm um grande desejo de se dar.
O celibato apostólico permite amar Deus plenamente, no meio do mundo, sem sair do lugar que se ocupa na sociedade. É simplesmente ser quem se é… com Deus presente.


