1940-1945: anos de formação e de crescimento

O professor da Universidade de Navarra Onésimo Díaz acaba de publicar um livro com o título ‘Expansão. O desenvolvimento do Opus Dei entre1940 e 1945’* que, segundo o autor, “é um período histórico sobre o qual há ainda muito por investigar”.

O livro descreve cinco anos da vida da instituição fundada por S. Josemaria. Segundo Díaz, “ao terminar a Guerra Civil espanhola, Escrivá contava com catorze homens e duas mulheres para realizar o Opus Dei. A sede da primeira obra corporativa, a residência DYA na rua Ferraz, em Madrid, estava em ruínas. Fazer o Opus Dei naquelas circunstâncias, parecia uma missão impossível.

Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, seguiam-no mais de duzentos e vinte homens e quase trinta mulheres. Em cinco anos, abriram-se centros, residências e colegios mayores nas principais cidades de Espanha”.

Publicado por Ediciones Rialp, este livro analisa a vida quotidiana dos primeiros membros do Opus Dei entre 1940 e 1945. Foram anos caracterizados pelo temor à possível entrada de Espanha na Segunda Guerra Mundial, pela carestia do pós-guerra, mas também pelo desejo dos jovens do Opus Dei de dar a conhecer a familiares, amigos e conhecidos, uma nova mensagem: procurar a plenitude de vida cristã no meio do mundo.

Uma fotografia do ano 1942, no El Rincón (Valladolid)

O autor destaca o entusiasmo dos jovens que seguiram S. Josemaria, na sua maioria estudantes universitários, que difundiram a sua mensagem pelas cidades espanholas e prepararam a expansão internacional. Durante a Segunda Guerra Mundial, o engenheiro José Luis Múzquiz fez uma viagem de nove dias a Portugal por motivos profissionais. Alguns ampliaram os estudos na Suíça. É o caso de Francisco Ponz e de Juan Jiménez Vargas. O cientista José María González Barredo esteve na Alemanha e o matemático Francisco Botella, na Itália.

Ao longo do relato, aparecem jovens universitários que tiveram, mais tarde, um papel destacado na história de Espanha, como os banqueiros Luis Valls e Rafael Termes, os ministros Laureano López Rodó e Alberto Ullastres e o catedrático antifranquista Rafael Calvo Serer. Têm também um papel destacado outras figuras importantes na vida do Opus Dei: os sacerdotes Álvaro del Portillo, José María Hernández Garnica e José Luis Múzquiz bem como Guadalupe Ortiz de Landázuri e Encarnita Ortega.

Se sentían protagonistas de algo importante en unas circunstancias difíciles, durante la posguerra española y la Segunda Guerra Mundial

Segundo Díaz, “foram anos de formação intensa, de boatos e incompreensões e de assombro pela novidade da mensagem, tanto no seio da Igreja como na sociedade civil”.

O livro é resultado da investigação em vários arquivos, como o Arquivo Geral da Prelatura do Opus Dei em Roma e o Arquivo Geral da Administração do Estado em Alcalá de Henares. Segundo o autor, “com base nos documentos, procuro apresentar a vida de umas pessoas que se sentiam protagonistas de algo importante em circunstâncias difíceis, durante o período do pós-guerra espanhola e a Segunda Guerra Mundial”.

Na residência da rua Jenner, março de 1942


Onésimo Díaz é doutorado em História Contemporânea pela Universidade do País Basco (1995) e doutorado em História da Igreja, pela Universidade da Santa Cruz (2013). Trabalha atualmente na Universidade de Navarra, como investigador no Grupo de Investigação em História Recente e subdiretor do Centro de Documentação e Estudos Josemaria Escrivá. É autor de quinze livros e de mais de trinta artigos em revistas de
história.


* Expansión. El desarrollo del Opus Dei entre los años 1940 y 1945'. Esta é, por agora, a única edição disponível e pode ser adquirida online.