As recoleções mensais para jovens

O retiro espiritual é uma escola de formação para aprendermos a ser filhos de Deus; uma prática recomendada pela Igreja para alimentar a vida cristã e alcançar a graça da conversão do coração. Trata-se de uma oportunidade para passar um tempo mais longo de oração com Jesus.

Os retiros mensais para jovens | Meios de formação cristã do Opus Dei

Retiros mensais

O retiro mensal é uma prática recomendada pela Igreja para alimentar a vida cristã e alcançar a graça da conversão do coração. Trata-se de uma oportunidade para passar um tempo mais longo de oração com Jesus.

Num mundo de notificações constantes, hiperatividade e sobre-estimulação digital, o retiro mensal é um espaço necessário para voltar a olhar para Jesus[1]. Os evangelistas já relatavam como o Senhor procurava com frequência retirar-se com os seus apóstolos, promovendo essa «bendita solidão» que hoje é mais urgente do que nunca para alimentar a vida interior[2].

Não se trata de uma desconexão vazia, mas de uma reconexão real. Nessa intimidade, Jesus revelava-lhes a verdade sobre quem eram, sobre a redenção, e deixou a semente para encontrá-lo no meio das tarefas ordinárias.

Por isso, o retiro espiritual é uma escola de formação para aprendermos a ser filhos de Deus; uma prática recomendada pela Igreja para alimentar a vida cristã e alcançar a graça da conversão do coração[3]. É o momento de pôr o mundo em pausa para:

  • Falar tranquilamente com Deus: Estar ao alcance do seu olhar e crescer numa amizade autêntica, longe das pressões do ambiente.
  • Deixar-se interpelar: Perguntar-lhe pelo que de verdade importa e escutar o Espírito Santo no silêncio da contemplação.
  • Recuperar o norte: Renovar propósitos, recuperar forças, para o dia a dia e sair com um otimismo que não depende das circunstâncias, mas de ter estado com Jesus.

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São Josemaria teve muita consciência, desde o começo do trabalho de São Rafael, de que a única coisa realmente importante era ajudar os jovens a fundamentarem a sua vida numa relação pessoal com Jesus Cristo, e dizia a cada um: «Que procures Cristo, que encontres Cristo (…), que ames Cristo»[4]. Os retiros mensais conduzem a essa finalidade imediata. Por isso, ao conviver com os jovens que se vão aproximando da Obra, é-lhes apresentado o ideal de seguir a Jesus Cristo e de ser apóstolos no meio do mundo, convidando-os a participar nuns meios de formação que os ajudem a ser bons cristãos.

O primeiro retiro mensal

O primeiro retiro do trabalho de São Rafael teve lugar a 18 de março de 1934. São Josemaria organizou-o na capela dos Redentoristas, em Madrid, e era dirigido aos rapazes que frequentavam a Academia DYA[5] e aos seus amigos. Muitos dos meios de formação tinham lugar na própria sede da Academia, na rua Luchana; mas para os retiros mensais foi preferível contar com a presença eucarística de Jesus, e nesses casos, utilizou-se uma capela cedida pelos Redentoristas da vizinha igreja do Perpétuo Socorro, na rua Manuel Silvela.

Poucos dias depois, escreveu São Josemaria: «Fizemos o primeiro dia de retiro da Obra no último domingo. Estou feliz»[6]. Originalmente, o Padre – como chamavam os rapazes ao fundador do Opus Dei – dava as aulas semanais de formação ou círculos[7] aos de São Rafael e depois, uma vez por mês, iam todos a um círculo geral, em que lhes recordava as ideias que tinham visto nos círculos anteriores. Mas, a partir dessa data, o círculo geral passou a ser o que agora são os retiros mensais.

São Josemaria convocava os rapazes de São Rafael um domingo por mês de manhã e terminavam o retiro a meio da tarde. Incluía algumas meditações dadas por ele. Assistia uma média de trinta rapazes, mas realizava-se mesmo que só estivesse uma pessoa. O formato não era fixo e podia variar dependendo das circunstâncias de tempo ou lugar.

Organização dos retiros mensais

Para facilitar o encontro verdadeiro de cada um com Jesus Cristo, procura-se fomentar durante o retiro um clima de recolhimento, silêncio e reflexão; também que o horário e o ambiente convidem a uma verdadeira oração: serena, sem pressas, com tempos para a meditação pessoal, evitando que o retiro se converta num ato de piedade atrás de outro. Tudo deve contribuir para a contemplação dos mistérios de Deus, para meter-se na vida de Jesus de forma a iluminar a nossa fé com a sua luz. Daí surgirá a necessidade de fazer exame, de reparar e de recomeçar.

Segundo as circunstâncias, incluem-se as meditações ou as palestras mais apropriadas. Outras atividades habituais são o exame de consciência, a bênção com o Santíssimo ou a Santa Missa. Também se pode incluir a recitação da via-sacra ou do terço ou um tempo de leitura espiritual. Costumam escolher-se aquelas que são mais oportunas de acordo com os assistentes e as circunstâncias. Além disso, o sacerdote está disponível se alguém quiser confessar-se ou aproveitar para falar um pouco. Como se vê, não existe fórmula fixa e as abordagens são diversas e flexíveis.

A duração do retiro varia segundo a idade dos assistentes e o tempo de que se dispuser: por exemplo, não é o mesmo se se celebra num dia durante a semana ou durante o fim de semana. Normalmente um retiro mensal costuma durar meio-dia, e pode ser um pouco mais curto para os jovens do secundário e um pouco mais longo para os universitários.

O retiro é enriquecedor porque facilita a alegria, porque ajuda a que cada um tome, com liberdade, as rédeas da sua própria vida espiritual, porque serve para nos aproximarmos mais de Deus. Quando os que assistem apreciam o bem que lhes faz o retiro, torna-se natural que pensem em partilhar esta oportunidade com alguns dos seus amigos.

A Sagrada Escritura diz que as delícias do Senhor são «estar com os filhos dos homens»[8]. No retiro, temos a oportunidade de passar mais tempo junto ao sacrário, fazendo companhia a Jesus. E nesses momentos será mais fácil participar na Eucaristia, dar-lhe graças, apresentar-lhe as nossas intenções…, com uma conversa sincera, piedosa e íntima. São Josemaria escrevia: «Conta a Jesus, realmente presente no Sacrário, as preocupações do dia. – E terás luzes e ânimo para a tua vida de cristão»[9].


[1] Cf. Jo 6, 1-3 e Mc 6, 31-32.

[2] São Josemaria, Caminho, n. 304.

[3] Catecismo da Igreja Católica, n. 1435 e 1438; Apostolicam actuositatem, n. 32.

[4] São Josemaria, Carta 24/10/1942, n. 12.

[5] A Academia DYA foi a primeira atividade de apostolado corporativo do Opus Dei. Foi uma academia universitária aberta no mês de janeiro de 1934.

[6] São Josemaria, Apontamentos íntimos, n. 1167 (22/03/1934).

[7] Os círculos são aulas breves e práticas de formação cristã em que os jovens aprendem a pôr em prática as virtudes naturais e sobrenaturais, para se tornarem homens e mulheres de oração e para viverem uma vida mais cristã.

[8] Pr 8, 31.

[9] São Josemaria, Caminho, n. 554.