Ars e o Fundador do Opus Dei

S. Josemaria recorreu sempre com fé à intercessão do Cura de Ars, padroeiro do clero secular. A sua primeira viagem à cidade de Ars (França), para conhecer os lugares onde S. João Maria Vianney exerceu o ministério sacerdotal e rezar diante dos seus restos mortais, foi em 1953.

No século XIX, Ars, pequena aldeia francesa, foi por muitos anos o centro da vida religiosa de todo o país. Entre os anos de 1818 a 1859, foi também tão grande a afluência de peregrinos, que a companhia de caminhos de ferro que servia a zona teve de abrir um posto de atendimento especial na cidade de Lyon, para organizar o tráfego entre esta grande cidade e a pequena povoação de Ars. O motivo era o sacerdote da aldeia, João Maria Vianney, que tinha nascido em 1786. Tivera de superar muitas e muitas dificuldades para chegar por fim a ser ordenado sacerdote e, quando lhe foi confiada a paróquia de Ars, com a sua pregação, com a mortificação, a oração e a caridade, conseguiu promover de um modo admirável o aperfeiçoamento espiritual das suas gentes.

Durante quarenta e dois anos a vida de S. João Baptista Maria Vianney esteve marcada pelo amor sem limites à sua vocação sacerdotal e entrega às almas. O Santo Cura de Ars, como é conhecido familiarmente na Igreja, chegou a passar mais de dezasseis horas diárias no confessionário, perdoando os pecados em nome de Deus, dando ânimo e o calor do seu afeto humano e da sua identificação com Jesus Cristo sacerdote. Pio XI canonizou-o em 1925 e declarou-o Padroeiro de todo o clero secular.

O corpo de São João Maria Batista Vianney, o Cura d'Ars encontra-se na igreja da paróquia de Ars.

S. Josemaria recorreu sempre com fé à intercessão de S. João Maria Vianney e salientava as suas qualidades de sacerdote. A primeira viagem de S. Josemaria à cidade de Ars, para conhecer os lugares onde exercera com tanta fidelidade o seu ministério sacerdotal e rezar diante dos seus restos mortais, foi em 1953. Depois, e sempre acompanhado por D. Álvaro del Portillo, voltou lá em numerosas ocasiões, em 1955, 1956, 1958, 1959 e 1960.

S. Josemaria, referindo-se à dedicação dos sacerdotes ao sacramento da Penitência, dizia-lhes: «Sentai-vos no confessionário todos os dias, ou pelo menos duas ou três vezes por semana, esperando ali as almas como o pescador os peixes. De princípio, talvez não venha ninguém. Levai o breviário, um livro de leitura espiritual ou algo para meditar. Nos primeiros dias podereis; depois virá uma velhinha e dizei-lhe que não basta que ela seja boa, mas que deve trazer os netinhos. Passados quatro ou cinco dias virão dois pequeninos, e depois um rapagão, e depois um homem, um pouco às escondidas... Ao fim de dois meses não vos deixarão viver, nem podereis rezar nada no confessionário, porque as vossas mãos ungidas estarão, como as de Cristo – confundidas com elas, porque sois Cristo –, dizendo: eu te absolvo». E concluía: «Amai o confessionário. Amai-o, amai-o! É esse o caminho para desagravar o Senhor por tantos irmãos nossos que agora não querem sentar-se no confessionário, nem ouvir as almas, nem administrar o perdão de Deus»[1].

Por ocasião do 150º aniversário da morte do Cura de Ars, Bento XVI convocou o Ano Sacerdotal, para «favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual depende sobretudo a eficácia do seu ministério»[2].

Os habitantes de Ars atualmente não ultrapassam o milhar, mas em cada ano atraem 500 000 peregrinos de todo o mundo.

Vídeo de um encontro de S. Josemaria com sacerdotes:


[1] S. Josemaria, Notas de uma reunião com sacerdotes no Porto, 31-X-1972. AGP, P04, vol. II, p.758.

[2] Bento XVI, Discurso aos participantes na assembleia plenária da Congregação para o Clero, 16-III-2009.