O que é a crisma ou confirmação?

A confirmação é um dos sacramentos da Igreja, mas qual é o seu significado e que efeitos tem na alma do cristão? Quem pode recebê-lo? Respondemos às perguntas mais comuns sobre o sacramento da Confirmação.

Perguntas sobre a fé
Opus Dei - O que é a crisma ou confirmação?Foto: Matías Medina

Sumário

1. A Confirmação na Bíblia e na história da Igreja
2. Rito da Confirmação
3. Efeitos do sacramento da Confirmação
4. Quem pode receber este sacramento?


A confirmação é um dos sacramentos da Igreja. Com o Batismo e a Eucaristia, constitui o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, isto é, sacramentos cuja recepção é necessária para a plenitude da graça que recebemos no Batismo.

A confirmação une mais intimamente à Igreja e enriquece com uma força especial do Espírito Santo, e com ela aqueles que a recebem ficam obrigados a difundir e defender a fé através de palavras e atos, como verdadeiras testemunhas de Cristo.

Constituição Lumen Gentium, 11, 11 | Catecismo da Igreja Católica, 1285


1. Confirmação na Bíblia e na história da Igreja

No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado. No livro do profeta Isaías, as seguintes palavras são colocadas nos lábios do Messias: “O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me a levar a boa-nova aos que sofrem." (Isaías 61 1-2)

Algo semelhante é também anunciado a todo o povo de Deus; aos seus membros, Deus diz: "Vou infundir em vós o meu espírito fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos." (Ezequiel 36,27).

A descida do Espírito Santo sobre Jesus no seu Batismo por João foi o sinal de que Ele era o que devia vir, o Messias, o Filho de Deus. Tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em total comunhão com o Espírito Santo que o Pai lhe dá "sem medida".

Repetidamente, Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiro no dia da Páscoa e depois, de forma mais evidente, no Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar as maravilhas de Deus e Pedro declara que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os Atos dos Apóstolos contam que aqueles que acreditaram na pregação apostólica e foram batizados receberam, por sua vez, o dom do Espírito Santo pela imposição das mãos e pela oração. É essa imposição das mãos que tem sido corretamente considerada pela tradição católica como a origem primitiva do sacramento da Confirmação, que perpetua na Igreja a graça do Pentecostes.

Este quadro bíblico completa-se com a tradição paulina e joanina que vincula os conceitos de "unção" e "selo" com o Espírito infundido nos cristãos. Este último encontrou expressão litúrgica já nos documentos mais antigos, com a unção do candidato com óleo perfumado. Esta unção ilustra o nome "cristão", que significa "ungido", e que tem a sua origem no nome de Cristo a quem "Deus ungiu com o Espírito Santo". Este rito de unção existe até hoje tanto no Oriente como no Ocidente. No Oriente chama-se a este sacramento crismação, unção com o crisma ou mírron, que significa "crisma". No Ocidente o nome de Confirmação sugere que este sacramento, simultaneamente, confirma o Batismo e fortalece a graça batismal.

Como se lê nos Atos dos Apóstolos, este sacramento já se vivia na Igreja primitiva: «Quando os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, tiveram conhecimento de que a Samaria recebera a palavra de Deus enviaram para lá Pedro e João. Estes desceram até lá e oraram pelos samaritanos para que eles recebessem o Espírito Santo. Na verdade, não descera ainda sobre nenhum deles, pois tinham apenas recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. Pedro e João iam, então, impondo as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo. ”(Atos dos Apóstolos 8, 14-17).

Catecismo da Igreja Católica, 1286-1289 | Paulo VI, Const. Apost. Divinae consortium naturae

Meditar com São Josemaria

Na Igreja, há diversidade de ministérios, mas um só é o fim: a santificação dos homens. E desta tarefa participam de algum modo todos os cristãos, pelo carácter recebido com os Sacramentos do Batismo e da Confirmação. Todos devemos sentir-nos responsáveis por essa missão da Igreja, que é a missão de Cristo. Quem não tiver zelo pela salvação das almas, quem não procurar com todas as suas forças que o nome e a doutrina de Cristo sejam conhecidos e amados, não compreenderá a apostolicidade da Igreja. (Amar a Igreja, Cap. 1)

Porque também hoje se devolve a vista aos cegos, que haviam perdido a capacidade de olhar para o céu e contemplar as maravilhas de Deus; também hoje se dá liberdade aos coxos e entrevados, que se achavam tolhidos por suas paixões e já não tinham um coração que soubesse amar; também hoje se dá ouvido aos surdos, que não desejavam ter notícia de Deus; e se consegue que falem os mudos, que tinham amordaçada a língua por não quererem confessar suas derrotas; também hoje se ressuscitam mortos, em quem o pecado havia destruído a vida. Mais uma vez se verifica que a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. E, tal como os primeiros fiéis cristãos, também nós nos alegramos ao admirar a força do Espírito Santo e sua ação sobre a inteligência e a vontade de suas criaturas. É Cristo que passa, 131

Apóstolo é o cristão que se sente enxertado em Cristo, identificado com Cristo, pelo Batismo; habilitado a lutar por Cristo, pelo Crisma; chamado a servir a Deus com a sua ação no mundo, pelo sacerdócio comum dos fiéis, que lhe confere uma certa participação no sacerdócio de Cristo - embora essencialmente diferente daquela que constitui o sacerdócio ministerial - e o torna capaz de participar no culto da Igreja e de ajudar os homens a caminhar para Deus, mediante o testemunho da palavra e do exemplo, mediante a oração e a expiação. É Cristo que passa, 120

Os discípulos, que já eram testemunhas da glória do Ressuscitado, experimentam agora a força do Espírito Santo: suas inteligências e corações abrem-se a uma nova luz. Tinham seguido Cristo e acolhido com fé os seus ensinamentos, mas nem sempre haviam conseguido penetrar totalmente o seu sentido: era necessário que chegasse o Espírito de Verdade, para lhes fazer compreender todas as coisas. Sabiam que só em Jesus podiam encontrar palavras de vida eterna, e estavam dispostos a segui-lo e a dar a vida por Ele; mas eram fracos e, quando chegou a hora da prova, fugiram, deixaram-no só. No dia de Pentecostes, tudo isso passou: o Espírito Santo, que é espírito de fortaleza, tornou-os firmes, seguros, audazes. A palavra dos Apóstolos ressoa agora com energia e ímpeto pelas ruas e praças de Jerusalém. É Cristo que passa, 127


2. Rito da Confirmação

Por meio da unção com óleo, a confirmação recebe "a marca", o selo do Espírito Santo. A unção do santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração. Pela Confirmação, os cristãos, o que significa aqueles que são ungidos, participam mais plenamente na missão de Jesus Cristo e na plenitude do Espírito Santo que ele possui, de modo a que de toda a sua vida emane "o bom odor de Cristo".

Um momento importante que precede a celebração da Confirmação, mas que, de certo modo, faz parte dela, é a consagração do santo crisma. É o bispo que, na Quinta-feira Santa, no decurso da Missa Crismal, consagra o santo crisma para toda a sua diocese.

A liturgia do sacramento começa com a renovação das promessas do Batismo e a profissão de fé dos confirmandos. Assim, fica patente que a Confirmação constitui o prolongamento do Batismo.

No rito romano, o bispo estende as mãos sobre todos os confirmandos, um gesto que desde os tempos dos Apóstolos é o sinal do dom do Espírito. E o bispo invoca assim a efusão do Espírito:

«Deus Todo-Poderoso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que regeneraste pela água e pelo Espírito Santo estes teus servos e os libertaste do pecado: ouve a nossa oração e envia sobre eles o Espírito Santo Paráclito; enche-os com o espírito de sabedoria e inteligência, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito de ciência e de piedade; e preenche-os com o espírito do teu santo temor. Por Jesus Cristo, nosso Senhor » (Rito da Confirmação).

Segue o rito essencial do sacramento. No rito latino «o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do sagrado crisma na testa, pela imposição das mãos, e com estas palavras: « Recebe por este sinal o dom do Espírito Santo » (Paulo VI, Const. ap. Divinae consortium naturae).

O beijo da paz com o qual se conclui o rito do sacramento significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis.

O ministro da Confirmação é o bispo. Embora o bispo possa, se necessário, conceder a outros presbíteros o poder de administrar o sacramento da Confirmação, convém que ele próprio o confira.

Catecismo da Igreja Católica, 1293-1301; 1312-1314 | Paulo VI, Const. Apos. Divinae consortium naturae

Meditar com São Josemaria

A Santa Missa situa-nos assim perante os mistérios primordiais da fé, porque é a própria doação da Trindade à Igreja. Compreende-se deste modo que a Missa seja o centro e a raiz da vida espiritual do cristão. É o fim de todos os sacramentos. Na Missa, encaminha-se para a sua plenitude a vida da graça que foi depositada em nós pelo Batismo e que cresce fortalecida pelo Crisma. É Cristo que passa, 87

Não te limites a falar ao Paráclito, escuta-O!

Na tua oração, considera que a vida de infância, ao fazer-te descobrir com profundidade que és filho de Deus, te encheu de amor filial ao Pai; pensa que, antes disso, foste por Maria a Jesus, a quem adoras como amigo, como irmão, como Aquele que amas...

Depois, ao receberes este conselho, compreendeste que até agora sabias que o Espírito Santo habitava na tua alma, para santificá-la..., mas não tinhas “compreendido” a verdade da sua presença em ti. Foi precisa essa sugestão: agora sentes o Amor dentro de ti; e queres chegar ao trato íntimo com Ele, ser seu amigo, seu confidente..., facilitar-Lhe o trabalho de tirar arestas, de arrancar, de prender fogo...

Não saberei fazê-lo!, pensavas. - Escuta-O, insisto. Ele te dará forças, Ele fará tudo, se tu quiseres..., como sem dúvida queres!

Reza-lhe assim: - Divino Hóspede, Mestre, Luz, Guia, Amor: que eu saiba acolher-te, e escutar as tuas lições, e inflamar-me, e seguir-te, e amar-te. Forja, 430


3. Efeitos do sacramento da Confirmação

O efeito do Sacramento da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo tal como foi concedida aos Apóstolos no dia de Pentecostes.

Por esta razão, a Confirmação confere crescimento e profundidade à graça batismal:

- introduz-nos mais profundamente na filiação divina;

- une-nos mais firmemente a Cristo;

- aumenta em nós os dons do Espírito Santo;

- torna o nosso vínculo com a Igreja mais perfeito;

- dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé através de palavras e ações como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e nunca sentir vergonha da cruz.

A confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou caráter indelével; por isso, este sacramento só pode ser recebido uma vez na vida.

Catecismo da Igreja Católica, 1302-1305

Meditar com São Josemaria

No Sacramento da Crisma a Tradição viu sempre unanimemente um fortalecimento da vida espiritual, uma efusão silenciosa e fecunda do Espírito Santo, para que, sobrenaturalmente robustecida, a alma possa lutar - miles Christi, como soldado de Cristo - nessa batalha interior contra o egoísmo e a concupiscência. É Cristo que passa, 78

Na medida em que nos cristifica, a efusão do Espírito Santo leva-nos a reconhecer a nossa condição de filhos de Deus. O Paráclito, que é caridade, ensina-nos a fundir com essa virtude toda a nossa vida; e assim, consummati in unum , feitos uma só coisa com Cristo, podemos ser entre os homens o que Santo Agostinho afirma da Eucaristia: sinal de unidade, vínculo de Amor. É Cristo que passa, 87

Cultiva o trato com o Espírito Santo - o Grande Desconhecido -, que é quem te há de santificar.

Não te esqueças de que és templo de Deus. - O Paráclito está no centro da tua alma: escuta-O e segue docilmente as suas inspirações. Caminho, 57

Entre os dons do Espírito Santo, diria que há um de que todos nós, cristãos, necessitamos especialmente: o dom da sabedoria, que nos faz conhecer e saborear Deus, e nos coloca assim em condições de poder avaliar com verdade as situações e as coisas desta vida. É Cristo que passa, 133

O trabalho profissional é também apostolado, ocasião de entrega aos outros homens, o momento de lhes revelar Cristo e levá-los a Deus Pai; é conseqüência da caridade que o Espírito Santo derrama nas almas. Entre as indicações que São Paulo dá aos Efésios, sobre o modo como se deve manifestar a mudança que neles operou a conversão, a sua chamada ao cristianismo, encontramos esta: Aquele que furtava não furte mais, mas trabalhe, ocupando-se com suas mãos em qualquer coisa honesta, a fim de ter com que ajudar a quem esteja em necessidade. Os homens têm necessidade do pão da terra para sustentar as suas vidas, e também do pão do céu para iluminar e dar calor aos seus corações. Com o nosso próprio trabalho, com as iniciativas que possamos promover a partir das nossas ocupações, nas nossas conversas, no convívio com os outros, podemos e devemos concretizar esse preceito apostólico. É Cristo que passa, 49


4. Quem pode receber este sacramento?

Todos os batizados, ainda não confirmados, podem e devem receber o sacramento da Confirmação. Visto que o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia formam uma unidade, todos "os fiéis têm a obrigação de receber este sacramento oportunamente" porque sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Batismo é certamente válido e eficaz, mas a iniciação cristã fica incompleta.

No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente após o Batismo e é seguido pela participação na Eucaristia, uma tradição que destaca a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã.

Na Igreja latina este sacramento é administrado quando se atinge "a idade do uso da razão". No entanto, existindo perigo de morte, as crianças devem ser confirmadas mesmo que ainda não tenham atingido a idade de uso da razão.

Há uma preparação para o sacramento que ajuda a sentir-se parte da Igreja de Jesus Cristo. Cada paróquia tem a responsabilidade pela preparação dos confirmandos.

Para receber a Confirmação é necessário estar em estado de graça. É conveniente recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado em atenção ao dom do Espírito Santo. Devemos preparar-nos com uma oração mais intensa para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.

Tal como para o Batismo, os confirmandos devem procurar a ajuda espiritual de um padrinho ou madrinha. Convém que este seja o mesmo do Batismo, a fim de sublinhar a unidade entre os dois sacramentos.

Catecismo da Igreja Católica, 1306-1311

Meditar com São Josemaria

“Não ajudem tanto o Espírito Santo!”, dizia um amigo, brincando, mas com muito medo.
- Respondi: penso que “O ajudamos” pouco. Sulco, 120

- Deus é meu Pai! - Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.

- Jesus é meu Amigo íntimo! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu Coração.

- O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho.

Pensa bem nisso. - Tu és de Deus..., e Deus é teu. Forja, 2

Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, para Deus Filho e para Deus Espírito Santo, sabendo-nos participantes da vida divina. Não há nunca motivo suficiente para voltarmos a cara para trás : o Senhor está ao nosso lado. Temos que ser fiéis, leais, fazer frente às nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para compreender os erros dos outros e vencer os nossos próprios erros. Assim, todos esses abatimentos - os teus, os meus, os de todos os homens -, servirão também de suporte para o reino de Cristo.

Reconheçamos as nossas mazelas, mas confessemos o poder de Deus. O otimismo, a alegria, a convicção firme de que o Senhor quer servir-se de nós, têm de informar a vida cristã. Se nos sentimos parte da Igreja Santa, se nos consideramos sustentados pela rocha firme de Pedro e pela ação do Espírito Santo, decidir-nos-emos a cumprir o pequeno dever de cada instante: a semear cada dia um pouco. E a colheita fará transbordar os celeiros. É Cristo que passa, 160