Meditações: quinta-feira da XX semana do Tempo Comum

Reflexão para meditar na quinta-feira da XX semana do Tempo Comum. Os temas propostos são: aceitar o convite do Senhor; a mesa como comunhão; revestir-se de Cristo.


«O REINO dos Céus é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer» (Mt 22, 2-3). Com esta parábola, Jesus evoca a história da salvação: Deus tinha preparado a sua aliança em primeiro lugar para Israel e tinha-lhe enviado repetidamente os profetas, mas esse convite encontrou muitas vezes indiferença ou recusa. No entanto, o banquete não fica vazio: o Senhor abre as suas portas a todos os povos. E também hoje, ao fim de vinte séculos, Deus continua a chamar-nos para que participemos nas bodas do seu Filho com a humanidade inteira.

O Senhor procura-nos para nos fazer participantes da alegria de viver em comunhão com Ele. No entanto, como sucede com os convidados da parábola, nós também podemos ficar absorvidos pelas nossas ocupações, preocupações ou projetos. Não necessariamente porque queiramos recusar Deus, mas porque às vezes vivemos tão imersos nas nossas obrigações que não admitimos que nada interrompa o que tínhamos previsto. E talvez pensemos que mais tarde chegarão momentos mais tranquilos. Como consequência, «muitas vezes compreendemos que fazer demasiado, em vez de nos dar plenitude, torna-se um turbilhão que nos atordoa, que nos priva da serenidade, que nos impede de viver da melhor forma o que é realmente importante para a nossa vida. Então, sentimo-nos cansados, insatisfeitos: o tempo parece dispersar-se em mil coisas práticas que, contudo, não resolvem o derradeiro significado da nossa existência»[1].

Essa inquietação revela que o nosso coração não se conforma com qualquer coisa. O seu destino mais profundo não está na acumulação de bens, tarefas ou atividades mais ou menos relevantes, mas no amor de Deus. E esse amor não nos afasta da vida concreta: ensina-nos a reconhecer o Senhor nas pessoas que coloca ao nosso lado. «Este tesouro – comenta Leão XIV – só se acha amando o próximo que se encontra ao longo do caminho: irmãos e irmãs em carne e osso, cuja presença interpela e questiona o nosso coração, chamando-o a abrir-se e a doar-se. O próximo pede-nos para ir mais devagar, para o fitar nos olhos, às vezes para mudar de programa, talvez até para mudar de direção»[2]. Quando no dia a dia nos detemos e servimos as pessoas que estão à nossa volta, estamos a aceitar o convite do Senhor para participar no seu banquete.


«A SALA do banquete encheu-se de convidados» (Mt 22, 10). Na Sagrada Escritura, o dom da vida eterna exprime-se frequentemente com a imagem dum banquete. Não é uma comparação casual: parte duma experiência profundamente humana, a alegria de se sentar à mesa com outros, para falar da comunhão com Deus e com os nossos irmãos no Céu. Comer não é só uma necessidade biológica. Em todas as culturas, partilhar os alimentos possui uma riqueza que vai para além da simples subsistência: os alimentos são dons de Deus, reflexo da sua sabedoria e da sua bondade; preparar uma mesa com cuidado manifesta um carinho cheio de delicadeza para com os outros; e partilhar a refeição e a conversa é sinal de acolhimento e de comunhão.

Os tempos que passamos com outras pessoas podem tornar-se algo mais do que momentos decorridos em comum: podem ser ocasiões reais de comunhão. Às vezes bastará estarmos atentos àquilo de que os outros possam necessitar, escutar sem pressas, propor um tema que ajude todos a participar ou integrar com naturalidade alguém que ficou mais de lado. São gestos simples, quase impercetíveis, que permitem que uma refeição ou um momento entre amigos se convertam num espaço em que cada um se sente acolhido, como uma pequena antecipação da felicidade que nos espera no Céu.

«A fraternidade não é um sonho belo e impossível, não é o desejo de alguns iludidos. […] A palavra “irmão” vem de uma raiz muito antiga, que significa cuidar, preocupar-se, apoiar e sustentar. Aplicada a todo o ser humano, torna-se um apelo, um convite»[3]. A comunhão com o Senhor e com os outros será perfeita no Céu. Até então, é um dom que já podemos desfrutar e, ao mesmo tempo, uma tarefa confiada a cada um de nós: com a sua luz e a sua força, Jesus ajuda-nos a ser cada vez mais capazes de construir vínculos autênticos com as pessoas que nos rodeiam.


«QUANDO O REI entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. Amigo, disse ele, como entraste aqui sem o traje nupcial?» (Mt 22, 11-12). Juntamente com o do banquete, o Senhor usa nesta parábola o símbolo da veste. Nas grandes festas, ontem como hoje, os convidados apresentavam-se com um traje de gala. Em Israel dos tempos de Jesus, além disso, quando chegavam a casa do anfitrião, lavavam-lhes os pés, perfumavam-lhes a cabeça com bálsamo e eram recebidos com um beijo como saudação de boas-vindas.

O rei tinha mandado convidar todos, «maus e bons» (Mt 22, 10). A salvação não é elitista, não está reservada a uns poucos: «A todos chama o Senhor, de todos espera amor: de todos, estejam onde estiverem; de todos, qualquer que seja o seu estado, profissão ou ofício»[4]. Mas responder à chamada de Deus significa deixar-se transformar pela graça. O Evangelho não é um remendo cosido superficialmente sobre o traje do nosso vestido velho, mas sim uma renovação profunda de todo o nosso ser. «Não basta aceitar o convite para seguir o Senhor, é necessário estar aberto a um caminho de conversão que mude o coração. O hábito da misericórdia, que Deus nos oferece incessantemente, é um dom gratuito do seu amor, é precisamente a graça. E requer ser acolhido com maravilha e alegria»[5].

O traje de festa, portanto, exprime o desejo de entrar no banquete de Deus com uma vida renovada, deixando que a sua graça transforme os nossos afetos e as nossas obras. Quem se veste para uma boda reconhece a grandeza do que celebra; do mesmo modo, quem entra no banquete de Deus está chamado a revestir-se de Cristo e do seu modo de amar. Podemos pedir à Virgem Maria que nos ajude a acolher os convites do seu Filho e a deixar-nos transformar por Ele.


[1] Leão XIV, Audiência, 17/12/2025.

[2] Ibid.

[3] Leão XIV, Audiência, 12/11/2025.

[4] São Josemaria, Carta 2, n. 2.

[5] Francisco, Angelus, 11/10/2020.