Via Sacra de S. Josemaria (áudio de 29 min)

O livro consta de breves comentários às catorze estações da Via Sacra, nascidos da oração pessoal de S. Josemaria. Pode fazer a Via Sacra com estes áudios.

Opus Dei - Via Sacra de S. Josemaria (áudio de 29 min)Calvário Hungaro Fatima (Creative Commons)


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Notas introdutórias

I. Jesus é condenado à morte.

II. Jesus toma a sua Cruz

III. Jesus cai pela primeira vez

IV. Jesus encontra sua Mãe Santíssima

V. Simão Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

VI. Uma piedosa mulher enxuga a face de Jesus

VII. Jesus cai pela segunda vez

VIII. Jesus consola as filhas de Jerusalém

IX. Jesus cai pela terceira vez

X. Jesus é despojado das suas vestes

XI. Jesus é pregado na Cruz

XII. Jesus morre na Cruz

XIII. Jesus é descido da Cruz e entregue à sua Mãe

XIV. Jesus é colocado no sepulcro

Orações finais


Notas introdutórias


Meu Senhor e meu Deus, sob o olhar amoroso de nossa Mãe, dispomo-nos a acompanhar-Te pelo caminho de dor, que foi o preço do nosso resgate. Queremos sofrer tudo o que Tu sofreste, oferecer-Te o nosso pobre coração, contrito, porque és inocente e vais morrer por nós que somos os únicos culpados.

Minha Mãe, Virgem dolorosa, ajuda-me a reviver aquelas horas amargas, que o teu Filho quis passar na terra, para que nós, feitos de um punhado de lodo, vivêssemos por fim in libertatem gloriae filiorum Dei,na liberdade e glória dos filhos de Deus.


I. Jesus é condenado à morte


Já passa das dez da manhã. O processo está a chegar ao seu termo. Não houve provas conclusivas. O juiz sabe que os Seus inimigos lhO entregaram por inveja e tenta um recurso absurdo: a escolha entre Barrabás, um malfeitor acusado de roubo com homicídio, e Jesus que se diz o Cristo. O povo escolhe Barrabás. Pilatos exclama:


- Que hei-de, então, fazer de Jesus (Mt XXVII, 22)?

Respondem todos:

- Crucifica-O!

O juiz insiste:

- Mas que mal fez Ele?

E, de novo, respondem aos gritos:

- Crucifica-O! Crucifica-O!

Pilatos assusta-se ante o crescente tumulto. Manda, então, trazer água e lava as mãos à vista do povo, enquanto diz:

- Sou inocente do sangue deste justo; é lá convosco (Mt XXVII, 24).

E, depois de ter mandado flagelar Jesus, entregou-O para que O crucificassem.

Faz-se silêncio, naquelas gargantas embravecidas e possessas. Como se Deus estivesse já vencido.

Jesus está sozinho. Que longe estão aqueles dias em que a palavra do Homem-Deus punha luz e esperança nos corações, aqueles longos cortejos de doentes que eram curados, as aclamações triunfais de Jerusalém, quando o Senhor chegou montado num manso burriquinho. Se os homens tivessem querido dar outro destino ao amor de Deus! Se tu e eu tivéssemos conhecido o dia do Senhor!


II. Jesus toma a sua Cruz


Fora da cidade, a Noroeste de Jerusalém, há um pequeno cerro: em arameu, chama-se Gólgota; em latim, locus Calvariae - lugar das Caveiras ou Calvário.


Jesus entrega-se, inerme, à execução da sentença. Não se Lhe vai poupar nada e cai sobre os Seus ombros o peso da cruz infamante. Mas a Cruz será, por obra de amor, o trono da Sua realeza.

A gente de Jerusalém e os forasteiros, vindos para a Páscoa, atropelam-se pelas ruas da cidade, para ver passar Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus. Há um tumulto de vozes, intervalado por curtos silêncios; talvez, quando Cristo fixa o olhar em alguém:

- Se alguém quer vir após Mim,... tome a sua cruz e siga-Me (Lc IX, 23).

Com que amor se abraça Jesus ao lenho que Lhe há-de dar a morte!

Não é verdade que, quando deixas de ter medo da Cruz, disso a que as pessoas chamam cruz, quando pões a tua vontade na aceitação da Vontade divina, és feliz e desaparecem todas as preocupações, os sofrimentos físicos ou morais?

É verdadeiramente suave e amável a Cruz de Jesus. Aí não contam as penas; fica só a alegria de nos sabermos co-redentores com Ele.


III. Jesus cai pela primeira vez


A Cruz fende, destroça com o seu peso os ombros do Senhor.

A turbamulta foi-se agigantando. Os legionários mal podem conter a encrespada, enfurecida multidão que, como rio fora de leito, aflui pelas ruelas de Jerusalém.

O corpo extenuado de Jesus já cambaleia sob a Cruz enorme. Do Seu Coração amorosíssimo mal chega um alento de vida aos Seus membros chagados.

À direita e à esquerda, o Senhor vê essa multidão que anda como ovelhas sem pastor. Poderia chamá-los um a um, pelos seus nomes, pelos nossos nomes. Aí estão os que se alimentaram na multiplicação dos pães e dos peixes, os que foram curados das suas doenças, os que doutrinou junto do lago e na montanha e nos pórticos do Templo.

Uma dor aguda penetra na alma de Jesus e o Senhor tomba extenuado.

Tu e eu não podemos dizer nada: agora já sabemos porque pesa tanto a Cruz de Jesus. E choramos as nossas misérias e, também, a ingratidão tremenda do coração humano. Do fundo da alma nasce um acto de profunda contrição, que nos arranca da prostração do pecado. Jesus caiu para que nos levantemos: uma vez e sempre.


IV. Jesus encontra sua Mãe Santíssima


Mal Jesus se levantou da Sua primeira queda, encontra Sua Mãe Santíssima, junto do caminho por onde Ele passa.

Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo.

- Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor (Lam I, 12)!

Mas ninguém repara, ninguém presta atenção; apenas Jesus.

Cumpriu-se a profecia de Simeão: uma espada trespassará a tua alma (Lc II, 35).

Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina.

Pela mão de Maria, tu e eu queremos também consolar Jesus, aceitando sempre e em tudo a Vontade do Seu Pai, do nosso Pai.

Só assim saborearemos a doçura da Cruz de Cristo e abraçá-la-emos com a força do Amor, levando-a em triunfo por todos os caminhos da terra.


V. Simão Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz


Jesus está extenuado. O seu passo é cada vez mais cambaleante, e a soldadesca tem pressa de acabar; de modo que, quando saem da cidade pela porta Judiciária, intimam um homem que vinha duma granja, chamado Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigam-no a levar a Cruz de Jesus (cfr. Mc XV, 21).


No conjunto da Paixão, é bem pouco o que significa esta ajuda. Mas a Jesus basta-Lhe um sorriso, uma palavra, um gesto, um pouco de amor, para derramar copiosamente a Sua graça sobre a alma do amigo. Anos mais tarde, os filhos de Simão, já cristãos, serão conhecidos e estimados pelos seus irmãos na fé. Tudo começou por um encontro inesperado com a Cruz.

Apresentei-Me aos que não perguntavam por Mim, encontraram-Me os que não Me procuravam (Is LXV, 1).

Às vezes, a Cruz aparece sem que a procuremos: é Cristo que pergunta por nós. E se, porventura, ante essa Cruz inesperada, e talvez por isso mais obscura, o coração mostrasse repugnância... não lhe dês consolações. E, se as pedir, cheio de uma nobre compaixão, diz-lhe devagar, em confidência: coração, coração na Cruz, coração na Cruz!


VI. Uma piedosa mulher enxuga a face de Jesus


Não há n'Ele parecer, não há formosura que atraia o olhar nem beleza que agrade. Desprezado, rejeitado pelos homens, varão de dores, experimentado em todos os sofrimentos, diante de quem se volta a cara, menosprezado, considerado em nada (Is LIII, 2-3).


E é o Filho de Deus que passa, louco... louco de Amor!

Uma mulher, de nome Verónica, abre caminho entre a multidão, levando um pano branco dobrado, com o qual limpa piedosamente o rosto de Jesus. O Senhor deixa gravada a Sua Santa Face, nas três partes desse véu.

O rosto bem-amado de Jesus, que tinha sorrido às crianças e se transfigurou de glória no Tabor, está agora como que oculto pela dor. Mas esta dor é a nossa purificação; esse suor e esse sangue que mancham e deformam as Suas feições, a nossa limpeza.

Senhor, que eu me decida a arrancar, mediante a penitência, a triste máscara que forjei com as minhas misérias... Então, só então, pelo caminho da contemplação e da expiação, a minha vida irá copiando fielmente os traços da Tua vida. Ir-nos-emos parecendo cada vez mais conTigo.

Seremos outros Cristos, o próprio Cristo, ipse Christus.


VII. Jesus cai pela segunda vez


Já fora da muralha, o corpo de Jesus volta a abater-se por causa da fraqueza, caindo pela segunda vez, entre a gritaria da multidão e os empurrões dos soldados.


A debilidade do corpo e a amargura da alma fizeram com que Jesus caísse novamente. Todos os pecados dos homens - os meus também - pesam sobre a Sua Humanidade Santíssima.

Foi Ele quem tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas dores; e nós tivémo-Lo por castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas foi trespassado pelas nossas iniquidades e torturado pelos nossos pecados; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre Ele, e nós fomos curados nas Suas chagas (Is LIII, 4-5).

Desfalece Jesus, mas a Sua queda levanta-nos, a Sua morte ressuscita-nos.

À nossa reincidência no mal, corresponde Jesus com a Sua insistência em redimir-nos, com abundância de perdão. E, para que ninguém desespere, volta a levantar-Se fatigadamente abraçado à Cruz.

Que os tropeços e derrotas não nos afastem, nunca mais, d'Ele. Como a criança débil se lança compungida nos braços vigorosos do seu pai, tu e eu agarrar-nos-emos ao jugo de Jesus. Só essa contrição e essa humildade transformarão a nossa fraqueza humana em fortaleza divina.


VIII. Jesus consola as filhas de Jerusalém


Entre as pessoas que contemplam a passagem do Senhor, há umas tantas mulheres que não podem conter a sua compaixão e desfazem-se em lágrimas, recordando porventura aquelas jornadas gloriosas de Jesus, quando todos exclamavam maravilhados: bene omnia fecit (Mc VII, 37), fez tudo bem.


Mas o Senhor quer encaminhar esse pranto para um motivo mais sobrenatural, e convida-as a chorar pelos pecados, que são a causa da Paixão e que atrairão o rigor da justiça divina:

- Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos... Pois, se tratam assim a madeira verde, o que acontecerá ao lenho seco? (Lc XXIII, 28, 31).

Os teus pecados, os meus, os de todos os homens põem-se de pé. Todo o mal que fizemos e o bem que deixámos de fazer. O panorama desolador dos inumeráveis delitos e infâmias sem conta, que teríamos cometido, se Ele, Jesus, não nos tivesse confortado com a luz do Seu olhar amabilíssimo.

Que pouco é uma vida para reparar!


IX. Jesus cai pela terceira vez


O Senhor cai pela terceira vez, na ladeira do Calvário, quando faltam apenas quarenta ou cinquenta passos para chegar ao cume. Jesus não se aguenta em pé: faltam-Lhe as forças e jaz, esgotado, por terra.


Entregou-se porque quis; maltratado, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadoiro, como ovelha muda ante os tosqueadores (Is LIII, 7).

Todos contra Ele...: os da cidade e os forasteiros, e os fariseus, e os soldados, e os príncipes dos sacerdotes... Todos verdugos. Sua Mãe - minha Mãe -, Maria, chora.

Jesus cumpre a vontade de Seu Pai! Pobre: nu. Generoso: que lhe falta entregar? Dilexit me et tradidit semetipsum pro me (Gal II, 20), amou-me e entregou-Se, até à morte, por mim.

Meu Deus!, que eu odeie o pecado e me una a Ti, abraçando-me à Santa Cruz, para cumprir, por meu lado, a Tua Vontade amabilíssima..., nu de todo O afecto terreno, sem outro alvo que a Tua glória.... generosamente, não reservando nada para mim, oferecendo-me conTigo em perfeito holocausto.


X. Jesus é despojado das suas vestes


Ao chegar o Senhor ao Calvário, dão-Lhe de beber um pouco de vinho misturado com fel, uma espécie de narcótico que diminui um pouco a dor da crucifixão. Mas Jesus, tendo provado para agradecer esse piedoso obséquio, não quis beber (cfr. Mt XXVII, 34). Entrega-se à morte com a plena liberdade do Amor.


Depois, os soldados despojam Cristo das Suas vestes.

Da planta dos pés à cabeça, não há n'Ele nada são. Feridas, inchaços, chagas apodrecidas, não curadas, nem ligadas, nem suavizadas com óleo (Is I, 6).

Os verdugos tomam as Suas vestes e dividem-nas em quatro partes. Mas a túnica é sem costura, pelo que dizem:

- Não a rasguemos; deitemos antes sortes para ver de quem será (Jo XIX, 24).

Deste modo se voltou a cumprir a Escritura: repartiram entre si as Minhas vestes e deitaram sortes sobre a Minha túnica (SI XXI, 19).

É o espólio, o despojo, a pobreza mais absoluta. Nada ficou ao Senhor a não ser um madeiro.

Para chegar a Deus, Cristo é o caminho; mas Cristo está na Cruz, e, para subir à Cruz, é preciso ter o coração livre, desprendido das coisas da terra.


XI. Jesus é pregado na Cruz


Agora crucificam o Senhor e, junto d'Ele, dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Entretanto, Jesus diz:

- Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lc XXIII, 34).

Foi o Amor que levou Jesus ao Calvário. E, já na Cruz, todos os Seus gestos e todas as Suas palavras são de amor, de amor sereno e forte.

Com gesto de Sacerdote Eterno, sem pai nem mãe, sem genealogia (cfr. Heb VII, 3), abre os Seus braços à humanidade inteira.

Juntamente com as marteladas que pregam Jesus, ressoam as palavras proféticas da Escritura Santa: trespassaram as Minhas mãos e os Meus pés, contaram todos os Meus ossos. E eles mesmos olham para Mim e contemplam (SI XXI, 17-18).

- Ó Meu Povo! Que te fiz
Eu ou em que te contristei? Responde-Me (Miq VI, 3) !

E nós, despedaçada a alma pela dor, dizemos sinceramente a Jesus: sou Teu e entrego-me a Ti e cravo-me na Cruz gostosamente, sendo, nas encruzilhadas do mundo, uma alma entregue a Ti, à Tua glória, à Redenção, à co-redenção da humanidade inteira.


XII. Jesus morre na Cruz

No cimo da Cruz, está escrita a causa da condenação: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus (Jo XIX, 19). E todos os que passam por ali O injuriam e O escarnecem.

- Se é o rei de Israel, desça agora da Cruz (Mt XXVII, 42).

Um dos ladrões vem em Sua defesa:

- Este não fez nenhum mal (Lc XXIII, 41).

Depois, dirige a Jesus uma petição humilde, cheia de fé:

- Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu Reino (Lc XXIII, 42).

- Em verdade te digo que, hoje mesmo, estarás conmigo no Paraíso (Lc XXIII, 43).

Maria, Sua Mãe, está junto da Cruz, com outras santas mulheres. Jesus olha-a e olha, depois, para o discípulo que ama e diz a Sua Mãe:

- Mulher, aí tens o teu filho.

Depois, diz ao discípulo:

- Aí tens a tua Mãe (Jo XIX, 26-27).

Apaga-se a luminária do céu e a terra fica mergulhada em trevas. São cerca das três, quando Jesus exclama:

- Elí, Elí, lamma sabachtani?! Isto é: Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste (Mt XXVII, 46)?

Depois, sabendo que todas as coisas estão prestes a ser consumadas, para que se cumpram as Escrituras, diz:

- Tenho sede (Jo XIX, 28).

Os soldados embebem uma esponja em vinagre e, atando-a a uma cana de hissope, aproximam-Lha da boca. Jesus sorve o vinagre e exclama:

- Tudo está consumado (Jo XIX, 30).

O véu do templo rasga-se e a terra treme, quando o Senhor brada com voz forte:

- Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito (Lc XXIII, 46).

E expira.

Ama o sacrifício que é fonte de vida interior. Ama a Cruz que é altar do sacrifício. ,Ama a dor até beber, como Cristo, as fezes do cálice.


XIII. Jesus é descido da Cruz e entregue à sua Mãe


Mergulhada na dor, Maria está junto da Cruz. E João, com Ela. Mas faz-se tarde, e os judeus insistem para que se tire o Senhor dali.

Depois de ter obtido de Pilatos a licença que a lei romana exige para sepultar os condenados, chega ao Calvário um senador chamado José, varão bom e justo, oriundo de Arimateia. Ele não tinha concordado com a condenação nem com a execução; ao contrário, era dos que esperavam o reino de Deus (Lc XXIII, 50-51). Com ele vem também Nicodemos, o mesmo que anteriormente tinha ido de noite encontrar-se com Jesus, trazendo uma mistura de mirra e aloés, de quase cem libras (Jo XIX, 39).

Não eram conhecidos, publicamente, como discípulos do Mestre; não se encontravam nos grandes milagres nem O acompanharam na Sua entrada triunfal, em Jerusalém. Agora, no momento mau, quando os outros fogem, não temem comprometer-se pelo seu Senhor.

Tomam os dois o corpo de Jesus e deixam-nO nos braços de Sua Santíssima Mãe. Renova-se a dor de Maria.

Para onde foi o teu Amado, ó mais formosa das mulheres? Para onde partiu quem tu amas, e procurá-lo-emos contigo (Cant. V, 17)?

A Virgem Santíssima é nossa Mãe e não queremos, nem podemos, deixá-la sozinha.


XIV. Jesus é colocado no sepulcro


Num horto muito perto do Calvário, José de Arimateia tinha mandado lavrar, na rocha, um sepulcro novo. E, por ser a véspera da grande Páscoa dos judeus, põem Jesus ali. Depois, José rolou uma grande pedra, para diante da boca do sepulcro, e retirou-se (Mt XXVII, 60).


Sem nada veio Jesus ao mundo e sem nada - nem sequer o lugar onde repousa - se nos foi.

A Mãe do Senhor - minha Mãe - e as mulheres que seguiram o Mestre desde a Galileia, depois de observar tudo atentamente, partem também. Cai a noite.

Agora consumou-se tudo. Cumpriu-se a obra da nossa Redenção. Já somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a Sua morte resgatou-nos.

Empti enim estis pretio magno (I Cor VI, 20) !, tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.


Orações finais


Oração para obter uma boa morte

Meu Pai Criador, peço-Vos a mais importante de todas as Vossas graças: a perseverança final e uma morte santa. Por maior que tenha sido o abuso de vida que me destes, fazei-me vivê-la desde agora e terminá-la no Vosso Santo Amor. Que eu morra como os santos Patriarcas, deixando sem tristeza este vale de lágrimas, para ir gozar do descanso eterno na minha verdadeira pátria.

Que eu morra como o glorioso São José, acompanhado de Jesus e de Maria, pronunciando esses nomes por toda a eternidade. Que eu morra como a Virgem Imaculada, na caridade mais pura e com o desejo de unir-me ao Único objeto dos meus amores. Que eu morra como Jesus na Cruz, plenamente identificado com a Vontade do Pai, feito holocausto por amor. Jesus, morto por mim, concedei-me a graça de morrer num ato de perfeita caridade para convosco. Santa Maria, Mãe de Deus rogai por mim agora e na hora da minha morte. São José, meu pai e senhor, alcançai-me a graça de morrer com a morte dos justos.

Aceitação da morte

Ó Deus, meu Pai, Senhor da vida e da morte, que por decreto imutável, em justo castigo das nossas culpas, estabelecestes que todos os homens teriam de morrer: olhai-me aqui prostrado diante de Vós. Detesto com todo o coração as minhas culpas passadas, pelas quais mereci mil vezes a morte, que agora aceito para expiá-las e para obedecer à Vossa amável Vontade.

De bom grado morrerei, Senhor, no tempo, no lugar, do modo que Vós quiserdes, e até esse momento aproveitarei os dias de vida que me restam, para lutar contra os meus defeitos e crescer no vosso amor, para quebrar todos os laços que atam o meu coração às criaturas, para preparar a minha alma para comparecer na Vossa presença; e desde agora abandono-me sem reservas nos braços da Vossa Paternal Providência.

Oração para o momento da morte

Senhor, meu Deus, desde já aceito de boa vontade, como vinda das Vossas mãos, qualquer género de morte que quiserdes enviar- -me, com todas as suas angústias, penas e dores.

V/. Amado Jesus, José e Maria, R/. Dou-vos o coração e alma minha.
V/. Amado Jesus, José e Maria, R/. Assisti-me na minha última agonia.
V/. Amado Jesus, José e Maria, R/. Expire em paz entre vós a alma minha