Uma segunda oportunidade ao serviço dos outros

Dez anos depois de ter estado à beira da morte, a vida de Étienne mudou por completo. Beneficiando de um duplo transplante pulmonar, este pai de família e médico viu, de facto, na sua cura uma espécie de «segunda oportunidade». O acompanhamento de pais de família e a ajuda prestada a pessoas sem-abrigo são testemunhos de uma vida que se tornou mais atenta aos outros.

Étienne, o segundo a contar da direita.

Uma vida prolongada para servir melhor

Há dez anos, Étienne recebeu um duplo transplante pulmonar. Uma provação imensa, vivida como um dom: o de um tempo suplementar que Deus lhe confiava não para si próprio, mas para continuar a dedicar-se aos outros.

Médico, marido e pai de família, vê hoje esta experiência como uma espécie de nova missão: cada encontro, cada serviço prestado, cada iniciativa apostólica tornou-se, para ele, uma forma concreta de colaborar na obra do Espírito Santo. A sua história pessoal junta-se assim à de tantos homens e mulheres que, após terem recebido uma segunda oportunidade, descobrem uma nova maneira de viver.

Ao lado dos pais de família

Este impulso concretizou-se primeiro na sua paróquia, quando a chegada de um novo pároco, que conhecia desde a infância, marcou para ele um novo ponto de partida. Com a mulher, Étienne ofereceu-se imediatamente para ajudar. Inicialmente envolvidos na preparação para o matrimónio, responderam depois a um apelo mais profundo: apoiar os pais de família.

A oportunidade surgiu através de uma peregrinação paroquial em torno de São José. Étienne encontrou naturalmente aí o seu lugar. Durante três dias, estes homens caminham juntos, rezam e partilham as suas intenções e fragilidades. Ao longo dos quilómetros, as conversas tornam-se mais profundas.

«Um deles contou-nos nunca ter recebido afeto do próprio pai e o seu desejo de quebrar esse ciclo com os seus filhos. No final da peregrinação, esse jovem pai disse-me que gostaria de ter tido um pai como eu. Uma frase simples, mas profundamente comovente para mim», confidencia Étienne.

Apoiar os pais de família

Desta experiência nasceu um círculo de jovens pais, concebido como um espaço de formação, amizade e crescimento espiritual. Quatro anos mais tarde, vários continuam fiéis, aos quais se juntaram outros ao longo do tempo. «Vejo nisto uma prova discreta mas poderosa da ação de Deus. Entre eles, alguns vêm de longe: feridas profundas ligadas à Igreja, ausência de pai, hostilidade herdada... e, no entanto, pouco a pouco, a graça atua. Um reencontra o caminho da oração; outro descobre a recoleção mensal a seguir a um retiro espiritual», explica Étienne, para quem estes percursos recordam uma convicção fundamental: Deus nunca se cansa de oferecer oportunidades para recomeçar.

Acompanhar os catecúmenos adultos

O seu compromisso estende-se também ao acompanhamento de adultos que pedem o batismo. «Numa sociedade em que a fé parecia ter desaparecido, muitas pessoas sentem hoje um vazio espiritual». Assim, acompanha percursos frequentemente inesperados: um jovem adulto desejoso de receber a comunhão depois de anos afastado da Igreja; outro, criado num meio ateu e comunista, que promete a Nossa Senhora pedir para ser batizado se conseguir cuidar dos seus filhos durante um período difícil. «Estes itinerários impressionam-me pela sua sinceridade. Admiro neles a humildade, a sede de compreender, o desejo de aprender os ritos, a liturgia e a fé cristã».

Servir os mais pobres

O apostolado de Étienne não se limita aos círculos ou aos catecúmenos. Com uma das suas afilhadas espirituais, lança também uma iniciativa simples: distribuir café e chá aos sem-abrigo.

Também aqui, o encontro transforma o olhar. Um homem encontrado na rua, bem vestido mas sem casa, recorda-lhes uma verdade essencial: a pobreza não é apenas material. Por detrás de roupas limpas ou de uma refeição garantida, existe por vezes uma solidão profunda. «A sua pobreza é, antes de mais, uma pobreza de relações», na opinião de Étienne. «Oferecer um café torna-se então mais do que um gesto solidário: uma presença, um reconhecimento, talvez até o início de uma nova esperança».

Estar disponível para a ação de Deus

Através destes múltiplos compromissos, Étienne não reivindica nada de extraordinário. Vê simplesmente na sua vida prolongada um convite a tornar-se disponível. «O meu transplante ofereceu-me uma mudança de ares em sentido próprio. Mas, sobretudo, abriu em mim um novo espaço interior: o de uma existência mais voltada para os outros, em que o apostolado se vive menos como uma estratégia do que como uma disponibilidade para a ação de Deus».

Para ele, cada pai acompanhado, cada catecúmeno orientado, cada pessoa encontrada na rua recorda-lhe esta certeza: quando se recebe uma segunda oportunidade, ela pode tornar-se, nas mãos de Deus, uma oportunidade para muitas outras pessoas.