Trabalhos habituais e como santificá-los: Médica de médicos

Eleonora, médica do trabalho e mãe de uma bebé de poucos meses, conta neste testemunho como se esforça por ter um programa de vida que a ajude a «estar sempre unida a Jesus».

Eleonora vive em Trieste, mas trabalha como médica do trabalho – ou seja, a médica que colabora com o empregador na vigilância da saúde dos trabalhadores – em Udine. Por esse motivo, há já cinco anos, leva uma vida de deslocações diárias, situação que torna os dias muito complexos. De manhã, logo que chega ao hospital de Udine, aguardam-na doentes, consultas médicas e colegas. E desde que, há cinco meses, é também mãe de Anna, o cansaço, apesar da ajuda do marido, aumentou também em casa. Dias tão intensos representam um grande desafio para Eleonora, mas ajuda-a a frase de Carlo Acutis, santo a quem é particularmente devota, que diz: “Estar sempre unido a Jesus, eis o meu programa de vida”.

«O dia de um médico do trabalho – afirma Eleonora – é caracterizado por uma série de consultas que os secretários e os enfermeiros programam antecipadamente. São eles quem decide e prepara a documentação para mim; portanto, o que me espera ao longo do dia só o descubro nesse mesmo dia. Na prática, examino os trabalhadores da unidade de saúde do hospital: médicos, enfermeiros, técnicos, terapeutas da fala... todos aqueles trabalhadores que, em função da profissão que exercem, estão expostos a determinados riscos».

«Um aspeto muito bonito da minha profissão – conta Eleonora – é a ajuda de tantos colegas especialistas que recebo todos os dias. No setor privado nem sempre existe esta possibilidade de colaboração; nós, pelo contrário, temos a sorte de poder fazer projetos em conjunto e, consequentemente, procurar realizar o melhor trabalho possível. Além disso – continua Eleonora –, sempre que os doentes voltam a uma consulta e se lembram de mim, do encontro anterior, é sempre uma grande alegria para mim. Significa que de alguma forma consegui deixar marca, fazer a diferença».

Plantar sementes de paz nos corações

Quem trabalha num hospital tem muitos prazos a cumprir e, muitas vezes, corre o risco de a ansiedade de ter de acabar tudo a tempo se sobrepor a tudo. «Nestas ocasiões, ajuda-me muito pensar no trabalho de Jesus – conta Eleonora –. Também Ele terá tido prazos e dias atarefados, mas terá certamente trabalhado sempre com alegria e com a serenidade de quem está na presença do seu Pai Deus. Além disso, procuro valorizar cada encontro e cada pessoa, seja doente ou colega. Desta forma, cada consulta pode transformar-se numa ocasião para agir em profundidade: muitas vezes os doentes precisam de se abrir, de conforto, de palavras de esperança e de compreensão. Mas para plantar estas sementes de paz nos seus corações tenho de manter visão sobrenatural e olhar os doentes lembrando-me de que também eles são filhos amados de Deus».

Eleonora, além de médica, é também esposa e mãe de Anna, uma bebé de cinco meses. «Quando falo do meu trabalho não posso deixar de falar também do trabalho em casa – explica Eleonora –. Agora que tenho uma família já não me sinto apenas médica e as tarefas domésticas estão mesmo a apaixonar-me: estou a descobrir um mundo. Uma amiga minha, que é numerária auxiliar, ensinou-me que o cuidado da casa, manter tudo arrumado e limpo, não significa sermos minuciosos ou maníacos da ordem, mas é uma forma de materializar o amor».

«O segredo, portanto, – conclui Eleonora – é a alegria. A alegria de servir e de saber que, no hospital, no consultório, em casa ou onde quer que me encontre, estou a responder à chamada de Deus».