Viagem do Prelado à Bolívia (Agosto 2018)

De 8 a 13 de agosto, Mons. Fernando Ocáriz fez a sua primeira viagem pastoral como Prelado à Bolívia. Nesta notícia, contamos os pormenores de cada dia da visita.

Do Prelado

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13 de agosto | 12 de agosto | 11 de agosto | 10 de agosto | 8 e 9 de agosto


13 de agosto

A última parte da estada de Mons. Ocáriz na Bolívia teve lugar em Santa Cruz, com dois encontros numa sala do aeroporto — devido à suspensão de um voo não pôde visitar os centros dessa cidade—, com as pessoas da Obra e outros amigos.

Ao almoço, Santiago contou-lhe a história de Alberto Seleme, o primeiro Supranumerário de Santa Cruz, psiquiatra, que estudou na Universidade de Navarra e conheceu S. Josemaria. Pediu a admissão na Obra numa das viagens a Santa Cruz do Pe. Danilo, antes de haver trabalho estável no país. Passado pouco tempo, faleceu com cancro. Quando estava em construção a nova sede de Sutó, um centro do Opus Dei em Santa Cruz, as ruas da zona sinalizavam-se com números. No entanto, tinham nome: a rua de Sutó chamava-se Dr. Alberto Seleme. A partir desse momento, tiveram-no como um intercessor especial para levar avante a iniciativa.

No primeiro encontro, o Prelado explicou que “o apostolado é gostar das pessoas”. Fizeram-lhe perguntas sobre temas de família e promoção social, oração e educação dos filhos. Não faltaram o presente de um chapéu “camba”, abraços e bênçãos.

Um pouco mais tarde, esperavam-no algumas meninas vestidas com o “tipoy”, um traje típico de Santa Cruz, e um menino com um chapéu de “sao”, também desta zona. Houve tempo para várias perguntas de Cooperadoras e de algumas da Obra. Perguntaram como tinha conhecido o Opus Dei e os nomes da mãe e do pai. Outras das perguntas foram sobre o sentido da dor pela perda de um filho e a prática da fé na família. Foram 25 minutos de tertúlia. Perto das 17h30m, o voo do Prelado descolou rumo a Assunção.


12 de agosto

De manhã, o Prelado foi a alguns Centros e a iniciativas educativas e sociais promovidas por fiéis da Obra, cooperadores e amigos.

Às 10h45m, esperavam-no no clube Hontanar um grupo de raparigas que frequentam as atividades deste centro de formação. Pili, Susy y Ely, da direção do clube, deram-lhe as boas-vindas, contando-lhe as vantagens de ter, a partir deste ano, uma nova sede. Depois de acender uma vela e rezar a Salve-Rainha perante uma bonita imagem da Virgem, saudaram-no e tiraram uma fotografia no jardim, juntamente com raparigas do Peru e Santa Cruz da Serra.

Chegou ao colégio Horizontes às 11 da manhã. Na sala de música, tinha sido preparado um estrado para um breve encontro com professoras e pessoal administrativo. Mons. Fernando Ocáriz recordou-lhes a importância do trabalho formativo e de promoção humana e cristã que realizam ali. À pergunta de Caro, professora de matemática e também bombeira voluntária, respondeu que, através dessa disciplina, se pode ajudar a descobrir Deus. Antes de visitar a capela do colégio, dedicada a S. Josemaria, deu uma bênção a duas professoras que estão grávidas.

A manhã concluiu com a Santa Missa para as famílias no colégio Cumbre. Reuniu-se também com todos os empregados do colégio: animou-os com a importante tarefa que tinham entre mãos, e pediu-lhes que trabalhassem com muita alegria.

A concelebração eucarística do domingo realizou-se no ginásio polidesportivo do colégio, preparado para a ocasião. Várias famílias fizeram as leituras, e participaram no coro, na oração dos fiéis e no ofertório. Na homilia, seguindo o profeta Elias, disse: “Na nossa vida há um longo caminho a percorrer, com os seus momentos fáceis e difíceis. Nos momentos fáceis, dêmos graças a Deus; e nos difíceis, confiemos no Senhor”. Na linha do Evangelho do dia, indicou que na Eucaristia encontramos a força para santificar a vida corrente, para “preocupar-nos pelos outros… na família, no trabalho”. Terminou invocando Maria, medianeira de todas as graças.

Almoçou no clube Huayna e deu uma breve palestra, em que participaram, também, uns rapazes peruanos que tinham feito trabalho solidário em Juli. Posteriormente, dirigiu-se ao CEFIM, escola técnicade gastronomia que desde há 29 anos capacita mulheres de modo a melhorarem as suas oportunidades de trabalho; parte do trajeto foi em teleférico, acompanhado, entre outros, por Diego, engenheiro especialista no assunto, que lhe foi explicando o funcionamento da rede e descrevendo a cidade que se vê, de lá de cima, numa perspetiva especial.

No CEFIM, o Prelado conversou com as diretoras, professoras, alunas e senhoras que colaboram com este projeto, e viu pormenorizadamente as instalações. A Brisa falou-lhe sobre “La Especiería”, a marca de pastelaria que o CEFIM lançou recentemente. Ao percorrer o edifício, teve encontros divertidos com as alunas que se empenhavam em que provasse as diferentes especialidades que tinham preparado para a ocasião: canapés, sumos de frutas, etc. Várias pediram-lhe que lhes abençoasse as mãos, o seu “instrumento” de trabalho. Com todas teve palavras de agradecimento e alento pelo trabalho que se faz nesta Escola. Em Illawa, a residência anexa a CEFIM, esperavam-no as residentes. Ao descer, teve um breve encontro com as famílias de Lidia, Claudia y Basi, que lá trabalham.

Dali dirigiu-se a Thaki, onde puderam saudá-lo muitas famílias e um grupo de Cooperadoras de Cochabamba. As crianças ficaram felizes com os doces que o Padre entregou a cada uma. Houve fotografias, selfies, perguntas, pedidos de orações por intenções particulares.

O dia terminou com o jantar em Río Abajo e um último encontro em La Casita, onde cantaram uma canção à Virgem escrita por uma das presentes, em que se vai descrevendo a geografia e as pessoas da zona. O Prelado agradeceu todos os pormenores e cuidados destes dias.

11 de agosto

Foi o dia dos encontros: dois no jardim do centro de convenções La Estancia e um, em Río Abajo. Durante o dia, um céu azul e brilhante acompanhou os encontros ao ar livre.

Na primeira tertúlia, Mons. Ocáriz começou por evocar a fé de S. Josemaria e por comentar o Evangelho da Missa : “A fé move montanhas; nada é impossível para quem tem fé. Por isso, temos que ser pessoas de muita fé, de muita confiança no Senhor. Confiança em que Deus nos escolheu como somos”. E, a seguir, concluiu: “Isto também tem como consequência que temos que estar sempre muito contentes, apesar das dificuldades”.


A Natalia, de Santa Cruz, contou que, um dia depois de conhecer a Obra, já estava a ajudar a angariar fundos para diversas necessidades do Centro e se sentia parte do projeto. Também intervieram a Valeria, de Cochabamba, e a Katterine, nadadora olímpica que vive em Santa Cruz. Por sua vez, Leo, de Potosí, contou que conheceu a Obra através de uma Supranumerária de Mendoza (Argentina) com quem trabalhou.

Bem no princípio da tarde, o Prelado esteve em La Casita, num ambiente descontraído de anedotas e histórias. Às quatro, começou a reunião com raparigas novas. As boas-vindas foram presididas por um cartaz: "Padre! Obrigado por estar cá!" No jardim, lançaram-se a um baile boliviano, vestidas com trajes típicos de La Paz, Cochabamba, Potosí, Tarija e Chuquisaca.


A Lucía perguntou como ser constante com o que uma pessoa se propõe: o Prelado destacou a importância da virtude da ordem, especialmente quando é preciso arranjar tempo para rezar no meio de todas as ocupações do dia.

MONS. OCÁRIZ RECOMENDOU PEDIR NA ORAÇÃO LUZ PARA VER E FORÇA PARA QUERER

A Rafaela, de 15 anos, contou que há uns meses esteve nos cuidados intensivos vários dias e isso a tinha levado a aproximar-se muito mais de Deus e perguntou como fazer para descobrir o que Deus quer de cada pessoa. Mons. Ocárizrecomendou-lhe pedir na oração luz para ver, e força para querer.

O encontro do fim da tarde em Río Abajo começou com uma saudação de boas-vindas de José, em quichua, recordando os 40 anos do início do trabalho apostólico da Obra na Bolívia. Em representação dos Cooperadores da Obra no país, o Carlos entregou-lhe um Cristo Crucificado de estilo colonial, que provavelmente (a investigação está a ser concluída) terá pertencido à Venerável Virginia Blanco.


Perante várias perguntas, o Prelado repetiu várias vezes: “Para tudo, em primeiro lugar, a oração”. E glosando esta ideia, com a notícia de que Pablo vai peregrinar em breve à Terra Santa, destacou que “não estamos a seguir um esquema de vida, estamos a seguir Alguém”, a Jesus. Finalmente, tal como noutras ocasiões nesta viagem pastoral, relembrou a importância do apostolado da família para a Igreja. Apelou, especialmente, a que haja “verdadeira amizade entre as famílias” para se ajudarem na vida cristã.

Depois de jantar, quis agradecer a quem tinha preparado para a ocasião um buffet de comida tradicional de “alasitas” (miniaturas).


10 de agosto

Após uma manhã de conversas pessoais, o Prelado reuniu-se com um grupo feminino em La Casita, a casa de convívios próxima de La Paz. Receberam-no a cantar “Píntame Bolivia”, que descreve as diferentes zonas geográficas do país.

Numa tertúlia, a Lidia contou-lhe as circunstâncias da morte recente de dois irmãos e a doença grave de um outro. O Padre animou-a a tornar-se forte com a esperança e a oração, ao mesmo tempo que nos pediu que nesse momento rezássemos por toda a família. A Carmen, psicóloga e mãe de três filhos, contou-lhe que há 21 anos, D. Javier Echevarría, o Prelado anterior do Opus Dei, lhe tinha abençoado o bebé quando ainda estava grávida. Agora, já numa nova etapa da vida, abriu as portas da sua casa para organizar reuniões com Cooperadoras da Obra, a catequese del Niño Jesús e uma biblioteca itinerante.

Ao terminar, Mons. Ocáriz plantou uma acácia no jardim e saudou a família de Santiago e Leticia, caseiros de Río Abajo; Alfredo, Gladys e Janet.

De tarde, foi visitar o arcebispo de La Paz, D. Edmundo Abastoflor; o Bispo auxiliar e Secretário da Conferência Episcopal, D. Aurelio Pesoa; e o bispo castrense, D. Fernando Bascopé. Foi uma reunião muito amena e cordial, em que conversaram sobre os desafios da Igreja na Bolívia e no mundo. Ao terminar, tiraram uma fotografia, prometeram orações recíprocas e rezaram juntos uma Avé-Maria.

De novo em Río Abajo, o Prelado falou com um grupo de estudantes de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz. Nicolás, Jorge e Joaquín dançaram um Tinku que, como explicou Diego, é uma dança guerreira de Potosí, anterior ao período inca, e receberam aplausos e um abraço de agradecimento.

A seguir, na sala de estar, contaram histórias e fizeram várias perguntas: relação entre ciência e fé, compromisso para fazer progredir o país, sinceridade para aproveitar o tempo na altura de ver filmes e séries, sugestões para combater a moleza, generosidade para ajudar os outros…

O Lucas, depois de tocar o tango “Por una cabeza” no órgão, disse que gosta muito das redes sociais. Nicolás quis saber como distinguir entre caridade e soberba quando tinha que corrigir algum dos irmãos mais novos. O Prelado propôs-lhe um “sistema”: a alegria. “Se fores dizer alguma coisa aborrecido ou desgostado, aí está a soberba. Pelo contrário, se atuares contente, já pode ser sinal de caridade”. E acrescentou: “Que não seja uma reação por alguma coisa te ter maçado, mas sim algo que possa ajudar o outro”.

Respondendo ao Juani, que lhe entregou em representação do Huayna um “iluchu” — barrete andino típico da Bolívia—, destacou a virtude cristã do patriotismo: “O país onde nos criámos deu-nos muito… e temos um dever de correspondência”. Ver a necessidade de desenvolvimento que há no país leva-nos à generosidade de “ sermos movidos pelo bem comum e não só pelo bem próprio: somos responsáveis pelo conjunto, não só pelo que é nosso”.

Quando começava a anoitecer, a casa ganhou outra tonalidade, à medida que se enchia com as 24 famílias que vinham cumprimentar o prelado. Daniel e Carla, ambos doutorados em Física, propuseram a Mons. Ocáriz uma adivinhade colegas, que tinha a ver com Newton e Pascal, o que criou um ambiente distendido para lhe apresentarem os seus sete filhos.

A María Eugenia mostrou-lhe uma fotografia do seu filho Mauricio, que faleceu com 39 anos, por ter caído do teto de uma igreja que estava ajudando a restaurar.

O dia terminou com uma sessão de fotografias, umas atuais e outras antigas, por exemplo, as que recordavam os 40 anos do início do trabalho apostólico da Obra na Bolívia, em que apareciam o Pe. Danilo, que tinha conhecido o Opus Dei nos Estados Unidos, o Padre Gabriel e Alberto: os três que em 7 de junho de 1978 desembarcaram em La Paz para começar. O álbum incluía também imagens da viagem de D. Javier em 1997, e o Padre identificou afetuosamente a Nancy, a criança ‘cholita’* que se sentou ao pé dele no sofá do palco.


* cholito, a – mestiço/a de sangue europeu e indígena (N.T.)


8 e 9 de agosto

O Prelado pisou terra boliviana, procedente de Buenos Aires no passado dia 8 de agosto de tarde. O avião fez escala em Santa Cruz de la Sierra. Mons. Ocáriz pôde conversar no aeroporto com um grupo de fiéis do Opus Dei que vivem nessa cidade, enquanto esperava pelo voo em direção a La Paz. Animou os presentes a continuar a trabalhar com otimismo, alegria e esperança. Na despedida, cantaram a tradicional “Camba tierra encantada”, que recorda o verde, os rios, os aromas, a selva e o sabor doce da cana madura.

Chegou ao aeroporto de El Alto, a 4000 metros de altitude, ao fim do dia, e teve a possibilidade de cumprimentar o Pe. Marcelo, Vigário da Obra na Bolívia e alguns fiéis do Opus Dei bolivianos: Sergio, Diego e Santiago. A família Medinaentregou-lhe de presente um barquinho de cerâmica, típico do país. A seguir, viajou para Río Abajo (3050 metros de altitude), uma casa de convívios em que ficará alojado até segunda-feira. A quinta-feira foi um dia calmo, necessário para se ambientar à altitude.

O Diego contou algumas histórias sobre a rede de teleféricos de La Paz, a maior do mundo; o Sebastián falou sobre um novo projeto educativo em Santa Cruz de la Sierra. Passeios de montanha, episódios do trabalho e da família: as pequenas histórias que compõem o dia a dia do trabalho da Obra nestas terras.

De tarde, em La Casita de Río Abajo, teve um encontro com um grupo de mulheres da Obra da Bolívia e do Peru. Receberam-no com uma típica saudação aimará, muito cordial e acolhedora: “¡Jallalla, Padre!”, que no seu significado une os conceitos de esperança, festa e felicidade.

A Loli deu-lhe uma chave enorme que tinham mandado as associadas do clube juvenil Hontanar para o convidar a ir conhecer a nova sede inaugurada há pouco. Basi contou que tinham organizado uma quermesse para reunir fundos para o oratório de Illawa, outro dos centros de La Paz, e deu-lhe um burrinho de madeira. O Prelado agradeceu especialmente o trabalho das pessoas que atendem os serviços da casa de convívios e encorajou-as a promover a sua relação com Deus, sem pensar nas dificuldades.

A Alejandra, que perdeu o marido num acidente há onze anos quando a filha tinha nascido há cinco dias, contou que, a partir de um favor recebido, o Beato Álvaro se tornou o aliado principal para promover um trabalho social com miúdos de rua. Cantaram depois uma canção à Virgem de Copacabana, composta pela Susana, que foi uma das primeiras da Obra a chegar à Bolívia em 1979.

Fernando e Clemente, sacerdotes, tomaram chá con Mons. Ocáriz e ofereceram-lhe produtos típicos da zona de Juli, uma sacola (`chuspa’) e um’ iluchu’. À noite, o Carlos entregou ao Prelado uns pins em forma de burrinho, presente de Marcelo e Akemi, destinados –depois de benzidos- a pessoas que partilhem a “teologia do burrinho” de S. Josemaria: trabalho esforçado, dia a dia, que produz muito fruto.