“Peço a Deus que me ajude a servir os meus pacientes”

Maria Luisa é dentista e trabalha perto de Boston, no estado do Massachusetts, nos Estados Unidos. Como supranumerária do Opus Dei, tem como objetivo cuidar bem dos seus pacientes, com caridade e amizade. Nesta entrevista, Maria Luisa descreve a forma como a sua fé, os ensinamentos de São Josemaria e o espírito do Opus Dei a ajudam no seu trabalho.

Maria Luisa

Conte-nos um pouco da sua história, de onde é, quais são os seus interesses e o que estudou.

Cresci em Monterrey, no México. Vim para Boston para terminar a minha especialidade em Medicina Dentária pediátrica. Em Boston, conheci o meu marido, Cliff, que também é dentista. Somos casados há 30 anos, temos quatro filhos, com idades compreendidas entre os 22 e os 27 anos. A nossa filha mais velha segue agora os nossos passos, estando também a estudar para ser dentista!

Quando não estou no consultório, adoro ter amigos em casa. Gosto imenso de entreter. Também me delicio a caminhar na natureza e praticar desportos de raquete.

Consegue descrever, de forma resumida, a sua carreira profissional?

Depois de me licenciar na Faculdade de Medicina Dentária de Tufts, em 1999, juntei-me ao meu marido, no seu consultório, onde trabalhamos há mais de 25 anos. Ele atende os adultos e eu as crianças.

Ser dentista pediátrica tem sido uma dádiva e um privilégio que me trouxe imensa alegria e realização. A verdadeira alegria não se resume apenas ao cuidado clínico; adoro ajudar as crianças a ter sorrisos saudáveis e confiantes e a estabelecer bons hábitos que contribuam para o seu bem-estar, à medida que crescem.

O que a levou a esta área? Do que mais gosta no seu trabalho?

O meu percurso começou com as minhas próprias experiências de infância. Tive a sorte de ter um dentista pediátrico maravilhoso. Mais tarde, o facto de ter usado aparelho ortodôntico mudou completamente a forma como me sentia em relação ao meu sorriso e à minha autoconfiança. À medida que fui evoluindo na profissão, percebi como a saúde oral está ligada à saúde em geral e à autoestima de uma criança, e é isso que continua a inspirar-me todos os dias.

Como é o seu dia típico de trabalho?

O meu dia começa às 8h30 da manhã. Ao chegar ao consultório, fico automaticamente com imensa energia, pois a perspetiva de encontrar as famílias maravilhosas que me confiaram a saúde oral dos seus filhos é, ao mesmo tempo, uma lição de humildade e uma grande satisfação. Trabalho com uma equipa fantástica e atenciosa, atendemos famílias de todas as origens.

A minha primeira responsabilidade é cuidar da saúde oral de cada criança. Mas também procuro fazer que todas as crianças se sintam consideradas e valorizadas. Adoro ouvir o que as entusiasma, compreender a sua realidade e encorajá-las com uma palavra gentil, um elogio ou simplesmente um sorriso.

Também gosto de encorajar os pais. Criar filhos é um dos maiores privilégios e fontes de alegria da vida, espero que o nosso consultório seja um sítio onde as famílias se sintam apoiadas ao mesmo tempo que ajudam os seus filhos a tornarem-se adultos felizes e saudáveis.

São Josemaria ensinou-nos que o trabalho em si pode ser santificado. Como acha que o seu trabalho contribui para mudar o mundo?

Todas as manhãs, tento dedicar alguns minutos à oração, pedindo a Deus que me ajude a servir bem os pacientes e as famílias que Ele coloca à minha frente. Valorizo profundamente cada família que trato. A oração lembra-me que todos fomos criados por Deus. Tento cumprimentar a minha equipa com amabilidade, preparar-me cuidadosamente para cada doente e lembrar-me de que, em cada procedimento, há uma criança e uma família que merecem toda a minha atenção e os melhores cuidados que possa proporcionar.

Até mesmo conversas simples tornam-se oportunidades para encorajar as pessoas. Em vez de fazer que alguém se sinta culpado, procuro animá-lo. Por exemplo, em vez de perguntar: «Escovas os dentes?», posso dizer: «Tenta escovar os dentes só um pouco mais todos os dias. Dentes saudáveis ajudam-te a sorrir com confiança e a comunicar bem».

Quando tenho um procedimento particularmente desafiante, costumo oferecer esse esforço a Deus por alguém que precise de orações. O que me relembra a necessidade de me manter concentrada e de dar o meu melhor.

De que forma os ensinamentos de São Josemaria sobre a santificação do trabalho influenciaram a sua vida profissional?

São Josemaria ajudou-me a compreender que a minha primeira vocação é amar e servir a Deus. O que me relembra que as tarefas quotidianas, feitas com cuidado e da melhor forma possível, são uma forma de viver essa vocação, um caminho para a santidade e a felicidade.

Procuro ver cada doente como um tesouro de Deus, uma vez que todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus. O nosso valor humano é igual para todos, independentemente das nossas origens, realizações ou capacidades intelectuais. Esta verdade é ao mesmo tempo revigorante e libertadora. Também me motiva a tratar cada doente com a máxima competência, cuidado e compaixão.

De que forma o espírito do Opus Dei a ajudou a encarar o seu trabalho como um espaço para criar amizades e aproximar as pessoas de Deus?

Um dos maiores presentes que o Opus Dei me deu foi o exemplo de muitas pessoas marcantes, cuja amizade moldou a minha vida. Ensinaram-me, pela forma como vivem, que os pequenos gestos de bondade são importantes. Um sorriso sincero, ouvir com atenção, lembrarmo-nos de alguém na oração, encorajar outra pessoa sem esperar nada em troca. Coisas simples que podem ter um impacto duradouro. O exemplo que os outros me deram inspira-me todos os dias.

Muitos dos meus pacientes acabam por tornar-se amigos. Estas amizades não se resumem apenas a frequentes interações sociais. Pelo contrário, baseiam-se num cuidado genuíno: estar presente, ouvir, encorajar e desejar o melhor para o outro. A minha esperança não é dar lições sobre a fé a ninguém, é simplesmente deixar que o amor de Deus se manifeste em atos de bondade e em boas intenções. Quando me concentro em cuidar verdadeiramente da pessoa que tenho à minha frente, da mesma forma que Deus cuida dela, a minha amizade torna-se uma forma de, naturalmente, partilhar a minha fé. Quando abordo os meus pacientes dessa forma, espero inspirá-los a aproximarem-se mais de Deus.

Consegue partilhar um exemplo da alegria que encontrou no trabalho, ao viver na presença de Deus, oferecendo-Lhe o seu trabalho?

Ao longo dos anos, percebi que o trabalho se tornou um caminho para uma paz e uma alegria profundas.

No início, pensava que adorava o meu trabalho simplesmente porque gosto de crianças e de famílias. O que é certamente verdade, gosto muito de ver as crianças a crescer, desde a primeira infância até se tornarem jovens adultos confiantes, muitas vezes com sorrisos lindos que ajudámos a construir juntos.

Ao mesmo tempo, percebi que a alegria mais profunda provém de algo mais.

Provém de saber por que trabalho. Quando o meu trabalho se torna uma expressão de amor e serviço a Deus, os momentos comuns ganham um novo significado. Ver cada paciente e colega de trabalho como alguém criado à imagem de Deus muda tudo.

A oração ajuda-me a lembrar-me disso ao longo do dia. Dá sentido ao trabalho. As situações difíceis tornam-se uma oportunidade para me aproximar de Deus. Este sentido de propósito traz uma alegria duradoura, que vai muito além da satisfação profissional.

Estou profundamente grata ao Opus Dei por ter-me ajudado a compreender que procurar a santidade não está reservado a pessoas ou momentos extraordinários. Pode ser encontrada na vida quotidiana: nas nossas famílias, no nosso trabalho e no esforço por amar a Deus e servir os outros um pouco melhor cada dia.