Para viver a fundo a Santa Missa: Adoração e Amor no coração da vida ordinária.

Quer viver melhor a Santa Missa? Viva melhor cada um dos seus quatro fins. Conhece-os? Neste artigo apresentamos-te como viver um, o fim latrêutico.

A Santa Missa, enquanto representação sacramental do sacrifício da Cristo, tem os mesmos fins que o sacrifício da Cruz. Estes fins são: o fim latrêutico (louvar e adorar a Deus Pai, pelo Filho, no Espírito Santo); o fim eucarístico (dar graças a Deus pela criação e a redenção); o propiciatório (desagravar a Deus pelos nossos pecados); e o impetratório (pedir a Deus os seus dons e as suas graças).

Isto exprime-se nas várias orações que fazem parte da celebração litúrgica da Eucaristia, especialmente no Glória, no Credo, nas diversas partes da anáfora ou oração eucarística (prefácio, sanctus, epiclese, anamnese, intercessões, doxologia final), no Pai Nosso, e nas orações próprias de cada Missa: oração coleta, oração sobre as oblatas, oração depois da comunhão.

A Eucaristia é o ato supremo de adoração ao Pai, um encontro pessoal que transforma o nosso trabalho diário.

A Santa Missa não é só um momento de oração comunitária, nem unicamente um espaço para pedir ajuda nas nossas necessidades. São Josemaria ensinava-nos a vivê-la com intensidade, comentando que «ao dizer a Santa Missa, deveriam parar os relógios»[1]. No coração de cada Eucaristia está o chamado fim latrêutico (do grego latreia: adoração, culto).

Que significa o fim latrêutico?

É o fim primário da Missa: adorar Deus. É o reconhecimento da sua grandeza e soberania como Criador e Senhor de tudo. Diferentemente dos outros fins – como o de ação de graças (eucarístico), reparação (propiciatório) ou petição (impetratório) –, o latrêutico centra-se exclusivamente em dar a Deus a glória que lhe corresponde.

Cristo: Adorador perfeito

Na Missa, Cristo faz-se presente e oferece o sacrifício da Cruz de maneira incruenta. Ele é o sacerdote e a vítima. Quando assistimos, unimo-nos a essa adoração perfeita de Jesus ao Pai. Não adoramos só com as nossas forças limitadas, mas adoramos com Cristo, por Cristo e em Cristo.

Unidos ao sacrifício, também no trabalho

Para São Josemaria, a Missa é o «centro e raiz»[2] da vida interior do cristão no meio do mundo. O fim latrêutico ensina-nos a levar a adoração à nossa jornada profissional. Ao adorar a Deus na Consagração, estamos a entregar-lhe os nossos trabalhos, os nossos afãs e a nossa família, convertendo a nossa vida de todos os dias num sacrifício espiritual agradável a Deus.

Como viver este fim de adoração na Missa?

  • Adoração interior: especialmente na Consagração, reconheçamos com fé Jesus presente e adoremos em silêncio.
  • União com Maria: o Beato Álvaro del Portillo convidava frequentemente a pôr Nossa Senhora em tudo e para tudo, por isso, um modo de adorar a Deus na Missa é fazê-lo através de Maria, procurando acompanhá-la com a mesma devoção com que ela esteve ao pé da Cruz, adorando a Deus com a oferenda do seu Filho e unindo-se ela própria nessa oblação.
  • Ir com “o relógio parado”: participar com a convicção de que é um encontro pessoal com o Rei dos reis, e que nada se sobreponha à atenção que devemos somente a Ele.

Ao sair da Santa Missa, levamos essa adoração no coração, transformando o trabalho quotidiano no lugar de encontro com Deus.


Referências:

[1] São Josemaria, Forja n. 436.

[2] São Josemaria, Forja n.69.

Vídeo:
A Eucaristia, mistério de amor e de fé

Para a leitura espiritual: 
São Josemaria, Homilia de Quinta Feira Santa em Cristo que passa.

Como material de estudo:
Juan José Silvestre Valor, Con la mirada puesta en Dios, Re-descubriendo la liturgia con Benedicto XVI, Editorial Palabra, 2014.

Para pregar e meditar:
Homilia do Papa Francisco, 14 de abril de 2013, Domingo III da Páscoa;

Homilia do Papa Bento XVI, 22 de maio de 2008 Solenidade do Corpus Christi

Ex. Ap. Sacramentum Caritatis do Papa Bento XVI, n. 66-69