«Ousar o encontro»

Foi com a associação “Aux Captifs la Libération”, na qual está envolvida, há dois anos, como voluntária, que Agnès participou, no início de novembro, no Jubileu dos Pobres, organizado em Roma. Foi uma oportunidade para reavaliar o seu compromisso e redescobrir a esperança que se esconde por detrás de cada encontro.

Há vários anos que Agnès vive em Paris, onde convive, no seu bairro, com uma pobreza crescente à qual não quer permanecer indiferente. Tendo crescido numa aldeia onde se conhecem os vizinhos e se está atento às necessidades uns dos outros, sente a necessidade de ir ao encontro dessas pessoas, mas não sabe por onde começar. Descobre a existência, a poucas ruas de sua casa, da associação Aux Captifs, la Libération, que vai ao encontro de pessoas em situação de precariedade ou de prostituição. Decide apresentar-se com uma intenção simples: fazer algo onde está de forma a poder aprender a ousar ir ao encontro das pessoas com as quais se cruza todos os dias.

«Não sou capaz»

Quando lhe propõem juntar-se à equipa que vai ao encontro de pessoas em situação de prostituição, Agnès hesita. Esta missão parece-lhe demasiado difícil, demasiado distante do que conhece. «O meu primeiro reflexo foi pensar que não era capaz, não saberia como fazer. Pensava ir ao encontro das pessoas sem-abrigo». No entanto, acaba por aceitar, precisamente porque essas pessoas vivem no seu bairro, porque fazem parte dessa «vizinhança alargada» para a qual ela não quer fechar os olhos. Esta decisão, tomada com alguma apreensão, mas também com muita confiança, marca o início de um caminho traçado por muitos encontros e novas amizades. «Tive de ultrapassar barreiras psicológicas internas, estando plenamente consciente de que, se dissesse que sim, sairia da minha zona de conforto, mas que também teria belas surpresas».

Ir ao encontro de cada pessoa

Após uma formação inicial na associação, começa a fazer rondas às terças-feiras à noite, que lhe ensinam que o mais importante não são as soluções, mas o encontro. «Com os Captifs, compreendi que o que se esperava dos voluntários era simplesmente ir ao encontro de cada pessoa. Recebemos uma formação que nos ajuda a ser nós próprios e a ousar esse encontro. Cumprimentar. Ouvir com generosidade e incondicionalmente. Voltar fielmente a esse encontro na semana seguinte. Criar laços humanos». Uma experiência que ecoa, em Agnès, a lembrança do Papa Leão XIV, em Dilexi te, sobre a importância de todos esses pequenos gestos de afeto que têm um valor imenso para aqueles que sofrem de solidão ou indiferença. «Na rua, é exatamente isso que vivemos: um olhar, um sorriso às vezes são suficientes para entrar em contacto e criar um vínculo humano. Pode parecer óbvio, mas, neste contexto, percebo que olhar para alguém de igual para igual pode realmente ajudar a pessoa a recuperar a sua dignidade».

Ouvir de outra forma

Agnès deseja que essa experiência de acolhimento mútuo, desprovida de qualquer julgamento, não permaneça como algo «à margem» da sua vida quotidiana, mas, pelo contrário, que transforme todas as suas relações. «Esses encontros que vivo graças à associação ajudam-me a ouvir de outra forma: a acolher simplesmente o que a pessoa diz. Espero que isso tenha uma influência gradual nas minhas relações com as pessoas com quem me cruzo todos os dias – seja a minha família, os meus amigos ou os meus colegas –, mas não é fácil».

Da caridade à esperança

Embora bater à porta dos Captifs para oferecer ajuda possa parecer um gesto de caridade, para Agnès é também um ato concreto de esperança. «Foi o que outro voluntário comentou ao sair de uma formação. Afinal, ao ir ao encontro dessas pessoas, reconhecemos que estamos todos no mesmo barco, que todos avançamos no mesmo caminho, que todos vamos em direção ao mesmo Céu. E, nesse caminho, juntos, podemos apoiar-nos e esperar uma felicidade eterna». Agnès viu esta intuição profunda reforçar-se durante os dias que passou em Roma, com os voluntários e beneficiários dos Captifs, por ocasião do Jubileu dos Pobres... em pleno ano da Esperança!

A esperança: uma porta que se abre

Durante os workshops, vigílias e momentos de recolhimento, é tocada pelas intenções de cada um – um desejo de reconciliação, uma família a reencontrar, a força de um novo começo –, que são confiadas à oração do grupo. Na Praça de São Pedro, antes de passar pela Porta Santa, como convida a fazer o jubileu, um dos participantes partilha simplesmente: «Ao passar por esta Porta Santa, espero que, também na minha vida uma porta se abra para mim».

Algumas palavras ressoam para Agnès como um resumo dessa necessidade de esperança que habita «todos» nós, pois, como ela está hoje convencida, «todos temos em nós pobrezas, visíveis ou invisíveis, e a esperança de que sempre haverá alguém ao nosso lado que saberá estar atento, dar-nos o seu apoio e ajudar-nos a abrir uma porta».