Oração de Santa Catarina de Sena pelo Papa

Neste primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV, recuperamos uma oração que Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, nos deixou para interceder pelo Sumo Pontífice e pela unidade da Igreja.

Estatua de santa Catalina de Siena, de Francesco Messina.
Estátua de Santa Catarina de Sena, do escultor italiano Francesco Messina.

No século XIV, quando a Igreja atravessava uma das suas horas mais sombrias – o papado dividido, os Pontífices exilados em Avinhão e a obediência dos fiéis fragmentada entre dois tronos –, uma jovem dominicana de Sena pegou na sua pena e dirigiu-se, sem medo nem rodeios, a Papas, cardeais e reis. Era Catarina Benincasa, que hoje celebramos como Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja.

A 18 de janeiro de 1379, festa da Cátedra de São Pedro, Catarina compunha em Roma uma oração. Tinha acabado de persuadir o Papa Urbano VI a convocar para Roma pessoas consagradas e a enfrentar o cisma provocado pelos cardeais rebeldes que tinham escolhido ilegitimamente um antipapa. A sua oração não é uma súplica tímida: é um clamor ardente que abre o céu.

Catarina dirigia-se ao Papa chamando-lhe Babbo – “Paizinho” em italiano –, com a confiança filial de quem ama profundamente a Igreja e não teme apontar as suas feridas. Essa mesma ternura corajosa pulsa em cada linha da sua oração.


Oração para rezar pelo Papa, de Santa Catarina de Sena

A Ti, Médico inestimável da minha alma, suspiro com veemência. Ó Trindade eterna e infinita! Eu, finita, recorro a Ti no corpo místico da santa Igreja para que tires toda a mancha da minha alma por meio da graça.

Não tardes mais, mas, pelos méritos do capitão da tua barquinha, isto é, São Pedro, socorre a tua esposa, que espera auxílio, com o fogo da caridade e a profundidade da eterna sabedoria.

Não desprezes os desejos dos teus servos; antes, guia a nave, ó Autor da paz! Orienta-os para Ti, para que, afastados do caminho das trevas, surja a aurora da luz naqueles que estão firmes na tua Igreja com o puro desejo da salvação das almas.

Bendito seja o laço que Tu, ó Pai benigníssimo, nos deste para podermos atar as mãos da tua justiça: isto é, a oração humilde e fiel juntamente com os ardentes desejos dos teus servos, por cuja mediação prometes ter misericórdia do mundo.

Dou-Te graças, ó alta e eterna Divindade, porque prometes conceder pronto alívio à tua esposa. Entrarei de novo no seu jardim e não sairei até que cumpras as tuas promessas, que sempre se tornaram realidade.

Aniquila, pois, os nossos pecados, ó Deus verdadeiro, e purifica as nossas almas com o sangue do teu Filho unigénito derramado por nós, para que, mortos para nós mesmos e vivendo n’Ele, Lhe ofereçamos, em troca da sua paixão, um rosto resplandecente e um ânimo íntegro.

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Recolhida nas Obras de Santa Catarina de Sena, compiladas por Frei José Salvador y Conde O.P.

Séculos depois, esta oração conserva toda a sua força. Rezá-la hoje é unir-nos a essa longa cadeia de fiéis que sustentaram o Papa com a sua oração – e recordar que a Igreja, como a barca de Pedro, precisa sempre dos ventos da caridade para não naufragar.