Leão XIV em França: tópicos para compreender a sua viagem

De 25 a 28 de setembro, o Papa Leão XIV realizará a sua primeira viagem apostólica a França. Paris, Saint-Denis, Lurdes, Metz: ao longo de quatro dias, o Papa percorrerá lugares que refletem uma faceta particular de França e da sua história cristã.

Esta será a primeira visita de Leão XIV a França desde a sua eleição e a primeira visita papal desta dimensão ao país desde a visita de Bento XVI, em 2008. Francisco viajou, de facto, para França – a Estrasburgo, em 2014, a Marselha, em 2023, e a Ajaccio, em 2024 –, mas sem realizar uma viagem apostólica nacional comparável a esta.

Neste artigo encontrará:

  1. O lema da viagem
  2. França, entre herança cristã e novo impulso
  3. Paris, uma primeira etapa carregada de símbolos
  4. Por que razão vai o Papa à UNESCO?
  5. Lurdes: Maria, os doentes e aqueles que sofrem
  6. Metz: nas raízes da Europa, pela paz e pela unidade
  7. Quatro dias, vários rostos de França

1. O lema «Para que o mundo tenha vida» (João 6, 51) 

Foi escolhido para lançar um apelo à esperança, à paz e à dignidade de toda a vida humana. Para além dos fiéis católicos, este lema dirige-se à sociedade no seu conjunto, procurando promover a solidariedade para com os mais vulneráveis.

2. França, entre herança cristã e novo impulso

A visita do Papa Leão XIV acontece num momento bastante singular para França. O catolicismo marcou profundamente a história, a paisagem e a cultura do país, mas a prática religiosa sofreu um forte declínio nas últimas décadas, como acontece em tantos outros países europeus. No entanto, nos últimos anos, a Igreja Católica francesa vive um fenómeno que chama particularmente a atenção: o rápido aumento do número de adultos e adolescentes que pedem o batismo (artigo em francês). Em 2026, receberão o batismo mais de 13 000 adultos e mais de 8 000 adolescentes, ou seja, mais de 21 000 jovens e adultos no total. O número de adultos batizados mais do que triplicou em dez anos. Este contraste entre uma sociedade muito secularizada e o surgimento de novas buscas espirituais, sobretudo entre os jovens, faz parte do contexto desta visita.

3. Paris, uma primeira etapa carregada de símbolos

A viagem começará na sexta-feira, 25 de setembro, em Paris. Leão XIV será primeiro recebido no Eliseu pelo Presidente da República, antes de se reunir com as autoridades francesas, a sociedade civil e o corpo diplomático. Depois, dirigir-se-á à sede da UNESCO, seguindo posteriormente para Notre-Dame de Paris e, durante a tarde, para Saint-Denis, onde terá lugar uma vigília com jovens. Em Saint-Denis, que recebeu o nome do primeiro bispo de Lutécia (Paris), o Bispo de Roma encontrar-se-á com os jovens. O encontro terá lugar no Stade de France, palco emblemático do desporto, de grandes concertos e de outras concentrações multitudinárias. O evangelizador São Dionísio, decapitado por volta do ano 250 em Montmartre, também velará alegremente nessa noite, juntamente com os jovens, no estádio francês.

No dia seguinte, visitará a Maison Bakhita, uma iniciativa da diocese de Paris dedicada ao acolhimento e à integração de migrantes. Posteriormente, reunir-se-á com catecúmenos e neófitos no Institut Catholique de Paris e celebrará Missa na Place de la Concorde.

Este percurso por diferentes lugares resume, quase por si só, as várias dimensões da viagem: o diálogo com as instituições, a atenção às questões internacionais, o encontro com a Igreja de França, com os jovens, com os novos cristãos e com as pessoas em situações de vulnerabilidade.

A passagem por Notre-Dame terá uma ressonância especial. Devastada pelo incêndio de 15 de abril de 2019 e reaberta ao culto em dezembro de 2024, após cinco anos de restauro, a catedral é simultaneamente um lugar de fé, um monumento da história de França e um símbolo conhecido em todo o mundo. Ali, Leão XIV presidirá às vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas e pessoas consagradas.

4. Por que razão vai o Papa à UNESCO?

A passagem pela UNESCO, no decorrer de uma viagem pastoral, pode causar alguma surpresa... mas compreende-se muito melhor se tivermos presente que o Papa é também um interlocutor da comunidade internacional. Não é, portanto, de estranhar que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com sede em Paris e com linhas de trabalho centradas na educação, na cultura, na ciência, no património e no diálogo entre os povos, tenha querido receber Leão XIV, por iniciativa do seu diretor geral. O Santo Padre pronunciará ali um discurso no dia 25 de setembro, uma ocasião para abordar alguns dos temas centrais do seu pontificado: educação e transmissão da fé, paz, diálogo entre culturas e preservação do património.

5. Lurdes: Maria, os doentes e aqueles que sofrem

No sábado à tarde, Leão XIV chegará a Lurdes, uma pequena localidade dos Pirenéus que se tornou num dos santuários marianos mais conhecidos do mundo. Foi ali que, em 1858, uma jovem de catorze anos, Bernadette Soubirous, afirmou ter visto em várias ocasiões a Virgem Maria na gruta de Massabielle.

Desde então, milhões de peregrinos de todo o mundo acorrem todos os anos a Lurdes para rezar, mas também para acompanhar pessoas doentes, com alguma deficiência ou em situação de vulnerabilidade, como contava na altura São Josemaria, que tinha um carinho especial por Lurdes.

Leão XIV irá à gruta logo após a sua chegada. No domingo, reunir-se-á com os bispos de França, celebrará a Missa no recinto do santuário, encontrar-se-á com os doentes e os seus cuidadores e, à tarde, participará numa das imagens mais emblemáticas de Lurdes: a procissão das velas. Lurdes acrescenta assim à viagem uma outra dimensão: a da vulnerabilidade, da oração e da esperança cristã no meio do sofrimento.

6. Metz: nas raízes da Europa, pela paz e pela unidade

A última etapa levará Leão XIV a Metz, no leste de França, perto do Luxemburgo e da Alemanha. Esta escolha geográfica confere ao último dia da viagem uma forte dimensão europeia. O Papa participará primeiro num encontro inter-religioso e, depois, num outro intitulado «Nas raízes da Europa, pela paz e pela unidade».

Metz é também a cidade natal de Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros depois da Segunda Guerra Mundial e um dos principais artífices da construção europeia. Numa região cuja história foi marcada pelas guerras franco-alemãs e pelas sucessivas alterações de fronteiras, falar de paz, reconciliação e unidade europeia adquire um significado especial. A viagem terminará com uma Missa na Catedral de Santo Estêvão de Metz, antes do regresso do Papa a Roma.

7. Quatro dias, vários rostos de França

Do Eliseu à gruta de Massabielle, da UNESCO ao Stade de France, de Notre-Dame de Paris à cidade de Robert Schuman, o itinerário de Leão XIV vai mostrando vários rostos da França atual: uma Igreja que enfrenta a secularização, mas que vê chegar numerosos novos batizados; uma sociedade marcada pelos desafios da transmissão, da migração e da fragilidade; e, em última análise, um país cuja história continua profundamente ligada à da Europa.


Programa oficial da visita

Percurso virtual da visita

El programa oficial de la visita (en francés)

Recorrido virtual de la visita