Eu estava no encontro sacerdotal do Opus Dei dos padres infectados com COVID

O P. João Paulo de Campos conta como viveu estes dias após um encontro anual de sacerdotes que, ao contrário de outros anos, ficou marcado a posteriori pela surpresa de alguns participantes terem testado positivo à COVID-19.

Opus Dei - Eu estava no encontro sacerdotal do Opus Dei dos padres infectados com COVID

Eu fui o coordenador do encontro de sacerdotes realizado entre 20 e 31 de julho de 2020, no Centro de Convívios de Enxomil (Arcozelo, Vila Nova de Gaia), em que vários participantes, posteriormente ao encontro, vieram a testar positivos ao COVID19, conforme já foi noticiado.

O encontro, que nas notícias foi várias vezes chamado “retiro”, é um evento cíclico anual de actualização teológica e pastoral organizado pela Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz (do Opus Dei).

A finalidade destes encontros é o aprofundamento da vocação sacerdotal dos participantes, com momentos litúrgicos e de oração pessoal, estudo, actualização teológica e pastoral, e também descanso.

Na organização do encontro deste ano tivemos em conta cuidados especiais. O local escolhido cumpre, desde o início da pandemia, as regras da DGS, e os espaços estão assinalados e preparados.

Na organização do encontro deste ano tivemos em conta cuidados especiais. O local escolhido cumpre, desde o início da pandemia, as regras da DGS, e os espaços estão assinalados e preparados. Aliás, impressionou-me muito o rigor profissional e a seriedade cuidadosa com que a equipa responsável pelo espaço observa todas as exigências sanitárias. Os participantes tinham presentes as recomendações de prevenção e distanciamento.

Doze participantes estiveram a maioria dos dias. São padres pertencentes a seis dioceses diferentes, e com eles estávamos também dois que pertencemos ao clero da Prelatura do Opus Dei.

No momento em que escrevo sei dizer que há seis casos positivos, sem sintomas relevantes, excepto o primeiro caso que foi conhecido, que exigiu internamento.

Durante o encontro não houve qualquer novidade de saúde. Infelizmente, dias depois surgem os primeiros sintomas num dos participantes. De imediato foi notificada a DGS – também por iniciativa do Centro de Convívios de Enxomil - e todos os participantes, para, sob as instruções das autoridades de saúde, procederem à testagem, isolamento e suspensão de actividades. No momento em que escrevo sei dizer que há seis casos positivos, sem sintomas relevantes, excepto o primeiro caso que foi conhecido, que exigiu internamento.

Já todos realizaram os testes e o que mais nos preocupa a todos são as pessoas que podem ter sido infectadas por estes, pois não apresentavam sintomas. Mas tudo isso está a ser resolvido em contacto com a DGS.

Por isso, a quem tenha o hábito de rezar, peço o favor de se lembrarem de falar a Deus e à sua Mãe destes padres e destas comunidades.

Sei que está a ser feito todo o acompanhamento que é possível, mas temos de esperar pela evolução que terá em cada um. Pesa-me também pensar os efeitos que terá nas comunidades a que cada um dedica a sua vida que não vão poder contar com a sua presença e serviço sacerdotal nos próximos tempos. Vai ser, além disso, uma sobrecarga não pequena para outros padres que vão generosamente substituir os que agora estão impedidos, por doença ou por quarentena preventiva, e também penso muito neles.

Por isso, a quem tenha o hábito de rezar, peço o favor de se lembrarem de falar a Deus e à sua Mãe destes padres e destas comunidades.

Braga, 14 de agosto de 2020 (16h20)

Pe. João Paulo de Campos
jpcampos3@gmail.com