Carta de São Josemaria sobre a caridade na transmissão da fé

Agradecendo às Ediciones Rialp e à Fundação Studium, publicamos em formato digital a carta número 4 do volume Cartas I, em que São Josemaria escreveu sobre a caridade na transmissão da fé.

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Publica-se aqui uma carta de São Josemaria sobre a caridade na transmissão da fé que tem a data de 16 de julho de 1933 e expõe como deve ser o diálogo evangelizador com os homens e as mulheres que querem aproximar-se da fé da Igreja, combinando o espírito de compreensão e o respeito pela liberdade das consciências com a fidelidade ao depósito da fé.

Foi publicada com o n. 4 no livro Cartas I, editado por Ediciones Rialp em 2020. São Josemaria não deu um título a estas cartas; o título que a Carta tem nesta edição é o que lhe foi dado pelos autores da edição crítica.

Este documento faz parte de um género literário particular de São Josemaria. Não é um tratado; o seu estilo assemelha-se mais a uma conversa familiar que o fundador tem com os membros do Opus Dei de todos os tempos. O tom é semelhante ao que usava nas suas tertúlias com as pessoas da Obra, nas quais lhes transmitia oralmente o espírito, a história e as tradições da Obra.

Principais ideias desta carta

A Carta, dirigida aos membros do Opus Dei, trata do «caminho que devemos seguir no nosso trabalho apostólico» (n. 1). Concretamente, expõe o que deve ser o diálogo evangelizador com os homens e as mulheres que desejam aproximar-se da fé da Igreja combinando um espírito de compreensão e respeito pela liberdade das consciências com a fidelidade ao depósito da fé. Ou, para usar expressões cunhadas por Escrivá, praticar a «santa transigência» com as pessoas e, ao mesmo tempo, a «santa intransigência» com o erro.

O tema aparece já nos primeiros escritos de Escrivá, durante os anos 30, mas adquire especial relevância no contexto de 1966, ano em que este texto foi enviado aos membros do Opus Dei. Numa altura de crise teológica e disciplinar em alguns setores eclesiásticos, São Josemaria apela à tolerância para com as pessoas – para evitar todo o fanatismo ou rigidez integrista –, mas também à fortaleza e à clareza na exposição da doutrina.


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A Carta descreve o espírito com que a nova evangelização – para usar uma expressão atual – deve ser levada a cabo no meio de um mundo cada vez menos cristão. A mensagem de Escrivá é de otimismo, de amor a todos as pessoas – incluindo as que rejeitam Deus e a religião –, de compreensão e de convivência e, ao mesmo tempo, de grande clareza: a fé e a moral são intocáveis e não se podem rebaixar as suas exigências, pensando que os não crentes se sentirão mais atraídos por uma versão adocicada do cristianismo.

O seu conteúdo pode estruturar-se em várias partes, embora as divisões não sejam totalmente claras. A primeira (n. 1-5) explica como se realiza o apostolado do Opus Dei no mundo, que é de amizade e confidência com todos, cheio de compreensão, sem inimizade para com ninguém, procurando imitar Cristo.

Em seguida, o autor explica em que consistem a «santa transigência» e a «santa intransigência» (n. 6-12). A fidelidade à Revelação reclama intransigência na doutrina e firmeza na verdade. Mas, ao mesmo tempo, essa firmeza exige o exercício de várias virtudes e o desejo de não rejeitar ninguém, de ser generoso na caridade e de abominar o fanatismo.

Capa da “Carta sobre a caridade na transmissão da fé”.

Nos números seguintes (n. 13-15), desenvolve este último tema, insistindo na atitude de não rejeitar ninguém, de conviver com todos, respeitando e amando a liberdade de cada um, mesmo que esteja no erro; num apostolado que se estende a todas as criaturas.

Fala depois do exemplo de Jesus Cristo, que todo o discípulo deve imitar, sendo alter Christus, outro Cristo; e comenta vários exemplos do Evangelho, nos quais se pode ver no Salvador a atitude que descreve nesta Carta (n. 16-18), e prossegue com outros exemplos do Novo Testamento (n. 19-21) na mesma linha.

Conclui com o tema da compreensão e do diálogo com os que se afastaram, ignoram ou mesmo se opõem à religião católica (n. 22-26). O seu ensinamento é que devemos saber perdoar, ter um espírito universal, abrir «as portas das nossas casas a pessoas de todas as ideologias e de todas as condições sociais, sem qualquer distinção, com o coração e os braços prontos a acolher todos» (n. 25).