Carlo Acutis, santo e “desajeitado”

No passado dia 7 de setembro de 2025, Carlo Acutis foi proclamado santo, juntamente com Pier Giorgio Frassati. Partilhamos o testemunho de Paola, que conheceu Carlo no Oratório da sua paróquia, Santa Maria Segreta.

Desde domingo, temos um novo santo, um rapaz de 15 anos: Carlo Acutis.

O acontecimento surpreendeu-me muito, porque não sabia que tinha jogado futebol com um santo.

Eis como tudo aconteceu.

Um padre da paróquia de Santa Maria Segreta, em Milão, por ocasião das bênçãos de Natal, entrou no centro do Opus Dei que eu frequentava. Ouviu com agrado o que contavam sobre as atividades de formação cristã que estavam a ser organizadas e pediu ajuda para a catequese.

Aceitei fazer de «substituta», porque trabalhava mesmo ao lado da igreja. Parava de trabalhar para dar aulas às crianças e, no final, voltava para o estúdio.

Tinha visto o Carlo no grupo de adolescentes daquela paróquia. Não se destacava: era um rapaz normal. Disseram-me para jogar com as crianças no primeiro encontro do ano, para que se conhecessem melhor, e que os rapazes que já tinham feito o crisma me iam ajudar.

Só apareceu o Carlo.

Não era desportista, mas sorria

Não era exatamente um rapaz desportista: era bastante desajeitado, usava roupas passadas a ferro.... Devo admitir que pensei: «Não preciso de um betinho aqui, mas de alguém que goste de correr, suar...»

No entanto, consciente da pouca habilidade, ele sorria muito, corria no campo de futebol mais para incentivar as crianças do que para marcar golos. Lembro-me bem daquela tarde: era evidente que Carlo estava ali por obediência, disposto a oferecer um pouco do seu tempo. Não se retraiu, mesmo diante das objetivas limitações ou por estar sozinho, sem os amigos do grupo dos crismados. Não procurou desculpas como “não sou capaz”, “porque me calhou a mim”.

Ficou, mesmo à custa de parecer um pouco ridículo.

Desde então, cumprimentávamo-nos com cumplicidade. Eu também não sou craque no futebol: tínhamos algo em comum!

Dizem que era “um rapaz normal”. O Carlo gostava de videojogos, mas usava-os com moderação e temperança. Tudo é excessivo se formos gananciosos. Nenhum instrumento é bom ou mau em si mesmo, é a forma como o usamos que o torna adequado ou prejudicial.

Fez coisas estupendas com o seu computador. Criou o site da paróquia, ajudava a mãe e a avó a usá-lo para procurar informações ou fazer pagamentos online e explicava tudo com paciência e sempre com um sorriso.

O site criado por Carlo Acutis

A quem demoniza a internet, sugiro consultar o site www.carloacutis.com, criado por ele próprio, onde encontrará os seus textos sobre as aparições da Virgem Maria, por quem era apaixonado, sobre os novíssimos, sobre os anjos, sobre os milagres eucarísticos no mundo. Sobre este último tema, encontrou todas as notícias possíveis na net: a sua pesquisa foi tão minuciosa que se tornou uma exposição que tem percorrido o mundo inteiro.

Era um amante da Eucaristia, que chamava «a minha autoestrada para o Céu». Ouvi a mãe de Carlo explicar o que ele queria dizer. Às vezes, comportamo-nos como se a Comunhão fosse um símbolo, como os protestantes. Carlo tinha bem presente que é a forma como Deus decidiu estar perto de cada homem.

Sempre que comungamos, estamos unidos a Deus: a morte, ou seja, a passagem para a verdadeira Vida, não será traumática se já estivermos habituados a estar com Deus. A vida, as escolhas, tornam-se mais simples porque a Sua vontade torna-se a minha.

Devemos estar desejosos de ir à Missa e preparar-nos cuidadosamente para este encontro, com a confissão frequente.

O Papa Francisco falava dos santos da porta ao lado. Eu não suspeitava que Carlo pudesse ser um rapaz tão profundo. Deus oferece-nos cada vez mais frequentemente a demonstração de que a santidade está ao alcance de todos. Se parássemos de estar na defensiva, poderíamos dizer como Carlo: «Não eu, mas Deus».

Paola De Marzo