Bento XVI: A alegria do Advento

O Papa explicou pormenorizadamente nos seus discursos e homilias as palavras que caracterizam este tempo do Advento: alegria, espera, conversão, presença... Apresenta-se uma selecção das suas reflexões.

Da Igreja e do Papa

- "(...) nunca ninguém teria imaginado que o Messias pudesse nascer de uma jovem humilde como Maria, esposa prometida do justo José. Nem mesmo ela nunca o teria pensado , no entanto no seu coração a espera do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão ardentes que Ele encontrou nela uma mãe digna (...). Há uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura "cheia de graça", totalmente transparente ao desígnio de amor do Altíssimo. Aprendamos d'Ela, Mulher do Advento, a viver os gestos quotidianos com um espírito novo, com o sentimento de uma espera profunda, que só a vinda de Deus pode encher".

- "Os cristãos adoptaram a palavra “advento" para exprimir a sua relação com Jesus Cristo: Jesus é o Rei, que entrou nesta pobre “província" chamada terra para nos visitar a todos; faz participar na festa do Seu advento quantos acreditam n'Ele, quantos acreditam na Sua presença na assembleia litúrgica".

- "Com a palavra "adventus" pretendia-se substancialmente dizer: Deus está aqui, não se retirou do mundo, não nos deixou sós. Ainda que não o possamos ver e tocar como sucede com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos de múltiplas maneiras".

- "O significado da expressão “advento" compreende portanto também o de visitatio , que quer dizer simples e propriamente "visita"; neste caso trata-se de uma visita de Deus: Ele entra na minha vida e quer dirigir-se a mim. Todos temos experiência, na existência quotidiana, de ter pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acabamos por estar absorvidos pelo “fazer". Não será verdade que frequentemente é a actividade que nos possui, a sociedade com os seus múltiplos interesses que monopoliza a nossa atenção? Não é verdade que dedicamos muito tempo à diversão e a ócios de diverso tipo?"

- "O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos a começar, convida a determo-nos no silêncio para captar uma presença. É um convite a compreender que cada acontecimento do dia é um gesto que Deus nos dirige, sinal da atenção que tem por cada um de nós. Quantas vezes Deus nos faz aperceber um pouco do Seu amor!"

- "O homem, na sua vida, está em constante espera; quando é criança quer crescer, em adulto tende à realização e ao êxito, avançando na idade, aspira ao merecido descanso. Mas chega o tempo em que descobre que esperou muito pouco se, para além da profissão ou da posição social, não lhe resta mais nada senão esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos está animada por uma certeza: o Senhor está presente no decurso da nossa vida, acompanha-nos e um dia enxugará também as nossas lágrimas".

- "Se o presente fica vazio, cada instante que passa parece exageradamente longo e a espera transforma-se num peso demasiado grande, porque o futuro é totalmente incerto. Quando, pelo contrário, o tempo está dotado de sentido e nos apercebemos em cada instante de algo específico e valioso, então a alegria da espera torna o presente mais precioso".

- "[Deus] fala-nos de múltiplos modos: na Sagrada Escritura, no ano litúrgico, nos santos, nos acontecimentos da vida quotidiana, em toda a criação, que muda de aspecto se por detrás dela está Ele ou se está ofuscada pela névoa de origem incerta e de um incerto futuro. Pela nossa parte, podemos dirigir-Lhe a palavra, apresentar-Lhe os sofrimentos que nos afligem, a impaciência, as perguntas que nos saem do coração".

- "Estamos certos de que [Jesus Cristo] nos escuta sempre! E se Jesus está presente, não existe nenhum tempo vazio e sem sentido. Se Ele está presente, podemos continuar à espera também quando os outros não nos podem assegurar mais apoio, mesmo quando o presente é esgotante".

- "Alegra-me saber que nas vossas famílias se conserva o costume de fazer o presépio. Mas não basta repetir um gesto tradicional, embora seja importante. Há que procurar viver na realidade do dia a dia aquilo que o presépio representa, quer dizer o amor de Cristo, a Sua humildade, a Sua pobreza".

- "O presépio é uma escola de vida, onde podemos aprender o segredo da verdadeira alegria que não consiste em ter muitas coisas, mas em sentir-se amado pelo Senhor, em fazer-se dom para os outros e em amarmo-nos uns aos outros".

- "Olhemos para o presépio: A Virgem Maria e São José não parecem uma família muito afortunada; tiveram o seu primeiro filho no meio de grandes dificuldades; no entanto, estão cheios de uma profunda alegria, porque se amam, porque se ajudam e, sobretudo, porque estão seguros de que na sua história está a obra de Deus, que se fez presente no Menino Jesus".

- "Para nos alegrarmos, necessitamos não só de coisas, mas de amor e de verdade; necessitamos de um Deus próximo, que aqueça o nosso coração e responda aos nossos anseios mais profundos".

- "Que alegria imensa ter por mãe Maria Imaculada! Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a inclinação para o mal, podemos dirigir-nos a Ela e o nosso coração recebe luz e consolo".