Quando pensamos no mundo da arte, imaginamos galerias, colecionadores e exposições. Poucos associariam a arte a um propósito espiritual ou a um ato abnegado de serviço. Mas, para mim, a indústria criativa é mais do que uma carreira, é uma vocação. Graças à formação que tive no Opus Dei, comecei a ver o meu trabalho diário como expressão poderosa de afeto deliberada, alegre e profundamente humana.
Moro e trabalho em Lagos, onde tenho uma ocupação que envolve arte, meios de comunicação e dados. O nosso trabalho é construir infraestruturas culturais para as artes visuais, em África, contando histórias, fazendo investigação e construindo comunidade. A nossa missão é amplificar o acesso, a visibilidade e a sustentabilidade num espaço que funciona, frequentemente, sem as estruturas de apoio que merece.
Como supranumerária do Opus Dei, descobri algo profundo: a santidade não se encontra em lugares distantes e místicos. Encontra-se aqui, no ritmo normal da vida, nos e-mails, nas folhas de cálculo, nas chamadas telefónicas e nas longas horas passadas a planear projetos. Toda e qualquer parte do meu trabalho pode ser santificada; e toda e qualquer ação representa uma oportunidade para servir os outros e oferecer algo de belo a Deus.

Esta perspetiva redefiniu a forma como me movo no mundo. De repente, até mesmo as tarefas mais rotineiras têm significado. O que antes sentia como pressão, agora sinto-o como propósito.
Uma parte central do meu trabalho consiste na criação de espaços onde outros, em particular mulheres, possam prosperar. Fui convidada a criar a primeira rede africana de mulheres nas artes visuais, comunidade que apoia mulheres profissionais em todo o continente e na diáspora. Construída com base no cuidado, na excelência e na convicção de que os nossos dons criativos não servem apenas o nosso sucesso pessoal, mas também para valorizar outros.

Em dezembro de 2024, tivemos a nossa primeira Conferência sobre Negócio da Arte, centrada no futuro dos espaços artísticos, em África. Juntámos curadores, artistas, financiadores e pensadores, no sentido de reimaginar a forma como as artes contribuem para o desenvolvimento económico. Mas, mais do que uma reunião profissional, a conferência foi um trabalho de afeto. Tratou-se de dignificar o trabalho invisível, abrindo espaço para o diálogo, dando palco aos que, tantas vezes, não são ouvidos.
Volto frequentemente às palavras de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, que nos ensinou que podemos encontrar a santidade na vida de todos os dias e que o nosso trabalho nos forma. Cada parceria que estabeleço, cada artista com quem falo, qualquer oportunidade que criamos é parte de algo maior. Pela diligência, a excelência e a integridade silenciosa, tento refletir Cristo no mundo à minha volta.
O que aprendi com o Opus Dei é simples, mas transformador: afinal, não trabalho apenas na indústria criativa, mas também onde sirvo, onde amo e onde, pela graça de Deus, tento trazer um pouco mais de luz ao mundo.

