Certa vez, São Josemaria recordou a um grupo de jovens: «Agora, a maioria de vós sois jovens; atravessais essa etapa formidável de plenitude de vida, que transborda de energias. Mas o tempo passa e começa a notar-se inexoravelmente o desgaste físico; vêm depois as limitações da idade madura e, por último, os achaques da velhice».
Cada momento da nossa vida é um dom do amor de Deus, e «amor com amor se paga». Nesse sentido, não há nada de fundamentalmente diferente na reforma, porque procuramos viver cada instante da nossa vida para Ele. Contudo, as circunstâncias mudam. As nossas decisões sobre o que fazer deixam de ser tão condicionadas pelo trabalho ou pela profissão, e também passam a ser influenciadas de forma diferente pelos filhos, depois de estes terem saído de casa.
A reforma e a velhice não são, evidentemente, um tempo para “não fazer nada”. Queremos sempre aproveitar bem o tempo. No entanto, o ritmo das nossas atividades tende a alterar-se. E isso pode constituir uma excelente oportunidade para santificar a vida quotidiana de novas formas.
Família
Para quem recebeu o dom do matrimónio e dos filhos, a reforma é uma ocasião para encontrar formas de manter ou aprofundar a proximidade com a mulher e os filhos, bem como com as novas famílias que estes constituíram. Nem sempre é fácil, porque com frequência estamos a aprender uma nova forma de viver, em circunstâncias diferentes.
A mulher
Para muitos de nós, a reforma e a velhice podem ser um tempo para «retribuir» às nossas mulheres. Podemos oferecer-lhe tempo e atenção que talvez não tenhamos conseguido dar durante os anos mais ocupados da nossa vida, (ou talvez oportunidades que desperdiçámos). Quantas vezes colocámos as exigências do trabalho em primeiro lugar? Agora, com a diminuição dessas exigências, torna-se possível dedicar mais atenção à pessoa amada. Importa discernir qual a quantidade e o tipo de atenção de que o nosso cônjuge mais necessita. Muitas vezes, escutar e conversar serão os maiores presentes que podemos dar.
Encontrar formas de passar tempo juntos que sejam satisfatórias para ambos é essencial e, frequentemente, um verdadeiro desafio. Somos todos diferentes e podemos ter preferências distintas quanto à forma de utilizar uma quantidade crescente de tempo “livre”. Devemos resistir à tentação de fazer constantemente apenas aquilo de que gostamos. É necessário criar oportunidades para partilhar tempo com o cônjuge, por vezes de formas agradáveis para ambos e, outras vezes, sacrificando as próprias preferências. Isto exige normalmente uma renovação daquela adaptação afetuosa e recíproca que é tão importante para um casamento feliz.
Ver filmes ou televisão em conjunto pode ser uma forma útil de convívio. Contudo, convém evitar que isso se transforme numa perda de tempo. Se assistirmos a filmes ou programas televisivos, é preferível limitar o tempo e escolher conteúdos de qualidade. Se ambos apreciam as artes, estas podem constituir uma excelente forma de passar tempo juntos. Pintar, ouvir música, ler e discutir livros ou outros textos são atividades enriquecedoras. A boa leitura ajuda-nos a crescer em sabedoria e a comunicar melhor com os outros. (Considero que os bons romances, em particular, podem ter grande valor). Também acompanhar a atualidade e conversar sobre ela (sempre com respeito mútuo) pode ser mais fácil nesta fase da vida do que em períodos mais ocupados.
Os filhos
A velhice é igualmente um tempo para desenvolver uma nova forma de amizade com os filhos, muito mais próxima de uma “amizade entre iguais”. Temos a oportunidade de os ouvir, de partilhar experiências com eles, de apreciar as suas virtudes e de manifestar admiração por tudo aquilo que realizam. Podemos também encorajá-los, (com uma boa dose de simpatia, baseada na nossa própria luta) a superar os defeitos que ainda possam ter. (Uma boa regra geral é esta: fazer cinco ou dez elogios por cada “sugestão de correção”).
Um tema de conversa particularmente valioso consiste em partilhar os desafios que enfrentámos ao longo da vida e a forma como lhes respondemos, (tanto nos êxitos como nos erros de que aprendemos). Quando os filhos estão a crescer, tendem a ver os adultos como pessoas “acabadas” ou “completas” e não imaginam quanto os próprios adultos continuam a lutar para crescer e enfrentar dificuldades. Conhecer as provações que enfrentámos na infância, na juventude ou no início da vida adulta pode ser muito útil para os nossos filhos e netos. Para eles, pode ser profundamente reconfortante ouvir falar dos nossos erros e da forma como procurámos lidar com eles.
Com o passar do tempo, os papéis podem inverter-se. Os filhos passam a ter uma visão mais equilibrada dos pontos fortes e fracos dos pais e, por vezes, desenvolvem até uma maior compreensão e compaixão por eles, sobretudo à medida que as capacidades físicas e mentais diminuem. Embora esta transição nem sempre seja fácil, pode aproximar ainda mais pais e filhos.
A velhice é também uma oportunidade para estreitar laços com os netos: passar tempo com eles, ouvi-los, levá-los a sério e desfrutar da sua companhia. Muitas vezes conseguimos dar-lhes uma atenção que os pais deles, devido às exigências da vida, nem sempre conseguem dar. Além disso, os filhos adoram ouvir histórias sobre como eram os pais quando eram novos e sobre as dificuldades que enfrentaram.
Dada a mobilidade das famílias modernas, passar tempo com os filhos e netos implica muitas vezes viagens, com a oportunidade de conhecer novos lugares. Isto pode ser revigorante e, ao mesmo tempo, fisicamente desafiante.
Talvez o mais importante seja que a velhice se torne um tempo de gratidão e de oração de súplica. Gratidão pelo dom dos filhos. Petição por todas as suas necessidades, sobretudo espirituais.
Amizade
Para quem valoriza a amizade, a reforma e a velhice constituem uma oportunidade privilegiada para passar mais tempo com os amigos e para conhecer novas pessoas que possam vir a tornar-se amigas. Por vezes, privamo-nos desta riqueza porque presumimos que as amizades “surgem” espontaneamente, quando, na realidade, poderíamos desfrutar dos seus frutos se nos esforçássemos mais por conhecer outras pessoas. (Dependendo das circunstâncias e inclinações do cônjuge, isso pode incluir também amizades com outros casais).
Almoçar ou tomar um café com calma na companhia de amigos pode proporcionar excelentes conversas, incluindo conversas com dimensão espiritual ou apostólica, de forma natural. O mesmo acontece durante um jogo de cartas descontraído com outros reformados ou amigos.
Estas amizades não precisam de se limitar a pessoas da mesma idade. É igualmente enriquecedor cultivar amizades com pessoas mais novas: jovens que estão a iniciar a vida profissional ou matrimonial, pais de família em plena atividade, profissionais no auge das suas carreiras ou pessoas que estão perto da sua própria reforma.
Não precisamos de ser um “oráculo”, a distribuir “sabedoria” sobre todos os assuntos. Muitas vezes, a melhor conversa consiste simplesmente em convidar os mais novos a falar dos desafios que enfrentam. Atualmente, muitas pessoas têm poucos amigos verdadeiros – ou até nenhum. Ter alguém que se interessa genuinamente por eles como pessoas pode ser um enorme presente. Podemos dar conselhos quando for oportuno, mas também aprender muito com eles.
A amizade oferece uma alternativa saudável ao risco de nos centrarmos excessivamente em nós próprios. São John Henry Newman observava: «Existe um grande perigo de nos tornarmos frios de coração à medida que a vida avança: os sofrimentos, as preocupações e as desilusões tendem a embotar os afetos e a endurecer os sentimentos». Sair de nós próprios através da amizade é uma autêntica bênção.
Trabalho
Mesmo depois da reforma, podemos continuar a desempenhar algumas atividades relacionadas com áreas em que trabalhámos durante grande parte da vida. Isto é particularmente comum nos primeiros anos da reforma, e não é raro continuarmos tão ocupados como antes. Contudo, uma das dádivas da velhice é que normalmente sentimos menos pressão relativamente ao trabalho. Passamos a vê-lo à luz do conjunto da nossa vida e “relativizamos” a sua importância. Tornamo-nos menos propensos a considerar o nosso trabalho como algo decisivo para o mundo. A consciência de que “isto também vai passar”, ajuda-nos a colocá-lo na perspetiva adequada.
Nos anos mais avançados, provavelmente trabalharemos menos (embora, claro, queiramos sempre aproveitar bem o nosso tempo). Podemos encarar esse período como o «descanso sabático» da nossa vida: um tempo para adorar e agradecer mais a Deus, alegrar-nos com os filhos e os seus familiares, apoiá-los através do conselho, da escuta e do afeto. (Podemos recordar aos nossos filhos que todo o trabalho humano está orientado para o descanso definitivo em Deus).
Vivemos em sociedades democráticas, mas muitas vezes, durante a vida profissional, não tivemos tempo para participar ativamente na vida política ou cultural para além do voto. A reforma pode abrir novas possibilidades de envolvimento cívico: participar em reuniões, escrever cartas, colaborar em associações ou integrar órgãos consultivos locais. Por exemplo, a Câmara municipal pode ter vários conselhos e grupos, como um conselho de artes, de biblioteca, de parques e recreio ou uma comissão de planeamento.
Da mesma forma, a própria localidade ou paróquia podem ter oportunidades de serviço aos mais necessitados que antes não estavam ao nosso alcance durante os anos de trabalho (por exemplo, distribuição de refeições) e ter agora ocasião para passar algum tempo nessas “obras de misericórdia”. Muitas paróquias e comunidades cristãs procuram também voluntários para programas educativos, que são tão importantes para os jovens.
Hobbies e outros interesses
A passagem da vida ativa para a reforma pode representar também uma passagem de interesses mais especializados – frequentemente ligados à profissão – para uma gama muito mais ampla de atividades. Podemos aprender uma nova língua, estudar música, aprender a tocar um instrumento ou dedicar-nos a atividades artísticas e artesanais (Winston Churchill, por exemplo, tornou-se conhecido pela sua dedicação à pintura durante a velhice). Quem dispõe de alguma estabilidade financeira pode encontrar uma vasta diversidade de atividades ao seu alcance, (ditadas sobretudo pelos interesses próprios e do marido ou mulher, mais do que pelos financeiros).
Especialmente nos primeiros anos da reforma, viajar pode ser uma experiência muito enriquecedora. Muitas dessas viagens terão como objetivo visitar filhos e netos que vivem longe, uma realidade cada vez mais comum. Manter os laços familiares através de visitas regulares (especialmente porque muitas vezes é difícil para as famílias com crianças pequenas viajarem até nós) pode ser uma excelente utilização do tempo. Contudo, à medida que a idade avança, viajar tende a tornar-se cada vez mais difícil.
O cuidado com o próprio corpo
Em qualquer fase da vida devemos cuidar da nossa saúde, pois o corpo é um instrumento que Deus nos confiou para realizarmos a nossa missão. Na velhice, isso exige frequentemente um esforço maior. Inclui exercício físico adequado, descanso suficiente e consultas médicas a diferentes especialistas, para que possamos continuar a ser instrumentos úteis durante o tempo que Deus quiser.
Devemos dormir o suficiente, manter uma boa hidratação, alimentar-nos com moderação e seguir as recomendações médicas, para que possamos ser instrumentos fiéis ao longo de uma vida mais longa, se essa for a vontade de Deus.
Parte do nosso “trabalho” nesta fase consiste também em oferecer a Deus os incómodos e dores próprios da idade, sejam eles pequenos ou grandes, passageiros ou permanentes. O meu pai era internista e sempre se interessou pelos seus doentes como pessoas. Certa vez, comentou (talvez quando um dos seus filhos se queixava de um idoso rabugento) que deveríamos ter consciência do quão difícil era para algumas pessoas viver em constante dor. As limitações físicas podem tornar-se oportunidades para viver a fé: suportando-as com serenidade, sem chamar excessivamente a atenção para elas, ou dando aos outros exemplo de aceitação cristã da cruz.
Um dos desafios mais difíceis da longevidade moderna é o declínio das capacidades mentais, incluindo a demência ou a doença de Alzheimer. Tal como acontece com todas as grandes cruzes da vida, somos chamados a colocar-nos nas mãos de Deus com humildade e confiança. Aquilo que parece “apenas” sofrimento pode tornar-se uma oportunidade para depender mais dos outros e, sobretudo, de Deus. Além disso, cuidar de pessoas muito idosas ou debilitadas pode constituir uma ocasião preciosa de crescimento espiritual para os familiares que as acompanham.
A dimensão espiritual da velhice
É natural que, à medida que envelhecemos, tenhamos uma consciência mais viva da nossa mortalidade. Percebemos que o tempo que nos resta nesta vida é limitado e que nos aproximamos do encontro definitivo com Deus. Podemos aproveitar esta consciência mais frequente da morte para nos desprendermos das preocupações mundanas, das ambições de “sucesso” e de reconhecimento, orientando o olhar para metas espirituais.
Acima de tudo, podemos tornar-nos homens e mulheres mais dedicados à oração, mais “contemplativos”. A idade avançada constitui uma oportunidade extraordinária para viver melhor as nossas “normas de piedade” – aquelas pequenas práticas espirituais distribuídas ao longo do dia que nos mantêm unidos a Nosso Senhor. Durante a vida ativa, por vezes caímos na tentação de “as ter feito”, ou seja de as despachar, apenas para regressar ao trabalhinho que queremos acabar. Agora, à medida que a importância ou urgência das tarefas diminui um bocado, podemos dedicar mais tempo e serenidade à nossa relação com Deus, vivendo esses momentos com paciência, sem pressa e desfrutando de uma intimidade maior com o nosso Pai.
Nunca nos tornamos seres humanos “acabados”. Estamos sempre a crescer em virtude, e a velhice apresenta desafios próprios.
Para algumas pessoas, pode surgir uma luta particular com a temperança. Existe o risco de dedicar demasiada atenção aos prazeres da mesa ou ao conforto pessoal. Não há nada de errado em apreciar essas coisas (com gratidão), mas elas não devem ocupar um lugar central na nossa vida.
A velhice é uma ocasião privilegiada para praticar o desprendimento, porque, à medida que nos preparamos para partir deste mundo, podemos facilitar a vida dos nossos filhos desfazendo-nos de muitos dos bens acumulados ao longo dos anos. Isto tornará o processo das partilhas muito mais fácil para eles. Podemos oferecer objetos de que já não necessitamos a familiares (curiosamente, muitas vezes descobrimos que os filhos não estão tão interessados nesses objetos quanto imaginávamos) ou a instituições que os possam aproveitar.
Por vezes instala-se a ideia de que, depois de uma vida de trabalho, «chegou finalmente o momento de descansar e gozar a vida». O descanso e o lazer são bons e necessários, sobretudo quando partilhados com o cônjuge, a família ou os amigos. Contudo, continuamos chamados a «permanecer úteis» aos outros. Queremos continuar a servir, a contribuir para o bem das pessoas à nossa volta e a retribuir a Deus os dons recebidos, cientes de que tudo o que recebemos é um dom de Deus. Existe o risco de, perante os incómodos da idade, nos concentrarmos excessivamente em nós próprios. Pelo contrário, devemos procurar manter a atenção voltada para os outros, ajudando-os na medida das nossas possibilidades.
A vivência da santa pureza assume características diferentes nesta fase da vida. As capacidades físicas e sexuais podem diminuir de formas que nem sempre acolhemos com facilidade. Ao mesmo tempo, pode existir um certo alívio perante a menor intensidade de alguns impulsos desordenados. Contudo, a necessidade de viver esta virtude nunca desaparece completamente. As tentações podem tornar-se menos frequentes, mas não deixam de existir. A velhice oferece também a oportunidade de aprofundar a compreensão da intimidade conjugal como uma entrega mútua e generosa de si próprio.
Penso que um dos maiores dons da velhice é a possibilidade de crescer profundamente na humildade. É muito comum que os idosos olhem para trás e reconheçam, ao lado de muitas coisas boas realizadas, inúmeras situações que gostariam de ter vivido de outra forma. Esta consciência torna-se uma ocasião privilegiada para reconhecer as próprias limitações, falhas e pecados, arrepender-se deles e pedir perdão a Deus. Podemos dizer-Lhe com sinceridade que lamentamos os erros cometidos e confiar-Lhe as consequências das nossas ações. Deus é sempre capaz de tirar bem do mal. A humildade inclui também agradecer-Lhe tudo o que realizou através de nós e reconhecer que qualquer bem que tenhamos feito foi possível graças à Sua graça.
“Retirar-se para pensar apenas em Deus?”. O nosso recente Doutor da Igreja, São John Henry Newman refletiu sobre a ideia de abandonar completamente as ocupações mundanas no final da vida para se dedicar exclusivamente a Deus. Com a sua habitual profundidade psicológica, observou que esse desejo nem sempre nasce de uma motivação verdadeiramente espiritual. «O cristão não deseja o recolhimento e o repouso dos últimos anos por razões mundanas, nem por presunção ou falta de fé. Pelo contrário, estará disposto a viver sem essas bênçãos; e o mais perfeito dos cristãos é aquele cujo coração está tão firme em Deus que não as deseja nem delas necessita». Assim, os últimos anos da vida devem ser dedicados àquilo que Deus nos pedir, segundo a luz que recebemos e as circunstâncias concretas em que nos encontramos.
Talvez a virtude mais importante da velhice seja a esperança. O Catecismo da Igreja Católica define-a como: «a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo». Somos chamados a cultivar esta esperança, confiando que o nosso Pai nos conduzirá até Si. Existe um belo paradoxo na velhice: à medida que nos aproximamos do encontro definitivo com Deus, precisamos de nos tornar cada vez mais semelhantes às crianças. Podemos abandonar-nos nas mãos do Pai com simplicidade, confiança e serenidade.
À medida que nos aproximamos da vida eterna, torna-se mais claro aquilo que passará (quase tudo) e aquilo que permanecerá – a nossa relação com Deus e com as outras almas. Estamos a aproximar-nos do abraço definitivo de Jesus. Por isso, São Josemaria escrevia em Caminho, n. 168: «Achei graça ao ouvi-lo falar na “conta” que Ihe pedirá Nosso Senhor. Não, para vós não será Juiz – no sentido austero da palavra – mas simplesmente Jesus».
Christopher Wolfe é Professor Associado da Universidade de Dallas, especialista em Direito Constitucional e Pensamento Político norte-americano. É um académico, autor de numerosas obras e foi presidente do American Public Philosophy Institute.

