Eu estava a frequentar o primeiro ano (1965/66) de Literatura Clássica na Universidade de Bari, uma cidade que eu adorava, depois de a minha família se ter mudado de Nápoles para lá. O meu pai era oficial dos Carabinieri e, graças ao seu trabalho, nasci em La Spezia e vivi depois em Ferrara, Pádua e Nápoles. Aqui, infelizmente, a minha mãe morreu, de leucemia, com apenas trinta e cinco anos. O meu pai pediu a transferência para a Apúlia, onde viviam alguns parentes, porque eu tinha doze anos e o meu irmão mais novo apenas oito.
Assim, a Providência quis que em Bari eu conhecesse o Opus Dei e o meu futuro marido, Salvatore.
A Providência ajuda os audazes
O meu encontro com uma jovem numerária, que veio de Nápoles, teve lugar num dos corredores do Ateneu. Depois disso, pensei muitas vezes na audácia daquela rapariga, que se tinha aproximado de algumas alunas, entre as quais eu, para falar de uma atividade de voluntariado. Audácia apostólica que talvez devêssemos todos redescobrir!
Ouvi falar de “ser semeadores de paz e de alegria” e de “caminhos divinos da terra”. Pareceu-me um horizonte maravilhoso!
Passados alguns meses, começámos a seguir as meditações do Padre Umberto (agora no Céu) em Vallisa, uma pequena igreja antiga na cidade velha, e alguns de nós iniciaram a direção espiritual.
Uma boa maneira de partilhar conhecimentos
Tinha convencido este pequeno grupo de colegas a desenvolver um programa pós-escolar para crianças de uma zona pobre e estávamos muito felizes por poder ajudar, com os nossos "conhecimentos universitários", aquelas crianças que não tinham ninguém que as apoiasse nos trabalhos de casa.
Juntamente com algumas senhoras, tínhamos um apartamento onde se realizavam várias atividades: clubes para raparigas e jovens, ateliers para senhoras... e depois meditações e confissões, porque havia também um oratório, pequeno, mas muito bonito. Quantas histórias e quantas conversões!
E assim, muito simplesmente, começou a minha aventura no Opus Dei, com tanto entusiasmo e tanto desejo de estar mais perto do Senhor.
Dois encontros com São Josemaria
A 14 de dezembro de 1969 pedi para ser admitida como supranumerária, e um ano depois, a 12 de dezembro de 1970, casei-me com Salvatore, também ele um supranumerário recente. Como presente, fomos recebidos por São Josemaria. Falou-nos da situação da Igreja pós-conciliar, da beleza da família, encorajou-nos a viver bem o matrimónio e, sobretudo, tratou-nos com muito carinho!
Desde então, a nossa vida tem sido dedicada à Orientação Familiar[1], fundada aqui em Bari depois de viagens a Espanha para aprender a sua metodologia.
Entretanto, eu tinha-me tornado investigadora na Faculdade de Letras e estava apaixonada pelo meu trabalho, que – como tinha aprendido com São Josemaria – procurava que fosse um instrumento de santificação para mim e para os outros.
Em 1973 fomos recebidos de novo pelo fundador do Opus Dei e perguntei-lhe como conseguir rezar e assistir à Missa com duas meninas que choravam e nunca estavam quietas. São Josemaria olhou-me com afeto e disse-me: “O choro das vossas filhas deve ser para vós como a música de um órgão de catedral!”. Como estas palavras me ajudaram ao longo dos anos, à medida que a família foi crescendo!
O afeto dos irmãos e irmãs do Opus Dei
Em 1974, a nossa primeira filha, Maria Teresa, de três anos, foi para o Céu. A dor imensa foi aliviada pelo afeto dos nossos amigos, que nessa altura já eram também irmãos na Obra, e sem dúvida que a nossa pequenina tem sido, desde então, o anjo da guarda que vela por nós e pelas atividades apostólicas em Bari.
Em 1976 nasceu a Scuola dei Fiori, baseada no sistema dos colégios FAES (Famiglia e Scuola: Família e Escola), e em poucos anos floresceram muitas vocações para o Opus Dei. Os nossos sete filhos frequentaram-na até ao ensino secundário.
O que é que podemos esperar para o futuro?
Temos de agradecer sempre ao Senhor porque, através da Obra, muitas pessoas aprenderam a santificar o seu trabalho, seja ele qual for, e a procurar a santidade através dele. É claro que talvez naqueles anos fosse mais fácil porque as famílias eram um pouco mais sólidas, mas havia outros problemas. Estou convencida de que cada geração tem de começar de novo, porque haverá sempre novos desafios a ultrapassar, com esperança e otimismo.
Os nossos sete filhos e treze netos conhecem a Obra e, em plena liberdade, alguns deles fazem parte dela, e todos colaboram com entusiasmo nas várias atividades que se realizam na nossa bela cidade e na Apúlia.
O que é que podemos esperar para o futuro? Que haja sempre famílias saudáveis, capazes de compreender a beleza e a grandeza deste caminho e de o transmitir aos outros. É por isso que penso que, antes de mais, devemos reforçar e alargar as iniciativas de apoio à formação de pais e filhos (de todas as idades). Só assim se poderá continuar a realizar o sonho de São Josemaria, com a ajuda do Espírito Santo e da nossa mãe, Santa Maria.
[1] As iniciativas de orientação familiar são representadas a nível mundial pela Federação Internacional para o Desenvolvimento da Família, IFFD. Destacamos duas realidades, entre muitas, que em Itália colaboram nesta formação: Oeffe e FarFamiglia.
“100 anos de gratidão” é uma recolha de testemunhos italianos que acompanham as Assembleias regionais do Opus Dei em 2024.
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