Quem é o homem? Por quê e para que foi criado?

Sabemos pelo Gênesis que: “Deus criou o mundo à sua imagem, criou-o, homem e mulher, à imagem de Deus, mas que significa “à imagem de Deus”? Quem é o homem na realidade? Por quê e para que foi criado? É um ser entre outros na natureza? Onde está a sua alma?

Perguntas sobre a fé
Opus Dei - Quem é o homem? Por quê e para que foi criado?

1.Que diferencia o homem das outras criaturas?

“Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou" (Gn 1,27). O homem ocupa um lugar único na criação: ele é "a imagem de Deus"; em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material; é criado "homem e mulher"; Deus o estabeleceu em sua amizade.

Catecismo da Igreja Católica, n. 355

Contemplar o mistério

Esta é a grande ousadia da fé cristã: proclamar o valor e a dignidade da natureza humana e afirmar que, mediante a graça, que nos eleva à ordem sobrenatural, fomos criados para alcançar a dignidade de filhos de Deus. Ousadia certamente incrível, se não se baseasse no decreto salvador de Deus Pai e não tivesse sido confirmada pelo sangue de Cristo e reafirmada e tornada possível pela ação constante do Espírito Santo.

É Cristo que passa, 133

2. Por que razão o homem foi criado com tanta dignidade?

De todas as criaturas visíveis, só o homem é "capaz de conhecer e amar seu Criador"(Gs 12, 3); é a "a única criatura na terra que Deus quis por si mesma"(Gs 24, 3); só ele é chamado a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para este fim que o homem foi criado, e aí reside a razão fundamental de sua dignidade:

«Que motivo vos fez constituir o homem em dignidade tão grande? O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; pois foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso Bem eterno» (Santa Catarina de Sena, Il dialogo della Divina providenza, 13).

Catecismo da Igreja Católica, n. 356

Contemplar o mistério

Entre os dons do Espírito Santo, diria que há um de que todos nós, cristãos, necessitamos especialmente: o dom da sabedoria, que nos faz conhecer e saborear Deus, e nos coloca assim em condições de poder avaliar com verdade as situações e as coisas desta vida. Se fôssemos consequentes com a nossa fé, ao olharmos à nossa volta e contemplarmos o espetáculo da história e do mundo, não poderíamos deixar de sentir crescer em nossos corações os mesmos sentimentos que animaram o de Jesus Cristo: Ao ver aquelas multidões, compadeceu-se delas, porque estavam desamparadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.

É Cristo que passa, 133

3. Que significa que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?

Por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamado, por graça, a uma aliança com seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de é e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.

Catecismo da Igreja Católica, n. 357

Contemplar o mistério

O Deus da nossa fé não é um ser longínquo que contempla com indiferença a sorte dos homens. É um Pai que ama ardentemente os seus filhos. Um Deus Criador que transborda carinho sobre as suas criaturas. E concede ao homem o grande privilégio de poder amar, transcendendo assim o efêmero e o transitório.

As vidas humanas, que são santas, porque provêm de Deus, não podem ser tratadas como números de uma estatística. Considerando a realidade profunda da vida, escapam-se do coração humano os seus afetos mais nobres. Com que amor, com que ternura, com que paciência infinita, os pais olham para os seus filhos, mesmo antes de nascerem! E o teólogo que destrincha o sentido da palavra divina sobre a vida humana não vive igualmente a generosidade incansável, a atenção ao concreto, ou a serenidade de juízo? Ou não é também espera ansiosa, agudeza de engenho a do médico que aplica os medicamentos mais modernos para evitar o risco de uma doença congênita, que põe talvez em risco a vida de uma criatura ainda não nascida?

Discursos sobre a Universidade. O compromisso da verdade, 8

4. Para que foi criado?

Deus tudo criou para o homem (cf. Gs 12,1; 24,3; 39,1), mas o homem foi criado, para servir e amar a Deus e para oferecer-lhe toda a criação:

«Quem é, pois, o ser que vai vir à existência cercado de tal consideração? E o homem, grande e admirável figura viva, mais precioso aos olhos de Deus do que a criação inteira: é o homem, é para ele que existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e é à salvação dele que Deus atribuiu tanta importância que nem sequer poupou seu Filho único em seu favor. Pois Deus não cessou de tudo empreender para fazer o homem subir até ele e fazê-lo sentar-se à sua direita» (São João Crisóstomo, Sermones in Genesim, 2,1: PG 54, 587D - 588A).

Catecismo da Igreja Católica, n. 358

5. Que têm em comum todos os homens? O que os une? Porque somos diferentes de todos os outros seres?

Graças à Origem comum, o gênero humano forma uma unidade. Pois Deus "de um só fez toda a raça humana" (At 17,26).

«Maravilhosa visão que nos faz contemplar o gênero humano na unidade de sua origem em Deus...; na unidade de sua natureza, composta igualmente em todos de um corpo material e de uma alma espiritual; na unidade de seu fim imediato e de sua missão no mundo; na unidade de seu hábitat: a terra, de cujos bens todos os homens, por direito natural, podem usar para sustentar e desenvolver a vida; na unidade de seu fim sobrenatural: Deus mesmo, ao qual todos devem tender; na unidade dos meios para atingir este fim;... na unidade do seu resgate, realizado em favor de todos por Cristo» (Pio XII, Enc. Summi Pontificatus, 3; cf. Concílio Vaticano II, Nostra aetate, 1).

Catecismo da Igreja Católica, n. 360

«Esta lei de solidariedade humana e de caridade» (ibid.), em excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, nos garante que todos os homens são verdadeiramente irmãos.

Catecismo da Igreja Católica, n. 361

Contemplar o mistério

O Verbo se dignou assumir uma natureza humana íntegra e consagrar a terra com a sua presença e com o trabalho de suas mãos. A grande missão que recebemos no Batismo é a co-redenção. A caridade de Cristo nos compele a tomar sobre os ombros uma parte dessa tarefa divina de resgatar as almas.

É Cristo que passa, 120

6. O ser humano é um corpo com uma alma, ou uma alma com um corpo? Ou nada disso?

A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que "O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn 2,7). Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus.

Catecismo da Igreja Católica, n. 362

Que é o corpo? O corpo é mau?

O corpo do homem participa da dignidade da "imagem de Deus": ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito (cf. 1 Co 6,19-20; 15,44-45):

«Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz de louvor. Não é, portanto, lícito ao homem desprezar a vida corporal; ao contrario, deve estimar e honrar seu corpo, porque criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia» (Gs 14, 1).

Catecismo da Igreja Católica, n. 364

Contemplar o mistério

Não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, recebido de Deus e que não vos pertenceis? [I Cor 6, 19]. Quantas vezes responderão, diante da imagem da Virgem Maria, da mãe do Amor Formoso, com uma afirmação cheia de júbilo à pergunta do Apóstolo: sim, nós o sabemos e queremos vivê-lo com tua ajuda poderosa, ó Virgem Mãe de Deus!

A oração contemplativa surgirá em todos sempre que meditarem nesta realidade impressionante: alago tão material como meu corpo foi escolhido pelo Espírito Santo para estabelecer sua morada..., não pertenço mais a mim..., meu corpo e minha alma — todo o meu ser — são de Deus... E essa oração será rica em resultados práticos, derivados da grande conseqüência que o próprio Apóstolo propõe: glorificai a Deus em vosso corpo.

[I Cor 6, 20].

Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 121

Se soubesses o que vales!... É São Paulo quem te diz: foste comprado "pretio magno" - por alto preço.E depois continua: "Glorificate et portate Deum in corpore vestro" - glorifica a Deus e traze-O em teu corpo.

Caminho, 135

7. O que é a alma? Para que serve? De onde vem?

Muitas vezes o termo alma designa na Sagrada Escritura a vida humana, ou a pessoa humana inteira. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: "alma" significa o princípio espiritual no homem.

Catecismo da Igreja Católica, n. 363

A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a "forma" do corpo (cf. Concilio de Viena, ano 1312, DS 902); ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza.

Catecismo da Igreja Católica, n. 365

A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus (cf. Pio XII, Enc. Humani generis, 1950: DS 3896; Paulo VI, Credo do Povo de Deus, 8) - não é "produzida" pelos pais - e é imortal (cf. Concilio de Latrão V, ano 1513: DS 1440): ela não perece quando da separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final.

Catecismo da Igreja Católica, n. 366

Contemplar o mistério

Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação... Que cada um saiba usar o seu corpo santa e honestamente, não se abandonando às paixões, como fazem os pagãos, que não conhecem a Deus. Pertencemos totalmente a Deus, de alma e corpo, com a carne e com os ossos, com os sentidos e com as potências. Rogai-lhe com confiança: Jesus, guarda o nosso coração! Um coração grande, forte, terno, afetuoso e delicado, transbordante de caridade para contigo, a fim de servirmos a todas as almas. O nosso corpo é santo, templo de Deus, precisa São Paulo.

Amigos de Deus, 177

8. A alma e o espírito são o mesmo?

Por vezes ocorre que a alma aparece distinta do espírito. Assim, São Paulo ora para que nosso "ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo", seja guardado irrepreensível na Vinda do Senhor (1 Ts 5,23). A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma(Concílio de Constantinopla IV, ano 870: DS 657), "Espírito" significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural(Concilio Vaticano I: DS 3005; cf. GS 22,5), e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus (cf. Pio XII, Humani generis, ano 1950: DS 3891).

Catecismo da Igreja Católica, n. 367

Contemplar o mistério

Diziam àquele bom amigo, para humilhá-lo, que a sua alma era de segunda ou de terceira categoria.

Convencido do seu nada, sem se aborrecer, raciocinava assim: - Como cada homem não tem senão uma alma - eu a minha, uma só também -, para cada um a sua alma será... de primeira categoria. Não quero abaixar a pontaria! Portanto, tenho uma alma de “primeiríssima”, e quero, com a ajuda de Deus, purificá-la e branqueá-la e inflamá-la, para que o Amado esteja muito contente.

- Não o esqueças: tu também - ainda que te vejas cheio de misérias - não podes “abaixar a pontaria”.

Forja 893