O que é o matrimônio?

O que é o matrimônio? Por quê casar-se? É para sempre? Que significa que o matrimônio é indissolúvel? "Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimônio, Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, imprime neles os seus lineamentos e o caráter indelével do seu amor. O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós”. Papa Francisco, Audiência, 2 de abril de 2014.

Perguntas sobre a fé
Opus Dei - O que é o matrimônio?

1.O que é o matrimônio?

“A vocação para o Matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador. O casamento não é uma instituição simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais. Essas diversidades não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes. Ainda que a dignidade desta instituição não transpareça em toda parte com a mesma clareza, existe, contudo, em todas as culturas, um certo sentido da grandeza da união matrimonial.

Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, como diz o Génesis, que é Amor (1 Jo 4, 8.16). Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do Criador.

Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a sagrada Escritura o afirma: “Não é bom que O homem esteja só” (Gn 2,18). A mulher, “carne de sua carne”, é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um “auxilio”, representando, assim, “Deus, em quem está o nosso socorro. “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24). Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, 'na origem”, o desígnio do Criador (Cf Mt 19,4): “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1603-1605.)

Contemplar o mistério

Estás rindo porque te digo que tens “vocação matrimonial”? - Pois é verdade: isso mesmo, vocação. Pede a São Rafael que te conduza castamente ao termo do caminho, como a Tobias.

(Caminho, 27)

2. Que disse Jesus Cristo acerca do Matrimônio?

No limiar de sua vida pública, Jesus opera seu primeiro sinal a pedido de sua Mãe por ocasião de uma festa de casamento ( ver o relato das bodas de Caná no Evangelho de S. João 2,1-11). A Igreja atribui grande importância à presença de Jesus nas núpcias de Caná. Vê nela a confirmação de que o casamento é uma realidade boa e o anúncio de que, daí em diante, ser ele um sinal eficaz da presença de Cristo.

Em sua pregação, Jesus ensinou sem equívoco o sentido o original da união do homem e da mulher, conforme quis o Criador desde o começo. A permissão de repudiar a própria mulher, concedida por Moisés, era uma concessão devida à dureza do coração; a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel, pois Deus mesmo a ratificou: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (Mt 19,6).

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1613-1614)

Contemplar o mistério

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa que eu, como sacerdote, abençôo com as duas mãos. Na presença de Jesus Cristo nas bodas de Caná, a tradição cristã tem visto freqüentemente uma confirmação do valor divino do matrimônio: Nosso Salvador foi às bodas - escreve São Cirilo de Alexandria - para santificar o princípio da geração humana.

O matrimônio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne; como diz com expressão forte a teologia, sua matéria são os próprios corpos dos nubentes. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido pela mulher e o da mulher pelo marido: estabelece não somente a fusão de suas almas, mas também a de seus corpos. Seja ou não chamado à vida matrimonial, nenhum cristão pode desprezá-la.

(É Cristo que passa, 24)

3. O que é o Matrimônio como sacramento?

Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituidos por Nosso Senhor Jesus Cristo para santificar-nos. O sacramento do Matrimônio é um dos sete sacramentos instituído por Jesus Cristo que, quando se recebe com as disposições adequadas, dá graça –uma ajuda sobrenatural- para vivê-lo cristãmente.

É provável que esta insistência sem equívoco na indissolubilidade do vínculo matrimonial deixasse as pessoas perplexas e aparecesse como uma exigência irrealizável. Todavia, isso não quer dizer que Jesus tenha imposto um fardo impossível de carregar e pesado demais para os ombros dos esposos. Como Jesus veio para restabelecer ordem inicial da criação perturbada pelo pecado, ele mesmo dá a força e a graça para viver o casamento na nova dimensão do Reino de Deus. Esta graça do Matrimônio cristão é um fruto da Cruz de Cristo, fonte de toda vida cristã.

É justamente isso que o apóstolo Paulo quer fazer entender quando diz: “E vós, maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la” (Ef 5,25-26), acrescentando imediatamente: “Por isso de deixar o homem seu pai e sua mãe e se ligar à sua mulher, e serão ambos uma só carne. E grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e sua Igreja” (Ef 5,31-32).

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1615-1616)

Contemplar o mistério

O Matrimônio é um sacramento santo. - A seu tempo, quando tiveres de recebê-lo, que o teu Diretor ou o teu confessor te aconselhem a leitura de algum livro útil. - E estarás mais bem preparado para levar dignamente as cargas do lar.

(Caminho, 26)

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa que eu, como sacerdote, abençôo com as duas mãos.

(É Cristo que Passa, 24)

4. Como se celebra o Matrimônio?

Segundo a tradição latina, são os esposos que, como ministros da graça de Cristo, se conferem mutuamente o sacramento do Matrimônio, expressando diante da Igreja seu consentimento. Os esposos são pois os ministros do sacramento.

Nas tradições das Igrejas Orientais, os sacerdotes, Bispos ou presbíteros, são testemunhas do consentimento recíproco dos esposos, mas também é necessária a bênção deles para a validade do sacramento.

É por esta razão que a Igreja normalmente exige de seus fiéis a forma eclesiástica da celebração do casamento:

- o casamento-sacramento é um ato litúrgico. Por isso, convém que seja celebrado na liturgia pública da Igreja.

- O Matrimônio foi introduzido num ordo eclesial, cria direitos e deveres na Igreja, entre os esposos e relativos à prole.

- Sendo o Matrimônio um estado de vida na Igreja, é necessário que haja certeza a seu respeito (daí a obrigação de haver testemunhas).

- caráter público do consentimento protege o mútuo “Sim” que um dia foi dado e ajuda a permanecer-lhe fiel.

No rito latino, a celebração do Matrimônio entre dois fiéis católicos normalmente ocorre dentro da santa missa. Na Eucaristia se realiza o memorial da nova aliança, na qual Cristo se uniu para sempre à Igreja, sua esposa bem-amada, pela qual se entregou.

Por ser um sacramento os esposos devem dispor-se para receber a graça. Por isso convém que se preparem bem para a celebração do seu matrimônio recebendo o o sacramento da Penitência.

Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja (Cf Ef 5,32). É Ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovar a fidelidade dos esposos.

(Ler mais Catecismo da Igreja Católica, 1621-1624, 1631.)

Contemplar o mistério

O amor que conduz ao matrimônio e à família pode ser também um caminho divino, vocacional, maravilhoso, por onde corra, como um rio em seu leito, uma completa dedicação ao nosso Deus. Já o lembrei: realizem as coisas com perfeição, ponham amor nas pequenas atividades da jornada; Descubram — insisto — esse algo divino que nos detalhes se encerra: toda esta doutrina encontra lugar especial no espaço vital em que se enquadra o amor humano.

(Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 121)

5. Qual o aspecto essencial na celebração do matrimônio? O que é o consentimento matrimonial?

Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o Matrimônio e que expressam livremente seu consentimento. “Ser livre” quer dizer:

– não sofrer constrangimento;

– não ser impedido por uma lei natural ou eclesiástica.

A Igreja considera a troca de consentimento entre os esposos como elemento indispensável “que produz o matrimônio”. Se faltar o consentimento, não há casamento.

O consentimento consiste num “ato humano pelo qual os cônjuges se doam e se recebem mutuamente”: “Eu te recebo por minha mulher” - “Eu te recebo por meu marido”. Este consentimento que liga os esposos entre si encontra seu cumprimento no fato de “os dois se tomarem uma só carne”.

O consentimento deve ser um ato da vontade de cada um dos contraentes, livre de violência ou de medo grave externo. Nenhum poder humano pode suprir esse consentimento. Se faltar esta liberdade, o casamento será inválido.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1625-1627.)

Contemplar o mistério

Amar é... não albergar senão um único pensamento, viver para a pessoa amada, não se pertencer, estar submetido venturosa e livremente, com a alma e o coração, a uma vontade alheia... e ao mesmo tempo própria.

(Sulco, 797)

Nunca te havias sentido mais absolutamente livre do que agora, que a tua liberdade está tecida de amor e de desprendimento, de segurança e de insegurança: porque nada fias de ti mesmo e tudo de Deus.

(Sulco, 787)

Nunca deixo de dizer aos que foram chamados por Deus a formar um lar que se amem sempre, que se queiram com o amor cheio de entusiasmo que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimônio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece. As torrentes dos desgostos e das contrariedades não são capazes de submergir o verdadeiro amor. O sacrifício partilhado generosamente une mais. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8,7), não poderão apagar o amor.

(Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 91)

6. Pode haver matrimônio-sacramento nulo? Que motivos fazem com que um matrimônio seja nulo?

Por falta de liberdade (ou por outras razões que tornam nulo e inexistente o Matrimônio), a Igreja pode, após exame da situação pelo tribunal eclesiástico competente, declarar “a nulidade do casamento”, isto é, que o casamento jamais existiu.

Para que o “sim” dos esposos seja um ato livre e responsável e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira importância:

- O exemplo e o ensinamento dos pais e da família continuam sendo o caminho privilegiado desta preparação.

- O papel dos pastores e da comunidade cristã como “família de Deus” é indispensável para a transmissão dos valores humanos e cristãos do Matrimônio e da família, e mais ainda porque em nossa época muitos jovens conhecem a experiência dos lares desfeitos que não garantem mais suficientemente esta iniciação (feita dentro da família).

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1625-1632.)

Contemplar o mistério

Enquanto caminhamos pela terra, a dor é a pedra de toque do amor. No estado matrimonial, considerando as coisas de uma maneira descritiva, poderíamos afirmar que há anverso e reverso. De um lado, a alegria de se saber querido, o entusiasmo de construir e fazer singrar um lar, o amor conjugal, o consolo de ver os filhos crescerem. De outro, dores e contrariedades, o passar do tempo, que consome os corpos e ameaça azedar os caracteres, a aparente monotonia dos dias que parecem sempre iguais.

Formaria um pobre conceito do matrimônio e do carinho humano quem pensasse que, ao tropeçar com essas dificuldades, o amor e a alegria se acabam. Precisamente então, quando os sentimentos que animavam aquelas criaturas revelam a sua verdadeira natureza, é que a doação e a ternura se enraízam e se manifestam como um afeto autêntico e profundo, mais poderoso do que a morte.

(É Cristo que passa, 24)

Os casados estão chamados a santificar o seu matrimônio e a santificar-se a si próprios nessa união; por isso, cometeriam um grave erro se edificassem a sua conduta espiritual de costas para o lar, à margem do lar. A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço necessário para manter a família, para garantir o seu futuro e melhorar as suas condições de vida, o convívio com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas, comuns, que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar.

(É Cristo que passa, 23)

7. Que efeitos tem o sacramento do Matrimônio?

O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. O vínculo matrimonial é, pois, estabelecido pelo próprio, Deus, de modo que o casamento realizado e consumado entre batizados jamais pode ser dissolvido. Este vínculo que resultado ato humano livre dos esposos e da consumação do casamento é uma realidade irrevogável e dá origem a uma aliança garantida pela fidelidade de Deus. Não cabe ao poder da Igreja pronunciar-se contra esta disposição da sabedoria divina.

A graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça “eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos.

Cristo é a fonte desta graça. “Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio”. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, “submeter-se uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1639-1642)

Contemplar o mistério

Santificar o lar, dia a dia; criar, com o carinho, um autêntico ambiente de família: é disso que se trata.

(É Cristo que Passa, 23)

É importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade de sua vocação, sabendo que foram chamados por Deus para atingir também o amor divino através do amor humano: que foram escolhidos, desde a eternidade, para cooperar com o poder criador de Deus, pela procriação e depois pela educação dos filhos; que o Senhor lhes pede que façam, do seu lar e da vida familiar inteira, um testemunho de todas as virtudes cristãs.

O matrimônio — nunca me cansarei de o repetir, é um caminho divino, grande e maravilhoso, e, como tudo o que é divino em nós, tem manifestações concretas de correspondência à graça, de generosidade, de entrega, de serviço. O egoísmo, em qualquer das suas formas, opõe-se a esse amor de Deus que deve imperar em nossa vida. Este é um ponto fundamental que cumpre ter muito presente ao considerar o matrimônio e o número de filhos.

(Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 93)

8. Matrimônio para toda a vida? O que é o amor conjugal?

“O amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração do espírito e da vontade; O amor conjugal dirige-se a uma unidade profundamente pessoal, aquela que, para além da união numa só carne, não conduz senão a um só coração e a uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca definitiva e abre-se à fecundidade. Numa palavra, trata-se das características normais de todo amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e as consolida, mas eleva-as, a ponto de torná-las a expressão dos valores propriamente cristãos”.

O amor conjugal exige dos esposos, por sua própria natureza, uma fidelidade inviolável. Isso é a conseqüência do dom de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. O amor quer ser definitivo. Não pode ser “até nova ordem”. “Esta união íntima, doação recíproca de duas pessoas e o bem dos filhos exigem perfeita fidelidade dos cônjuges e sua indissolúvel unidade.”

O motivo mais profundo se encontra na fidelidade de Deus à sua aliança, de Cristo à sua Igreja. Pelo sacramento do Matrimônio, os esposos se habilitam a representar esta fidelidade e a testemunhá-la. Pelo sacramento, a indissolubilidade de casamento recebe um novo e mais profundo sentido.

Pode parecer difícil e até impossível ligar-se por toda a vida a um ser humano. Por isso é de suma importância anunciar a Boa Nova de que Deus nos ama com um amor definitivo e irrevogável, que os esposos participam deste amor, que Ele os apoia e mantém e que, por meio de sua fidelidade, podem ser testemunhas do amor fiel de Deus.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1643,1646-1648.)

Contemplar o mistério

A respeito da castidade conjugal, assevero aos esposos que não devem ter medo de expressar o seu carinho, antes pelo contrário, pois essa inclinação é a base da sua vida familiar. O que o Senhor lhes pede é que se respeitem e que sejam mutuamente leais, que se confortem com delicadeza, com naturalidade, com modéstia. Dir-lhes-ei também que as relações conjugais são dignas quando são prova de verdadeiro amor e, portanto, estão abertas à fecundidade, aos filhos.(...)

Quando a castidade conjugal acompanha o amor, a vida matrimonial torna-se expressão de uma conduta autêntica, marido e mulher compreendem-se e sentem-se unidos; quando o bem divino da sexualidade se perverte, a intimidade se destrói, e marido e mulher já não se podem olhar nobremente nos olhos.

(É Cristo que passa, 25)

9. E os filhos?

Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.

Os pais são os principais e primeiros educadores de seus filhos. Neste sentido, a tarefa fundamental do Matrimônio e da família é estar a serviço da vida.

Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente. Seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1643-1654)

Contemplar o mistério

Comove-me que o Apóstolo qualifique o matrimônio cristão como "sacramentum magnum" - sacramento grande. Também daqui deduzo que a tarefa dos pais de família é importantíssima.

- Participais do poder criador de Deus, e é por isso que o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, a que o Senhor - na sua providência amorosa - quer que outros renunciemos livremente.

- Cada filho que Deus vos concede é uma grande bênção divina: não tenhais medo aos filhos!

(Forja, 691)

Escutai os vossos filhos, dedicai-lhes também o vosso tempo, mostrai-lhes confiança, acreditai no que vos disserem, ainda que uma vez ou outra vos enganem; não vos assusteis com as suas rebeldias, posto que também vós, na mesma idade, fostes mais ou menos rebeldes; saí-lhes ao encontro, até meio do caminho, e rezai por eles. E vereis como recorrerão a seus pais com simplicidade - podeis estar certos, se agis assim cristãmente -, em vez de recorrerem, com suas legítimas curiosidades, a um amigalhaço desavergonhado e brutal. A vossa confiança, a vossa relação amigável com os filhos, receberá em resposta a sinceridade deles para convosco. E isto é a paz familiar, a vida cristã, embora não faltem contendas e incompreensões de pouca monta.

(É Cristo que passa , 29)

10. Que significa a expressão “Igreja doméstica”?

Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família José e Maria. A Igreja não é outra coisa senão a “família de Deus”.

Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hóstia à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de “Ecclesia domestica”. É no seio da família que os pais são “para os filhos, pela palavra e pelo exemplo... os primeiros mestres da fé.

É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, “na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa.” O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e “uma escola de enriquecimento humano”. É aí que se aprende a resistência à fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado e, sobretudo, o culto divino pela oração e oferenda de sua vida.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1655-1657)

Contemplar o mistério

A fé e a esperança têm que manifestar-se na serenidade com que se encaram os problemas, pequenos ou grandes, que surgem em todos os lares, no ânimo alegre com que se persevera no cumprimento do dever. Assim, a caridade inundará tudo e levará a compartilhar as alegrias e os possíveis dissabores, a saber sorrir, esquecendo as preocupações pessoais para atender os demais; a escutar o outro cônjuge ou os filhos, mostrando-lhes que são queridos e compreendidos de verdade; a não dar importância a pequenos atritos que o egoísmo poderia converter em montanhas; a depositar um amor grande nos pequenos serviços de que se compõe a convivência diária.
Santificar o lar, dia a dia; criar, com o carinho, um autêntico ambiente de família: é disso que se trata. Para santificar cada jornada, é preciso praticar muitas virtudes cristãs; em primeiro lugar, as teologais, e depois todas as outras: a prudência, a lealdade, a sinceridade, a humildade, o trabalho, a alegria...

(É Cristo que passa, 23)

Digo com gratidão e com orgulho de filho, que continuo rezando — de manhã e à noite, e em voz alta — as orações que aprendi quando era criança, dos lábios de minha mãe. Essas orações me levam a Deus, me fazem sentir o carinho com que me ensinaram a dar meus primeiros passos de cristão; e, oferecendo ao Senhor o dia que começa ou dando-Lhe graças pelo que acaba, peço a Deus que aumente na glória a felicidade dos que especialmente amo, e depois nos mantenha unidos para sempre no Céu.

(Entrevistas com Mons. Josemaria Escrivá, 103)

11. A Igreja admite a separação dos cônjuges?

Existem situações em que a coabitação matrimonial se torna praticamente impossível pelas mais diversas razões. Nestes casos, a Igreja admite a separação física dos esposos e o fim da coabitação. Os esposos não deixam de ser marido e mulher diante de Deus; não são livres para contrair uma nova união. Nesta difícil situação, a melhor solução seria, se possível, a reconciliação. A comunidade cristã é chamada a ajudar essas pessoas a viverem cristãmente sua situação, na fidelidade ao vínculo de seu casamento, que continua indissolúvel.

(Ler mais: Catecismo da Igreja Católica, 1649)