Fraternidade e diálogo: compromisso de amor

A Igreja do Brasil nos convida a viver a Campanha da fraternidade durante a Quaresma. Para isto, cada ano, a Igreja nos apresenta um tema, em 2021, o tema proposto é “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido fez uma unidade”.

Da Igreja e do Papa
Opus Dei - Fraternidade e diálogo: compromisso de amor

“A fé nos lembra de que Cristo é nossa Paz e nos anima a prosseguir pelo caminho da unidade na diversidade. Com ela, afirmamos que a fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, porque Cristo fez uma unidade daquilo que era dividido. A escolha por testemunhar a fé vivida em diversidade desafia-nos a realizar a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021”.

Fraternidade e diálogo: compromisso de amor

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

“Cristo é a nossa paz. Do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2,14)

A Campanha da Fraternidade é um dos modos de viver o período quaresmal na Igreja no Brasil. Desde a sua origem em 1964, ela tem como grande objetivo despertar a solidariedade dos seus fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução, à luz da Palavra de Deus. É uma importante ação evangelizadora no horizonte da Doutrina Social da Igreja.

Em 2021 viveremos a 57ª edição da Campanha da Fraternidade. O grande tema que nos é proposto é o diálogo. Dialogar como compromisso de amor. Inseridos num cenário marcado por polarizações, ódios, ausência de escuta, individualismos imperialistas e indiferença, somos convidados a recuperar nossa capacidade de relação, tolerância, amorosidade e fraternidade. Edificar um novo humanismo alicerçado na ética cristã. Não podemos permanecer indiferentes a esta realidade que banaliza a vida, gera conflitos, violências, discriminações e radicalizações.

A Campanha da Fraternidade surge como ocasião preciosa para redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas, promovendo a convivência fraterna e a alegria do encontro como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural. É preciso reaprender a dialogar!

Segundo afirma o Papa Francisco, “aproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esforçar-se por entender-se, procurar pontos de contato: tudo isso se resume no verbo dialogar. Para nos encontrarmos e ajudarmos mutuamente, precisamos dialogar. ” (FT 198). Não conseguiremos avançar neste horizonte se não assumirmos o diálogo como compromisso de amor.

Dialogar supõe a redescoberta do valor e da beleza do outro. Requer escuta, paciência, decisão e disposição. É um processo com ritmo próprio que visa a compreensão do outro. Por essa razão, no diálogo, não há vencedores e vencidos. Não há uma palavra que prevalece, mas palavras que desencadeiam processos de conhecimento. Isso não significa acolher como dogma a verdade do outro, mas sim, respeitá-lo e com ele compartilhar o que compreendemos da vida, do mundo e de toda teia de relações que nos envolvem.

Viveremos a Campanha da Fraternidade de 2021 em comunhão com diversas comunidades de fé. Esta será a 5ª Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). As Igrejas membros do CONIC assumem esse compromisso de levar adiante o objetivo geral da CFE: convidar as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade. Sem dúvidas, o diálogo e a convivência fraterna é o nosso melhor testemunho.

São Igrejas pertencentes ao CONIC: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Presbiteriana Unida do Brasil; Igreja Católica Apostólica Romana; Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia e a Aliança de Batista do Brasil. Em 2021 dois membros fraternos se associam ao CONIC para a realização da CFE: Igreja Betesda e o Centro de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP).

O testemunho de diálogo e de convivência fraterna das Igrejas cristãos são um precioso testemunho para um mundo que já não dialoga mais. Segundo São João Paulo II o movimento ecumênico do século XX teve o grande mérito de reafirmar claramente a necessidade deste testemunho. Após séculos de separação, de imcompreenções, de indiferença e oposiçõies, voltou a surgir nos cristãos a consciência de que a fé em Cristo os une e oferece aquela força capaz de superar o que os divide.

Com o Concílio Vaticano II a Igreja empenhou-se de maneira irreversível em percorrer o caminho da busca ecumênica. Neste horizonte, “Não se devem e não se podem diminuir as diferenças ainda existentes entre nós. O verdadeiro empenho ecuménico não procura compromissos e não faz concessões no que se refere à Verdade. Sabe-se que as separações entre os cristãos são contrárias à vontade de Cristo; sabe-se que elas são um escândalo, que enfraquece a voz do Evangelho. O seu esforço não é ignorá-las, mas superá-las.” (João Paulo II – 25.01.2001 – homilia no encerramento da semana de oração pela unidade dos cristãos.)

O lema da Campanha é muito sugestivo: “Cristo é a nossa paz; do que era dividido, fez-se uma unidade. ” (Ef 2,14ª). A divisão a qual Paulo faz referência diz respeito um muro existente em Jerusalém que impossibilitavam os gentios a terem acesso ao Templo. Havia um pátio reservado para eles e também um muro, que os separava da parte principal do espalho sagrado. Neste muro havia uma inscrição advertindo que, aqueles que adentrarem o espaço não permitido, seriam responsáveis pela própria morte. Era o mundo da divisão que impedia tanto o acesso ao espaço sagrado, como às pessoas que ali estavam.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica nos convida a destruição dos muros que nos separam. Não somente eliminar os muros, mas também abrir mão dos entulhos que podem ser instrumentos de violência quando trocamos acusações e ofensas. Quando não ouvimos e cuidamos de cada pessoa como irmãos e irmãs. Não é suficiente destruir os muros. É preciso ser construtor de pontes, elo de comunhão, promotores da cultura do encontro e da fraternidade.

Fraternidade e diálogo, compromisso de amor. Que possamos abrir os corações a essa temática inaugurando processos dialogais com a partir de nossas escolhas e empenho evangelizador. Que a quaresma de 2021 nos ajude no caminho de conversão que nos coloque no caminho da partilha, da solidariedade, assumindo o diálogo como estilo de vida de quem ama, tal como Cristo nos ama.