Homilia do Prelado na 28ª Jornada Mariana da Família

Publicamos, na íntegra, a homilia de D. Fernando Ocáriz na 28ª edição da Jornada Mariana da Família em Torreciudad no dia 1 de Setembro.

Opus Dei - Homilia do Prelado na 28ª Jornada Mariana da Família

“A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Salmo responsorial, Lc 1,46-47). Ao repetir, no Salmo Responsorial, estas palavras da Santíssima Virgem, quisemos acompanhar a Nossa Mãe na sua atitude de agradecimento e louvor a Deus. Temos muitos motivos para elevar a nossa alma ao Senhor, que quis e quer realizar grandes coisas em nós e, através de nós, nas nossas famílias, na sociedade e no mundo inteiro.

Hoje, ao celebrar esta Jornada Mariana da Família junto a Nossa Senhora de Torreciudad, elevamos o nosso coração ao Senhor com essas palavras de Santa Maria. Certamente, somos e sabemo-nos pouca coisa, muito necessitados da ajuda de Deus para ser bons filhos seus e levar por diante as nossas famílias de acordo com o seu querer, mas com a nossa Mãe do Céu sentimo-nos capazes desta oração de acção de graças a Deus: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.

Vimos, no Evangelho, como um anjo tranquilizou S. José, num momento complicado para a história da família de Nazaré (cf. Mt 1,18-23). Que fantástico é contemplar como Maria e José também enfrentaram dificuldades para levar por diante a sua família! A história do seu lar não é uma história idealizada: sim, a Sagrada Família foi sem dúvida a mais feliz que já houve e haverá sobre a terra, mas nem por isso deixou de ter de enfrentar contrariedades e problemas.

“Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). São palavras de S. Paulo que ouvimos na segunda leitura. Muitos recordaremos que S. Josemaria as resumia em três palavras, omnia in bonum, tudo é para bem. Estas palavras, tantas vezes nos terão servido para abraçarmos a vontade de Deus, também quando não compreendíamos por que permitia algo que nos fazia sofrer a nós ou aos outros. Também podemos aplicar esta jaculatória em cada lar; tudo é para bem: um problema económico que obriga a mudar de planos, os desafios que supõe a educação dos filhos, as dificuldades para harmonizar um trabalho exigente com o cuidado da casa... Tudo é para bem, se tudo pomos nas mãos de Deus: Ele dará a força para converter tudo em ocasião de crescer como família, de fazer com que esses pequenos ou grandes dramas no fim também a unam mais, porque se levam entre todos com amor.

“Dou graças a Deus porque muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor, realizam a sua vocação e continuam para diante embora caiam muitas vezes ao longo do caminho” (Exortação Apostólica Amoris laetitia, 57). São palavras de esperança. Ao mesmo tempo, convidam a perguntarmo-nos: somos conscientes do grande bem que as famílias fazem quando se esforçam por ser escola de comunhão, de perdão, de solidariedade? Sim, as famílias podem dar luz e calor a outras famílias, a amigos, vizinhos, companheiros de estudo ou de trabalho. “Deus quer que cada família seja um farol que irradia a alegria do seu amor pelo mundo. Que significa isto? - perguntava o Santo Padre há uns dias na Irlanda – “Significa – dizia - que nós, depois de ter encontrado o amor de Deus que salva, procuramos, com palavras ou sem elas, manifestá-lo através de pequenos gestos de bondade na vida rotineira de cada dia e nos momentos mais simples da jornada.” (Discurso, Dublin, 25-VIII-2018).

Para o conseguir, não é necessário esperar que tudo na própria casa corra com perfeição. “Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade, em que se notassem, por cima das pequenas contrariedades diárias, um carinho e uma tranquilidade, profundos e sinceros, fruto de uma fé real e vivida.” (Cristo que passa, nº 22). É assim que estas famílias cooperam muito direta e eficazmente para construir e fortalecer a civilização do amor, de que falava S. João Paulo II.

Na oração coleta de hoje, dirigimo-nos ao Senhor, dizendo que nos seus “mandatos encontra a família o seu autêntico e seguro fundamento”. Esta é, com efeito, a rocha que dá estabilidade à família: o desígnio amoroso e sábio do nosso Criador e Pai sobre ela. Por isso, queremos conhecer e apreciar cada vez mais os traços desse maravilhoso plano de Deus, e difundi-los com alegria em toda a sociedade.

Renovemos também hoje, junto à Virgem, o propósito de viver com intensidade a Comunhão dos Santos. Rezemos pela Igreja, pelo Papa e por todos os pastores e fiéis. E que, nesta jornada, se eleve ao Céu a nossa oração especialmente por todas as famílias do mundo: que a elas chegue a força da oração e do sacrifício que acompanhe cada uma das nossas jornadas.

Nossa Mãe, Virgem de Torreciudad, com a tua ajuda queremos partilhar esta visão alegre e esperançada da família com as pessoas que temos à nossa volta. Pedimos-te que saibamos caminhar juntos, em família, até ao encontro com Deus e com os outros. Não nos desalenta que o caminho possa ser árduo, ou que possamos tropeçar, porque sabemos que Tu nos acompanhas sempre.