Um burrinho e uns ténis

“Sonho que sejais felizes na vossa vida, que tenhais uma vida feliz, apaixonada, sobretudo com amor de Deus”, disse o prelado do Opus Dei às mais de 350 jovens reunidas num encontro em que houve canções, piano, um burrinho e… uns ténis!

1000 horas de estudo pelos frutos apostólicos da sua viagem pastoral foi o que ofereceram as jovens ao prelado do Opus Dei.

Com música de fundo do grupo argentino Bacilos e do cantor Morat, enquanto se mostravam em ecrãs gigantes as viagens pastorais do prelado do Opus Dei, Mons. Fernando Ocáriz, com que vai visitar os seus filhos pelo mundo, mais de 350 jovens de São Rafael esperavam emocionadas que o prelado entrasse pela porta do auditório da Universidade dos Andes. Receberam-no com um grande aplauso carinhoso e rapidamente as duas apresentadoras lhe deram a palavra.

Sem rodeios, recordou-lhes que formar-se “não consiste só nem sequer principalmente em adquirir conhecimentos, aprender coisas, embora também o seja (…) mas o mais importante dessa tarefa é conhecer mais Jesus Cristo; é assim que todos temos que focar a vida espiritual, que não é uma corrida para adquirir virtudes, para sermos nós melhores, que também o é, mas o principal é conhecer mais e amar mais Jesus Cristo. Isto é importantíssimo para a vida, para a perseverança”. E quando surgem as dificuldades – explicou – é a altura da fé: creio, embora não perceba, porque é a força da fé que nos dá a capacidade de esperar e de amar.

E abriu-se o diálogo: Josefina Salinas, estudante de Engenharia Comercial na Universidade dos Andes, lançou-se à primeira pergunta. Contou como o ter conhecido o trabalho da administração na casa de retiros de Antullanca tinha sido um caminho para descobrir a luz da fé e o amor no serviço quotidiano; por isso, queria que Mons. Ocáriz lhe explicasse porque se dizia que a administração era a coluna vertebral do Opus Dei. É a administração, respondeu-lhe o prelado, que sustenta o ambiente e a realidade de família na Obra, é uma verdadeira coluna que evita que se derrubem coisas muito importantes.

Com um vídeo que nos fez viajar ao passado, foi apresentada María Jesús Johnson, estudante de medicina e bisneta de Inés Llona, que todas pudemos ver como há 50 anos perguntou a São Josemaria no Chile de que maneira podíamos viver melhor a filiação divina. Meio século depois, a sua bisneta repetia a pergunta e o prelado respondia usando como exemplo o colar com que a bisavó aparecia no ecrã: a filiação divina, disse Mons. Ocáriz, é o fio condutor do colar, em que se vão engastando todas as virtudes como se fossem pérolas. Aconselhou que, quando se encontrasse uma dificuldade, nos dirigíssemos a Deus Pai, lhe chamássemos “meu Pai” e recordássemos sempre que somos filhas de Deus.

Josefina Munita, estudante de Psicologia encarregou-se de – além de contar ao prelado do Opus Dei a sua iniciativa a favor da vida – lhe entregar o primeiro presente: um burrinho que representava 1000 horas de estudo. Mons. Ocáriz, divertido, comentou que os burros não estudam, mas que trabalham e muito. A seguir, Colomba, que vive numa residência de estudo e trabalho, interpretou ao piano “Alfonsina y el mar”.

Josefina Ochoa, de Viña del Mar, propôs o tema da vocação, perguntando como se pode distinguir a voz de Deus, se nos chama, e como atrever-se a seguir esse chamamento. O prelado respondeu-lhe que habitualmente Deus não era muito claro porque respeitava a nossa liberdade, pelo que se devia pedir luz através da oração e também pedir conselho; e “se a dúvida persiste –comentou– sempre temos que lançar-nos um pouco”.

Sofia contou ao prelado que ela também titubeava, mas noutro aspeto: por vezes, não sabia como portar-se no mundo das festas sem se deixar arrastar pelo que não lhe agradava. Mons. Ocáriz recomendou-lhe que não se fechasse – não é fácil, disse – mas procurasse um equilíbrio com prudência humana, para avaliar as circunstâncias, pedindo luz ao Senhor na oração e procurando conselho.

A iniciativa solidária Aclara, que se esforça por acompanhar pessoas de idade em lares e hospitais públicos foi explicada pela sua fundadora, Isabel Alliende, que também perguntou ao prelado o que sonhava para todas. “Sonho que sejais felizes na vossa vida, que tenhais uma vida feliz, apaixonada, sobretudo com amor de Deus”. Devemos atrever-nos a sonhar com o bem – sugeriu – com a felicidade e sonhar à grande.

Ángeles Johnson, de 14 anos, que vive em San Fernando, relatou que para ela era muito difícil assistir aos meios de formação e que sentia muito a falta deles; o prelado disse-lhe rapidamente que ela nunca estava só e que era o Senhor que nos formava.

Emocionante até arrancar lágrimas entre os assistentes foi o testemunho de fortaleza e fé de Catalina Álvarez, de 16 anos, que contou como tinha aprofundado a sua relação com Deus após a morte inesperada do pai; queria saber também como aproveitar as cruzes para se aproximar mais de Deus e para as viver com Ele. Com muito afeto, Mons. Ocáriz explicou-lhe que a fé é não entender totalmente o que se vive, mas que, sim, podemos ver aí o amor de Deus. É possível ser feliz sofrendo?, interrogou-se o prelado: sim, mas só com a cruz de Cristo, com a sua força, com a sua graça.

Já quase a terminar o encontro, Nati Martínez, uma das apresentadoras que édesigner e criadora de sapatos, entregou a Mons. Ocáriz um presente muito original: um par de ténis artesanais, feitos à medida no ateliê dela, e com a particularidade de ter bordado em cada tira o nome Fernando Ocáriz.

Para finalizar, um coro de jovens vestidas de chinesas cantou uma canção a Nossa Senhora do Carmo e um grupo enorme de participantes no encontro tirou uma fotografia bonita com o prelado.