– Padre, há cerca de um ano, num acidente de carro, perdi a minha mulher, um filho e outros quatro ficaram feridos com gravidade. Venho para tentar ver uma faisquinha de luz a que agarrar-me.
– São Josemaria: Senta-te. O Senhor ama-nos com loucura. Levou os teus porque estavam maduros para o Céu.
Para ti, é um grande golpe e eu percebo. Eu tenho coração e também choro quando perco pessoas queridas. E tem em conta que quero com a mesma intensidade muitos milhares de pessoas. De modo que é frequente eu chorar.
E não me envergonho, porque os homens também choram. Mas depois vou ter com o Senhor, vou procurá-l’O no meu coração, e ainda me dá mais alegria ir até ao sacrário. E enfrento um pouco o Senhor.
Não O ofendendo, são palavras de amor. Digo-Lhe: porque é que, se tens tão poucos amigos na terra, levas estes que te poderiam servir, que teriam sido tão úteis a outras almas? E no fim, de cabeça baixa, digo: Tu sabes mais do que eu.
Que parvoíce, não é? Que parvoíce! Está claro que sabe mais, mais do que todos nós. Ele é sapientíssimo. E nós somos uns ignorantes.
E digo: “Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. Ámen. Ámen”.
E fico tranquilo. Deus te abençoe. Tem paz na tua alma, e reza a essas pessoas queridas que tens no Céu.
Pozoalbero, Espanha, 11/11/1972