Como transformar a leitura de Caminho num encontro pessoal

No dia 5 de fevereiro passado, a Universidade Católica de Valência acolheu a apresentação do livro “Camino enamorado”, escrito por Patricia San Miguel e Gema Pérez Herrera. O encontro, organizado pelo gabinete de comunicação do Opus Dei na cidade, analisou a atualidade da mensagem de São Josemaria Escrivá e a sua proposta de viver a fé como um itinerário de amor.

Patricia San Miguel y Gema Pérez Herrera en la presentación de Camino enamorado en Valencia
Patricia San Miguel e Gema Pérez Herrera na apresentação de “Camino enamorado” em Valência.

A vida cristã não se sustenta numa acumulação de conselhos ou propósitos de luta, mas no pulsar de um amor real e concreto a Jesus Cristo.

Esta foi a ideia central que percorreu a apresentação de Camino enamorado, um comentário aos 999 pontos da obra mais conhecida do fundador do Opus Dei, articulados como um itinerário para procurar, encontrar e amar Cristo.

Passar das ideias ao encontro pessoal

As autoras explicaram que o livro nasce de uma constatação: «muitas vezes lê-se Caminho à procura de frases memoráveis, mas pode perder-se de vista a experiência de fundo».

Nas suas intervenções, aludiram ao conhecido convite que encerra a obra: «Enamora-te… e não O deixarás!», sublinhando que este apaixonamento pretende recordar que a fé se torna firme através do amor.

O título – explicaram – não pretende acrescentar uma camada sentimental, mas recordar que a vida cristã se sustenta no amor: um amor que talvez comece com uma centelha e que é chamado a crescer até se tornar firme, sacrificado e alegre.

São Josemaria procurava que os cristãos fossem almas contemplativas no meio da rua, pessoas comuns que aprendem a intimar com Deus no trabalho, no descanso e na família.

O amor como decisão face ao sentimento

Um dos momentos mais vivos do encontro foi o diálogo sobre a oração em tempos de cansaço ou aridez. Destacou-se que o amor não se mede por sensações, mas por decisões concretas.

Apaixonar-se por Deus não equivale a viver sempre com o coração inflamado, mas a aprender a regressar a Ele nas pequenas coisas: recomeçar, pedir perdão, oferecer o trabalho ou servir sem procurar reconhecimento.

Neste sentido, propuseram recursos realistas para transformar o trajeto em transportes públicos, o tempo de estudo ou um contratempo inesperado numa ocasião de encontro com Deus.

Uma mensagem que fala ao coração humano

O estilo de Caminho, composto por pontos breves, incentiva a meditação: o texto não diz tudo, mas abre espaço para que o leitor se pergunte: “E eu?”.

As autoras acrescentaram que o seu comentário procura acompanhar este questionamento sem o domesticar: fornecendo contexto, sugerindo questões e mostrando que a mensagem de São Josemaria não se limita a um tempo ou sensibilidade específicos, mas toca o permanente do coração humano.