As pioneiras do Opus Dei no Congo: quatro mulheres, uma semente e 43 anos de frutos

O livro “Latidos de mujer en el corazón de África” narra vidas entrelaçadas que, longe do foco, ajudaram muitas mulheres a sair de situações de pobreza e dependência e começaram a sentir o calor da liberdade alcançada social, economica e humanamente. O jornal “El Debate” publicou recentemente um artigo por ocasião do lançamento da obra.

Acaba de chegar, às livrarias e plataformas de difusão digital, um texto que relata as vivências, peripécias e sonhos das primeiras mulheres do Opus Dei que chegaram ao Zaire – atualmente República Democrática do Congo – a 15 de setembro de 1982.

São Josemaria Escrivá, fundador da instituição, que em breve celebrará o seu centenário, sempre imaginou que a deslocação dos seus filhos e filhas – os membros da Obra – para outros países seria como um transplante vivo, pois, afirmava que «nós nunca deslocamos multidões, tal como o camponês, quando semeia, não enterra sacos inteiros de trigo, mas espalha a semente pelo campo».

Quatro mulheres: levedura escondida

É preciso ser levedura escondida para fermentar toda a massa. As primeiras mulheres, que enviadas por Álvaro del Portillo, chegaram ao Congo: Tita, Leti, Isabelle e María Dolores, eram mulheres com carreiras universitárias promissoras. Uma enfermeira, uma matemática, uma advogada e uma médica.

Não procuravam êxitos profissionais, que nos seus próprios países seguramente teriam obtido. Foram para o Congo para exercer a sua profissão e com ela, sem precipitar as coisas, com alegria e entrega generosa, propor às mulheres congolesas, valiosos valores tradicionais – enraizados na comunidade e na família, como o respeito pelos idosos e a solidariedade – metas humanas e espirituais exigentes.

Sempre confiando na generosidade e potencialidades das mulheres congolesas, que lhes permitiram, a elas e às suas famílias, perspetivas mais amplas na educação e serviços assistenciais e culturais, para alcançar níveis de vida mais elevados.

«Uma cruz, uma imagem da Santíssima Virgem e a minha bênção de padre»

As pioneiras foram sempre com meios materiais mínimos, pois São Josemaria Escrivá, segundo testemunhos da época, despedia-se delas dizendo: «Tenho pena de não vos poder dar ajuda material, mas dou-vos o melhor que tenho, uma Cruz, uma imagem da Santíssima Virgem e a minha bênção de Padre».

A fortaleza e o trabalho, escondido e silencioso, foram suas características, tal como evidenciam os relatos que se recolhem em Latidos de mujer en el corazón de África.

Não são relatos de ficção, são vidas vividas face a Deus. As quatro mulheres valentes que deixaram a sua vida – continuam a deixá-la apesar da sua idade – para que outras sigam um caminho mais humano e, se livremente o querem, mais cristão.

Olga en el Centro de Maternidad de Binza con dos matronas de la Clínica Universidad de Navarra en Madrid.
Olga en el Centro de Maternidad de Binza con dos matronas de la Clínica Universidad de Navarra en Madrid.

São histórias contadas por uma mulher, que vive a vida das primeiras, nos relata as suas vidas entrelaçadas com as das nativas e as suas famílias, que vão saindo de situações de pobreza e dependência e começam a sentir o calor da liberdade alcançada social, economica e humanamente.

Passaram quarenta e três anos e a sementeira deu os seus frutos. Mais pessoais e anónimos, e também institucionais.

Olga Tauler, a autora, é a nona de uma família de dez irmãos. Formada em Enfermagem pela Universidade Complutense de Madrid e Licenciada em Filosofia e Teologia pela Universidade da Santa Cruz (Roma). No Institut Superieur en Sciences Infirmieres (Kinshasa) realizou a qualificação de Parteira e desempenhou o cargo de Secretária Académica Adjunta.

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Atualmente coordena nesse centro o Programa de Formação de Parteiras e trabalha na criação de uma Unidade dedicada à saúde da mulher em colaboração com o Centre Hospitalier Mère-Enfant Monkole, em Kinshasa. A sua experiência académica e profissional abarca campos como a neonatologia, aleitamento materno, fertilidade natural, bioética, fundamentos em ginecologia e obstetrícia.

Realizou um período de Formação na Clínica Universidade de Navarra e na Maison de naissance da região de Outaouais e na Maison Bleu, no Canadá. Vive e trabalha em Kinshasa há mais de dez anos.

O livro tem o prólogo de Ernesto Juliá e apresenta um álbum fotográfico da atividade das pioneiras e cinco anexos úteis para o leitor interessado.