14 de setembro: Deus amou tanto o mundo

Evangelho da Festa da Exaltação da Santa Cruz e comentário sobre o Evangelho

Opus Dei - 14 de setembro: Deus amou tanto o mundo

Evangelho (Jo 3,13-17)

“Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.
Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Comentário

O Evangelho da festa da Exaltação da Santa Cruz inclui um fragmento da conversa de Jesus com Nicodemos, um dos homens ilustres de Jerusalém, que O procura à noite. Embora seja um “mestre em Israel” (Jo 3,10), Nicodemos se aproxima do Senhor com deferência, atraído por sua imponente figura e pregação, cheias de autoridade e sabedoria. As palavras de Jesus são profundas e requerem de nós uma atitude de escuta atenta e humilde, como a de Nicodemos.

A passagem faz muitas referências ao binômio acima/abaixo, e às ações de subir e descer, com grande conteúdo teológico. “O alto” é o âmbito do divino, o Céu, onde está o Pai, de onde veio o Filho, que, desce ao mundo, ao limitado âmbito dos homens, para ser um de nós; e daqui, de baixo, Ele retorna triunfante ao Pai, com a nossa humanidade glorificada e assumida, como dirá o próprio Jesus ressuscitado no final do Evangelho: “Subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17). Graças ao trabalho realizado por Jesus, os homens poderão ter a vida eterna e a salvação.

Todo este mistério é possível porque Jesus permitiu que o levantassem na cruz, para paradoxalmente transformar em uma exaltação o gesto terrível e humilhante de levantar os crucificados para serem visto por todo o povo. O auge do seu fracasso aos olhos do mundo, torna-se uma figura do seu triunfo aos olhos do Pai e, por isso, uma fonte de salvação para a humanidade. Nisto vemos o quanto amou Deus o mundo (v. 16).

Para explicar isto a Nicodemos em poucas palavras, Jesus se refere à famosa passagem sobre a serpente de bronze no livro dos Números 21,8-9. Nessa passagem, Deus ordena a Moisés que forje uma serpente de bronze e a coloque em uma haste para ser erguida e contemplada pelo povo no deserto. E assim como os israelitas, picados pelas serpentes, paradoxalmente obtiveram a salvação e a cura olhando para uma serpente erguida, também os homens que estão imersos no pecado podem obter a salvação olhando para aquele que é erguido numa cruz como se fosse amaldiçoado e pecador.

Refletindo sobre a festa da Exaltação da Cruz que hoje comemoramos, o Papa Francisco, em uma ocasião, explicava desta forma a passagem do diálogo de Jesus com Nicodemos: “Talvez alguma pessoa não cristã nos pergunte: por que ‘exaltar’ a cruz? Podemos responder que não exaltamos uma cruz qualquer, ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus, porque nela se revelou ao máximo o amor de Deus pela humanidade. É o que nos recorda o Evangelho de João na liturgia de hoje: ‘Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’ (3, 16). O Pai ‘deu’ o Filho para nos salvar, e isto significou a morte de Jesus, e morte de cruz”[1].

Perguntava-se então o Papa: “Por que foi necessária a Cruz? Por causa da gravidade do mal que nos mantinha escravos. A Cruz de Jesus exprime as duas coisas: toda a força negativa do mal, e toda a mansidão omnipotente da misericórdia de Deus. A Cruz parece decretar a falência de Jesus, mas na realidade marca a vitória. No Calvário, insultavam-no dizendo: ‘se és Filho de Deus desce da cruz’ (cf. Mt 27, 40). Mas era verdade o contrário: precisamente porque era o Filho de Deus Jesus estava ali, na cruz, fiel até ao fim ao desígnio de amor do Pai. E precisamente por isto Deus ‘exaltou’ Jesus (Fl 2, 9), conferindo-lhe uma realeza universal”[2].



[1] Papa Francisco, Ângelus, 14 de setembro de 2014.

[2] Idem.