12 de outubro: Nossa Senhora Aparecida

Evangelho da festa de Nossa Senhora Aparecida e comentário do evangelho.

Evangelho (Jo 2, 1-11)

Houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.

Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho".

"Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou".

Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser".

Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água".

Encheram-nas até a boca.

Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala".

E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora"!

Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.


Comentário

É fácil imaginar a cena narrada no evangelho da festa de hoje – solenidade de Nossa Senhora Aparecida – em que São João nos situa em “uma dessas ruidosas bodas do meio rural, a que comparecem pessoas de vários povoados”[1] e onde estão presentes Jesus, Maria, sua Mãe e os discípulos que acompanham o Mestre.

Talvez por um erro de cálculo ou por algum imprevisto, coisa totalmente compreensível numa festa que devia durar vários dias, veio a faltar vinho.

Nossa Senhora, atenta aos menores detalhes e querendo evitar àquele jovem casal um desgosto justo na ocasião que devia ser para eles a maior alegria, não só consegue de Jesus um milagre, mas até mesmo que o Senhor o realize antes do momento previsto.

A uma delicada indicação sua – “fazei o que Ele vos disser” (v. 5) – os serventes enchem generosamente de água as seis talhas de pedra que estavam lá para a purificação dos judeus e o Senhor a transforma em vinho de excelente qualidade.

Em outra ocasião, a grande distância temporal e geográfica, Nossa Senhora mostrará a sua solicitude materna proporcionando uma pesca abundante a três humildes pescadores que tentavam em vão cumprir a tarefa que lhes fora encomendada de prover o banquete que seria oferecido ao governador da antiga Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Aquela pesca copiosa, depois de tanto esforço aparentemente inútil, tornou-se símbolo da enorme fecundidade espiritual que surgiria naquele local ao redor da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Comentando esse episódio, o Papa Francisco nos convida a contemplar como “Deus atua e nos surpreende. (…) Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor”[2].

Quantas vezes na nossa vida os esforços que colocamos para servir a Deus – no seguimento de Cristo segundo a nossa vocação, na busca da santidade, numa tarefa apostólica concreta, no casamento, na edificação de um lar, na educação dos filhos, etc. – parecem ser inúteis porque não “avançamos”, porque as pessoas não correspondem como desejávamos, porque no nosso modo de avaliar não há resultados. Então a alegria vem a faltar e nos acossa a tentação do desânimo. É o momento de recorrer a Maria e, acalentados pelo seu conselho, confiar em Deus, permanecer com Ele, continuando a fazer o que Ele nos diz. Desse modo, também na nossa vida veremos como “aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele”[3].


[1] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 141

[2] Francisco, Santa Missa na basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, 24/07/2013

[3] id.

Pe. Caio Penna Chaves