Há vidas que parecem escritas para abrir caminhos. Homens que, sem buscar protagonismo, acabam sendo decisivos na história espiritual e cultural de um país. O protagonista deste episódio é um deles.
D. Xavier de Ayala (Zaragoza, 1922- São Paulo, 1994) – de caráter firme, intelectual precoce, jurista brilhante e sacerdote incansável — foi uma das figuras-chave na expansão do Opus Dei em Portugal e no Brasil. Desde as ruas de Zaragoza, onde conheceu São Josemaria, até sua intensa atividade formativa em Coimbra, Lisboa, São Paulo ou Rio de Janeiro, sua vida é um percurso por alguns dos capítulos mais vibrantes da história do Opus Dei.
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Pioneiro, formador, pastor e mestre. Um homem discreto, de enorme capacidade de trabalho e de uma lealdade à prova de crises. Neste episódio percorreremos sua trajetória: seus primeiros anos, sua decisão vocacional, seu papel no crescimento do Opus Dei na península ibérica e sua liderança na consolidação do Opus Dei no Brasil.
Uma história de serviço, audácia e fé vivida sem espetáculo, mas com uma profundidade que deixou marca em milhares de pessoas.
O chamado ao Opus Dei
Em fevereiro de 1940, São Josemaria esteve em Zaragoza e falou com vários estudantes, entre eles Javier. Essa conversa impressionou fortemente aquele jovem, tanto que muitos anos depois escreveu: “O Senhor me concedeu a graça de conhecer o Padre em Zaragoza, em 25 de fevereiro de 1940, e desde o primeiro momento ficou-me gravada a convicção de encontrar-me na presença de um santo e da personalidade mais extraordinária que havia conhecido. Dias depois, com a graça de Deus, tomei a decisão de pedir a admissão na Obra”.
Sua decisão foi fruto de uma longa conversação pelas ruas de Zaragoza com Álvaro del Portillo. Conservam-se dois relatos de grande valor histórico escritos por ele, com data de 22 de junho de 1940. No primeiro descreve com profundidade o processo de sua decisão de entregar-se a Deus na Obra, e o segundo é sua primeira carta a São Josemaria, onde expressa sua alegria e seus desejos de santidade e de apostolado, bem unido ao fundador e a seus irmãos no Opus Dei. Nesses relatos aparece claramente sua maturidade intelectual.
Estudos em Sevilha
Javier terminou Direito com Prêmio Extraordinário e conseguiu uma bolsa na Escola de Estudos Hispano-americanos de Sevilha, para preparar a tese doutoral e fazer carreira universitária. Durante seus anos em Sevilha viveu com outros pesquisadores em “Casa Seras”, um chalé amplo que dependia da Escola. Trabalhou no Arquivo de Índias, deu aulas de Filosofia do Direito e de Direito Canônico na Universidade de Sevilha e, com outros membros do Opus Dei que também estudavam ali, promoveu muitas atividades de formação em Sevilha e cidades vizinhas.
Aqueles intensos anos amadureceram a personalidade de Javier. Escreveu um ensaio de quase 600 páginas, publicado em 1946, chamado “Ideas políticas de Juan de Solórzano”, um alto funcionário da Real Audiência de Lima no séc. XVIII que compilou as Leis de Índias. Do ponto de vista espiritual, sua identificação com a mensagem de São Josemaria foi cada vez mais intensa, e o fundador passou a contar mais com ele para tarefas de governo e de formação. Javier esteve sempre disponível para quem quer que fosse.
Essa generosidade ficou patente quando foi objeto de uma artimanha de um professor da Faculdade de Direito, que lhe mentiu sobre os prazos para entregar a documentação que permitiam inscrever-se no concurso para obter a Cátedra de Filosofia do Direito. Javier perdeu essa oportunidade e, com coração grande, nunca comentou esse episódio. Por outra parte, São Josemaria indignou-se seriamente por essa injustiça, mas viu esse fato como providencial para pensar em Javier como pioneiro para o início da Obra em Portugal.

Portugal, 1946-1958
A primeira viagem de São Josemaria a Portugal se deveu à insistência de Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, quando falou com ele na cidade de Tuy, em 1945. Os planos para começar as atividades formativas em Portugal foram se concretizando nessa primeira viagem a Coimbra, Porto, Fátima e Lisboa, quando o fundador falou com os bispos respectivos. A resposta entusiasta do bispo de Coimbra decidiu-o a começar nessa cidade.
Javier havia conhecido alguns portugueses estudantes em Sevilha e, por outro lado, Laureano López-Rodó e Amadeo de Fuenmayor, catedráticos em Santiago de Compostela, mantinham contatos profissionais com membros da Faculdade de Direito de Coimbra e haviam feito já boas amizades.
Em agosto de 1946, Javier chegou a Coimbra procedente de Santiago de Compostela. Com ele estavam também Francisco Martínez, doutor em Farmácia, e Álvaro del Amo, doutor em Biologia. Trabalharam intensamente em Coimbra, Lisboa e Porto. O Pe. José Luis Múzquiz, um dos primeiros sacerdotes do Opus Dei, viajava a Portugal com frequência para dar assistência sacerdotal. Javier publicou trabalhos de pesquisa em revistas jurídicas portuguesas e deu conferências na Faculdade de Direito de Coimbra, ao mesmo tempo que fazia amizade com professores e alunos. O trabalho apostólico em Portugal foi crescendo assim, em meio às lógicas dificuldades de adaptação, conseguir trabalho, superar dificuldades econômicas, aprender o idioma, etc., e aos poucos foi chegando um bom número de vocações e a colaboração generosa de bastantes famílias.
A princípios de 1948, Javier deixou temporariamente suas tarefas em Portugal e foi a Madri, para terminar os estudos prévios à ordenação sacerdotal. Foi ordenado em Madri, em 26 de dezembro desse ano, pelo bispo auxiliar, D. Casimiro Morcillo, e depois passou umas semanas com sua família em Zaragoza. Em janeiro de 1949 estava de volta em Portugal, nomeado Conselheiro (Diretor do Opus Dei) por São Josemaria. A partir de então, sempre se lhe chamou Dr. Xavier, conforme o tratamento dado aos sacerdotes em Portugal, também durante seus anos no Brasil.
Até 1958, a atividade foi intensa e fecunda. Já nesse ano havia Centros do Opus Dei em Coimbra, Lisboa e Porto, além de trabalhar em outras cidades como Braga, Lamego e Viseu. Durante seus primeiros anos em Portugal, o Dr. Xavier era o único sacerdote com residência estável no país, embora periodicamente fossem outros ali por breves temporadas. O fato é que ele sozinho atendeu todo o trabalho de formação e de ajuda espiritual a sacerdotes diocesanos, viajando constantemente por todo o país, pregando recolhimentos e retiros ao clero a pedido de muitos bispos, oferecendo direção espiritual a muitos, colaborando diretamente com os bispos em questões de Direito Canônico, etc. Teve uma grande capacidade de trabalho, pois compaginou essas atividades com o impulso do apostolado, a pregação pessoal abundante e a formação de homens e mulheres do Opus Dei como Conselheiro.
Portugal-Espanha, 1958-1961
No ano de 1958, São Josemaria nomeou o Dr. Xavier Delegado para Espanha e Portugal, um cargo com funções de governo e de assessoramento aos Diretores desses dois países. Teve esse encargo por três anos, até 1961. A decisão respondia, em grande medida, às crescentes necessidades de formação e governo na Espanha, onde já funcionavam várias obras corporativas — como o Colégio Gaztelueta, a Universidade de Navarra, o Colégio Tajamar ou o Colégio Viaró — que requeriam bases sólidas para seu desenvolvimento, junto com diversos centros e residências universitárias em diversas cidades. São Josemaria valorizou especialmente a experiência que o Dr. Xavier havia acumulado em tarefas de governo e sua capacidade para superar situações difíceis em Portugal, qualidades que o convertiam em um apoio firme para consolidar o trabalho em ambos países.
Durante aqueles anos, o Dr. Xavier viajou muito pela Espanha, atendendo consultas e dúvidas de Diretores dos centros, fortalecendo o espírito da Obra e ajudando os Diretores de Espanha e Portugal com sua maturidade de critério, sua serenidade e sua exigência, unido a São Josemaria.
Brasil 1961-1974
O trabalho do Opus Dei no Brasil começou em 1957 na cidade de Marília, situada a uns 430 km de São Paulo e com uma população próxima aos 100.000 habitantes. O início se produziu a pedido de seu arcebispo, D. Hugo Bressane de Araújo, que havia conversado previamente com Álvaro del Portillo em Roma. São Josemaria acedeu, pois era uma maneira adequada de começar um trabalho estável com o apoio explícito da hierarquia eclesiástica, enquanto esperava uma ocasião propícia para estender as atividades de formação a uma cidade de maior envergadura.
Um primeiro grupo de homens e mulheres procedentes de Portugal e Espanha — junto com dois sacerdotes, pe. Jaime Espinosa e pe. Alfonso Rey — se estabeleceu em Marília em 1957. Ao mesmo tempo, e em meio às dificuldades próprias de todo começo — buscar trabalho, enfrentar os gastos, adaptar-se à mentalidade do país e fazer novas relações — começaram a viajar com frequência a São Paulo. Naquele então, a cidade tinha algo mais de três milhões de habitantes, mas duplicava sua população a cada década devido à imigração massiva e à acelerada industrialização. A vitalidade de São Paulo reforçou o desejo de iniciar ali um centro estável, e logo se viu oportuno abrir uma residência universitária seguindo o modelo que conheciam da Espanha.
Em 1959 os homens alugaram uma casa de dois andares na rua Gabriel dos Santos, germe de uma possível residência, com a vênia do Arcebispo de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. As mulheres alugaram uma casa ampla na rua Gabriel Monteiro da Silva.
São Josemaria, consciente da dimensão continental do Brasil — mais de oito milhões de quilômetros quadrados e uma população, naquela época, de quase 71 milhões de habitantes em rápido crescimento — e de maioria católica, tomou uma decisão sem precedentes. Com grande fé na Providência divina, quis dar um impulso decisivo à atividade formativa e apostólica, preparando o envio de um grupo numeroso de homens e mulheres, junto com vários sacerdotes, que estivessem dispostos a trabalhar ali para enraizar e estender o espírito do Opus Dei.
Em 1961, São Josemaria perguntou ao Dr. Xavier se estava disposto a viajar ao Brasil para avaliar sobre o terreno as necessidades mais urgentes e determinar quais perfis pessoais seriam os mais adequados para quem fosse trabalhar ali. Em poucos meses, o Dr. Xavier tomou uma série de medidas: falou com D. Hugo para explicar-lhe a conveniência de deixar o centro de Marília e transferir-se para São Paulo; dispôs que a casa da rua Gabriel dos Santos se adequasse para receber os futuros membros que chegariam; e solicitou que quem viesse trouxesse materiais para os oratórios, objetos de decoração, quadros, livros, alguns móveis e ajuda econômica. Além disso, falou pessoalmente — em Portugal e na Espanha — com todos os membros do Opus Dei que manifestavam disposição para ir ao Brasil.
Até 1962, chegaram a São Paulo cinco sacerdotes e um grupo de oito homens e sete mulheres. Logo se viu a necessidade de contar com casas mais amplas para alojar a uns e a outras, organizar o trabalho, iniciar as atividades de formação e manter uma vida de família com normalidade. Após uma busca intensa, em 1961 foi assinado o contrato de compra de dois imóveis contíguos no bairro de Sumaré, que permitiriam consolidar aquela etapa de expansão.
Brasil até 1974
Ao final de 1961, o Dr. Xavier regressou ao Brasil já nomeado Conselheiro por São Josemaria, e deu-se um forte impulso a todas as atividades de formação: com estudantes no centro Pacaembu; com profissionais nos locais adaptados de uma das casas de Sumaré; e com mulheres na casa da rua Gabriel Monteiro da Silva, que se chamou Centro Universitário Jacamar, embora houvesse atividades de formação para todo tipo de mulheres.
Considerou-se oportuno organizar o trabalho seguindo alguns princípios definidos: oferecer formação a estudantes universitários, convidar profissionais de prestígio humano e profissional e consolidar primeiro o trabalho da Obra em São Paulo evitando a dispersão, de modo que a expansão a outras cidades do país fosse liderada pelos próprios brasileiros que compreendessem e encarnassem o espírito do Opus Dei.
Desde o início e até 1974, o Dr. Xavier atendeu pessoalmente o trabalho formativo com profissionais no Sumaré: os recolhimentos mensais, os retiros e as conversas de direção espiritual, tudo isso compaginado com suas tarefas de Conselheiro, as viagens e a relação com as autoridades eclesiásticas. Além disso, em 1966 foi nomeado por São Paulo VI membro da Comissão para a Reforma do Código de Direito Canônico, o que o levou a viajar a Roma duas vezes por ano para participar de reuniões e consultas, além de redigir votos e pareceres técnicos solicitados pela Comissão.
Foram anos de notável expansão das atividades formativas em São Paulo. No prazo de doze anos foram erigidos dez centros para homens e mulheres — dois deles de grande tamanho, destinados à formação de numerários e numerárias —, assim como duas casas espaçosas fora da cidade para convivências, encontros formativos e retiros: o Sítio da Aroeira e a Casa do Moinho.
Brasil 1974-1994
A estadia do fundador do Opus Dei em São Paulo, entre 26 de maio e 7 de junho de 1974, foi como uma declaração de “maioridade” para o trabalho no Brasil. Milhares de pessoas puderam escutar o fundador da Obra em reuniões multitudinárias (algumas com mais de 2.000 assistentes) ou em grupos menos numerosos, o que supôs uma grande extensão do trabalho e o começo efetivo da desejada expansão a outras cidades. São Josemaria se entusiasmou quando contemplou a enorme variedade racial e a cordial convivência de tanta gente de origens e culturas muito diversas, e se referiu várias vezes a que o Brasil era e seria “um grande povo missionário, e que sabereis cantar as grandezas do Senhor por toda a terra”. Concretamente, animou os descendentes de japoneses que quisessem a ajudarem no trabalho apostólico no Japão, e de fato, nos anos sucessivos, foi a esse país um bom grupo de homens e mulheres, além de dois sacerdotes de ascendência japonesa.
Vendo as possibilidades apostólicas e a receptividade das pessoas, São Josemaria decidiu enviar ao Brasil, durante três anos sucessivos, um sacerdote e quatro membros jovens a cada ano a partir de 1975, homens e mulheres, para colaborar na expansão.
De fato, em 1975 começou-se estavelmente no Rio de Janeiro; em 1976, em Curitiba; em 1977, em Campinas; em 1979, em São José dos Campos; em 1981, em Brasília. Em anos sucessivos seguiram Belo Horizonte, Niterói e Londrina, além de viagens periódicas a Ribeirão Preto e a Sorocaba, sempre com a vênia da autoridade eclesiástica de cada lugar.
A expansão trouxe consigo também a necessidade de ter centros de formação em todas essas cidades e de dispor, o quanto antes, de casas para convivências e retiros. O Dr. Xavier liderou a elaboração dos planos destas iniciativas, contando com a generosa colaboração de cooperadores e amigos e rezando intensamente. Sempre quis deixar claro que o esforço, o sacrifício, a oração e o trabalho deveriam proceder dos moradores de cada cidade, pois essas facilidades para a formação eram para eles e para suas famílias.
As décadas de 1970, 1980 e 1990 foram anos de crescimento, mas sobretudo de um intenso reforço na formação doutrinal de jovens e adultos. Como ocorreu em muitos outros países, no Brasil se perceberam as mudanças culturais, também a maneira de viver, e a crise em alguns âmbitos eclesiásticos. O Dr. Xavier, em estreita sintonia com São Josemaria, empenhou-se em fortalecer a fé e insistir no ensino da doutrina católica em fidelidade ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.
Assim, além de promover novos centros de formação em São Paulo e outras cidades, organizaram-se cursos de doutrina católica básica, jornadas de orientação familiar, ciclos de conferências com profundidade teológica, sessões para orientar leituras formativas e, em todos os centros, se impulsionou de maneira particular o culto e a adoração à Eucaristia.
Apesar daquele ingente volume de trabalho, o Dr. Xavier nunca deixou de ler nem de estudar Direito Canônico, História ou Filosofia. Tirava tempo de onde parecia não haver e redigia finos ensaios canônicos que se publicavam em revistas especializadas. Sua condição de grande leitor fica demonstrada, por exemplo, na leitura íntegra — ao longo dos anos — dos 39 volumes da “História dos Papas”, de Ludwig von Pastor.
Em novembro de 1994, o Dr. Xavier cumpriria 72 anos. Embora seu estado de saúde lhe permitisse ter uma vida praticamente normal, padecia certa dificuldade respiratória e se recuperava de um descolamento de retina. Em 7 de outubro jantou com normalidade e, depois, conversou brevemente numa reunião familiar, apesar do cansaço. Mais tarde foi ao oratório para fazer o exame de consciência e, ao retirar-se para seu quarto, pediu ajuda em seguida porque não conseguia respirar bem. Foi atendido de imediato e os médicos diagnosticaram um grave acidente cardiorrespiratório. Recebeu os sacramentos enquanto ainda respirava. Não foi possível reanimá-lo e faleceu às dez e meia da noite.
Os que trabalharam com ele durante muitos anos preparam uma nota necrológica na qual deixaram constância de sua vida entregue, sua estreita união com São Josemaria e seu desejo de fazer o Opus Dei no mundo, pondo ao serviço da Igreja suas excepcionais qualidades intelectuais e espirituais. Os parágrafos finais dessa nota constituem um resumo especialmente certeiro de sua trajetória.
“Sob seu impulso, o trabalho no Brasil, ainda incipiente e com dificuldades para enraizar, foi amadurecendo, lançando raízes firmes e desenvolvendo-se solidamente, com a graça de Deus, a um ritmo ininterrupto e crescente, em contínua expansão até sua morte. De todo esse desenvolvimento, o Dr. Xavier foi a cabeça, a alma e, em muitos aspectos, o braço (…).
Todos os passos que, com a bênção de Deus, deu o trabalho da Obra no Brasil – de maneira segura, firme, orgânica e estável –, com a expansão por numerosas cidades, foram possíveis, em grande medida, graças à entrega, à responsabilidade, ao bom critério, à prudência de governo, à fidelidade delicada a nosso fundador, à dedicação, à fé, à audácia e às virtudes exemplares do Dr. Xavier.
Os que conviveram largamente com ele são unânimes em afirmar que era um dos membros do Opus Dei nos quais, já desde os primeiros passos da vocação, melhor se observava a sintonia com São Josemaria e a compreensão de seu espírito. Contribuía para isso, sem dúvida, a sua inteligência excepcional, mas seria inexplicável se não se entendesse que a causa profunda e principal foi sua fé inabalável em nosso fundador e no caráter divino do Opus Dei, da sua vida interior, vivida em correspondência constante à graça e na docilidade constante à ação do Espírito Santo.
(…) Era um fato o completo esquecimento de si mesmo e de suas coisas pessoais. Vivia única e exclusivamente para Deus e para a chamada recebida de Deus: ser Opus Dei e fazer o Opus Dei na terra. Não media sacrifícios, não dava importância a cansaços nem a doenças, embora fosse muito obediente às indicações médicas; não se queixava de nada nem pedia nada para si mesmo: era como se não existisse. (…) E tudo isso sem dar-lhe importância, como algo inteiramente natural dentro da lógica da vocação e da entrega a Deus”.
Março de 2026
