Com a chegada à Cidade da Guatemala, teve início a viagem pastoral que se estenderá até 22 de agosto, passando por quatro cidades da América Central: Cidade da Guatemala, San Pedro Sula e Tegucigalpa (Honduras) e San Salvador (El Salvador).

Terça-feira, dia 4: boas-vindas ao Padre
Quarta-feira, dia 5: encontro com sacerdotes
Quinta-feira, dia 6: visita à UNIS e primeiro encontro com jovens
Sexta-feira, dia 7: segundo encontro com jovens
Sábado, dia 8: Santa Missa em Cayalá
Domingo, dia 9: encontro com as famílias
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Domingo, dia 9, encontro com as famílias
Em suas palavras iniciais, o Padre fez referência ao Evangelho do dia, no qual São Pedro se lança à água e pede ajuda ao Senhor ao sentir medo. Convidou a pedir, diante das dificuldades e adversidades: “Senhor, aumenta a minha fé!”.
Encorajou a pedir a Deus que aumente a fé no amor que Ele tem por nós e compartilhou uma jaculatória que costumava dizer: “Senhor, não te entendo”, para acrescentar em seguida: “Não tenho por que te entender”. Mesmo que não compreendamos esse amor, ressaltou, temos a certeza de que não estamos sozinhos.
Mynor, médico pediatra, contou que está casado há 30 anos e tem três filhos. Ele lembrou da admiração que vários colegas sentiam pelo Dr. Ernesto Cofiño, não apenas por sua formação profissional, mas também por sua maneira de tratar os pacientes e sua preocupação em ajudar estudantes e promover diversos projetos. Ele perguntou como alcançar essa unidade de vida que permita levar Deus para a família, para o trabalho e para os amigos.
O Padre comentou que a vida tem muitos aspectos e, às vezes, pode ser complicada, com elementos até mesmo contrastantes. “A única coisa que pode dar unidade a tudo é o amor”, porque podemos amar sempre, em qualquer circunstância e a qualquer pessoa. “O único amor capaz de dar unidade a absolutamente tudo é o amor a Deus”.
Lembrou o sofrimento dos últimos anos de vida de São Josemaria devido à sua fraqueza física e à situação da Igreja. Amava tanto a Deus e à Igreja que sofria imensamente. “Mas nós o víamos feliz”.
A família Guzmán, venezuelana e residente na Guatemala há dez anos, compartilhou sua experiência como pais e pediu conselhos sobre como priorizar, entre as muitas responsabilidades da vida cotidiana, o amor entre os cônjuges.
O Padre recordou uma frase de São Josemaria: “As coisas urgentes podem esperar e as muito urgentes devem esperar”. E para isso ajuda ter uma hierarquia pessoal de valores e procurar ser flexíveis, sabendo que há um elemento que dá ordem a tudo: o amor.
Carlos contou que, ao buscar palavras de esperança para sua sogra durante uma doença, encontrou textos de São Josemaria que foram para ele um caminho de fé que mudou sua vida. Ele perguntou como transmitir a fé aos filhos de maneira natural.
“Pouco a pouco, com paciência”, respondeu o Padre. Os filhos prestam muita atenção aos pais; por isso, o fundamental é transmitir a fé pelo exemplo: “Que vejam que vocês se amam. Que vejam que você a ama, e que vejam que tudo o que vocês fazem está relacionado à oração, à fé”. Karen contou que ela e o marido sonhavam, desde o namoro, com uma família grande, mas que Deus tinha outros planos: foram abençoados com o filho Juan Pablo e com dois filhos que estão no céu.
“Uma família grande é maravilhosa, mas um único filho também é algo maravilhoso”, desde que seja a vontade de Deus, explicou o Padre. Ele os convidou a ter fé na vontade de Deus, que é sempre a melhor.
Nessas circunstâncias, “abre-se um enorme campo de possibilidades” para ampliar o trabalho e a influência positiva no entorno. Não ter filhos ou ter poucos também é um chamado especial de Deus. Não é um fracasso, mas uma maneira de vocês se dedicarem a mais pessoas e, assim, de o casamento também ser fecundo”.
Fabiola e seu marido demoraram vários anos para ter um filho, período em que a oração desempenhou um papel importante para viver essa impaciência na presença de Deus. Eles contaram com alegria que agora aquele filho era numerário. O Padre comentou que a vocação é um dom e que o importante é facilitar e não colocar obstáculos àquilo que uma pessoa pensa que Deus lhe pede. Também lembrou que um filho e sua vocação são um dom para os pais.
A música também teve seu espaço durante o encontro. Eduardo, ex-aluno do Kinal, contou como conheceu o Opus Dei ali. Atualmente, ele cursa o bacharelado em Música na Universidade Panamericana, no México, e explicou que, em meio à música, encontrou Jesus Cristo e descobriu que Ele também deseja estar presente nos palcos. Compreendeu que essa é sua missão como cristão.
Em seguida, ele cantou um bolero, acompanhado por Ricardo ao piano. Eles interpretaram “Solamente una vez”, uma canção de que São Josemaria gostava.
José, de Santa Apolônia Chimaltenango, contou que, desde pequeno, aprendeu o valor da fé, do trabalho e da generosidade. Ao chegar à Cidade da Guatemala, conheceu a mensagem do Opus Dei e descobriu sua vocação como adscrito. Perguntou como crescer na liberdade interior para responder com mais alegria e fidelidade à vontade de Deus na vida cotidiana.
O Padre explicou que crescer em liberdade e crescer em amor “são coisas que acabam coincidindo”. Embora existam obrigações autênticas, especialmente na família, “isso não significa liberdade para não as cumprir”. O importante é fazer livremente aquilo que é obrigatório. “Quando as coisas são feitas por amor, são feitas livremente”, destacou.
Karina, de Totonicapán, contou sua experiência como psicóloga acompanhando mulheres que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos. Ela pôde observar como, por meio de diversos cursos de capacitação, elas descobrem a dignidade do trabalho e se sentem capazes de transformar sua realidade. A partir de algumas palavras de São Josemaria, ela perguntou como viver o pedido: “Que eu veja com teus olhos, meu Cristo, Jesus da minha alma”.
O Padre a convidou a prestar atenção ao que o Senhor lhe inspira, especialmente na oração, e a aconselhou a olhar para as pessoas “com carinho, com um amor imenso”, como Cristo as vê.
“Que eu veja com teus olhos” significa, em última análise, “que veja as pessoas com carinho, com amor”. As formas de expressar o amor podem variar de acordo com as circunstâncias, mas a essência é a mesma: desejar o bem da outra pessoa.
Joshua, da Nicarágua, vive atualmente na Guatemala. Depois de passar a Semana Santa em Roma, ele perguntou a várias pessoas como elas haviam discernido sua vocação e ficou surpreso ao ouvir que nenhuma delas tinha tido 100% de certeza ao tomar a decisão. Mais tarde, esse grau de incerteza fez parte de sua própria experiência. Por isso, ele perguntou ao Padre como ajudar os amigos nesses momentos.
Deus quer que tenhamos uma certa margem, não de insegurança, mas de liberdade. Se Ele mostrasse Sua vontade com absoluta clareza, seríamos pouco livres, explicou o Padre. Dessa forma, poderemos responder porque queremos, não simplesmente porque temos evidências.

O Padre encerrou o encontro pedindo novamente orações pelo Papa e pelas autoridades civis. Lembrou que rezar pelas autoridades é algo muito cristão.
Por fim, concedeu sua bênção aos mais de 5.000 participantes.
8 de agosto, Missa em Santa Maria Rainha da Família
No sábado, 8 de agosto, na Igreja de Santa Maria Rainha da Família, na Cidade da Guatemala, o prelado do Opus Dei presidiu a concelebração da Santa Missa, acompanhado pelo vigário regional da América Central, Pe. Carlos Young, e por vários sacerdotes da prelazia.
A homilia girou em torno de três temas: a coerência cristã, o centenário do Opus Dei e o sim da Virgem Maria.
“Cristo dá sentido à nossa existência e nos mostra o caminho para a verdadeira felicidade no cotidiano (…), pois o Senhor não nos pede que nos isolemos do mundo, mas que O encontremos e O sigamos em cada dia de nossa vida, conscientes de que segui-lo implica um modo de viver que nasce do Evangelho, da confiança e da fé no amor de Deus por nós", afirmou o Padre, ressaltando que esse estilo de vida muitas vezes chama a atenção: “A honestidade, a fidelidade, a pureza de coração, a alegria no sacrifício, a esperança diante das dificuldades, tudo isso fala uma linguagem que muitas pessoas valorizam e que muitas outras não compreendem”.

Em seguida, aproveitou para relembrar o venerável Ernesto Cofiño, pediatra guatemalteco e supernumerário do Opus Dei, que está em processo de beatificação. Seus restos mortais repousam nesta igreja há algumas semanas. “Foi um grande médico que buscou a santidade no seu trabalho profissional e na vida familiar. Atendeu com competência e carinho milhares de crianças e famílias”. E continuou: “O chamado de Deus é um chamado de alegria, uma prova de que Ele confia em nossa liberdade para que levemos o Seu amor a muitas outras pessoas”.
Além disso, o Padre aproveitou para relembrar o Centenário do Opus Dei, que será comemorado de 2 de outubro de 2028 a 14 de fevereiro de 2030: “Essas datas não são apenas um simples aniversário, mas uma ocasião para agradecer tantos dons recebidos do Espírito Santo e para renovar o desejo de servir melhor à Igreja”. “São Josemaria sonhava com um mundo cheio de homens e mulheres que buscassem a santidade no cotidiano; esse mundo continua atual! A Igreja precisa de cristãos que, com simplicidade, levem o Evangelho à cidade, ao campo, às empresas, aos pobres e à cultura por meio de uma vida coerente, cheia da caridade de Cristo”. O Padre também lembrou a Anunciação da Santíssima Virgem Maria: “O sim da Virgem continua iluminando a vida da Igreja e, portanto, a vida de cada pessoa, porque Deus continua chamando cada um de nós pelo nome: esses são seus planos de amor (...). No início, ela não conhecia o caminho quando respondeu ao Anjo, mas bastava-lhe saber que Deus estava com ela. Assim devemos aprender que Deus está conosco”.
Ele concluiu sua homilia confiando os fiéis à Mãe de Deus: “Que Santa Maria, Rainha da Família, nos ensine a dizer todos os dias com confiança: ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’”.
A celebração foi encerrada ao toque dos sinos da igreja e do Salve Regina.
7 de agosto, encontro com jovens
Durante uma hora, centenas de jovens que recebem formação nos centros do Opus Dei na Guatemala conversaram com Mons. Fernando Ocáriz em um ambiente de confiança, alegria e espontaneidade.
O Padre começou falando sobre algo que todos buscamos: a felicidade. Para explicar isso, ele se deteve no ponto 795 de Sulco: “O que é necessário para alcançar a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado”. Quando se ama de verdade, explicou, os sacrifícios adquirem outro sentido: esse amor nasce do amor a Deus e leva a se preocupar com os outros, a servir e a ajudar outras pessoas a encontrarem o Senhor, que é quem verdadeiramente nos faz felizes.
Aarón, do Clube Gurkhas, foi um dos primeiros a pegar o microfone, com uma inquietação que muitos compartilham: como distinguir a voz de Deus entre tantas outras vozes — as redes sociais, as opiniões e as distrações — que hoje preenchem sua vida e a de tantos outros como ele.
Ouvimos a voz de Deus, resumiu o Padre, especialmente no Evangelho, na oração e na Eucaristia. E também no acompanhamento espiritual, confiando na força de Deus mais do que em nossas próprias forças.
Pouco depois, Nicolás, do Clube Universitário Balanyá, que desde pequeno frequenta os meios de formação, queria saber como discernir sua vocação. A resposta foi simples: “Todos temos uma vocação; a questão não é se a temos, mas qual é”, disse-lhe Mons. Ocáriz. Ele acrescentou que descobrir a própria vocação não significa esperar sinais extraordinários, pois Deus dá as luzes necessárias para que cada um possa decidir livremente. Por isso, aconselhou a viver esse processo com sinceridade, acompanhamento espiritual e um desejo constante de melhorar.
Em outro momento, Williams, do Clube Tucán, interessado pela história pessoal do Padre, perguntou-lhe como ele havia conhecido o Opus Dei. O Padre contou que conheceu a Obra graças aos seus irmãos e que, pouco a pouco, foi se aproximando e descobrindo sua vocação.
A conversa prosseguiu entre perguntas, risadas e música. Arber, do Clube Nabajal, interpretou uma obra de Bach e perguntou como encontrar Deus por meio da música. O Padre explicou que toda beleza reflete Deus e que a música tem uma capacidade especial de elevar a alma.

Um dos momentos mais significativos da tarde aconteceu com Carlos, de 21 anos, de Jutiapa, no leste da Guatemala. Ele cresceu em uma família evangélica e, depois de terminar o ensino médio, mudou-se para a Cidade da Guatemala para estudar Engenharia Civil. Lá, começou a morar na Residência Universitária Ciudad Vieja, onde foi conhecendo a fé católica por meio de outros jovens e com o acompanhamento de membros do Opus Dei. Ele contou ao Padre que, no início, sua relação com Deus era fria e distante, mas, pouco a pouco, essa amizade foi aproximando-o, até que recebeu a catequese e, há um ano, foi batizado.
Ele pediu que o Padre rezasse por ele para que, se fosse da vontade de Deus, algum dia pudesse chamá-lo de “Padre” com toda a propriedade e ser um bom filho dele.
Mas Carlos havia preparado algo mais. Ele queria que o Padre levasse consigo uma lembrança de Jutiapa, então lhe entregou um chapéu típico de sua terra. O gesto provocou sorrisos e aplausos, e o Padre, diante da insistência de todos, acabou colocando-o na cabeça.

A tarde continuou com outra história pessoal. Antes de tocar uma peça ao piano, Julián, numerário há pouco tempo, quis compartilhar que tinha algumas semelhanças com o Padre, pois era o caçula de seus irmãos e gostava de tênis. O Padre voltou então a uma ideia que havia surgido antes: a santidade não consiste em não ter defeitos, mas em amar e recomeçar continuamente.
Antes de encerrar, Alessandro perguntou o que o Padre esperava dos jovens de São Rafael tendo em vista o centenário do Opus Dei. Mons. Ocáriz os incentivou a se perguntar o que Deus deseja de cada um e o que podem contribuir pessoalmente para a Obra. Preparar-se para o Centenário, explicou ele, significa crescer em santidade, amizade, apostolado, trabalho bem feito e fidelidade nas pequenas coisas.
No final, os jovens presentearam o Padre com uma raquete de tênis com as cores das bandeiras dos países da América Central, para que, sempre que jogar, se lembre de rezar pela obra de São Rafael.
O encontro terminou como havia começado: com aplausos e sorrisos, expressão da alegria de se sentirem em família e de constatarem mais uma vez que, para ser feliz, não é preciso uma vida cômoda, mas um coração apaixonado.
6 de agosto, Universidade do Istmo (Fraijanes, Guatemala)
Durante um encontro acadêmico na Universidade do Istmo (UNIS), o Padre refletiu sobre a missão de uma universidade de inspiração cristã, incentivando o fortalecimento da unidade entre fé e razão e colocando sempre a pessoa no centro da vida institucional.
Ao iniciar sua apresentação, explicou que a identidade cristã de uma universidade não depende apenas de seus estatutos ou princípios fundadores, mas, sobretudo, da vida de seus integrantes.
Convidou a manter sempre viva “a conexão entre fé e razão”, lembrando que “o propósito da universidade é o desenvolvimento da razão, da ciência teórica e aplicada, e a fé é uma luz que pode iluminar toda a realidade humana”.
Explicou que essa identidade não é um elemento adicional, mas deve se refletir na maneira concreta de trabalhar, pesquisar, ensinar e conviver. Por isso, lembrou que “a identidade cristã exige excelência humana” e acrescentou que essa aspiração encontra seu modelo em Jesus Cristo, “perfeito Deus e perfeito homem”.
Um dos temas que desenvolveu com mais amplitude foi a primazia da pessoa.

O Padre lembrou que uma característica essencial do cristianismo é reconhecer que “a pessoa é mais importante do que a instituição”. Esta última existe para servir às pessoas, e não o contrário. Por isso, convidou os presentes a se perguntarem constantemente se o trabalho cotidiano ajuda verdadeiramente a colocar as pessoas à frente das estruturas ou dos resultados.
O Padre dedicou outra parte de sua intervenção à liberdade, ressaltando que toda universidade precisa de normas e, ao mesmo tempo, de um ambiente autêntico de liberdade.
Incentivou o respeito à liberdade de pesquisa e à liberdade de consciência, relembrando um ensinamento frequente de São Josemaria.
Em seguida, referiu-se ao exercício da autoridade, convidando todos a entendê-la sempre como um serviço. A autoridade, destacou, “existe para pensar no bem das pessoas”, não para se apegar ao cargo ou impor critérios onde não são aplicáveis.
Como aplicação prática, propôs aos presentes uma reflexão pessoal: “Como posso fazer com que minha atividade dê primazia às pessoas em vez das coisas?” e “Hoje, o que significa para mim que as pessoas são mais importantes?”
São questões amplas e exigentes, mas justamente por isso convidou a meditar sobre elas com profundidade.
O Padre lembrou que exercer bem a autoridade também implica saber transmitir a própria experiência, formar sucessores e abrir caminho para outros quando chegar a hora.
Nesse contexto, falou também do governo colegiado, tão presente no espírito do Opus Dei. Explicou que esse tipo de governo tem um fundamento profundamente humano: “Uma pessoa vê menos; mais pessoas podem ver mais coisas”. A gestão das instituições requer prudência e o exercício constante das virtudes, sobretudo a caridade, que consiste em amar as pessoas, tratá-las com respeito e buscar sempre o bem delas, e também a justiça, que consiste em dar às pessoas, pelo menos, o que lhes é devido — e, se possível, até mais. “Se não há justiça, não há paz”.
Após a palestra, houve um colóquio com vários participantes. Na ocasião, Dom Víctor Hugo Palma, arcebispo de Los Altos, Quetzaltenango-Totonicapán, agradeceu pelos ensinamentos recebidos e perguntou como preservar diariamente a identidade cristã. O Padre respondeu que essa identidade nasce do seguimento pessoal de Jesus Cristo e do recurso constante às fontes da graça de Deus. Não se trata simplesmente de buscar a perfeição humana, mas de viver uma autêntica identificação com Cristo.
Por fim, em resposta a uma pergunta de Ana, professora da Faculdade de Saúde, o Padre aconselhou transmitir a beleza da austeridade também por meio do exemplo. Ele explicou que tanto as pessoas quanto as instituições são chamadas a colocar os bens a serviço dos outros.
“Saber para servir”
Ao final do encontro, o Padre recebeu dois presentes da Universidade: sua nomeação como presidente honorário da Universidade do Istmo — pela qual agradeceu, ressaltando que seria “uma ocasião para tê-los mais presentes na oração” — e uma pala bordada.
Em nome do Conselho de Curadores, seu presidente, Álvaro Castillo Monge, expressou a gratidão de toda a comunidade universitária. Ele afirmou que a visita “nos anima e nos confirma como universidade em um caminho que começamos a trilhar há 28 anos e nos lembra profundamente de nossa missão: saber para servir”.
6 de agosto, encontro com jovens
Em um ambiente familiar, o Padre conversou sobre temas muito diversos, como liberdade, fidelidade e como trabalhar com alegria em momentos difíceis.
A música “Para aprender a quererte”, de Morat, deu as boas-vindas ao Padre. No salão, entre fitas penduradas, as participantes o receberam com um sorriso, ao som da música.
Um dos primeiros momentos da conversa foi ensinar-lhe palavras guatemaltecas. “Que chilero que o Padre esteja hoje conosco”, disse Cris, emocionada. “Chilero” é uma expressão que significa algo bonito, excelente ou alegre.
Dominique, estudante de arquitetura na Universidade do Istmo (UNIS), iniciou a conversa perguntando como viver o serviço no cotidiano. O Padre explicou que o serviço consiste, no fundo, em viver como Jesus Cristo, que se entregou na cruz e permanece na Eucaristia, e que a formação oferecida nos centros da Obra ajuda nisso.

Emma, Xoxo e Fer, do centro Caranday, compartilharam suas experiências em diferentes atividades e perguntaram como amar a liberdade durante a adolescência. O Padre lembrou que São Josemaria era apaixonado pela liberdade e explicou que a verdadeira liberdade não consiste apenas em fazer escolhas, mas em amar a Deus. “Que vocês se sintam muito livres fazendo o que custa! Vale a pena amar o bem”.
Camila, salvadorenha que mora na Residência Universitária Verapaz, contou que, antes de chegar à Guatemala, sua felicidade dependia da imagem que projetava, mas que agora a encontra em Deus. Ela pediu um conselho sobre como permanecer fiel ao que Deus tem feito em sua vida, sem deixar de amar e de estar perto das pessoas que vivem de maneira diferente. O Padre refletiu que a força humana não basta e que é necessário aprender a compreender os outros. Ele lembrou algumas palavras de São Josemaria: “A caridade, mais do que dar, está em compreender”. Também a convidou a amar todas as pessoas como filhas de Deus, sem julgá-las, pois somente Deus conhece o coração.
Em seguida, falou María Inés, que foi numerária do Opus Dei por seis anos e, há um ano e meio, optou por outro caminho. Ela compartilhou que, embora tivesse vivido momentos de solidão, a proximidade de muitas pessoas fez com que ela se sentisse parte da Obra, que continuava sendo sua família. Também comentou que, nesse processo, havia descoberto o valor que possuía simplesmente porque Deus a amava. O Padre lembrou a ela que a oração é uma grande ajuda e a encorajou a se sentir sempre muito próxima da Obra.
Victoria, do Clube Kayak, compartilhou sua alegria em trabalhar com meninas do ensino fundamental e suas famílias. O Padre a encorajou a pensar que, em cada uma delas, estava encontrando o próprio Jesus Cristo quando era criança.
Quarta-feira, 5 de agosto, encontro com sacerdotes
No Centro Universitário Balanyá, na Cidade da Guatemala, o prelado do Opus Dei encontrou-se com mais de cem sacerdotes, entre eles Dom Tulio Pérez, bispo auxiliar da arquidiocese de Santiago da Guatemala. Mons. Fernando Ocáriz falou sobre como a vida cristã nos leva a enfrentar as coisas com alegria, fruto da certeza de que nunca estamos sozinhos. “São Josemaria repetia constantemente as palavras de São Paulo: ‘Se Deus está comigo, quem estará contra mim?’”, explicou o Padre, insistindo que Cristo está nas galáxias, mas também muito perto de nós, em nossos corações.
Também enfatizou a importância de estarmos sempre muito unidos ao Papa e de oferecermos nosso trabalho a Cristo. Lembrou que “nenhum trabalho é inútil” e que não devemos desanimar quando os frutos pastorais parecem não chegar ou chegar tarde. “Vale a pena!”, encorajou-os.

Um dos momentos marcantes do encontro foi quando o pe. Luis Felipe, de uma paróquia situada em uma região de expansão da capital, com muitas famílias jovens, contou que, em algumas ocasiões, ao vê-lo, as crianças pequenas gritavam “Amém!”, provocando risadas em todo o auditório. Na mesma linha, o pe. Elio, pároco do município de San Juan La Laguna, no departamento de Sololá, no oeste da Guatemala, relatou seu trabalho apostólico com centenas de crianças indígenas e convidou o Padre a conhecer “o lago mais bonito do mundo, o lago Atitlán”.
O pe. Edgar Iván, do departamento de Chimaltenango, pediu a Mons. Ocáriz um conselho sobre a fidelidade e o acompanhamento dos seminaristas. “A fidelidade é consequência do amor; aí está tudo”, lembrou o Padre, observando que Jesus Cristo deseja que “a unidade entre nós (sacerdotes) seja como a unidade da Trindade (...). Devemos buscar essa unidade, essa fraternidade, apesar de termos ideias diferentes e caracteres diversos. Devemos estar abertos a todos, mas, em primeiro lugar, aos que estão aqui, mais perto de nós”.
Por ocasião da festa de Santa Maria das Neves, o Padre os encorajou a recorrer a ela por meio da oração diária do terço. “Ela é nossa Mãe, é nosso auxílio”, explicou.
O Pe. Júlio, de 86 anos, agradeceu ao prelado pela visita. “Obrigado por essa tradição maravilhosa, iniciada por São Josemaria”, disse ele, e pediu que o prelado falasse sobre o sacerdócio do fundador. “Sobre o sacerdócio de São Josemaria poderíamos dizer muitas coisas: o carinho, o amor pelas pessoas, mas, acima de tudo, a centralidade da Eucaristia".
Quase uma hora depois, o Padre concluiu ressaltando a importância de sermos fiéis, obedientes, dóceis e colaboradores. “Somos livres. E, por isso, se quiserem ser fiéis, serão fiéis, porque a graça de Deus basta, e a graça de Deus nunca falta”.
Na quinta-feira, visitará a Universidade do Istmo e, à tarde, terá um encontro com jovens estudantes e profissionais.
Cidade da Guatemala, 4 de agosto
O Padre chegou à Cidade da Guatemala nesta tarde, dando início à sua visita pastoral por quatro cidades da América Central.
No aeroporto, encontrou-se com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, que se despedia da Guatemala após uma visita ao país, e o cumprimentou cordialmente.
Mais tarde, ele seguiu para o Centro Universitário Balanyá, onde foi recebido com grande carinho pelos membros da Obra. A família de Rodrigo e Tita lhe deu as boas-vindas com entusiasmo em nome de muitas famílias guatemaltecas.
Nesta quarta-feira, à tarde, terá um encontro com sacerdotes.
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