Salvaguardar a família humana

Na audiência de hoje o Santo Padre recordou a sua Viagem Apostólica aos Emirados Árabes Unidos, e ressaltou a necessidade do diálogo e oração para a fraternidade humana.

Da Igreja e do Papa

Nestes dias, Deus concedeu-me a graça de visitar os Emirados Árabes Unidos, oitocentos anos depois da visita de São Francisco de Assis ao Sultão al-Malik al-Kamil.

Num tempo como o nosso, em que é grande a tentação de ver em ato uma luta entre a civilização cristã e a islâmica e também de considerar as religiões como fonte de conflito, pudemos dar um sinal claro e firme de que é possível encontrar-se, respeitar-se e dialogar.

De fato, o momento alto da visita foi o Encontro Inter-religioso, onde tomaram a palavra o Presidente, o Grande Imã da al-Azhar e eu, centrando a atenção no valor da fraternidade humana, baseada na origem comum de Deus. Mas, como podem os irmãos salvaguardar a família humana? Isto é possível através do diálogo, da oração e da coragem da alteridade. Só assim poderá verdadeiramente levantar voo a pomba da paz com as suas duas asas, que são a educação e a justiça.

Confessando esta vocação comum de todos os homens e mulheres serem irmãos porque filhos e filhas de Deus, assinamos – o Grande Imã e eu – o Documento sobre a Fraternidade Humana, onde, além de outros temas, se condenam todas as formas de violência sobretudo a que se reveste de motivações religiosas e comprometemo-nos a difundir os valores autênticos e a paz.

Com efeito o mundo islâmico e o mundo cristão, não obstante as diferenças entre as respetivas culturas e tradições, apreciamos e defendemos valores comuns: a vida, a família, o sentido religioso, a veneração dos idosos, a educação dos jovens, etc.

Neste oásis multiétnico e multirreligioso que são os Emirados Árabes Unidos, existe um bom número de cristãos, trabalhadores originários de vários países, para quem celebrei a Santa Missa no Estádio da cidade, anunciando-lhes o Evangelho das Bem-aventuranças.