Reconstruir a esperança

Uma enfermeira relata seu trabalho de apoio a profissionais de saúde em outras cidades e como a formação da Obra a ajuda a lidar com o sofrimento.

Opus Dei - Reconstruir a esperança

Denila é enfermeira e trabalha no setor de desenvolvimento de projetos de um hospital filantrópico de São Paulo. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, atua de forma a apoiar equipes de assistência de unidades de atendimento governamentais de outras cidades por meio de um convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). “Pertenço ao Opus Dei há algum tempo, e São Josemaria ensinava que devemos transformar todos os momentos da nossa vida em ocasião de amar e servir a Deus e aos outros. É o que venho tentando fazer durante esta pandemia: transformar esta onda de trabalho em oração”.

Não trabalha diretamente com pacientes contaminados, mas tem o papel importante de capacitar profissionais de saúde e aproveita para apoiá-los nesses momentos difíceis. Diz que a formação recebida na Obra lhe ajuda a não cair no pessimismo e a ajudar a outros. “A gente tinha que tentar ser essa luz para os outros profissionais, já que estavam em contato direto com situações muito duras”.

“Às vezes, podia haver a tentação de pensar: ‘Não vou cuidar dessa pessoa, porque ela vai morrer mesmo, não vou conseguir uma transferência’. A gente tentava ajudar animando a cuidar daquele doente da melhor forma possível, com os meios disponíveis, encontrar Jesus em cada doente e ser bons profissionais, como São Josemaria ensinava. Tentava não deixar as pessoas perderem isso de vista”, conta Denila sobre sua visita a Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nas cidades mais afetadas.

Durante momentos em que presenciou maior sofrimento, Denila pedia a Nossa Senhora que ajudasse os enfermos e suas famílias. “Quando a gente vê esse sofrimento, nos perguntamos o porquê disso, e comecei a pensar no Céu: de que Deus está levando em conta esse sofrimento como um tempo de purificação para cada um, para que chegassem mais rápido ao Céu. Pedia muita ajuda para que Nossa Senhora acolhesse aquela pessoa e encurtasse esse caminho”.

Em um dos dias de trabalho, a enfermeira conheceu um paciente idoso que fora encaminhado para os cuidados paliativos e estava muito fraco por causa da infecção do coronavírus. “Consegui rezar uma Ave-Maria por ele e me dei conta de que foi uma das poucas vezes em que não fui interrompida por outras pessoas. Depois, soube que aquele paciente morreu nesse mesmo dia, e percebi que era sábado, dia dedicado à Nossa Senhora. Pensei que talvez essa Ave-Maria que rezei fosse o que faltava para aquele senhor ir para o Céu, e isso me consolou muito.”

Denila conta que algo que lhe ajuda muito durante as viagens e os períodos mais cansativos de trabalho é saber que muitas pessoas rezam por ela. “Eu conto com muito apoio da minha família e das pessoas Obra. Sei que tem muita gente rezando por mim, e isso ajuda muito. Às vezes, é difícil lembrar de Deus por causa das várias demandas ao longo do dia, mas fico tranquila em saber que tenho tanta gente na retaguarda, que está rezando e garantindo os frutos deste trabalho”.

“Acho que temos de ajudar as pessoas, tanto profissionais de saúde quanto o restante, a não perder a esperança. Precisamos ajudar a reconstruí-la. O coronavírus mostrou que precisamos uns dos outros, não só em termos de trabalho, mas como apoio humano também. Peço que as pessoas rezem muito pelos profissionais de saúde, que muitas vezes têm de tomar decisões difíceis e passam por momentos duros”.

Nas últimas semanas, Denila tem viajado para cidades no interior de Minas Gerais para capacitar profissionais de saúde antes da chegada da onda de coronavírus, a fim de precaver a população e evitar danos maiores pelo contágio do novo coronavírus. O trabalho é árduo, mas permite que possa cuidar de muitas vidas e apoiar os colegas de profissão.