Quem foram as primeiras adscritas do Opus Dei?

A partir de 1950, pessoas de situações muito variadas puderam começar a fazer do Opus Dei. Este artigo se centra nas primeiras adscritas que pediram admissão entre 1949 e 1955.

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Opus Dei - Quem foram as primeiras adscritas do Opus Dei?

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As primeiras adscritas do Opus Dei (1949-1955). Uma aproximação prosopográfica.

Resumo: A partir de 1950, pessoas solteiras e casadas de qualquer condição e situação puderam começar a fazer parte do Opus Dei. Este artigo se centra nas primeiras adscritas que pediram admissão entre 1949 e 1955. Há uma sucinta apresentação biográfica de sessenta e duas adscritas do Opus Dei e idades, procedência, estudos e profissão de cada uma.

Palavras-chave: mulheres do Opus Dei – adscritas do Opus Dei – Piedad de la Cierva – Lourdes Díaz-Trechuelo – Espanha – 1949-1955

Introdução

O historiador alemão Peter Berglar considera que o fato de que Escrivá pensasse em 1928 que o Opus Dei seria só para homens devia-se à ideia – na Espanha e na Igreja – de que a entrega laical, no meio do mundo, no celibato, já era, com relação aos homens, algo novo, revolucionário, mas com relação às mulheres parecia claramente um impossível[1]. São Josemaria dizia, na verdade, que em 1928 ele tinha visto apenas homens no Opus Dei. Dois anos depois, concretamente em 14 de fevereiro de 1930, ele entendeu que na Obra haveria também mulheres[2]. O conteúdo desta nova moção foi, substancialmente, que as mulheres podiam fazer parte do Opus Dei, já que em 1928 havia compreendido que a mensagem de santificação na vida cotidiana devia chegar a toda a sociedade, incluídas as mulheres. Tratava-se, pois, não de uma luz diferente daquela primeira, nem de uma instituição diferente, mas de completar o que tinha começado em 2 de outubro de 1928. Pode-se, portanto, considerar que os dois fatos fundacionais – o de 2 de outubro de 1928 e o de 14 de fevereiro de 1930 – são parte de um mesmo carisma[3]. Escrivá viu logo, claramente, que era necessário procurar pessoas que se comprometessem a viver no celibato apostólico e estivessem mais disponíveis para formar-se e formar outros. Compreendeu, por isso, que devia concentrar todos os seus esforços, temporariamente, em conseguir vocações de estudantes universitários e recém-formados que pudessem corresponder a esta chamada ao celibato apostólico no meio do mundo. Por este motivo, os primeiros fiéis do Opus Dei eram numerários, pessoas solteiras, dispostas a mudar de cidade ou país para levar em frente esta missão, e normalmente, mas não exclusivamente, de profissões intelectuais.

Pelo contrário, a tarefa de encontrar mulheres que correspondessem a esta chamada não foi fácil, dada a sua situação na Espanha dos anos trinta. Eram muito poucas as que faziam estudos superiores, embora o número tivesse aumentado consideravelmente nesse período. As espanholas solteiras tinham pouca independência; moravam habitualmente com os pais ou com algum irmão casado, dedicando-se principalmente ao trabalho da casa[4]. Além disso, Escrivá, sacerdote jovem, deparou com o problema de como poderia formar essas mulheres, pois não lhe parecia oportuno passar horas trabalhando junto com moças para formá-las pessoalmente, como fazia com os homens. Decidiu, por isso, contar com a ajuda do pe. Norberto Rodríguez, sacerdote diocesano mais velho que ele e que se tinha comprometido com o seu apostolado. Nenhuma das primeiras que se consideraram do Opus Dei prosseguiu nesse caminho depois da Guerra Civil espanhola, porque as poucas que puderam voltar a entrar em contato com Escrivá depois do conflito tinham desenvolvido uma espiritualidade diferente[5]. Escrivá começou de novo e em 1942 foi aberto o centro feminino na rua Jorge Manrique, 19, em Madri[6].

Conforme ia desenvolvendo o seu trabalho pastoral, Escrivá estudou a possibilidade de que pudessem incorporar-se a esta Instituição pessoas com disponibilidade mais limitada para as tarefas de formação, de modo a continuar difundindo esta mensagem de santidade no meio das ocupações cotidianas. Quer dizer, tendo preparado um primeiro núcleo, percebeu que chegara o momento de admitir na Obra pessoas casadas e solteiras de diferentes profissões e condições socioeconômicas que procurassem de fato santificar-se em meio ao seu trabalho e obrigações familiares.

A primeira aprovação pontifícia do Opus Dei teve lugar em 1947 (antes, em 1941, tinha recebido a aprovação da diocese de Madri, onde começou), mas nessa só eram reconhecidos como membros da Instituição os numerários. Em 1948 e 1949, a pedido do fundador do Opus Dei, a Santa Sé aprovou dois rescritos necessários para que pudessem agregar-se ao Opus Dei pessoas casadas ou solteiras de qualquer condição e ofício[7]. O documento de 1949 mencionava os “supernumerários internos, que viviam o celibato, mas que, por circunstâncias pessoais permanentes, não podiam ter plena disponibilidade para as tarefas de formação e direção”[8]. Em 16 de junho de 1950 a Santa Sé publicou o Decreto Primum inter no qual esses membros eram chamados oblatos. Mais tarde – em 1967 – foram chamados adscritos[9]. Outros membros eram os supernumerários, vinculados ao Opus Dei sem o compromisso do celibato[10].

Escrivá sempre afirmou que a chamada para formar parte do Opus Dei era um único fenômeno ascético e espiritual: “na Obra há uma só e única vocação (...). Um único fenômeno espiritual, que se adapta com flexibilidade às condições pessoais de cada indivíduo e ao seu próprio estado. A identidade de vocação comporta uma igualdade de dedicação, dentro dos limites naturais que essas diversas condições impõem”[11].

O presente artigo constitui uma aproximação da história das primeiras adscritas. O interesse por esse grupo de mulheres provém do fato de se tratar de leigas que procuram viver um carisma específico de santificação no trabalho profissional, num contexto em que isso era inusitado, tanto pela situação civil da mulher como pelo ambiente eclesiástico. Ao terminar a Guerra Civil espanhola, o novo Governo, com efeito, deu plena vigência ao Código Civil de 1889. Tal Código considerava a mulher menor de idade, independentemente de sua idade e elas viviam sob a tutela dos pais ou do marido. Tinham mínimos direitos civis reconhecidos, por exemplo, só podiam comprar sem autorização os bens necessários para o consumo normal da família[12]. No âmbito eclesiástico, já constituía novidade propor aos leigos um caminho de santificação fora do âmbito da vida conventual ou sacerdotal.

Esse estudo parte de 1949, quando duas mulheres, as primeiras adscritas, pediram a admissão. E vai até 31 de dezembro de 1955 porque no ano seguinte se realizou o Segundo Congresso Ordinário do Opus Dei, cujo fim era verificar o andamento dos apostolados em todo o mundo e prosseguir o estudo de seu estatuto jurídico. O período escolhido permite abarcar um número suficiente das que estavam dispersas pelo território espanhol. Entre essas primeiras adscritas encontram-se algumas – muito poucas – que dentro do período que este estudo abarca pediram admissão como numerárias ou supernumerárias e que reconsideraram sua situação no Opus Dei, passando a ser adscritas, como as primeiras duas. São anos de aprendizagem para discernir as circunstâncias permanentes próprias das adscritas, dentro da única chamada a fazer parte do Opus Dei, circunstâncias essas nas quais não aprofundaremos nesse estudo.

O título, uma aproximação prosopográfica, refere-se à apresentação de mínimos parâmetros comuns externos. Por este motivo, indica-se de cada uma o nome completo, data e local de nascimento, profissão dos pais (se se conhece), nível de estudos e dedicação profissional (até o momento da sua morte ou até o presente momento), contexto em que cada uma conheceu o Opus Dei, ano e lugar em que decidiu ser da Obra. Por este motivo, as mulheres compreendidas nesta análise são sessenta e duas, porque se trata das que perseveraram no Opus Dei. Incluir todas as que pediram admissão é quase impossível, porque não há quase nada no arquivo sobre a vida das que deixaram a instituição.

Como indica o método prosopográfico, a investigação se limita a parâmetros comuns externos. Deixamos fora outros aspectos interessantes – objeto de outros estudos – como a compreensão do próprio caminho no Opus Dei e a formação recebida na instituição durante esses anos.

As fontes utilizadas para redigir estas linhas podem ser agrupadas da seguinte forma:

a)relatos: relatos autobiográficas de vinte e cinco destas primeiras adscritas, com alguns detalhes do começo do seu caminho no Opus Dei[13]; seus próprios testemunhos sobre Escrivá depois do seu falecimento e os testemunhos sobre o fundador, de algumas numerárias que conheceram e trataram as primeiras adscritas, pelos dados que sobre elas possam ser obtidos;

b)correspondência das adscritas que moravam longe dos centros do Opus Dei. Escreviam às pessoas que lhes davam a primeira formação em Madri. É especialmente significativa a correspondência de María Ampuero, numerária, que desde o início dos anos cinquenta, encarregou-se de atender as adscritas[14]. As que moravam em Saragoça, Madri, Bilbao e Barcelona iam pessoalmente às aulas previstas para elas, pelo que, nestes casos, conta-se com pouca correspondência;

c)diários dos centros femininos do Opus Dei entre 1949 e 1955. Eram Zurbarán[15], Los Rosales[16] e Gestoria[17] em Madri; Molinoviejo[18] em Segóvia; o centro situado na rua Baltasar Gracián[19] e o adjacente ao Colegio Mayor Miraflores, em Saragoça[20]; a administração de La Alameda, residência masculina em Valência[21]; Llar[22] e a administração de Monterols[23] em Barcelona. Nesses escritos foram encontradas poucas referências às adscritas. Às vezes nem sequer são mencionadas no dia em que pediram admissão no Opus Dei.

d)dados anotados sobre cada adscrita da Obra quando falece. Trata-se de uma ficha com datas de nascimento, Batismo e Confirmação, estudos e profissão, nome dos pais e irmãos; os primeiros são dados pessoais necessários para a incorporação ao Opus Dei e os últimos – estudos e família – os mínimos que convém conhecer sobre suas circunstâncias pessoais permanentes;

e)foram revistos além disso os diários de viagem pela Espanha que algumas numerárias fizeram para dar a conhecer o Opus Dei: principalmente Encarnación Ortega[24], Guadalupe Ortiz de Landázuri[25], Mercedes Morado[26], Enrica Botella[27], de 1943 até 1955. Nesses diários encontram-se escassas referências às que pediram admissão como adscritas.

O material disponível para cada uma das adscritas consideradas nestas páginas é muito desigual. De algumas há muita informação, como no caso de Lourdes Díaz-Trechuelo, a primeira adscrita de Sevilha, que publicou a própria bibliografia A la mitad del camino, em 1997 e que será citada oportunamente. De outras, pelo contrário, dispõe-se de dados mínimos. Recorreu-se à história oral tendo a informação sido suficientemente examinada.

Nos anos trinta do século passado a sociedade espanhola era integrada – de modo geral – por uma elite minoritária de aristocratas, investidores e grandes empresários; a chamada classe média, pouco significativa do ponto de vista quantitativo, agrupada nas cidades, era integrada pelo funcionalismo, profissões liberais como advogados, médicos, militares, professores, pequenos empresários, jornalistas; e as classes populares do campo e da cidade: trabalhadores braçais e diaristas, operários sem qualificação, ajudantes[28]. No início dos anos quarenta a elite tradicional continuou ocupando o seu lugar preeminente, enquanto grandes mudanças ocorreram no seio das classes populares e média. As primeiras, lutaram por melhorar sua situação vital através do novo tipo de trabalhador urbano: o operário qualificado (que ao longo dos anos do franquismo integrou a chamada classe média). Muitos haviam abandonado o campo em busca de novos horizontes instalando-se na periferia das cidades, outros o fizeram ao longo do primeiro período do franquismo, com o que o êxodo rural culminou nos anos sessenta[29].

No início do século, a participação das mulheres na vida social e econômica era reduzida a serem esposas e mães, para o que eram preparadas no seio de suas famílias; é, por isso, excepcional encontrar mulheres que participassem ativamente em círculos econômicos, culturais ou políticos. Em cidades como Madri, Barcelona ou Bilbao, berço da industrialização espanhola, elas puderam alcançar um nível educativo superior ao de outras regiões, tanto urbanas como rurais devido à existência de centros de ensino de grau médio (particulares e públicos) e superior (exclusivamente públicos). O habitual era que as moças fizessem o que se chamava curso de Cultura geral, que consistia em noções de aritmética e geometria, história e geografia, um pouco de ciências naturais, gramática e língua espanhola ou religião. A presença de mulheres nas classes universitárias constituiu uma exceção até depois da Guerra Civil[30]. Até 1910 não podiam matricular-se na universidade como os homens e mesmo para assistir às aulas tinham que solicitar permissão por escrito ao reitor e ao professor da matéria, e, se ambos concordassem, era-lhes permitido participar. De qualquer forma, algumas não participavam mas estudavam como alunas livres. Quando começaram a assistir às aulas eram convidadas a sentar-se perto do professor, afastadas de seus colegas.

Não se considerava necessário, e era até mal visto, que uma mulher fizesse estudos secundários e menos, superiores; era por isso baixo o número de mulheres que tinham acesso à universidade. Este tipo de mentalidade existia inclusive em famílias de profunda raiz liberal que pagavam os estudos dos seus filhos homens, mas não os das filhas já que consideravam que seria uma perda de tempo e dinheiro porque, ao final, se casariam. Pensava-se que se uma mulher estudava, era porque precisaria trabalhar fora do lar, o que implicava – supostamente – dificuldades econômicas familiares. Esta situação começou a mudar bem lentamente ao longo dos anos da Segunda República[31]. A guerra de 1936 e suas consequências socioeconômicas, provocaram as condições que permitiriam que as mulheres começassem a participar de outra forma na vida política e econômica do país.

A extensão do ensino continuou a luta contra o analfabetismo que a Segunda República havia empreendido. Durante o pós-guerra, devido à carência de infraestruturas escolares destruídas pelo conflito bélico e à depuração política de grande número de membros do corpo do magistério e de professores de instituto, a educação – embora dirigida e controlada pelo Estado – ficou em mãos de centros particulares, pelo menos nas regiões urbanas e nos grandes núcleos de população rural. Esses colégios eram dirigidos por ordens religiosas tradicionalmente ligadas ao ensino tais como os escolápios e jesuítas para os meninos e Assunção e Sagrado Coração para as meninas. A educação separada entre meninos e meninas era evidentemente determinada pela lei e os costumes.

É de se notar que uma das preocupações fundamentais do governo de Franco foi dotar todos os espanhóis de uma educação básica. Foi assim que, em 1938, reformou-se a estrutura do bachillerato [ensino médio] para que tivesse sete anos de duração e levasse ao chamado Exame de Estado, uma revalidação que outorgava o título e permitia o acesso aos estudos superiores. Em 1943 foi reformado o regime dos estudos universitários; em 1945, o do ensino primário com a declaração da obrigatoriedade de ensino elementar; em 1949, a lei de Formação Profissional. Nos anos cinquenta foram feitas outras reformas parciais em cada nível educativo. Foi em 1970 que se promulgou na Espanha uma lei geral de educação, a Lei Villar Palasí. A anterior era a chamada Lei Moyano que remontava a 1857.

Durante os primeiros anos do franquismo levou-se a cabo a depuração das responsabilidades políticas dos antigos membros e simpatizantes do exército perdedor[32]. As represálias e suas consequências familiares incidiram não só sobre os processados, mas também sobre os seus descendentes[33], situação em que estavam algumas das adscritas mencionadas nestas páginas.

Uma vez apresentado sucintamente o marco histórico, focado na educação das mulheres, vamos apresentar as primeiras adscritas do Opus Dei. Para traçar o relato seguiu-se um duplo critério: cronológico e geográfico. A ordem das localidades foi determinada de acordo com a data em que a primeira adscrita da cidade ou região pediu admissão; indicamos depois todas as adscritas do território em questão. Esta decisão tem seus limites, pareceu-nos, porém, mais adequada para mostrar a difusão do Opus Dei por localidades, que se perderia se fosse seguido apenas um critério cronológico.

As adscritas de Valência: jovens profissionais

Valência foi a primeira cidade em que se iniciou a expansão apostólica do Opus Dei. Provavelmente foi escolhida porque lá havia uma universidade com muitos alunos[34]. Tinha-se tentado começar em 1936, mas o começo da guerra civil impediu-o. Terminada a disputa, foi precisamente em Valência que Escrivá publicou Caminho. Alfredo Sánchez Bella seguiu o longo e laborioso processo de publicação do livro[35], porque seu pai, Hipolito Sánchez Bella tinha uma empresa tipográfica familiar. Em agosto de 1939 foi possível abrir o primeiro centro na cidade, chamado “El Cubil”[36]. A Residência Samaniego, que tinha o nome da rua, abriu as portas no ano letivo 1940-1941[37]. O primeiro centro feminino do Opus Dei começou em 1949, ocupando-se principalmente da administração doméstica daquela residência.

A primeira mulher da qual temos notícia que começou a viver o espírito do Opus Dei como adscrita foi Elena Blesa Yanes[38].

Elena Blesa nasceu em Barcelona em 25 de março de 1925. Era a segunda de sete irmãos. Os filhos foram nascendo nos diferentes lugares para onda a família mudava, como consequência do trabalho do pai, Juan, que era comerciante. A mãe, Adela, era venezuelana. A família Blesa, tendo Elena pouca idade, estabeleceu-se em Caracas. Em 1934 a família voltou à Espanha, para Valência. Elena começou os estudos no colégio das teresianas, do Sagrado Coração.

Ao começar a Guerra Civil, muitos venezuelanos quiseram sair do país, inclusive a família Blesa. Juan Blesa foi nomeado então cônsul honorário na Espanha para coordenar a viagem para Venezuela. Os Blesa Yanes foram para Marselha para embarcar no Tucumán, barco que não chegou e tiveram que voltar à Espanha. Moraram durante uns meses em San Sebastián, em 1938 foram para Sevilha e em 1939 voltaram a Valência[39]. Pouco depois alguns membros da família conseguiram ir para Venezuela.

Elena Blesa, enquanto terminava o curso secundário, fez secretariado na Escuela de Estudios Mercantiles. Ela e sua irmã colaboravam na Ação Católica, nas Igrejas San Juan e Santo Ángel. Nesta última conheceu, em 1943, Encarnación Ortega, uma das primeiras valencianas da Obra, que a trouxe mais tarde ao Opus Dei. Elena pediu admissão em 15 de janeiro de 1949, com 24 anos e, poucos dias depois, no fim de janeiro ou começo de fevereiro teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Josemaria Escrivá[40].

Elena Blesa e Isabel Botas, numerária que morava na administração da residência Samaniego, reuniam-se com amigas na confeitaria da Plaza de la Virgen, ao lado da Basílica de Nuestra Señora de los Desamparados. Nesses encontros contavam também o que tinham aprendido sobre o Opus Dei. Elas e as amigas decidiram organizar um retiro que o padre Ignacio Echevarría pregou. Realizou-se em Alacuás, e participaram mais de vinte moças[41].

Há muitas cartas de Elena para Madri, desde o ano 1949 até 1953. São destinadas às numerárias que se encarregavam da formação das primeiras adscritas, como Guadalupe Ortiz de Landázuri, Carmina Camiselle, Rosario Orbegozo, María Ampuero. É também ampla a correspondência entre Elena Blase e algumas daquelas moças que frequentavam as atividades apostólicas da Obra. Depreende-se dessa correspondência que um grupo de quinze a vinte mulheres, a maioria jovens, participavam no trabalho apostólico desenvolvido pelas mulheres do Opus Dei. Proviam de Castellón, Águilas, Orihuela, Murcia[42]. As atividades se realizavam habitualmente aos sábados à tarde ou aos domingos bem cedo, para que nesse dia ficassem com suas famílias.

Quase todas essas jovens costumavam dar catequese no bairro operário de Cabañal em Valência; as que moravam em outras províncias – como no caso de Sergia Fernández Luna e Dolores Morales, de Murcia – faziam-no em suas paróquias[43]. Algumas delas incorporam-se ao Opus e outras seguiram outros caminhos.

Elena Blesa trabalhou como secretária na Academia Sindical dirigida pelo médico Vicente Poveda, depois em uma clínica e, em 1952, começou a trabalhar na livraria Ideas em Valência[44]. Em 1953 abriu uma livraria em Gandía (província de Valência) onde enfrentou vários problemas no início, embora tenha conseguido ir em frente. Blesa desenvolvia então uma atividade intensa[45], que lhe causou bastante cansaço e desgaste físico, teve uma importante sinusite (tinha adoecido de tuberculose durante a guerra). Precisou ir então a Barcelona para ser acompanhada por um médico especialista[46].

Dali foi morar em Madri com a sua mãe e dois dos seus irmãos; trabalhou durante algum tempo na livraria Neblí, que tinha sido inaugurada em 1951. Em 1958, mudou definitivamente para Caracas com a sua mãe e irmãos e juntou-se ao resto da família[47]. Nessa cidade trabalhou, até a aposentadoria, como secretária executiva em Texllana, uma indústria de tecidos. Faleceu na capital venezuelana, aos 91 anos, em 10 de outubro de 2016[48].

Entre as primeiras adscritas de Valência e cidades próximas, estão Josefina Calarcos Torres, Ana Fabregat Gutiérrez e Ana Sancho Vich que pediram admissão em 1952.

Josefina Calarcos Torres[49] era filha única de mãe viúva. Pediu admissão como adscrita em 2 de julho de 1952. Fez Curso de Magistério e, durante um tempo deu aulas particulares até que passou num concurso da prefeitura de Valência. Trabalhou lá durante quase quarenta anos, como Jefe de Negociado no que hoje seria o departamento de Serviços Sociais, onde dedicava seus esforços ao atendimento de pessoas necessitadas. Desenvolvia ainda atividades artísticas, musicais (tocava vários instrumentos) e arte dramática com suas amigas[50].

Ana Josefa Sancho Vich pediu admissão como adscrita em 15 de setembro de 1952[51]. Seu pai era um ilustre jornalista de Alcoy, diretor de um jornal. Sua mãe era de Barcelona. Tinha apenas um irmão. Fez o secundário francês, o que lhe permitiu dar aulas desse idioma no colégio Guadalaviar durante algum tempo. Depois fez jornalismo: foi a primeira mulher jornalista diplomada da Comunidade Valenciana. Teve que enfrentar trâmites burocráticos trabalhosos para conseguir que lhe dessem o título pelo fato de ser mulher[52]. Morou algum tempo em Madri. Trabalhou na Associação Valenciana da Imprensa e em vários jornais locais, concretamente Las Provincias e Levante, assim como na Rádio Nacional, onde se aposentou.

Ana Fabregat Gutiérrez era de Castellón[53]. Também era filha única e conheceu o Opus Dei através de um dos primeiros supernumerários da cidade[54], com cuja família tinha amizade. Fabregat pediu admissão ao Opus Dei com 22 anos em 11 de novembro de 1952. Era professora e exerceu sua profissão nas escolas de Vilar de Canes e Nules ambas da província de Castellón. Faleceu com 56 anos, vítima de câncer.

Amelia Orti García nasceu em Alcoy (Alicante) em 1923. Seu pai era engenheiro agrônomo e ajudou a família Blesa Yanes depois da Guerra Civil. Orti estudou na Escuela Oficial de Enfermería e fez estágio na Cruz Vermelha[55]. Em 1958, quando Elena Blesa se mudou de Valência a Madri, Orti assumiu a direção da livraria Ideas onde continuou trabalhando até a aposentadoria.

Amelia conhecia Elena porque estudou no colégio das teresianas do Sagrado Coração e começou a ajudá-la na livraria em seus momentos livres. Um dia encontrou uma colega de enfermagem e também amiga de Elena, Rosario Cabellos, que tinha um irmão do Opus Dei chamado Juan. Rosario Cabellos convidou-a a acompanhá-la várias vezes ao Centro do Opus em Valência, na rua Samaniego, para levar livros e roupas para o seu irmão. Pouco depois deu-lhe como presente Caminho de Josemaria Escrivá, que tinha sido publicado recentemente. Rosario convidou-a depois a participar num recolhimento na igreja de San Juan y San Vicente, pregado pelo pe. Juan Antonio González Lobato, sacerdote do Opus Dei[56]. Depois de conversar várias vezes com González Lobato, que lhe explicou detalhadamente o que era o Opus Dei, Amelia pediu admissão como numerária em 2 de agosto de 1951 e dois anos mais tarde ela o fez como adscrita, aos 29 anos.

As adscritas de Bilbao

O início do apostolado do Opus Dei em Bilbao remonta ao ano de 1945, quando foi aberto o primeiro centro na cidade, no apartamento emprestado na rua Correo, bairro velho e a Residência Abando[57]. Em 16 de setembro chegaram as moças da Obra que se encarregariam da administração da casa.

María Luisa Udaondo Barinagarrementeria foi uma das primeiras que pediram admissão no Opus Dei, concretamente em 26 de fevereiro de 1949[58]. Seu pai tinha negócios em Bilbao, seu irmão mais velho Juan, entrou para o Opus Dei como numerário e em 1949 ordenou-se sacerdote[59]. Os outros dois irmãos, Ignacio e María Teresa morreram muito jovens e a mãe, que tinha uma saúde delicada, sofreu um transtorno mental pelo que foi necessário interná-la em um centro especial em Palência. Pouco depois, após a falência dos negócios do pai decidiram mudar para León, de onde Maria Luisa ia com frequência visitar a mãe no hospital. Esses anos foram marcados por dificuldades e sofrimentos familiares.

Posteriormente, em 1952 ou 1953, Maria Luisa estabeleceu-se em Madri e começou a trabalhar em La Tienda, serviço organizado para o abastecimento de alimentos dos centros do Opus Dei da cidade. Centralizando as compras, conseguiam melhores preços e o trabalho nas Administrações ficava mais fácil. Maria Luisa trabalhou lá até a aposentadoria.

A segunda adscrita que pediu admissão em Bilbao foi Modesta Lejarza Arsuaga[60]. Vinha de uma família cristã que matriculou seus dois filhos num colégio religioso. O pai era decorador, pintor e faleceu cedo. Modesta, ao terminar os estudos secundários, fez curso de comércio e trabalhou, durante vários anos, como secretária na Fábrica Espanhola de Produtos Químicos e Farmacêuticos, em Bilbao. Assistia aos cursilhos organizados pela Ação Católica e costumava fazer retiro todo ano.

Conheceu o Opus Dei por volta de janeiro de 1953, através do pe. Jesús Urteaga[61], e com ele começou a ter direção espiritual. Modesta já havia lido Caminho e O valor divino do humano, que lhe tinham sido recomendados numa livraria de Bilbao.

Durante a Semana Santa de 1953 Modesta fez um retiro e falou com o sacerdote sobre as suas inquietações, pois achava que Deus a estava chamando para algo, embora soubesse muito bem, desde o princípio, que não era a vida conventual. Aquele sacerdote aconselhou-a a falar com seu diretor espiritual pois ele poderia orientá-la melhor. Ela o fez como recorda:

Voltei então à Administração de Gaztelueta e me explicaram o que era a vocação ao Opus Dei e no dia 25 de maio desse ano pedi admissão como adscrita... Não me explicaram muitas coisas naquele momento, ainda que tenha ficado claro para mim, desde o princípio, que era uma entrega a Deus e que eu continuaria a morar em minha casa e a trabalhar no mesmo lugar. Eu tinha 25 anos[62].

Anos depois mudou de trabalho: foi contadora em Itxaso, escola profissional feminina.

Rosario Borque Gallardo fez enfermagem e trabalhava de manhã como secretária no Departamento de Urbanismo da prefeitura de Bilbao e à tarde fazia radiografias no ambulatório da Seguridad Social. Pediu admissão como adscrita em 8 de janeiro de 1954[63].

Nesse mesmo ano em 14 de outubro Judith Herrero Micieces pediu admissão como adscrita[64]. Morava em Baracaldo, fez o curso de perito mercantil e trabalhou muitos anos como guia de turismo na Red Nacional de Ferrocarriles Españoles.

Saragoça: adscritas jovens e mais velhas; empregadas domésticas e universitárias

Depois da Guerra Civil começaram as viagens para dar a conhecer a mensagem do Opus Dei em Saragoça. Em concreto, foi José Maria Albareda de Herrera, natural de Sagaroça que em novembro de 1939 começou a tomar as primeiras providências, foi visitar o arcebispo, Mons. Rigoberto Domenech para falar-lhe dos cursos de formação cristã que Escrivá queria começar em sua diocese e receber a sua aprovação. No começo de maio de 1940 Escrivá pregou um retiro espiritual à juventude feminina da Ação Católica de Saragoça.

A partir de 1949 algumas moças da Obra começaram a ir a Saragoça de Madri para conhecer moças jovens. Aproveitavam também para visitar alguns sacerdotes que haviam tratado o fundador. De Saragoça foram também a outros povoados como Jaca, Huesca e Tauste.

Entre os sacerdotes que visitaram nessas primeiras viagens estavam Pedro Altabella e Joaquín Aznar. Este último era professor do Seminário e trabalhava no Centro Operário, frequentado por trabalhadoras manuais, escriturárias, empregadas de fábricas.

O número de moças que entrava para o Opus Dei foi aumentando com rapidez durante a década de 1950 graças àquelas primeiras viagens e aos sacerdotes adscritos da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz de alguns povoados da região[65].

Em 25 de setembro de 1950 abriu-se o primeiro centro feminino em Saragoça, a administração doméstica do Colegio Mayor Miraflores, aberto naquele ano letivo. Trabalhavam nas tarefas domésticas moças jovens vindas de povoados próximos, algumas das quais eram quase analfabetas e viviam situações familiares difíceis. Por isso, aconselhadas pelos sacerdotes e pela professora do povoado decidiam ir para a cidade em busca de melhores oportunidades e de recursos para melhorar suas condições de vida.

Foi o caso da primeira adscrita de Saragoça, Concepción Bergés Soro, nascida em Erla, em 27 de dezembro de 1934, no seio de uma família grande e pobre que trabalhava na agricultura. Seu pai era oficial de justiça e morreu na Guerra Civil. Concepción foi muito jovem para Saragoça onde começou a trabalhar na administração de Miraflores onde pediu admissão como adscrita em 19 de janeiro de 1951. Pouco tempo depois teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o fundador do Opus Dei, tendo-o visto também em duas outras ocasiões, maio e outubro do mesmo ano[66]. Num desses encontros Josemaria Escrivá encorajou-a a procurar uma casa, fora do colégio mayor onde aquelas moças jovens que começavam a conhecer a Obra pudessem receber formação. Começou assim um centro situado na rua Baltasar Gracián.

Concepción foi alguns anos mais tarde, em fevereiro de 1953, para Barcelona para trabalhar na recepção do Colegio Mayor Monterols[67]. Desempenhou esta e outras tarefas em diversos centros do Opus Dei em Madri, Bilbao e Pamplona até a aposentadoria[68].

Francisca de la Torre Gómez conheceu o Opus Dei por intermédio do pe. Pedro Altabella e pediu admissão como adscrita em 17 de março de 1952[69]. Havia feito estudos primários e sempre trabalhou em Miraflores.

No dia 12 de outubro de 1952, Consuelo Zazurca Casbas[70] incorporou-se ao Opus Dei como adscrita. Trabalhava como costureira, mas também trabalhou um tempo na biblioteca José Sinues, ligada a Ibercaja.

Algumas das moças que participavam dos meios de formação na administração do Colégio Mayor Miraflores eram universitárias ou já formadas. Uma delas era Manuela Pilar Solans Castro[71]. Depois dos estudos secundários fizera Magistério, trabalhou a seguir como professora em uma escola pública, mas pouco depois pediu licença para estudar Filosofia e Letras na Universidade de Saragoça, tendo obtido a licenciatura em 1952. Foi posteriormente para Madri para fazer o doutorado na Faculdade de Filosofia e Letras, em Geografia e História[72]. Enquanto preparava sua tese de doutoramento sobre povoação e geografia agrária, obteve uma vaga no Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) por concurso. Trabalhou lá até aposentar-se.

Manuela ouviu falar pela primeira vez do Opus Dei na Universidade de Saragoça por ocasião da presença do professor José Orlandis Rovira e de outros alunos membros do Opus Dei[73]. Foi Presentación Miralbés, numerária, filha de amigos dos seus pais, que a levou pela primeira vez a Miraflores e lhe propôs organizar umas aulas na administração, semelhantes às que a Ação Católica realizava. Tratava-se de ensinar a ler e a escrever a moças que chegavam à cidade vindas de diferentes povoados de Aragão, para trabalhar no serviço doméstico, permitindo-lhes conseguir um diploma oficial. Para tal projeto, Manuela poderia recorrer a seu pai, inspector jefe de educação primária. Manuela compaginava este trabalho de alfabetização com suas aulas na Universidade e começou além disso a ajudar nas tarefas domésticas de Miraflores[74].

Ao terminar os estudos universitários, Manuela assistiu a um retiro espiritual pregado por José Orlandis e a partir desse momento começou a assistir com maior regularidade às aulas de formação espiritual. Pediu admissão como numerária em agosto de 1952 embora no ano seguinte, em setembro de 1953, tenha passado a ser adscrita pois tinha uma irmã doente de quem devia cuidar[75].

Carmen Comín Gracia conheceu o Opus dei por ocasião de um retiro organizado pela Ação Católica. Tinha apenas o curso primário. Começou a trabalhar na recepção do Colegio Mayor Miraflores no início de novembro de 1950; pediu admissão como adscrita em 2 de outubro de 1953. Durante a sua vida continuou desempenhando a mesma tarefa em lugares similares: o Colegio Mayor Moncloa em Madri, La Alameda em Valência e a escola de formação profissional Almenara em Saragoça[76].

Desde outubro de 1952, foi se preparando a abertura de um novo centro feminino do Opus Dei em Saragoça, situado na rua Baltasar Gracián 14. As primeiras adscritas começaram logo a reunir-se lá para ter aulas e convidar suas amigas para essas aulas e outras atividades[77].

Entre essas moças, várias pediram a admissão como Pilar Ramírez Julián, que o fez no dia do seu 40º aniversário[78]. Havia estudado contabilidade e trabalhava numa empresa de cimento em Saragoça. Trinidad del Val Meléndez provinha de uma família simples de Odón. Seu pai morreu sendo ela muito jovem e aos 13 nos começou a trabalhar como empregada doméstica e posteriormente em fábricas. Pediu admissão em 18 de outubro de 1953 em Saragoça e logo começou a levar várias moças do seu bairro às atividades organizadas no centro da rua Baltasar Gracián, nº 14[79]. Trinidad dedicou-se a cuidar de sua mãe, de um tio e de um irmão sacerdote, que ela acompanhou por diferentes povoados da diocese.

No dia 6 de março de 1954, pediu admissão como adscrita María Pilar Giménez Mata aos 39 anos (meses antes havia pedido admissão como supernumerária); era a mais velha de cinco irmãs, uma das quais era numerária. María Pilar não fez estudos superiores, mas trabalhou na secretaria da Prefeitura de Saragoça até aposentar-se[80].

Carmen Sus Subirón estudou enfermagem em Huesca e trabalhou na Telefonica, em Barcelona; pouco depois solicitou mudança para Saragoça onde morava a sua família. Lá conheceu o Opus Dei e pediu admissão em 20 de janeiro de 1955[81]. Viveu, no entanto, quase toda sua vida em Pamplona, tendo ido para lá quando começou a Clínica Universidad de Navarra, onde trabalhou muitos anos como supervisora geral.

María Luisa Echevarría Mareca conhecia a Obra através do seu irmão Fernando, numerário, que foi morar na Alemanha muito jovem. Ela pediu admissão como adscrita em 14 de fevereiro de 1955[82]. Trabalhou como funcionária administrativa na Confederación Hidroeléctrica del Ebro.

Pouco depois, Ascensión Forniés Baigorri, advogada, doutora em Direito e professora na Universidade de Saragoça, incorporou-se ao Opus Dei[83]. Pediu admissão como adscrita em 19 de abril de 1955. Dedicou-se à tarefa docente e de pesquisa, compaginando-a com trabalhos na direção na Caja de Ahorros de Saragoça, Aragão e Rioja (futura Ibercaja). Trabalhou também como advogada.

Alicia Servilla Benedicto conheceu a Obra muito jovem e logo pediu admissão como adscrita, em 19 de maio de 1955, quando tinha apenas 15 anos[84]. Formou-se em Artes aplicadas e trabalhou no banco indo morar em Barcelona alguns anos depois.

Otilia Martínez Gil dedicou-se a vida inteira a cuidar dos seus dois irmãos sacerdotes seguindo-os para onde o bispo os enviava; pediu admissão como adscrita em 23 de novembro de 1955[85].

As primeiras adscritas de Madri: de 22 a 47 anos

Zurbarán, centro feminino do Opus Dei, iniciou suas atividades em 1945 e dois anos mais tarde, em setembro de 1947 passou a ser residência universitária[86]. Em 1957 a Residência Zurbarán foi reconhecida oficialmente como Colegio Mayor Universitario pelo Estado espanhol. Esse passo de 1947 foi um desafio, pois apenas 13,7% dos universitários espanhóis eram mulheres. Achava-se muito estendida entre as famílias a visão de que se podia prescindir da educação superior das filhas. A residência começou pequena, com trinta vagas, e escassos meios econômicos.

A primeira diretora (setembro de 1947 – janeiro de 1950) foi Guadalupe Ortiz de Landázuri, formada em Ciências Químicas. Foi substituída por Mercedes Morado, formada em Pedagogia (janeiro – setembro de 1950). E desde então até 1955, Gloria Toranzo F., formada em Filologia Clássica.

Além das atividades programadas para as residentes, havia outras abertas a moças jovens, universitárias ou não. Ao lado das aulas de formação doutrinal e espiritual, não faltavam audições musicais, conferências e cine-fórum. O pe. José María Hernández Garnica era o encarregado do atendimento sacerdotal tendo sido depois substituído por Ignacio Obergozo.

Entre as prioridades do conselho de direção da residência estava, como havia indicado Escrivá, o atendimento individual das universitárias residentes e das que frequentavam as atividades, para oferecer-lhes orientação profissional, humana e espiritual de categoria. Esse esforço produziu frutos atraindo outras universitárias que não moravam na residência. As jovens que frequentavam Zurbarán provinham não só de Madri, mas de outras localidades próximas.

A primeira que pediu admissão como adscrita em Zurbarán foi Carmen Toranzo Iglesia. Era a terceira de três irmãos. Nasceram gêmeas, num parto complicado no qual morreram a sua mãe e a irmã. A falta de oxigenação no cérebro produziu uma paralisia cerebral que afetou o aparelho locomotor e a deglutição. Esta deficiência durou a vida inteira, mas não a impediu de ter uma vida bem normal, suportando sempre com serenidade suas limitações físicas. Quando o seu pai morreu, uns tios que não tinham filhos adotaram-na.

Carmen tinha três primas numerárias que lhe deram a conhecer o Opus Dei no final dos anos quarenta: Gloria, Esther e Lourdes Toranzo Fernández. Foi Lourdes que lhe disse em setembro de 1950, que se podia ser do Opus Dei e continuar morando na própria casa e não em um centro[87]. Carmen pediu admissão como adscrita em 14 de fevereiro de 1951[88]. Tinha então 24 anos, estudava Filosofia e Letras na Universidade Central de Madri. Anos mais tarde fez Direito a distância. Gostava muito de ler, de música e cinema[89]. Foi professora de latim durante vários anos no Colegio del Santo Ángel, onde morava uma tia e uma irmã, Milagrosa, ambas religiosas desse colégio.

A seguinte em pedir a admissão como adscrita em Zurbarán foi Concepción Sandino Arroyo: escreveu a carta de petição em 8 de outubro de 1951, aos 23 anos[90]. Ia à Missa com certa frequência na residência e lá assistia assiduamente meditações e palestras sobre vida cristã.

Concepción trabalhou no começo da livraria Neblí, quando esta estava localizada na rua Ferraz, n. 20, esquina com a rua Luisa Fernanda, em Madri. Sua função era enviar livros a todas as províncias e durante o verão costumava ir a Castro Urdiales, na província da Cantábria, com a família para descansar. Mais tarde, Concepción prestou concurso para a Administração do Estado e trabalhou como funcionária do Ministério de Informação e Turismo. No final da vida dedicou-se com esmero a cuidar da mãe doente e de seu irmão, até que faleceram.

Josefina Escós Enciso conheceu o Opus Dei em 1951 através de um dos seus irmãos que ia de vez em quando ao Colegio Mayor La Moncloa[91]. Josefina foi à Residência de Zurbarán com sua irmã Natividad. Começou logo a assistir aulas para jovens às quais ia também Concepción Sandino e a ter direção espiritual com o pe. José María Hernández Garnica. Josefina pediu admissão em 2 de fevereiro de 1952, quando tinha 27 anos. Seu pai, que havia falecido em 1950, era inspector de trabajo. Ela trabalhava então como secretária do seu cunhado no Instituto Nacional de Previsón; antes havia feito enfermagem em Madri, mas só começou a exercer essa profissão quando foi a Pamplona no ano letivo 1955-1956 para trabalhar como enfermeira na Clínica Universidad de Navarra. Alguns anos depois foi a Paris para especializar-se em pediatria[92]. Aposentou-se na Clínica e atualmente (setembro de 2018) continua residindo na cidade navarra.

Mercedes Pérez de Madri tinha grandes inquietações sociais e estudou para trabalhar como Assistente social (naqueles anos não constituíam estudos superiores). Pediu admissão no Opus Dei em 5 de agosto de 1952[93]. Deu catequese no bairro Valdebebas em Madri e passou também uma temporada na Alemanha atendendo os imigrantes, quando já era da Obra. Na volta a Madri colaborou ativamente no Escritório de cooperadores que se implementou para ajudar economicamente os primeiros colégios impulsionados por Fomento de Fundaciones de Educación. Teve câncer e morreu em 1973.

Concecpión Caubet Iturbe pertencia a uma família de recursos[94]. Seu pai era registrador de propriedad; ela era a quarta de sete irmãos (três mulheres e quatro homens, um dos quais religioso dos Sagrados Corações). Desde jovem era piedosa e tinha direção espiritual com um sacerdote daquela instituição. Tinha 32 anos quando conheceu a Obra por intermédio de dois de seus irmãos que já eram supernumerários. Eles a animaram a ir a Zurbarán onde logo começou a assistir palestras sobre a vida cristã e a ter direção espiritual com um dos sacerdotes da Obra. Participou de um retiro espiritual pregado pelo pe. Ignacio Obergozo em 1952 em Molinoviejo. Pediu admissão no Opus Dei em 25 de dezembro de 1952, aos 34 anos.

Concepción dependia da sua família; como ela mesma afirma, “não tinha profissão, não trabalhava, porque fui uma menina de família abastada e naquela época só fazíamos estudos elementares. As mulheres também não trabalhavam. Eu morava então com meu pais e meus irmãos, exceto Marichu que já se tinha casado e outro irmão que era frei”[95].

Ao tomar conhecimento de que, como membro do Opus Dei, devia santificar-se com seu trabalho, começou a procurar um, o que não era fácil, sobretudo por sua idade e falta de estudos. Trabalhou como secretária de um jornalista sul-americano durante um mês e posteriormente de um político: Luis María Huete. Algum tempo depois, prestou um concurso, obteve um cargo na Dirección General de Seguridad, onde permaneceu até a aposentadoria. Morreu em 2015.

Piedad de la Cierva Viudes nasceu em Murcia em 1913. Seu pai, Juan de la Cierva López, era doutor em Direito e “percebeu que a situação da mulher ia mudar e decidiu educar-me de modo adequado Embora não houvesse mulheres na Universidade, eu já sabia aos 8 anos que ia ser farmacêutica”[96].

Piedad cursou os quatro primeiros anos de escola com professores em casa, e os dois restantes num instituto. Decidiu junto com o pai que faria química em Valência (1928). Em 1932, com apenas 19 anos, já era formada em Ciências Químicas. Mudou-se para Madri para fazer o doutorado na Universidade Central. Enquanto estudava, e até 1936, trabalhou no Instituto Nacional de Física e Química na seção de RX. Morava numa residência de estudantes dirigidas pelas teresianas e que fora recém-inaugurada. Em 1934 já havia feito as matérias de doutorado e defendeu sua tese: tinha 21 anos. Pouco depois seu pai, que tinha sido professor e secretário geral da Universidade de Murcia foi designado para o Ministério da Educação e toda família mudou para Madri. Em 1935, graças a uma bolsa, foi a Copenhague, para trabalhar no Instituto de Pesquisas Atômicas dirigido pelo professor dinamarquês Niels Böhr.

Pouco depois de ter voltado de Copenhague, em julho de 1936, começou a Guerra Civil espanhola e durante os primeiros meses, ela e sua família estiveram escondidos na embaixada da Noruega[97]. Em outubro de 1937, conseguiu sair de Madri com sua mãe e irmãos menores. Depois de um longo caminho, a família chegou a Sevilha onde Piedad conseguiu trabalho como professora de Física e Química no Instituto de Osuna, durante os dois anos seguintes. Terminada a guerra, em outubro de 1939, trabalhou no Instituto de Ótica, que dependia do Instituto Superior de Investigaciones Científicas e pouco depois foi para o Instituto Nacional de la Marina como civil contratada pelos ministérios militares até a aposentadoria em 1975.

Em 1941, houve concursos para assumir cátedra e Piedad concorreu aos de Química- Física nas Universidades de Madri, Sevilha e Murcia; não conseguiu ter sucesso em nenhum; “Algum tempo depois o então Ministro da Educação, Ibañez Martín, que era muito amigo de meu pai, disse-lhe que havia um acordo prévio de Faculdade segundo o qual mulheres não entrariam, a menos que se tratasse de fenômenos e que se eu quisesse concorrer a uma cátedra de Instituto não haveria problema em consegui-la”[98]. Ela preferiu não tentar de novo e continuou trabalhando onde estava.

Em 1951, Piedad de la Cierva conheceu Zurbarán, aonde ia algumas tardes ao sair do laboratório. Conversava com Gloria Toranzo, ajudava nas tarefas de costura e começou a confessar-se com o pe. José María Hernández Garnica.

Piedad decidiu ser adscrita. Em virtude do trabalho e da situação da família tinha que morar com seus pais. Tomada a decisão de pedir admissão no Opus Dei, comunicou-a a seus pais, uns dias antes do Natal de 1952 e depois escreveu a carta para pedir a admissão.

Em novembro de 1959 Piedad obteve uma bolsa para ir a Paris a um congresso sobre “Natureza das superfícies polidas de vidro” organizada pela Union Scientifique Continental du Verre. Quando Escrivá soube disso, comunicou-lhe que teria muito gosto em recebê-la em Roma[99].

“Perguntou-me sobre meu Congresso de Paris. Não quis fazê-lo perder tempo falando disto e só comentei que estava indo bem. (...). Disse-lhe que ia embora aquela tarde e perguntei-lhe o que achava de eu trabalhar onde estava ou se preferia que eu fizesse outra coisa. Levantou então a mão com muita vivacidade (reparei então, pela primeira vez, em suas mãos, tão expressivas, que vimos depois muitas vezes em tertúlias e finalmente em seus quadros como bem-aventurado) e me disse: ‘De forma alguma, tua vocação profissional é claríssima e podes dar muita glória a Deus se lhe ofereceres teu trabalho e o realizares em sua presença’ e depois, em tom de brincadeira, ‘além disso gosto muito de ter uma filha sábia’”[100]. Piedad morreu em 2007.

Mercedes Novoa Larrañaga nasceu em Reinosa (Cantábria), embora tenha vivido a maior parte de sua vida em Madri. Era filha única. Sua mãe faleceu cedo de modo que ela viveu com seu pai. Pediu admissão em 16 de maio de 1953, em Zurbarán, aos 47 anos. Havia feito um curso de decoração em Paris e em sua casa dedicou-se a revestir móveis que serviriam para os novos centros do Opus Dei. Morou sempre em Madri, exceto nos últimos anos de sua vida quando foi para Alicante, pois o clima era benéfico para sua asma. Morreu em 1988[101].

Mercedes Silvestre Real nasceu em uma família de profundas raízes cristãs. Seu pai era farmacêutico, ela tinha quatro irmãos, dois dos quais religiosos. Fez Magistério e Enfermagem; trabalhou como enfermeira em sua cidade Natal até que mudou para Madri. Conheceu o Opus Dei quando participou de um retiro ao qual foram colegas suas do colégio, que frequentavam a residência de Zurbarán. Pediu admissão na Obra no dia 24 de maio de 1953, com 22 anos[102]. Durante alguns anos trabalhou numa residência de estudantes e depois instalou uma casa para eventos e festas de casamento perto de Madri, no povoado Navalagamellia, chamada Los Enebros. Cuidou de um de seus irmãos que tinha câncer; ela morreu dessa doença em 2006.

Outra adscrita desses anos foi Juana María del Castillo Bravo que nasceu em Madri em 2 de julho de 1931. Era a filha mais nova de uma família de 14 irmãos. Uma de suas irmãs, Concepción, era numerária. Seu pai era militar e foi fuzilado em 1936 no começo da Guerra Civil. Juana fez Magistério, Filosofia e Letras e Psicologia na Universidade Central de Madri. Era uma mulher muito culta e otimista, dedicou-se ao ensino.

Começou a frequentar a residência de Zurbarán em 1949, com um grupo de amigas da Faculdade para ter aulas de latim e grego. Logo começou a participar também das aulas de formação cristã. Primeiro pediu admissão como numerária, pois via claramente que o Opus Dei era para ela. Mais tarde propuseram-lhe a incorporação como adscrita, devido à sua situação familiar. Foi admitida como adscrita no verão de 1953[103].

Concepción Iglesias Jiménez nasceu em Segóvia em 1928 numa família de oito filhos; seu pai era comerciante e possuía negócios em Burgo de Osma. Ela pensava estudar Química, mas adoeceu com tuberculose e não pôde fazê-lo. Embora tenha conhecido o Opus Dei em Segóvia, pediu admissão como adscrita em Madri no dia 13 de maio de 1954, com 25 anos[104].

Um tempo depois, por intermédio de uma pessoa conhecida da família, ofereceram-lhe um interessante projeto para iniciar uma escola de formação para a mulher em um povoado de Navarra, Corella. Concepción foi antes a Barcelona para formar-se adequadamente na tarefa que ia levar a cabo. De Corella viajava a localidades próximas como Vitoria, Logronho ou Soria para dar a conhecer a mensagem do Opus Dei. Tinha os meios de formação espiritual em Pamplona e com o tempo instalou-se definitivamente na capital navarra. Conseguiu trabalho na Faculdade de Ciências da Universidade de Navarra, depois colaborou no Departamento de Relações Públicas da mesma até a sua aposentadoria. Reside atualmente em Pamplona (setembro de 2018).

María Isabel Sabater Travado e Pilar Jáudenes Traid eram funcionárias da administração pública. Trabalharam durante vários anos na Presidencia del Gobierno e no Consejo Superior de Investigaciones Científicas. Ambas pediram admissão como adscritas em 1954[105].

María Isabel havia estudado num colégio de religiosas – as irmãs do Menino Jesus, conhecidas como as Damas Negras – e tinha direção espiritual com um sacerdote franciscano. Ela soube do Opus Dei por seu irmão José Antonio, um dos primeiros numerários. Em 1950 começou a trabalhar na parte da manhã no Instituto Nacional de Estatística e à tarde no CSIC onde conheceu Pilar Useros que morava em Zurbarán.

María Dolores García del Barrio Ambrosy nasceu em Jerez de la Frontera (Cádiz) em 1925. Sobre seus estudos, ela mesma narra:

“Eu era de uma família andaluza abastada com pouca tradição intelectual, mas apesar disto eu quis estudar e vários anos depois de ter saído do colégio onde não havia feito nada de proveito, só perder tempo, decidi que queria trabalhar, como já começavam a fazer algumas moças de ‘boa família’ em ministérios ou em outras empresas. Em minha casa, é claro que não me deixavam. Minha mãe dizia que seria uma vergonha quando fosse a Sanlúcar de Barrameda, sua cidade natal, e que soubessem que ‘eu começara a trabalhar’, que as pessoas iam pensar que nos tínhamos arruinado (...) ou que meu pai, que era engenheiro agrônomo não ganhava o suficiente para manter-nos”[106].

María Dolores estudou taquigrafia, datilografia e recordou seus conhecimentos de francês em uma academia, preparou o concurso para entrar na Escuela de Peritos Agrícolas. Começou esses estudos, mas não os terminou e preparou o concurso para o Instituto Nacional de Semillas y Plantas de Vivero, organismo autônomo que dependia do Ministério da Agricultura, onde trabalhou de 1953 até 1990.

Ficou sabendo do Opus Dei por intermédio de uma amiga que a convidou à residência Zurbarán, para uma palestra de um sacerdote em 1954. María Dolores pediu admissão como adscrita em 15 de julho de 1955[107].

Engracia Asenjo Jordán, madrilena, pediu admissão no Opus Dei em 1955, aos 28 anos. Tinha- se formado em Pedagogia na Universidade de Madri e mais tarde estudou Ciencias de la Información na Universidade de Navarra. Foi diretora da agência de notícias Ecopress e redatora chefe das revistas Ama e Telva, que pertenciam à mesma empresa editorial. Durante algum tempo foi inspetora de Ensino Fundamental[108] e dirigiu nos seus começos a Escola Profissional Besana, centro de formação para mulheres de escassos recursos em Pueblo Nuevo, bairro operário de Madri, aberta em 1967.

María Dolores Trejo Díaz era funcionária administrativa, não havia realizado estudos universitários. Conheceu mais de perto a mensagem do Opus Dei num retiro pregado por um sacerdote da Obra. Pediu a admissão como adscrita em 9 de novembro de 1955. Morreu bastante jovem de câncer[109].

María del Carmen Jáudenes Traid não fez curso superior porque não era habitual entre as moças de seu nível socioeconômico. Trabalhou como bibliotecária no Archivo General de la Administración Pública em Alcaláde Henares. Conheceu a Obra por intermédio de sua irmã Pilar à qual nos referimos acima. Pediu admissão como supernumerária e poucos meses depois como adscrita, com 25 anos[110].

As primeiras adscritas de Cáceres

Concepción Álvarez Jusué nasceu em Cáceres em 1905. Conheceu o Opus Dei por intermédio de seu primo Teodoro Ruiz Jusué, sacerdote numerário, que havia comentado com ela que para ter informações da seção feminina devia dirigir-se diretamente às mulheres da Obra.

Conservam-se duas cartas nas quais Concepción pediu informações à diretora da Residência Zurbarán (Madri) em 1951. Na primeira, de janeiro, dizia que já havia lido Caminho e que o lia sempre[111]. No mês de abril voltou a escrever a Zurbarán dirigindo-se à diretora Gloria Toranzo. Perguntava-lhe como ingressar no Opus Dei (pensava que se tratasse de uma ordem religiosa), as exigências e os compromissos que isso trazia consigo. Tinha 43 anos e estava há 17 anos trabalhando no Ministério da Fazenda num cargo obtido por concurso. Indicava que seus problemas eram muitos, mas que não se referiria a eles por correspondência[112]. Em 25 de junho de 1951, depois de várias tentativas, Concepción foi a Madri para conversar com Gloria. A partir deste momento as cartas foram semanais durante vários meses, até 10 de dezembro quando Concepción pediu admissão. Foi a primeira adscrita em Cáceres. Nesses anos e durante bastante tempo ela morava com uma senhora com a qual não tinha nenhuma relação familiar e de quem cuidava pois tinha uma saúde precária. Concepción faleceu de forma inesperada em 1980[113].

Juana María Durán Andrade era professora e pediu admissão em 30 de junho de 1953, com 36 anos[114]. Temos muito poucas referências dela. Era uma mulher de muita iniciativa e chegou a montar dentro da escola onde trabalhava, uma escola de lar e cultura com moças jovens para lhes dar formação religiosa depois de seu horário de trabalho.

Carmen Chapín Baños pediu admissão em 9 de janeiro de 1954, tinha então 26 anos[115]. Seu pai faleceu logo, sua mãe ficou viúva com vários filhos pequenos. Ela trabalhava então em uma fábrica de sacolas de papel. Em 1957 a família mudou para Saragoça, pois Carmen tinha lá mais facilidade para trabalhar e poder assistir os meios de formação da Obra. Ela trabalhou em uma loja de roupa infantil e em uma fábrica de colares. Vários anos mais tarde também atendeu a portaria da residência Miraflores em Saragoça[116].

A primeira adscrita de Salamanca: uma mulher em uma empresa de transportes

Em 1945, Escrivá fez algumas viagens a Salamanca para pregar vários retiros espirituais a jovens (universitários e operários), de ambos os sexos. Teve também alguns encontros com representantes da Ação Católica. Fez ainda conferências no seminário diocesano, aos propagandistas, às jovens da Ação Católica, aos josefinos operários diocesanos[117].

María Calzada Berrocal era a mais nova de seis irmãos. Seu pai era ferroviário e por este motivo viajou por diversas zonas da Espanha. O ambiente cultural em sua família era alto pois havia muito gosto pela música e pelos idiomas. Nos anos sessenta fez cursos de francês e inglês, depois estudou Comércio. Trabalhou – até a aposentadoria – na empresa Avia de gestão e venda de furgões, tratores, caminhões, em Salamanca; ela se encarregava da contabilidade e do atendimento aos clientes.

Pediu admissão na Obra, como numerária, quando tinha 24 anos; e no ano seguinte março de 1953, voltou a pedi-la como adscrita. Apesar da saúde delicada faleceu com 88 anos[118].

A primeira adscrita de Sevilha, historiadora e professora na universidade

A primeira adscrita de Sevilha foi Lourdes Díaz-Trechuelo López Spínola. Nasceu em Sanlúcar de Barrameda (Cádiz), em 11 de fevereiro de 1921[119]. Era a primogênita de uma família Sevilhana de profundas raízes cristãs. Seu pai trabalhava na Caja de Ahorros da Andaluzia Ocidental e posteriormente no Instituto Nacional de Previsión e moravam habitualmente em Sevilha perto do colégio das Escravas do Divino Coração, congregação fundada por seu tio, o beato Marcelo Spínola.

Lourdes Díaz Trechuelo na Biblioteca da Universidade de Córdoba. Foto cedida pela Universidade de Navarra.Lourdes Díaz Trechuelo nunca frequentou o colégio, pois seus pais preferiram que tivesse uma professora particular. Sua mãe ensinava-lhe o catecismo. No ano escolar 1932-33 começou a estudar como aluna livre, contra a opinião de seus pais. Sua professora matriculou-a no primeiro e segundo de secundário no único Instituto Nacional de Segunda Enseñanza que havia então em Sevilha. Foi aprovada em todas as matérias e terminou o curso em janeiro de 1937.

O início da Guerra Civil pegou a família passando o verão em Sanlúcar. Sevilha desde o primeiro momento ficou na zona nacional. Lourdes colaborou, com outras mulheres sevilhanas no Parque de Artillería, na confecção de sacolas de musselina escura que serviam de cargas de projeção de artilharia. Isso a livrou de ter que fazer o Serviço Social obrigatório para todas as mulheres entre 16 e 30 anos exigido para poder matricular-se na universidade, ter um trabalho e inclusive para casar[120].

Lourdes Díaz-Trechuelo conseguiu passar, com honra ao mérito, no exame de acesso à universidade, em agosto de 1939, o que permitia não pagar o primeiro ano do curso que escolhesse. Ela gostaria de ter feito Matemática, curso que não havia na universidade e Sevilha e não quis ir a Madri para evitar gastos a seus pais. Decidiu, então, matricular-se em Filosofia e Letras. Embora tivesse apenas 18 anos e tempo para terminar os estudos preferiu usufruir das vantagens do final da guerra e optou pelos cursos intensivos, fazendo dois anos em um, como outros estudantes universitários. Em junho de 1942 terminou o curso de Filosofia e Letras, tendo feito História com a qualificação excelente.

Durante o ano letivo 1939-1940, ingressou na Ação Católica, encarregou-se da direção do curso noturno para operárias, o que foi sua primeira experiência docente. Teve seu primeiro trabalho, embora sem remuneração, no departamento de Geografia e História, no Instituto Murillo, como auxiliar.

Em setembro de 1942, matriculou-se na Escuela de Estudios Hispanoamericanos da Universidade de Sevilha que Rodríguez Casado havia inaugurado[121]. Durante esse ano acadêmico continuou com as aulas no Instituto e com as atividades da Ação Católica. No ano letivo seguinte, 1943-1944, obteve o Diploma en Estudios Americanos e começou a preparar sua tese de doutoramento no Archivo de Indias.

Começou ao mesmo tempo a dar aulas no colégio das Escravas do Divino Coração no qual permaneceu durante 14 anos, lecionando primeiro Geografia e História e depois também Filosofia.

Em 1944 o cardeal Segura de Sevilha promoveu na arquidiocese missões gerais nas quais, Lourdes, como vice-presidente da Juventude feminina da Ação Católica, colaborou ativamente. Ao terminar, decidiu procurar outro emprego mais estável e renunciou ao cargo na Ação Católica para poder dedicar-se à preparação do concurso para a cátedra de Geografia e História de Instituto, fixado para fins de setembro de 1945. Fez o concurso, mas não passou pois não teve muito tempo para estudar já que nessa época uma sua tia adoeceu gravemente e depois seu pai, e ela teve que cuidar deles. Em fevereiro de 1949 chegou às suas mãos a Folha Informativa sobre a vida e fama de santidade de um dos primeiros membros do Opus Dei, Isidoro Zorzano Ledesma, falecido em Madri em 15 de julho de 1943, cujo processo de beatificação havia sido aberto em 1948. Lourdes continuava em contato com a Ação Católica: fazia retiro todos os anos e era assinante da revista Ecclesia. Foi nela que leu um dia que a Santa Sé havia aprovado o Opus Dei, em 16 de junho de 1950, assim como outros artigos sobre a instituição[122]. Intrigada, começou a procurar mais dados sobre o Opus Dei, do qual não havia ainda nenhum centro em Sevilha. Por intermédio de seu professor Rodríguez Casado obteve um contato epistolar. Começou a corresponder-se com outras pessoas da Obra e em 29 de janeiro de 1953 pediu admissão como adscrita.

Defendeu a tese em janeiro de 1955, na Universidade de Madri[123]. Sua longa e intensa vida profissional transcorreu em Sevilha com viagens a Granada, depois de obter o cargo de Professora Adjunta de História da América na Universidade de Córdoba, e por razões profissionais, viajou por todo mundo, dando conferências e participando em congressos de sua especialidade. Mais à frente passou a ser Catedrática por concurso. Morreu em Sevilha em 16 de março de 2008.

As adscritas de Girona

O começo do Opus Dei nessa província data de 1951. Em 8 de novembro de 1951 Florencio Sánchez Bella, sacerdote do Opus Dei, viajou a Girona, para encontrar-se com jovens que havia conhecido em Madri. Nas viagens para essa cidade Sánchez Bella conheceu a família Vila. O pai era médico e tinha 8 filhos.

Bem cedo, todas as irmãs Vila Burch conseguiram formar um grupo de doze moças para ouvir o sacerdote do Opus Dei. Além das irmãs María Ángela, Montserrat, Lía e Remedios, estavam Esperanza Castellar, María Lledó, Ana María Cánovas, Josefina Bigas, Montserrat Guardiola e Ana María Muñoz. Montserrat Amat, que morava em Barcelona, começou a ir com frequência e conheceu aquelas jovens inquietas.

Montserrat Vila Burch sofria de uma doença respiratória e devia ficar longas temporadas na cama. O pe. Florencio Sánchez Bella animava-a a aproximar suas amigas de Deus. Ela participava ativamente em sua paróquia e dava catequese num bairro pobre onde havia muitos imigrantes.

Chegou a ser presidente de uma associação que foi constituída para coordenar aquele trabalho social. Lá conheceu outras moças como Montserrat Dalmau Corominas que era secretária nessa associação. Montserrat Vila pediu admissão como adscrita em 16 de março de 1953. Tinha 26 anos[124].

Montserrat Vila deu início à livraria Ampuries, a primeira na Catalunha de uma cadeia que havia começado pouco antes em Madri (chamada Neblí) e em Valência (Ideas). Quando Montserrat Guardiola substituiu-a, ela começou a trabalhar no consultório dentário de seu irmão e a ajudar ainda a melhorar a situação econômica da família fabricando malhas a máquina.

Montserrat Dalmau Corominas conheceu a Obra através de um sacerdote do Opus Dei, Enrique Pelach. Ela havia feito curso de comércio e trabalhava como telefonista na Telefónica, quando pediu admissão como adscrita em 28 de agosto de 1954[125]. Tinha 30 anos[126].

María Cos Arnau era professora em um povoado rural da província da Girona, quando pediu admissão como adscrita em 22 de setembro de 1954; tinha 22 anos[127].

Montserrat Guardiola Rovira estudou contabilidade. Fez o serviço social e mais tarde conseguiu trabalho como secretária no escritório de um arquiteto, Joaquím Masramón, um dos primeiros supernumerários da cidade. Depois foi trabalhar na livraria Ampuries onde permaneceu durante mais de trinta anos. Conheceu a mensagem do Opus Dei através de Caminho de São Josemaria Escrivá e O valor divino do Humano de Jesús Urteaga. Assistiu em Barcelona a um retiro pregado pelo pe. Amadeo de Fuenmayor e pediu admissão como adscrita em 27 de maio de 1955, tinha então 31 anos[128].

Montserrat Mataró Plana, nascida em 11 de novembro de 1923 em Sant Feliú de Buxalleu, povoado de Girona, trabalhava na livraria Ampuries quando conheceu o Opus Dei por intermédio do pe. Andreu Bachs, que atendia confissões na catedral. Pediu admissão em 8 de outubro de 1954, então com 30 anos. Trabalhou depois em uma farmácia.

Mercè Masó Llunes nasceu em Barcelona em 1934, mas passou quase toda a vida na Girona. Pediu admissão como adscrita em 17 de abril de 1955. Seu pai era professor e fundou um colégio em Sant Feliú de Guixols, expropriado pelos republicanos durante a Guerra Civil. Ao terminar a disputa também foram perseguidos pelos franquistas por seu nacionalismo catalão. Mercè Masó fez curso universitário de Direito e trabalhou como conselheira de bem-estar social da Generalitat em Girona. Era uma mulher de prestígio apreciada tanto pelos catalanistas quanto pelos franquistas. Faleceu em 2007, vítima de um súbito mal[129].

Carmen Guitart Crosas nasceu em 9 de junho de 1936, pouco antes do início da Guerra Civil. Pediu admissão como adscrita em 21 de novembro de 1955. Desde muito jovem morou com seu irmão Juan, sacerdote diocesano que pertencia à Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, até a morte deste. Depois morou em Girona, em um apartamento amplo onde organizou uma pequena residência de estudantes. A partir de então, Carmen trabalhou esporadicamente na administração de alguns centros de pessoas jovens do Opus Dei.

As primeiras adscritas de Granada: três mulheres com estudos superiores

Em Granada, os primeiros membros da Obra abriram uma residência de estudantes, Albaycín.

María Gracia Villoslada Montilla fez curso de perito mercantil e trabalhava no Instituto Nacional de Previsión quando conheceu o Opus Dei. Pediu admissão na administração da residência El Albaycín, em 12 de junho de 1953. Morreu de câncer em 1961[130].

Marina Cabrera Fernández nasceu em 1921 em Granada, fez curso de Ciências Químicas. Pediu admissão como adscrita em Granada no dia 8 de dezembro de 1953[131]. Obteve cátedra de Ciências Químicas de Instituto em Algeciras, província de Cádiz. Anos depois, na década de setenta mudou para Madri para dirigir um novo colégio, obra corporativa do Opus Dei: Senara. Vinte e dois anos depois voltou ao ensino público indo morar em Gijón. Dali foi para Soria, Madri e terminou seus dias em Cádiz no final de 2008[132].

Carmen Serrano Quevedo pediu admissão como adscrita em 25 de dezembro de 1955, com 24 anos. Fez Magistério e trabalhou muitos anos como funcionária do Ministério da Fazenda[133].

Em Barcelona: três jovens inquietas em 1954

No dia 30 de dezembro de 1939, acompanhado por Álvaro del Portillo, Escrivá foi a Barcelona onde ficou apenas um dia para assentar as bases do que seria o trabalho do Opus Dei naquela cidade[134]. Depois dessa primeira viagem relâmpago, durante todo o ano acadêmico 1940-1941, Escrivá animou a que continuassem, a partir de Valência, o apostolado com os jovens que tinham conhecido.

Durante os anos 1942-1945, nos quais Francisco Botella teve que morar em Barcelona, suas duas irmãs Josefina e Enrica ficaram com ele. Durante aquela temporada em Barcelona, Enrica, que era do Opus Dei como seu irmão, foi dando a conhecer a mensagem de santificação na vida diária por intermédio de suas amigas. O primeiro centro feminino em Barcelona foi a administração do Monterols, aberto em dezembro de 1948.

Em 1954 pediram admissão três adscritas dos arredores de Barcelona.

Amalia Illana Gómez nasceu em Melide, La Coruña, em 1933. Seu pai era professor e, por motivo de trabalho, mudou com a família para Badalona em novembro de 1942. Ela estudou lá com suas duas irmãs no colégio da Apresentação, das dominicanas, até os 17 anos, obtendo o título de perito mercantil ao sair do colégio. Chegou então a suas mãos, por intermédio de uma professora, o livro Caminho, que leu com entusiasmo, surpreendida por seu conteúdo e linguagem. Em julho de 1951 fez o serviço social num albergue da Falange em Bagur (Costa Brava) e participava das atividades da Ação Católica. Começou a receber os meios de formação espiritual da Obra e pediu admissão em 17 de fevereiro de 1954[135].

Rosa Ventura Padros nasceu em Badalona em 28 de outubro de 1932, pediu admissão como adscrita em 21 de março de 1954. Era enfermeira e trabalhou muitos anos como parteira em um centro médico. Deu cursos de ginástica para gestantes, novidade na época.

Josefa Tuneu Montanyà fez cálculo mercantil, correspondência comercial e mecanografia nas aulas noturnas da Academia Amils. Tinha, desde jovem, muito gosto pelos livros e frequentava a biblioteca pública da sua cidade. Trabalhava, desde os 15 anos, em uma oficina metalúrgica. Participou ativamente na Ação Católica, onde chegou a ser Delegada de Jovens. Desde cedo assistiu a vários retiros. Um deles teve lugar na igreja de San Justo, em Vic, pregado por um sacerdote do Opus Dei. A partir de então começou a assistir a reuniões mensais em Vic, nas quais um sacerdote do Opus Dei dava palestras espirituais. Pediu admissão como adscrita em 11 de agosto de 1954, com 23 anos[136].

Amalia e Josefa eram moças jovens e inquietas que trabalharam durante muito tempo na instalação de algumas livrarias que começaram em várias localidades de Cataluña: Garbí em Barcelona, Daina em Badalona, Montcau em Sabadell, Caresmar em Igualada e Atlántida em Vic.

As primeiras adscritas galegas: estudantes universitárias

Elena Yzquierdo Perrín nasceu em 1934. Tinha direção espiritual com o pe. Federico Suárez Verdeguer, sacerdote do Opus Dei[137]. Elena pediu admissão como adscrita em 24 de maio de 1954 enquanto estudava Ciências Químicas na Universidade de Santiago de Compostela[138]. Não terminou o curso porque mudou para Madri para trabalhar na livraria Neblí, que acabava de ser aberta. Depois foi para São Sebastião para abrir outra livraria. Ficou lá vários anos até que voltou a La Coruña onde encontrou um trabalho de acordo com seus estudos, em Cros, uma fábrica de produtos químicos.

Rosario Mata Varela estudou História na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Santiago de Compostela. Entre seus professores estava o pe. Federico Suárez Verdeguer. Ele a convidou a meditações que pregava na administração da residência masculina La Estila e logo começou a ter direção espiritual com ele. Ia lá à tarde para estudar e começou a assistir aos meios de formação cristã, dados na administração. Pediu admissão como adscrita em 8 de abril de 1955[139].

Rosario obteve uma bolsa para fazer doutorado, mas não chegou a defender a sua tese pois, depois de um tempo dando aulas de história e geografia no Colégio das Órfãs de Nossa Senhora dos Remédios, foi para Valência trabalhar em um novo colégio, Guadalaviar, primeira obra corporativa do Opus Dei nessa cidade. Alguns anos mais tarde foi a Barcelona para dar início ao colégio Canigó e também trabalhou algum tempo no Senara em Madri. Ao aposentar-se voltou para Santiago[140].

A primeira adscrita de Pamplona: uma enfermeira

Sagrario Aguinaga Torrano foi a primeira adscrita de Pamplona. Nasceu nessa cidade em 1925. Conheceu o Opus Dei no verão de 1952, por intermédio de Ismael Sánchez Bella que havia chegado em julho desse ano à cidade para providenciar o início do Estudio General de Navarra[141].

Sánchez Bella apresentou-se em sua casa, pois era amigo de Joaquín Aguinaga, o único irmão de Sagrario, que havia estudado engenharia industrial em Madri e tinha sido residente do colégio mayor Moncloa durante aqueles anos[142].

Mais para a frente, um sacerdote do Opus Dei apresentado por Sánchez Bella pediu ajuda a Sagrario para confecção de algumas alfaias litúrgicas. Depois ela e sua família envolveram-se na instalação material do primeiro centro do Opus Dei em Pamplona.

Sagrario começou a ter direção espiritual com o pe. Ángel García Dorronsoro[143], como algumas de suas amigas. Através dele soube que viriam a Pamplona vindas de Bilbao, algumas moças da Obra. Chegaram então Dorotea Calvo, Catherine Bardinet e Helena Serrano. Sagrario e suas amigas ajudaram na procura do local em que seria a escola de lar que queriam instalar, semelhante à que já funcionava em Bilbao. Em 1953 teve início o centro feminino do Opus Dei Goroabe, onde também começou a funcionar a escola de lar.

Sagrario era Dama da Cruz Vermelha. Obteve o diploma de enfermeira na Faculdade de Medicina de Saragoça e participou do corpo diretivo que providenciou o início da Escola de Enfermeiras (Ayudantes Técnicos Sanitarios Femeninos), da Universidade de Navarra. A Escola começou as atividades acadêmicas em 7 de outubro de 1954[144]. Em 20 de janeiro de 1955, Sagrario pediu admissão como adscrita[145].

As primeiras adscritas de Algeciras: duas jovens com estudos primários apenas

Josemaria Escrivá esteve em Cádiz e Algeciras em setembro de 1942. Treze anos depois, em 1955, duas jovens pediram admissão como adscritas.

María Gallurd Jiménez provinha de uma família de classe média. Seu pai era advogado e sua mãe dona de casa. Estudou em um colégio das Religiosas Missionárias da Imaculada Conceição. Fez o serviço social, como as jovens de sua geração e em julho de 1949 foi nomeada delegada da Seção Feminina da Ação Católica. Nessa época trabalhava em uma creche pela manhã; à tarde dedicava-se a tarefas da Ação Católica. Trabalhou também no departamento de Auxílio Social da Falange onde distribuíam leite em pó e outros alimentos básicos enviados dos Estados Unidos para as pessoas mais necessitadas[146]. Empregou-se também algum tempo na biblioteca da Prefeitura.

No começo da década de cinquenta, María e o namorado faziam planos para o casamento. Conheceu então em Sevilha o pe. Benito Badrinas, sacerdote do Opus Dei, que lhes explicou a mensagem de santidade no meio do mundo o que a deslumbrou imediatamente. María Tereza Ravina, supernumerária que morava em Cádiz, também lhe falou do Opus Dei e de seus membros. Decidiu então ir a Córdoba conversar com a diretora do centro feminino daquela cidade, Isabel Sancho, e pouco depois pediu admissão como adscrita. Era 25 de fevereiro de 1955, tinha 30 anos[147].

Pilar Picatoste Luna nasceu em Pamplona em 1927. Seu pai era militar e por essa razão a família mudou primeiro para La Línea de la Concepción e depois para Algeciras, ambas na província de Cádiz. Em 1955 Pilar trabalhava no departamento de passaporte da Polícia Nacional e conheceu a Obra. Pediu admissão como adscrita em 21 de junho de 1955; tinha então 27 anos[148].

Em Segóvia, outra adscrita, dedicada também a livros

Juana Martín Rueda nasceu em Segóvia no dia 31 de outubro de 1934, em uma família cristã numerosa. Começou a ouvir falar sobre o Opus Dei por uns primos, que tinham pedido a admissão nos anos quarenta. Nos anos 1949-1950, frequentava a Ação Católica diocesana.

No verão de 1951-1952 Juana Martín mantinha muita amizade com sua colega de colégio Elena Llorente, que havia pedido admissão no Opus Dei. Costumavam ir toda semana a Molinoviejo (centro do Opus Dei nas imediações de Segóvia), onde Juana ajudava nas tarefas domésticas e participava nos recolhimentos espirituais breves que se realizavam mensalmente. Começou a ter direção espiritual com o pe. José María Hernández Garnica e, ao conhecer melhor o Opus Dei, pediu admissão como adscrita em 28 de novembro de 1955.

No ano seguinte mudou para Madri para procurar trabalho e logo começou a trabalhar numa oficina de encadernação, situada na rua Lagasca, perto da residência de Diego de León, n.14. Ali faziam edições especialmente cuidadas de alguns livros de Escrivá e outros autores espirituais para presenteá-los a algumas autoridades eclesiásticas e proporcionar-lhes conhecimento do Opus Dei.

Em 1964, frequentou cursos de Genealogia, Heráldica e Direito Nobiliárquico do CSIC e diplomou-se nas três áreas. Durante algum tempo trabalhou com o Conde de Monterrón ajudando-o a decifrar fotos de arquivos onde havia certidões de Batismo, Matrimônio e óbito[149]. Um ano antes, em Zurbarán (Madri), outra de Segóvia havia pedido admissão como adscrita: Concepción Iglesias que já mencionamos.

Análise prosopográfica

Os dados apresentados sob forma narrativa nos parágrafos anteriores, serão analisados agora: número de adscritas, idade, lugar em que pediram admissão ao Opus Dei, seus estudos e profissões, trabalho que desempenhavam.

Quadro I

Número de pedidos de admissão de adscritas (que continuaram no Opus Dei) por anos, entre 1949 e 1955.

ANO

NÚMERO

1949

2

1950

0

1951

4

1952

10

1953

14

1954

14

1955

18

total

62

Número de pedidos de admissão

Em 1949 a Santa Sé havia aprovado a incorporação de fiéis solteiros ao Opus dei, com disponibilidade diferente da dos numerários para as atividades apostólicas. O Decreto Primum inter (16 de junho de 1950), com o qual a Santa Sé acabava de sancionar o Opus Dei como instituto secular, contemplava a inclusão dos adscritos como membros. Tanto Elena Blesa como María Luisa Udaondo que pediram admissão em 1949, fizeram-no pensando em ser numerárias, mas por suas circunstâncias pessoais permanentes viveram desde o começo como adscritas.

Foi a partir de 1951 que várias solicitaram ser admitidas como adscritas. O número cresceu rapidamente, estendendo-se por quase todo o território espanhol. Em dezembro de 1955 havia pelo menos 62 adscritas em diversas localidades do território nacional[150].

Quadro II

Lugares em que pediram admissão as primeiras adscritas do Opus Dei

As cidades em que pediram admissão essas mulheres correspondem a aquelas nas quais São Josemaria quis que se começasse a difundir a mensagem do Opus Dei: Madri, Salamanca, Saragoça, Valência, Santiago de Compostela, Sevilha, Granada. Havia nelas universidades, o que explica que a mensagem do Opus Dei tenha sido compreendida por algumas moças que faziam estudos superiores[151].

Em várias dessas cidades instalaram-se residências de rapazes e anexo a elas havia um centro feminino que se ocupava da administração da casa. Essas jovens também se dedicaram a difundir a mensagem de santificação entre suas amigas. Por isso, nas administrações de Alameda (Valência), Monterols (Barcelona), Miraflores (Saragoça), Abando (Bilbao), La Estila (Santiago de Compostela) e Albayzin (Granada) houve moças que pediram admissão como adscritas.

Em Madri e Saragoça concentra-se o maior número de adscritas desses anos. Em Barcelona não há adscritas no período estudado; as que há são de Vic e Badalona, cidades da província correspondente.

Quadro III

Idades das adscritas quando pediram admissão ao Opus Dei

Idade ao pedir a admissão

Número de adscritas

Menos de 20 anos

3

De 20 a 29

38

De 30 a 39

18

De 40 a 49

3

O estudo das idades revela uma ampla variedade de situações. A porcentagem mais alta é das jovens que o fizeram entre 20 e 30 anos (61%), que somando às que pediram admissão entre 30 e 39 anos (29%) constitui o resultado da grande maioria.

Na Espanha dos anos cinquenta, a mulher alcançava a maioridade aos 23 anos. As que pediram admissão com menos de 18 anos foram só duas (Alicia Sevilla e Concepción Bergés). As que o fizeram com 40 ou mais são três (Concepción Álvarez, Pilar Ramírez e Mercedes Novoa).

Quadro IV

Estudos das primeiras adscritas

Estudos

Nº de Adscritas

Estudos

Nº de Adscritas

Fundamental

18

Fundamental

18

Médio

3

Médio

3

Profissionalizante

5

Secretariado

3

Artes e ofícios

1

Decoração

1

Ensino Superior não universitário

27

Magistério

6

Jornalismo

2

Enfermagem

6

Serviço social

2

Comércio e contabilidade

11

Estudos Universitário

9

Mestrado

5

Doutorado

4


Não foi fácil conseguir os dados de estudos de cada adscrita. Como já afirmamos na Introdução, a situação das mulheres espanholas variou consideravelmente nas últimas décadas e a nomenclatura que se utilizava nos anos trinta e quarenta do século XX é muito diferente da que se usa atualmente. Tentar ajustá-la, portanto, pode dar lugar a algum equívoco.

Convém esclarecer que o ensino na Espanha não era obrigatório nem totalmente gratuito até a segunda metade do século XX. Durante o reinado de Alfonso XIII (1902-1931) a lei vigente era de 1857 (Ley Moyano) que estabelecia os seguintes níveis de educação regular: primária, subdividida em voluntária (de 4-6 anos) e básica (de 6-12 anos); secundária, com dois ciclos: prolongamento da primária (de 12-15 anos) e preparação para cursos universitários (de 15-18 anos). Acedia-se finalmente à educação superior ou ramo universitário.

Durante o primeiro biênio da Segunda República (1931-1933), modificou-se a estrutura do “bachillerato”: fazia-se dos 11 aos 18 anos.

Depois da Guerra Civil, (1936-1939), a partir de 1945, os níveis do ensino eram: educação primária (de 6 a 12 anos), ensino médio (ou “bachillerato “) geral (de 13 a 16 anos), seguido de ensino médio (ou “bachillerato”) especial (durava dois anos se depois se fazia o curso pré-universitário; ou cinco para obter um diploma profissional).

Das 62 adscritas, 56 fizeram seus estudos sob o reinado de Alfonso XIII (1902-1931) e a Segunda República (1931-1939). As outras seis fizeram-no na primeira etapa do franquismo.

Durante o reinado de Alfonso XIII podia-se fazer os estudos em centros oficiais ou não. Manuela Solans e Ascensión Forniés, que moravam em capitais de província, tiveram a possibilidade de frequentar centros escolares públicos ou particulares (todos reconhecidos). Consta, em suas memórias pessoais, que Piedad de la Cierva e Lourdes Díaz-Trechuelo estudaram em casa com professores particulares e depois fizeram exames no instituto de ensino correspondente, como alunas livres; suas famílias de nível social elevado, podiam arcar com estes gastos escolares.

No quadro IV indica-se o nível de escolaridade que as adscritas alcançaram. Pouco mais de um quarto destas sessenta mulheres, só o ensino primário. As que terminaram o secundário e não fizeram estudos posteriores foram 3, um terço da amostra. Ou, falando de outro modo, dois terços das que pediram admissão como adscritas, fizeram estudos superiores ou profissionais, porcentagem alta com relação às características sociais da época (primeira metade da década de cinquenta). As adscritas com estudos superiores (universitárias ou não) constituem mais da metade total que pediu admissão entre 1949 e 1955. Do total de adscritas, 17,7% fizeram estudos de comércio[152]; 14% terminaram os estudos universitários[153].

Quadro V

Profissões das primeiras adscritas

Profissão Número de adscritas
Trabalho da casa 5
Assistente social 1
Professoras universitárias 2
Decoradora 1
Educadoras 7
Funcionárias de empresas 9
Enfermeiras 5
Funcionárias administrativas do setor público 15
Pesquisadoras 2
Vendedoras de livros 8
Costureiras 2
Jornalistas 2
Recepcionistas de residências 3

Os dados sobre as profissões exercidas pelas que pediram admissão no Opus Dei como adscritas, entre 1949 e 1955, mostra uma variedade de situações. O quadro os apresenta simplesmente ordenados em ordem alfabética.

As adscritas deviam ter um trabalho – eixo do espírito de santificação que o Opus Dei promove – que lhes permitisse manter-se economicamente e contribuir diretamente com a aquisição e manutenção dos instrumentos materiais necessários para desenvolver os apostolados do Opus Dei.

A maior parte destas 62 mulheres trabalhou na administração pública ou local, exercendo funções de secretariado ou similar. As que haviam feito estudos de comércio ou contabilidade obtiveram trabalho em empresas particulares e algumas em livrarias. Separamos a categoria de vendedoras de livros pela especificidade do trabalho (pequena empresa, venda ao público), pelo número de adscritas que se dedicava a essa tarefa e porque estas livrarias eram associadas e pertenciam a uma cadeia de lojas que começou em 1951, por impulso de Escrivá para promover o aperfeiçoamento pessoal e profissional através da leitura.

As enfermeiras, as professoras (nos diversos níveis do ensino escolar) constituem 8% e 11% respectivamente. Poderiam ter sido mais, de acordo com os esquemas culturais da época, em que o ensino e a enfermagem eram as áreas com maior presença feminina.

Há duas catedráticas universitárias (Ascensión Forniés e Lourdes Díaz-Trechuelo), duas jornalistas (Engracia Asenjo e Ana Sancho), duas pesquisadoras (Piedad de la Cierva e Manuela Solans). Elas formam parte das mulheres espanholas de vanguarda em áreas de trabalho nas quais havia apenas homens.

As costureiras e as recepcionistas são pessoas de condição socioeconômica simples.

Como vimos mais acima, o tipo de estudos não reflete a situação socioeconômica das famílias dessas adscritas já que muitas das famílias acomodadas não apreciavam que as filhas estudassem, embora devamos destacar alguns casos excepcionais como o de Piedad de la Cierva. O tipo de trabalho que exerceram tampouco indica claramente seu nível social: não temos dados precisos das tarefas das funcionárias nem das que trabalhavam em empresas particulares. Algumas das que se dedicaram a tarefas domésticas eram de condição simples e outras, um pouco melhor.

Conclusões

A partir de 1949 foi possível admitir adscritos no Opus Dei: membros a título pleno, com compromisso de celibato, que não morariam num centro do Opus Dei. Sua disponibilidade e dedicação às tarefas apostólicas eram determinadas por suas circunstâncias pessoais. Nosso interesse está focado nas primeiras mulheres que pediram admissão como adscritas já que na Espanha dos anos quarenta a mulher era – do ponto de vista legal – uma permanente menor de idade.

O período analisado vai de 1949 – quando pediram admissão as duas primeiras – a 1955, já que em 1956 realizou-se um congresso geral ordinário para estudar – entre outros temas – o desenvolvimento dos apostolados do Opus Dei.

O Opus Dei, que havia nascido em 1928, pôde expandir-se pela península ibérica a partir da Guerra Civil Espanhola. Pelo menos até 1955, as cidades escolhidas para abrir um centro tinham universidade. Nelas foram instaladas residências masculinas de estudantes, cuja administração estava a cargo de algumas mulheres do Opus Dei. Também elas davam a conhecer a mensagem de santidade na vida diária às mulheres da cidade. Por isso, nestes centros femininos, anexos às residências universitárias, pediram admissão como adscritas algumas moças, com condição e circunstâncias diversas.

Devido à documentação disponível, o tratamento dado a essas mulheres no artigo é díspar; procurou-se, no entanto, dar um mínimo de informação sobre todas. Estes dados prosográficos correspondem a aquelas adscritas que permaneceram no Opus Dei durante toda sua vida.

Trata-se, portanto, do estudo de 62 mulheres espanholas que pediram admissão entre os 15 (a mais jovem) e os 47 anos; a maioria o fez entre 20 e 29 anos. Todas, sem exceção, tiveram a experiência da Guerra Civil Espanhola ou do período imediatamente posterior.

Conforme a idade no momento em que solicitaram a incorporação no Opus Dei, algumas eram estudantes, outras profissionais. Entre estas, a maioria não havia ido à universidade, como era habitual naqueles anos. Os estudos realizados correspondem aos que as mulheres espanholas da época escolhiam: comércio, enfermagem, secretariado, magistério, assistência social. Muitas delas exerceram trabalhos de secretariado ou similar na administração pública, local e empresas particulares (24% da amostragem). Outro grupo é das vendedoras de livros (13%): mulheres com formação profissional ou sem ela que se dedicaram a trabalhar em livrarias. Encontramos também pesquisadoras (3%) e catedráticas de universidade (3%).

Quanto aos estudos e profissões, pode-se afirmar que as mulheres que pediram admissão como adscritas na primeira metade da década de cinquenta, apresentam um corte transversal na sociedade espanhola.

A distribuição geográfica confirma a variedade da procedência das adscritas, mas o número diferente por localidade não parece dever-se a alguma causa especifica. A incorporação ao Opus Dei vinha como fruto do conhecimento de pessoas da instituição que estava nos seus começos (em 1949, o Opus Dei tinha 21 anos de existência). O maior número de adscritas em Madri se explica pela existência de mais centros femininos na cidade em que nasceu o Opus Dei.

A referência, em linhas gerais, à trajetória vital de cada uma das adscritas, permite fazer notar a permanência de muitas delas na própria cidade; poucas mudaram de país ou de cidade por motivos de família, trabalho ou saúde. O conhecimento do lugar e de seus habitantes converteu-as em pontos de referência e em pilares de projetos a longo prazo em favor da implantação desta instituição da Igreja, cujo objetivo é ajudar seus fiéis e a quem conhece a Obra a viver uma vida cristã em plenitude. A vida de entrega – incluindo o compromisso de celibato – dessas mulheres teve um papel de grande importância na difusão da mensagem do Opus Dei. Neste artigo não pudemos deter-nos em tal aspecto; esperamos que os resultados de nossa investigação contribuam para tal estudo.


María Hernández-Sampelayo Matos. Formada em geografia e história pela Universidade Autônoma de Madri e doutora em Filosofia e Letras, especializada em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Navarra. Desde outubro de 2006, professora doutora contratada pela ACAP (Agencia de acreditación de la calidad de la Enseñanza universitaria de la comunidad de Madri). Há vinte anos dedica-se à universidade. Exerceu a docência na faculdade de Educação e nos departamentos de Sociologia e Ciências Sociais, nas universidades Camilo José Cela, San Pablo CEU e Rey Juan Carlos em Madri. Suas pesquisas focam temas relacionados com questões educacionais, históricas e sobre a mulher, dirigidas à melhora na qualidade e atualização da docência. É autora de quinze livros (alguns em colaboração) sobre educação em família bem como vários artigos em revistas espanholas e estrangeiras.

e-mail: maria.hernandezsampelayo@urjc.es

María Eugenia Ossandón. Formada em História pela Pontifícia Universidade Católica do Chile (Santiago). Doutora em Teologia (especialidade História da Igreja) pela Universidade Pontifícia da Santa Cruz (Roma), na qual é docente no Departamento de História da Igreja. Em 2014 publicou sua tese de doutoramento: “Colaborar no terreno da caridade. Santa Sé e Comitê Internacional da Cruz Vermelha entre os séculos XIX e XX”. Pesquisadora do Istituto Storico San Josemaria Escrivá e membro do comitê editorial da revista Studia et Documenta.

e-mail: m.ossandon@pus.it


[1] Cfr. Peter Berglar, Opus Dei. Vida y obra del Fundador Josemaria Escrivá, Madri, Rialp, 1972, p.87.

[2] Cfr. os seguintes estudos sobre o início do apostolado no Opus Dei com mulheres: María Isabel Montero Casado de Amezúa, Mujeres del Opus Dei. Inicios del apostolado, en José Luis Illanes – José Luis González Gullón et al. (eds.), Diccionario de San Josemaria Escrivá (daqui em diante, DSI), Roma-Burgos, Istituto Storico San Josemaria Escrivá – Monte Carmelo, 2013, pp. 860-868; Francisca R. Quiroga, 14 de fevereiro de 1930: a transmissão de um acontecimento e uma mensagem, SetD 1 (2007) pp. 163-189.

[3] Cfr. Amadeo de Fuenmayor – Valentín Gómez-Iglesias – José Luis Illanes, El itinerario jurídico del Opus Dei. Historia y defensa de un carisma, Pamplona, Eunsa, 1989, pp. 25-47.

[4] Cfr. John F. Coverdale, La fundación del Opus Dei, Barcelona, Ariel, 2002, p. 100.

[5] Cfr. Gloria Torranzo, Los comienzos del apostolado del Opus Dei entre mujeres (1930-1939), SetD 7 (2013), pp. 87-89; Inmaculada Alva, El apostolado del Opus Dei entre las mujeres: un segundo comienzo (1937-1942), SetD 12 (2018), p. 174.

[6] Cfr. Inmaculada Alva, Jorge Manrique, Centro de, em DSI, pp. 696-698.

[7] S. Congregação de Religiosos, Constitutionibus Operis Dei Addenda, 18 de março de 1948 e o rescrito de 8 de setembro de 1949, cfr. De Fuenmayor – Gómez-Iglesias – Illanes, El itinerario jurídico, pp 200-201, 542-543.

[8] Cfr. Luis Navarro, Fieles del Opus Dei, em DSJ, p 514.

[9] Informou-se a mudança de nomenclatura em julho de 1967; São Josemaria adotou a nova denominação para evitar uma remota possibilidade de que o nome sugerisse a ideia de que os fiéis do Opus Dei fossem considerados religiosos ou membros de ordens terceiras (cfr. Nota {50/67}, 13 de julho de 1967, AGP, Q.1.3, leg. 7, carp. 37). Ela foi tomada da carreira docente espanhola, que distingue entre professores numerários, adscritos e supernumerários, embora Escrivá a tenha aplicado de modo análogo, porque não significa menor grau de incorporação ao Opus Dei, mas distingue simplesmente âmbitos de disponibilidade para algumas tarefas. Neste estudo usaremos a nomenclatura atual.

[10]Sobre os primeiros supernumerários do Opus Dei, cfr Luis Cano, Os primeiros supernumerários do Opus Dei. A convivência de 1948, SetD 12 (2018), pp 251-302; Francisca Colomer Pellicer, Ramona Sanjurjo Aranaz y los inicios del Opus Dei en Vigo, SetD 12 (2018), pp 303-315.

[11] Josemaria Escrivá, Carta 24-XII-1951, n 137, cit. em Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, São Paulo, Quadrante, 2004, vol III, p. 143, nota 164.

[12] Código Civil de 1889, art. 62.

[13] Em alguns casos, os relatos autobiográficos foram obtidos diretamente por María Hernández-Sampelayo; outros, por pessoas suficientemente qualificadas.

[14] María Ampuero (1926-2015). Alguns anos mais tarde, María foi trabalhar na Colômbia, onde faleceu.

[15] Situado na rua Zurbarán, 26. Foi aberto em fevereiro de 1946, Arquivo Geral da Prelazia do Opus Dei (daqui para frente, AGP), U.2.2, D-1575.

[16] Situado em Villaviciosa de Odón, nos arredores de Madri. Foi aberto em dezembro de 1944, AGP, U.2.2, D-1355.

[17] Gestoria situava-se no bairro operário de Pueblo Nuevo; teve início em novembro de 1953 (AGP, U.2.2, D-943). Naquela região esteve localizada, anos mais tarde, uma Escola de Formação Profissional, Besana, bem como duas pequenas empresas: a Tienda (chamada mais tarde Gestoria e depois DECEPAL) destinada ao abastecimento de gêneros alimentícios dos centros do Opus Dei, e Decoración (mais tarde INCODESA) que se ocupava da instalação dos novos centros que começaram em Madri nos anos cinquenta. Em ambas trabalharam algumas jovens da região e pediram admissão várias das primeiras adscritas, às quais nos referiremos ao longo deste artigo.

[18] Molinoviejo foi a primeira casa de retiros do Opus Dei e começou em fevereiro de 1947, AGP, U.2.2, D-1154.

[19] O diário do centro começou a ser escrito em fins de outubro de 1952, mas ninguém morava lá. A primeira atividade realizou-se na Semana Santa de 1953, AGP, U.2.2, D-2753.

[20] Foi aberto em setembro de 1950, AGP, U.2.2, D-2763.

[21] A administração começou a funcionar em janeiro de 1951, AGP U.2.2, D-2489.

[22] Llar começou as atividades em fevereiro de 1953, AGP U.2.2, D-149.

[23] Monterols foi aberta em dezembro de 1948 AGP U.2.2, D-172.

[24] Ercarnación Ortega Pardo (1920-1995). Cfr. Maite del Riego Ganuza, Páginas de amistad. Relatos en torno a Encarnita Ortega, Madri, Rialp, 2003.

[25] Guadalupe Ortiz de Landázuri Fernández de Heredia (1916-1975). Doutora em Ciências Químicas, cfr Mercedes Eguibar Galarza, Guadalupe Ortiz de Landázuri. Trabajo, amistad y buen humor, Madri, Palabra, 2001.

[26] Mercedes Morado García (1924). Professora, licenciada em Filosofia e Letras

[27] Enrica Botella Raduán (1917-2000). Fez estudos de Perito Mercantil. Cfr. Beatriz Torres Olivares, Botella Raduán, Enrica, em DSI, pp 163-164.

[28] Cfr. Rubén Pallol Trigueros, Las clases medias madrileñas en el primer tercio del siglo XX. Un retrato socioprofisional, em José María Beascoechea Gangoiti – Luis Enrique Otero Carvajal, Las nuevas clases medias urbanas: transformación y cambio social en España, 1900-1936, Madri, Los Libros de la Catarata, 2015, pp 39-57.

[29] Cfr. Antonio Fernández-García – Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de la Valugera – Estíbaliz Ruiz de Azúa y Martínez de Ezquerecocha – Secundino-José Gutiérrez Álvarez, Documentos de Historia Contemporánea de España, Madri, Acta, 1996, pp 591-593.

[30] No ano letivo 1919-1920 havia 345 mulheres, em 1927-1928 eram 1681, o que representava 4,2% do corpo discente universitário. Cfr. La Educación en la España contemporánea, consultado en 1º de septiembre de 2017, http://www.ub.edu/ciudania/hipertexto/evolucion/in...

[31] Cfr. Laura Sánchez Blanco – José Luis Hernández Huerta, La educación femenina en el sistema educativo español (1857-2007), “El Futuro del Pasado, revista electrónica de historia” 3 (2012), pp 255-281.

[32] Cfr. Santiago Veja Sombría, A sombra do franquismo é alongada. As consequências da repressão franquista, VI Encuentro de investigadores sobre el franquismo. Zaragoza, 15, 16 y 17 de noviembre de 2006, Fundación Sindicalismo y Cultura, 2006, pp. 1032-1047.

[33] Cfr. Jesús Javier Alonso Castroviejo, Venganza y represión durante el franquismo, “Brocar” 21 (1998), pp.405-426.

[34] No ano letivo 1935-1936 havia 2.676 alunos. Cfr. María Fernando Mancebo, La Universidad de Valencia. De la Monarquía a la República (1919-1939), Valência, Universitat de Valencia, 1994, p.238.

[35] Cfr. Josemaria Escrivá, Caminho. Edição Comentada, Quadrante, São Paulo, 2014. Sobre Sánchez Bella, cfr. Antonio Cañellas Mas, Alfredo Sánchez Bella: um diplomático para Hispanoamérica, “Aportes” 28 (2013), pp. 41-62.

[36] Cfr. Fernando Crovetto, Viajes apostólicos, em DSI, p 1257.

[37] Cfr Ramón Pereira, Casciaro Ramirez, Pedro, em DSI, p. 212.

[38] A fonte principal para conhecer suas circunstâncias são as cartas de 1949 a 1953 que se conservam em AGP, fondo U.1.1.5.

[39] Recordações de Adele Blesa Yanes, entregues a María Hernández-Sampelayo.

[40] Testemunho de Elena Blesa sobre Josemaria Escrivá, junho de 1975, AGP, A.5, leg. 315, carp. 2, exp. 2. Elena Blase diz que o encontro com Escrivá teve lugar quinze dias depois de ter pedido admissão no Opus Dei.

[41] Testemunho de Elena Blesa sobre São Josemaria Escrivá, junho de 1975, AGP, A. 5, leg. 315, carp. 2, exp. 2.

[42] De Castellón, vinham María Garrín, Ana Fabregat; Carmen Huesa de Vilavieja; Consuelo Gilabert de Oliva; Luísa Matosas de Segorbe; Sergia Fernández Luna e Dolores Morales de Aguilas na província de Murcia; e Dolores Wandorell de Orihuela.

[43] Fernández e Morales pediram a admissão no Opus Dei como adscritas, mas não chegaram a incorporar-se na Obra.

[44] Ideas foi aberta em 1940 e seu proprietário era Hipólito Sánchez. Esta livraria mudou de direção em 1951 e passou a ser a primeira de uma cadeia de livrarias que se estendeu por toda Espanha e que existe ainda. Várias das adscritas citadas neste estudo trabalharam nessa empresa.

[45] Carta de Elena Blesa Yanes a Purificación García Gallardo, 11 de março de 1951, AGP, U.1.1.5.

[46] Conversa telefônica de María Hernández-Sampelayo com Adela Blesa, irmã de Elena, em 2016.

[47] “No outro dia Elena foi para Caracas com sua família, que mora lá”, carta de Guadalupe Ortiz de Landázuri a Mercedes Morado, 1º de setembro de 1958, AGP, GOL A-00980.

[48] Dados AGP, U.1.4, leg. 94, carp. 336.

[49] Josefina Calarcos nasceu em 12 de julho de 1917, faleceu em 14 de fevereiro de2000, dados AGP, U. 1.4, leg 26, carp 103.

[50] Conversa de María Hernández Sampelayo com Teresa Delgado Calvo (em setembro de 2016), que conheceu e tratou Calarcos especialmente nos anos cinquenta.

[51] Ana Josefa Sancho nasceu em Ceuta em 6 de maio de 1923, morreu em 23 de maio de 2010, dados AGP, U.1.4, leg 36, carp 142.

[52] Cfr. Ana Gironés, Ana Sancho. La primera mujer periodista de la Comunitat Valenciana, em http;//www.levante-emv.com/comunitat-valenciana/2010/05/25/ana-sancho-primera-mujer-periodista-comunitat-valenciana/708413.html.

[53] Ana Fabregat nasceu em Castellón em 30 de janeiro de 1930, morreu em 24 de junho de 1986, dados AGP, U.1.4, leg. 9, carp. 35.

[54] Provavelmente o casal Enrique e Josefina Bell. Recordações de Amelia Ortí García, anotadas por Teresa Delgado Calvo, Valência, 2 de junho de 2015, AGP, U.1.2, leg. 5, carp. 105.

[55] Recordações de Amelia Orti García, anotadas por Teresa Delgado Calvo, Valência, 6 de junho de 2015, AGP, U.1.2, leg. 5, carp. 105.

[56] Recordações de Amelia Orti García, anotadas por Teresa Delgado Calvo, Valência, 6 de junho de 2015, AGP, U.1.2, leg. 5, carp. 105.

[57] Cfr. Ramón Pomar, San Josemaria y la promoción del Colegio Gaztelueta, SetD4 (2010), pp 114, 121.

[58] Carta de María Luisa Udaondo a Josemaria Escrivá, 26 de fevereiro de 1949 (AGP ainda sem catalogação) na qual não especifica se quer ser numerária ou adscrita. Por outras cartas suas datadas de 1951, de León a Madri, deduz-se que ela pensava que iria morar num centro. Suas circunstâncias familiares naqueles momentos, no entanto, impediram isso e viveu de fato como adscrita toda sua vida. María Luisa Udaondo nasceu em Markina (Vizcaya) em 30 de junho de 1926, morreu em Madri, em 14 de outubro de 2017.

[59] Juan Udaondo Barinagarrementeria (1923-1999).

[60] Modesta Lejarza nasceu em Getxo (Vizcaya) em 11 de abril de 1929, relato autobiográfico, Bilbao, julho de 2015, em poder de Maria Hernández-Sampelayo.

[61] Jesús Urteaga Loidi (1921-2009) foi capelão do Colégio Gaztelueta de 1951 a 1959. Autor de O valor divino do humano (1948), Siempre alegres para hacer felices a los demás (1967), Los defectos de los santos (1978), entre outros. Foi um dos criadores e diretor da revista Mundo Cristiano (1963).

[62] Relato autobiográfico de Modesta, Bilbao, julho de 2015, com Maria Hernández-Sampelayo. A verdade, Modesta tinha 24 anos.

[63] Rosario Borque nasceu no dia 4 de outubro de 1920, morreu no dia 27 de agosto de 2009, dados AGP, U.1.4, leg. 36, carp. 141.

[64] Judith Herrero nasceu em 28 de outubro de 1931, morreu em 6 de setembro de 2006, dados AGP, U.1.4, leg. 35, carp. 137.

[65] A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz é uma associação de clérigos intrínseca ao Opus Dei; José Luis González Gullón, Sociedad Sacerdotal de la Santa Cruz, Historia de la, em DSI, pp 1166-1171.

[66] Testemunho de Concepción Bergés, Barcelona, abril de 1977, AGP, A.5, leg. 314, carp. 3, exp. 13.

[67] Carta de Concepción a Maria Ampuero, 10 de fevereiro de 1953, AGP, U.1.1.5.

[68] Conversa de Maria Hernandez-Sampelayo com a irmã de Concepción.

[69] Memória de Francisca de la Torre, 20 de fevereiro de 2006, AGP, U.1.2, leg.2, carp.28. Francisca nasceu em 22 de maio de 1931, morreu em 26 de outubro de 2013, dados AGP, U.1.4, leg. 78, carp.276.

[70] Diário da administração de Miraflores, 12 de outubro de 1952, AGP, U.2.2, D-2769. Consuelo nasceu em 2 de maio de 1915, morreu em 2 de dezembro de 2001, dados AGP, U.1.4, leg. 27 carp. 106.

[71] Manuela nasceu em Monzón (Huesca) em 8 de outubro de 1927, morreu em 28 de novembro de 2018.

[72] Cfr. María Hernández-Sampelayo Matos, Mujeres en la universidad. Algunas pioneiras durante el franquismo, em Maricruz Díaz de Terán (ed), “El genio oculto: por la visibilidad de la aportación femenina ayer y hoy”, Actas de la I jornada interdisciplinar, Pamplona 24 de fevereiro de 2017, Universidade de Navarra, 2017 p. 60 (http://dadun.unav.edu/bitsream/10171/47915/1/actas%20jornada%20febrero%202017.pdf).

[73] José Orlandis Rovira foi historiador, sacerdote e jurista espanhol, conhecido por suas pesquisas sobre a cultura e as instituições visigóticas. Cfr. Román Piña Homs, In memoriam, José Orlandi Rovira (1918-2010), “Anuario de Historia del Derecho Español” 81 (2011), pp. 1188-1191.

[74] Relato autobiográfico de Manuela Solans, Saragoça, 13 de agosto de 2015, AGP, U.1.2, leg. 5, carp. 104. No Colegio Mayor havia 60 residentes e o pessoal da administração doméstica era insuficiente.

[75] Relato autobiográfico de Manuela Solans, Saragoça, 13 de agosto de 2015, AGP, U.1.2, leg. 5, carp. 104; Carta de Manuela Solans a Josemaria Escrivá, 29 de agosto de 1952, AGP, ainda não catalogada.

[76] Memória de Carmen Comín, Saragoça, 12 de fevereiro de 2006, AGP, U.1.2, leg.2 carp. 28. Carmen nasceu em Botorrita (Saragoça), em 27 de abril de 1929.

[77] Em 17 de maio de 1953 anota-se que há sete adscritas: Concepción Bergés, Francisca de la Torre, Consuelo Zazurca, Pilar Ramírez, Pilar Sebrián, Angelines (Albaicate?) e Remedios Cortón. Não há dados das duas últimas. Diário do centro da rua Baltasar Gracián, AGP, U.2.2, D-2753.

[78] Pilar nasceu em 11 de fevereiro de 1913 morreu em 26 de junho de 1982, dados AGP, U.1.4, leg. 6, carp. 22.

[79] Diário do centro da rua Baltasar Gracián, 18 de outubro de 1953, AGP, U.2.2, D-2753; dados AGP U.1.4, leg. 37, carp. 143. Trinidad nasceu em Odón em 30 de maio de 1927, morreu em 13 de dezembro de 2011.

[80] María Pilar nasceu em 27 de março de 1914, morreu em 3 de fevereiro de 2004, dados AGP, U.1.4. leg. 30, carp. 116.

[81] Carmen nasceu em Valpalmas em 18 de outubro de 1930, morreu em 13 de maio de 2012, dados AGP, U.1. 4, leg. 37, carp. 145.

[82] Carta de María Luisa a Josemaria Escrivá, 14 de fevereiro de 1955, AGP, ainda não catalogada. María Luisa nasceu em Tudela em 6 de junho de 1932.

[83] Ascensión nasceu em Mallén (Saragoça), em 21 de maio de 1925, morreu em Saragoça em 18 de fevereiro de 2005, dados AGP, U. 1. 4, leg. 30, carp. 119. Cfr. Hernández-Sampelayo, Mujeres, p. 61.

[84] Alicia nasceu em Saragoça em 13 de março de 1940.

[85] Otilia nasceu em Ojos Negros, em 7 de março de 1927.

[86] Cfr. Mercedes Montero, Los comienzos de la labor del Opus Dei con universitarias: la Residencia Zurbarán de Madrid (1947-1950) SetD 4 (2010), pp. 15-44; Id., Zurbarán, Colegio Mayor Universitario, em DSI, pp. 1316-1317.

[87] Memória de Carmen Toranzo, sem data nem assinatura, AGP, U.1.2, leg, 5, carp. 103.

[88] Diário da Residência Zurbarán 14 de fevereiro de 1951, AGP, U.1.2, D-1588. Carmen nasceu em 22 de junho de 1927, morreu em 18 de fevereiro de 2008.

[89] Memória de María Lola Múgica, Madri, julho de 1976, AGP, U.1. 2, leg. 3, carp. 39.

[90] Concepción nasceu em Madri em 7 de janeiro de 1928, morreu em 7 de junho de 2004, dados AGP, U.1.4, leg. 30, carp 116.

[91] Relato autobiográfico de Josefina Escós Enciso, Pamplona 2008, em poder de María Hernández-Sampelayo. Josefina nasceu em Madri, em 28 de agosto de 1924.

[92] Cfr. Guadalupe Arribas – Rosario Serrano, Primeros años de la Escuela de Enfermeras, “Anuario de Historia de la Iglesia – 10 (2001), p. 725.

[93] Mercedes nasceu em Pamplona no dia 24 de março de 1925; morreu em Madri no dia 27 de agosto de 1973, dados AGP, U. 1. 4, leg. 1, carp. 3.

[94] Concepción nasceu em Santo Domingo de la Calzada (La Rioja) em 9 de dezembro de 1918, morreu em 29 de dezembro de 2015, dados AGP, U. 1. 4, leg. 88, carp. 311.

[95] Testemunho de Concepción, novembro de 2002, AGP, U. 1. 2, leg. 1, carp. 20.

[96] Relato autobiográfico de Piedad de la Cierva, Madri, 30 de novembro de 2002, AGP, U. 1. 2, leg 1, carp. 2.

[97] Nessa mesma embaixada estava também escondido Vicente Rodríguez Casado, membro do Opus Dei. Isidoro Zorzano ia visitá-lo sempre que podia, praticamente todos os dias. São Josemaria, a partir de 31 de agosto de 1937, quando abandonou a Legação de Honduras, também foi lá muitas vezes. Piedad não soube disso naquele momento.

[98] Relato autobiográfico de Piedad de la Cierva, Madri, 30 de novembro de 2002, AGP, U.1.2, leg.1, carp. 2. Sobre os concursos para cátedra das universidades, cfr. Luis Enrique Otero Carvajal, Las ciencias naturales en la Universidad nacional católica. La reacción antimoderna, “Historia del Presente” 20 (2012), pp.51-67.

[99] Relato autobiográfico de Piedad de la Cierva, Madri, 30 de novembro de 2002, AGP, U. 1. 2, leg. 1, carp. 2.

[100] Relato autobiográfico de Piedad de la Cierva, Madri, 30 de novembro de 2002, AGP, U. 1. 2, leg. 1, carp. 2.

[101] Mercedes Novoa nasceu em 23 de janeiro de 1906, morreu em 13 de janeiro de 1988, dados AGP, U.1. 4, leg. 11, carp. 45.

[102] Mercedes Silvestre nasceu em Albacete, em 28 de março de 1931, morreu em 7 de outubro de 2006, dados AGP, U.1 4, leg. 35, carp. 137.

[103] Juana María del Castillo pediu admissão como numerária quando tinha 21 anos; carta de Juana a Josemaria Escrivá, 27 de dezembro de 1951, AGP não catalogada; memória de Juana María del Castillo, Madri, fevereiro de 2005, AGP, U. 1. 2, leg. 5, carp. 103.

[104] Relato autobiográfico de Concepción Iglesias, Pamplona, julho de 2015, em poder de Maria Hernández-Sampelayo.

[105] María Isabel Sabater nasceu em Valladolid em 3 de maio de 1923, morreu em 8 de agosto de 2016. Pediu admissão em 18 de setembro de 1954, dados AGP, U. 1. 4, leg. 94, carp 335. Pilar Jáudenes nasceu em Madri em 30 de novembro de 1923; pediu admissão em 2 de outubro de 1954.

[106] Relato autobiográfico de María Dolores García del Barrío Ambrosy, AGP, U. 1. 2, leg. 1, carp. 20.

[107] Relato autobiográfico de María Dolores García del Barrio Ambrosy, AGP, U.1. 2, Leg 1, carp. 20. Nasceu em 25 de março de 1925.

[108] Engracia Ansejo Jordán ocupou por concurso o cargo de inspetora de ensino fundamental, cfr. “Escuela Española” n. 755, ano XV, Madri, 28 de julho de 1955, p. 443.

[109] María Dolores Trejo nasceu no dia 31 de março de 1921, morreu no dia 8 de abril de 1960, dados U. 1. 4, leg. 1, carp. 3.

[110] María del Carmen Jáudenes nasceu em 10 de junho de 1930, pediu admissão como adscrita em 19 de dezembro de 1955.

[111] Carta de Concepción Álvarez Jusué 23 de fevereiro de 1951, AGP U. 1. 1. 5.

[112] Carta de Concepción Álvares Jusué a Gloria Toranzo, 13 de agosto de 1951, AGP, U. 1. 1. 5.

[113] Concepción Álvares nasceu em 10 de dezembro de 1905, morreu em 28 de fevereiro de1980, dados AGP U. 1. 4, leg 4. Carp. 12.

[114] Juana María Durán nasceu em Cáceres em 4 de julho de 1916, morreu em 19 de janeiro de 1979, dados AGP, U. 1. 4, leg. 4. Carp. 12

[115] Carmen Chapín nasceu em Cáceres em 1º de janeiro de 1928.

[116] Relato sobre Carmen Chapín Baños de autoria de M. Carmen Temprado, Saragoça, setembro de 2017, em poder de María Hernández-Sampelayo.

[117] Cfr. Constantino Ánchel, La predicación de San Josemaria. Fuentes documentales para el período 1938-1946, SetD 7 (2013), pp. 125-198.

[118] María Calzada nasceu em Salamanca em 8 de janeiro de 1928, faleceu em 17 de janeiro de 2016, dados AGP, U. 1. 4, leg. 94, carp. 335.

[119] Seguiremos sua autobiografia: Lourdes Díaz-Trechuelo, A la mitad del camino, Rialp, Madri 1992, 156 pp.

[120] Cfr. Ibíd., pp. 38-39.

[121] Vicente Rodríguez Casado (1918-1990). Cfr. Antonio Cañellas Mas, Vicente Rodríguez Casado: las implicaciones políticas del americanismo científico de pos-guerra, en Antonio César Moreno Cantono (coord.), Cruzados de Franco. Propaganda y diplomacia en de guerra (1936-1945), Gijón, Trea, 2013, pp. 271-301; Luis Martínez Ferrer, Vicente Rodríguez Casado: niñez, juventud y primeros años en el Opus Dei (1918-1940), SetD 10 (2016), pp. 195-257; Antonio Cañellas César Olivera, Vicente Rodríguez Casado. Pensamiento y acción de un intelectual, Madri, Ediciones 19, 2018, 398 pp.

[122] Cfr. Lourdes Díaz Trechuelo, A la mitad, p. 68.

[123] Cfr. Ibid, p. 80.

[124] Montserrat Vila nasceu em 8 de março de 1927, morreu em 25 de fevereiro de 2012, dados AGP, U. 1. 4, leg. 37, carp. 145.

[125] Carta de Montserrat Dalmau a Josemaria Escrivá, Girona, 28 de agosto de 1954, AGP, não catalogada.

[126] Montserrat nasceu em Girona, em 18 de março de 1924.

[127] María Cos nasceu em 22 de maio de 1932, morreu em 4 de novembro de 1973, dados AGP, U.1.4, leg. 1, carp. 3.

[128] Montserrat Guardiola nasceu em Girona em 7 de janeiro de 1924.

[129] Dados obtidos por María Hernández-Sampelayo em uma entrevista pessoal com Rosa Nadal y Picamal, Girona, julho de 2016. Mercè Masó nasceu em 21 de março de 1934, faleceu em 3 de julho de 2007, dados AGP, U.1.4, leg. 35, carp. 138.

[130] María Gracia Villoslada nasceu em Granada em 8 de setembro de 1921, morreu em 24 de abril de 1961, dados AGP U.1. 4, leg. 1, carp 3.

[131] Diário da administração de Albaycín, 8 de dezembro de 1953, AGP, U. 2. 2, D-630.

[132] Marina Cabrera nasceu em 18 de janeiro de 1921, morreu em 30 de dezembro de 2008, cfr. “Romana. Bolletino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei” (daqui em diante, “Romana”) 24 (2008), p. 343.

[133] Carmen Serrano nasceu em 12 de fevereiro de 1931 e faleceu em 31 de outubro de 1998, cfr. “Romana” 14 (1998), p. 318.

[134] Cfr. Francesc Castells i Puig, Barcelona 1939-1940: los viajes para establecer el primer centro del Opus Dei, SetD 8 (2014), pp. 191-210.

[135] Relato autobiográfico de Amalia Illana, Badalona, junho de 2016, em poder de María Hernández- Sampelayo. Amalia nasceu em 15 de fevereiro de 1933.

[136] Relato autobiográfico de Josefa Tuneu, Vic, 22 de junho de 2008, AGP, U. 1. 2, leg. 4, carp. 80. Ela nasceu em Torelló, em 19 de maio de 1931.

[137] Federico Suárez Verdeguer (1917-2005) licenciou-se em História na Universidade de Valência e obteve doutorado na Universidade Central de Madri em 1942. Obteve a cátedra de História Moderna e Contemporânea da Espanha na Universidade de Santiago em 1948. Em 1955 mudou para Pamplona a fim de organizar a Escuela de Historia do então Estudio General de Navarra, embrião da Faculdade de Filosofia e Letras. Em 1975 foi nomeado capelão da Casa Real, cargo que manteve até sua morte. Cfr. Ángel Luis González, Federico Suárez Verdeguer (1917-2005), in memoriam, “Anuario de Historia de la Iglesia” 14 (2005), pp 482-484; Álvaro Ferrary, Federico Suárez Verdeguer (1917-2005), “Memoria y Civilización” 8 (2005), pp 7-10.

[138] Elena Yzquierdo nasceu em 9 de janeiro de 1934, morreu em 11 de novembro de 2013.

[139] Rosario Mata nasceu em 17 de janeiro de 1933.

[140] Relato autobiográfico de Rosario Mata, Santiago de Compostela, julho de 2016, em poder de Maria Hernández-Sampelayo.

[141] Ismael Sánchez Bella (1922-2018), doutor em Direito e formado em Estudos Hispanoamericanos, foi um dos primeiros professores da Universidade de Navarra em 1952. Catedrático de História do Direito; durante dois anos foi o primeiro diretor da Faculdade de Direito até ser nomeado reitor da Universidade de Navarra. Em 1959 passou a ser vice-reitor até 1986. Irmão de Alfredo Sánchez Bella, cfr. nota 35.

[142] Joaquín Aguinaga Torrano (1928-2000) era engenheiro industrial e foi parlamentar vasco.

[143] Ángel García Dorronsoro (1924-2014) tornou-se popular nos lares espanhóis graças à sua participação em “Tiempo para crer”, que a televisão espanhola apresentou em fins dos anos sessenta.

[144] Cfr. Guadalupe Arribas – Rosario Serrano, Primeros años de la Escuela de Enfermeras, “Anuario de Historia de la Iglesia” 10 (2001), p. 725.

[145] Sagrario Aguinaga nasceu em 25 de outubro de 1925.

[146] Os acordos hispano-americanos foram assinados no contexto da guerra fria, em 1953. Os Estados Unidos concederam ajuda material de todo tipo à Espanha em troca da instalação de bases militares em território nacional. A partir dos anos sessenta, a situação socioeconômica da Espanha passou por uma profunda transformação graças ao Plano de Estabilização e a posterior implementação dos Planos de Desenvolvimento. Cfr. Fernández García Bullón de Mendoza y Gómez de la Valugera – Ruiz de Azúa y Martínez de Ezquerecocha – Gutiérrez Álvarez, Documentos, pp. 586-589.

[147] Relato autobiográfico de María Gallurd Jiménez, Algeciras, 8 de junho de 2015, em poder de María Hernández-Sampelayo. María Gallurd nasceu em 28 de dezembro de 1924.

[148] Pilar Picatoste nasceu em 3 de setembro de 1927.

[149] Memória de Juana Martín Rueda, março de 2003, AGP, U. 1. 2, leg. 1, carp. 20.

[150] Na Argentina, em 1953, María Teresa Pequich, havia pedido admissão como adscrita e no México, Isaura Santamaría Carrasco, em 1954.

[151] As mulheres matriculadas nas doze universidades do território nacional eram: em 1949-50, 7.314 (14,5%); em 1950-51, 7.667 (14,8%); em 1951-52, 7.955 (14,9%); 1952-53, 8.540 (14,7%); 1953-54, 9607 (16,1%); 1954-55, 9.531 (16,2%): Estudos universitários. Resumo por anos acadêmicos no “Instituto Nacional de Estadísticas”, Anuario 1957, p. 807, http://www.ine.es.inebaseweb/pdfDispacher.do?td=169834&ext=.pdf, visitada em 17 de outubro de 2017.

[152] Para dar alguns dados de referência, as que terminaram o nível elementar ou de perito de comércio, no ano 1954-1955, eram 1.325, 24% do total das que terminaram esses estudos, cfr. Alunos matriculados e diplomas expedidos, por Escolas em Instituto Nacional de Estatística, Espanha, Anuario 1957, p. 792, http://www.ine.es/inebaseweb/pdfDispacher.do?td=169813&ext=pdf, visitada em 17 de outubro de 2017. A porcentagem de mulheres espanholas que se matricularam nas escolas de comércio entre 1939-40 e 1954-55 oscilou entre 20 e 30% do total de matriculados.

[153] Porcentagem que corresponde à proporção de mulheres na universidade em 1949 (cfr. nota 151); embora nas estatísticas a análise seja anual e em nosso caso a cifra se refere a um período de seis anos