Perseverar até o Céu

Artigo do padre João Bechara, publicado na coluna "Liturgia e Vida", do jornal O São Paulo.

Opus Dei - Perseverar até o CéuFoto: Pixabay

Levar até o fim as boas obras é algo difícil, mas é uma das coisas mais importantes desta vida. O casamento, a vocação ao sacerdócio, a vida de oração, a educação dos filhos, o cuidado de um doente, obras de caridade, a fé e o amor a Jesus Cristo... As coisas mais importantes que podemos cultivar neste mundo exigem de nós a virtude da perseverança!

Para essas coisas, não basta a empolgação do início! É necessária uma fidelidade sempre nova, que não nos deixe à mercê dos bons sentimentos (que vêm e vão), nem das circunstâncias favoráveis (que podem mudar), nem das facilidades (frequentemente momentâneas). Pois a perseverança nos compromissos assumidos é o que nos coloca à prova e amadurece o nosso amor. Quanto mais dificuldades encontrarmos, mais amor será necessário para perseverar!

Por isso São Josemaría Escrivá dizia: “Começar é de todos; perseverar é de santos”. Para perseverar, é preciso um amor aceso. Amor não apenas de sentimentos, mas de obras e acompanhado do esquecimento de si mesmo. Porque amou muito, Nossa Senhora perseverou ao lado de Cristo na Cruz. Porque amou muito, Nosso Senhor bebeu o cálice da Paixão até a última gota, quando finalmente disse: “Tudo está consumado” (Jo 19,30). Porque nos ama, Deus Pai permanece sempre bom e fiel, e não desiste de nos ajudar em vista da salvação eterna.

Aliás, eis o nosso destino sobre a terra: amar e lutar até o último suspiro. Não podemos desistir! Não podemos dizer “basta”, “jogar a toalha”! É verdade que há épocas muito difíceis. Em outros períodos, sentimos como se tudo corresse bem. As fases mais doces são um presente do Senhor, para nos ajudar a perseverar. Mas todos temos como missão neste mundo perseverar! Até dizer, no instante de entregar a alma a Deus: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7).

Muitos cristãos pedem diariamente a Deus a graça da perseverança final, isto é, o dom de, no momento da morte, possuir fé, esperança e amor a Jesus Cristo e um arrependimento sincero de todos os pecados. Por isso, pedimos também a Nossa Mãe do Céu que rogue por nós, pecadores, “agora e na hora da nossa morte”. Esperamos morrer na graça, depois de uma boa Confissão; e, se Deus quiser, tendo recebido também a Unção e a Eucaristia.

O Senhor nos diz no Evangelho: “Qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?” (Lc 14,28). Calculemos: temos material suficiente para chegar a pôr a “pedra final” de nossa vida? Oramos, exercitamos a paciência e a humildade? O que nos falta? Vivemos pensando apenas neste mundo, ou lembramos que nossas escolhas daqui terão implicações eternas? O que nos tem dificultado para perseverar na fé, no amor e nos compromissos assumidos: coisas, pessoas, vícios? O que nos desvia do caminho ou nos faz desanimar?

Lembremo-nos sempre do Céu! Tudo nesta vida passa, mas a fidelidade a Deus e a perseverança nos compromissos assumidos darão frutos eternos!